01 de Outubro de 2009

Nesta altura da película, imagino que já todos vocês conheceis a cena de Malaga, e pouco mais fica para acrescentar às excelentes crónicas enviadas. De qualquer modo, e dado que tampouco escrevo muito na CicloLista, vou tentar complementar as outras crónicas com a minha  visão particular.

Antes de mais, vou apresentar-me um pouco. Vivo em Granada à sete anos, mas ainda sou de Bilbau, tenho quase 40 anos (em novembro próximo), meço um pouco mais de 1.80 e peso à volta de 85 Kg. Como vêem, não sou exactamente o dobro do Pantani, e com o qual mais me pareço no universo ciclista, é a um cu gordo holandês. Com esta introdução, e uma vez lidas o resto das crónicas da subida ao Torcal, já imaginam o bom bocado que passei.

A verdade é que gosto das marchas cicloturistas. Devido ao meu trabalho e a outras causas, saio na bicicleta quase sempre sozinho, e de vez em quando gosto de me meter no ambiente ciclista, ver e admirar as bicicletas dos outros, as pessoas dos clubes com as suas camisolas iguais (vamos a ver quando teremos as nossas) e, em resumo, esse conjunto de coisas que te levam a pensar que pelo menos por um dia tens algo em comum com o Indurain.

A primeira marcha que fiz (a subida a Veleta do ano passado), pensava que para o meu nível havia treinado bastante, e imaginava que ia encontrar gente parecida comigo. Grande erro. Nada mais se dar a partida, dos 700 que participávamos, cerca de 600 saíram disparados perante o meu olhar atónito, sabendo o que nos esperava, e ficámos num grupo onde se podia encontrar um amplo mostruário do leque dos varios tipos de cicloturistas, incluindo gente com as camisolas justas de mais, quer dizer, gordos; gente com pouco cabelo, e a maioria branco, em resumo, gente com todos os sintomas que dá a idade e os excessos da vida. Deles não há que dizer nada, já que este é o grupo com o qual sofri durante toda a subida, e os que volto a encontrar nas outras marchas em que participei, que considero os meus companheiros ciclistas. Como comentava antes, apesar disto, gosto de participar.

Entrando no baile. No domingo passado levantei-me cedo, tomei um pequeno almoço equivalente à dieta de uma modelo para um ano inteiro, apanhei o carro e fui para Málaga de encontro a esse ambiente que antes comentei. Logo de inicio, vi um tipo com uma fita retrovisora no capacete, acompanhado de outro com uma camisola de @ciclistas, e supus que não poderiam ser outros senão os meus companheiros da CicloLista. Pela primeira vez, o clube ciclista virtual convertia-se em real, e com grande alegria da minha parte, dispus-me a começar a marcha em boa companhia.

O que se seguiu já o devem ter lido. A subida ao Torcal é brutal, e muito mais para alguém com as minhas características físicas. Sofri o que ninguém escreveu. Tive que pôr o pé em terra algumas vezes, mas cheguei ao fim, e pudémos sacar a foto dos três heróis da jornada.

Depois, o regresso a Malaga (40 Km) foi angustiante. Estas provas com uma subida tão difícil, deveriam, finalizar no alto da montanha. Todo o percurso que falta parece em excesso, mas 40 Km de rompe pernas, com uma montanha de mais de 2 Km, é factura a mais do que estou acostumado a pagar. Durante esta parte final é onde mais aprecio a companhia do Faco e do Angel. Por estas alturas a marcha estava totalmente partida, e havia gente a regressar isolada, com uma cara de agonia, própria para inspirar actores, semelhante aos que participam na procissão da Semana Santa.

 Finalmente chegamos a Málaga, com a satisfação do dever cumprido. Tomamos três canhas de cerveja, um prato de macarrão e um bocado de tarte (tudo muito rico e com muito a-propósito), além de tirar-mos a fotografia com o Eduardo Chozas.

Posteriormente despedimo-nos com o firme compromisso de nos voltar-mos a ver na subida de Veleta deste ano.

Enfim, é curioso que depois do massacre a que nos tinham submetido, falássemos de Veleta, onde no ano anterior estive a ponto de me converter num monumento ao ciclista todo roto, mas são as coisas desta nossa “doença”, que quando as tentas contar a alguém, que nunca foi picado pelo bichinho, olham-te como se fosses doutra galáxia, ou tivesses levado uma pancada na cabeça.

Bom, espero que estas minhas reflexões tenham sido do vosso interesse. Um abraço companheiros, e até à próxima.

Fernando.

 

publicado por Ubicikrista às 13:02

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