24 de Dezembro de 2011

CARISMA

Para os que não querem sofrer golos a melhor

defesa é o ataque, in táticas de futebol

De verão dá umas voltinhas quase todas as tardes, hesitando sempre entre a rotação e o pesado, mas quando chega o inverno fica limitado ao sábado, pois não é dos que frequenta o ginásio.

As domingos sempre que no grupo alguém aumenta os andamentos é dos primeiros a ficar-se, pois prefere ir certinho em vez dos esticões. Ás vezes ainda resiste numa ou outra subida sabendo que vai pagar esse excesso lá mais para a frente, que é o que vê acontecer também a outros.

Desta vez na descida de arraiolos hesitou entre ir com os da frente ou ficar com os que vinham atrás. Poupou-se. Ainda faltava a segunda parte, por sinal dura, depois da paragem. Às vezes esta decisão de ficar não era a melhor pois tinha que ajudar a rebocar, enquanto se fosse no 1º grupo ninguém lhe ia exigir que desse a cara ao vento.

Nunca se adiantava com outros ciclistas, dos que raramente param mesmo quando alguém fura, ou que saltam a paragem para café. Não gostava de tirar partido dessa vantagem, de servir de lebre ao grupo. Se gostasse de o fazer bastava-lhe partir um quarto de hora antes na saída.

Naquele dia por causa de gado junto à estrada os ciclistas dividiram-se em dois grupos mais os intermédios que iam espalhados. Ficou no da frente com companheiros que habitualmente, depois da partida, só os via à chegada. Olhou novamente em redor e pensou em ficar-se mas não o fez. Foi aguentando enquanto não chegava a parte mais difícil da subida, até que finalmente os viu partir um a um, metro a metro a cada pedalada. Mais uma vez duvidou do dispêndio de esforço entre ir e ficar. O preço pareceu-lhe alto, não obstante a sua boa forma nas horas que dedicara semanas antes a preparar uma ida ao algarve, que quase não chegou a fazer devido a uma enterite nalgueira.

Mais à frente fez o ponto da situação: Olhou para trás e não viu ninguém, os da frente também já os perdera de vista. Manteve o andamento, pois queria saber se os treinos que andava a fazer com carretos nunca usados lhe serviriam de alguma coisa. No cimo olhou para trás, para nova avaliação e já tinha um grupo a avistá-lo a escassas dezenas de metros. Embalou na descida e já na reta pareceu-lhe sentir a bicicleta a abanar quando passaram por ele.

Viu que se tratava de gente que àquela hora já era para estar lá mais para a frente. Mas pelas boas decisões tomadas naquele dia sentia-se ainda fresco e pensou dar um pouco de luta até á derradeira subida antes dos kms finais. Sprintou a tempo de ainda apanhar a ultima carruagem daquele grupo de 5 locomotivas a funcionar à vez, certinhos em rotação máxima na roda pequena, habitual nos meses de dezembro e janeiro ainda á procura de ritmo, antes de começarem com as séries que antecedem as participações em provas.

Faltava-lhe então a ultima subida e tinha de dar tudo para não descolar, mas não foi preciso pois começou a sentir-se confortável demais sem saber se aguentava devido ao ritmo (deles) ou ao pesado (dele). Parou de pensar nas semanas de endurance que realizara e concentrou-se em ir na roda assim que aquele DGS* (semelhante ao TGV) começou a ultrapassar os que anteriormente havia perdido de vista, que por cansaço não esboçavam a menor tentativa de reboque ou quando o faziam pressentia que não duravam mais que alguns metros lá atrás. E foi assim, a passar neles, até ao fim, quando finalmente foram caçados os dois últimos resistentes.

Uma vez na vida sentira-se realizado por conseguir chegar com os da frente. Quem havia de dizer que a tatica de ir esperando por quem vem detrás é a maneira mais fácil de chegar lá à frente.

O foguete de Machede ainda lhe atirou:

- Até aqui há um ano ou dois não pensavas sequer em fazeres um Tróia-Marisco.

  * Dos Gajos das Scott/Specialized – ou poderia também ser do Daniel, Guégués e Salvado

publicado por Ubicikrista às 18:26

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