01 de Outubro de 2009

Olá a tod@s.

Aqui vai a minha super-crónica sobre a marcha cicloturista dos Lagos celebrada no sábado passado.

Difícil começo teve a jornada, já que tive que me levantar às 5:15 da manhã para poder estar em Llanes antes das 8:30 para levantar o dorsal, e isso tendo dormido mal toda a noite já que por ter que madrugar tanto, fui para a cama sem ter sono suficiente.

Uma vez em Llanes, o objectivo a cumprir na marcha era viver o ambiente no meio de tanta gente (não é só vir às marchas) e subir os Lagos de uma assentada, sem importar o posto na classificação, para o qual tinha a intenção de ir muito devagar sem fazer nenhum desgaste de energias. O dia era de sol e a temperatura agradável, perfeito para a prática do ciclismo.

Mal se deu a partida já o meu companheiro e eu vamos ficando para atrás, embora sem irmos devagar já se nota a diferença das nossas bicicletas para as da F1 (ele leva btt com sligs, e eu híbrida com pneus de 28 e 38). Aos 10 quilómetros chega um momento em que nos encontramos sós, olho para atrás e ao longe só vejo vir uma ambulância (então recordo-me das crónicas que conta a Maria Fuster) e fico na pior: "Vamos, são os últimos". Por sorte ao passar a ambulância todavia ficava mais gente para trás, e esta só se adiantou para socorrer um ferido por queda.

Começámos a subir a Tornería (que por este lado tem outro nome que agora não me lembro) e acuso a mudança de ritmo do plano para inclinado, mas pouco a pouco vou acertando num bom ritmo de subida. Pouco antes de chegar ao alto, lanço um vista de olhos para atrás e vejo ao longe as ambulâncias, e adiante o que suponho ser o resto dos participantes, que não parecem ser muitos. No falso plano que há antes de começar a descida avivo o ritmo e recupero um monte de postos, enquanto muita gente aproveita para pedalar mais descontraidamente. Uns cartazes avisam que a descida é muito perigosa e logo na primeira e mais perigosa curva, um participante estava no chão e que só por mero acaso não tinha ido precipício abaixo, graças a uma rede que impedia a saída. Apesar das precauções realizei uma boa descida ganhando também posições pouco a pouco.

À entrada de Llanes oiço chamarem-me: é o Fernando Alvarez; converso um pouco com ele e pergunto-lhe pelos outros. Surpreende-me que venham para trás. Depois de uma breve paragem no abastecimento continuamos a marcha e daí a pouco o Fernando volta a alcançar-me, desta vez com o Faco e o Eugenio; saudamo-nos e trocamos ânimos mutuamente.

Começa a Robellada e acuso outra vez a mudança de ritmo, mas de seguida recupero a pedalada alegre e, aproveitando-me do meu companheiro, chegamos ao alto, recuperando distancias variadas aos grupos que nos precediam. Na descida juntamo-nos num grupo numeroso, que temos que abandonar quando chega o plano-plano, pois começam-se a sobrecarregar as pernas e não é de mais descontraí-las um pouco, quando só faltam uns 10 quilómetros para chegar a Covadonga. Ali recebo uma grande decepção ao ver que o abastecimento só se compõe de agua e Coca-cola quente (não obstante ter sido avisado pelo Faustino). Enquanto descanso converso um bocado com o David e também trocamos ânimos perante o que nos falta.

Começo a sentir fome e “meto” uma barra energética que me restava do abastecimento de Llanes e sem mais delongas começamos a subida aos Lagos. Vamos muito devagar, não por medo mas sim por respeito.

Desde o principio que levo posto a pedaleira pequena para subir à mesma velocidade do meu companheiro, mas ele empenha-se em ir com o médio, ainda assim vai mais atrancado. Eu, que subo melhor que ele,  proponho-me acompanhá-lo até ao Miradouro da Reina pelo menos, já que sei que o ajuda bastante ver-me a seu lado, e com as minhas constantes palavras de ânimo. Também é de agradecer  todos os ânimos que recebemos do público que se aglutina nos bordos da estrada e o bom humor que exibe boa parte dos participantes, enquanto sobem pendentes de 10%. Chega o sexto quilometro de subida e com ele a temida Huesera. Ali muita gente põe o pé em terra: horror, perigo de contagio! Ainda que vá muito devagar, deixo pessoal para trás em barda; só se me adianta um que vai apoiado na asa da porta de uma ambulância. Todavia ainda não saí da Huesera e já começam a dar-me ameaças de picadas nos joelhos e músculos. Creio que é por ir demasiado devagar, desaproveitando energias. De todos os modos o meu companheiro cada vez está mais longe, assim decido puxar um pouco mais forte até ao Miradouro da Reina e esperá-lo no plano. Justamente antes do Miradouro nas curvas de Dua o espectáculo é todavia mais horrível que na Huesera, e até desmoraliza um pouco fazer esta subidinha tão difícil, quando já temos a Huesera superada e se pode pensar que já passou o pior.

Aproveito o descansozinho no Mirador, para em andamento, tentar massajar um pouco as pernas e para ver se o meu companheiro me alcança, mas este nunca mais chega, assim, decido que a combinação entre a reserva de forças e a dureza dos Lagos exige que cada um suba no seu ritmo. É então que me apanho em condições de conseguir um bom ritmo de subida, e a partir do Mirador, começo a deixar para trás gente e mais gente. Um ou outro volta a adiantar-se-me mas volta a ficar para trás, é que eu vou com o ritmo muito certinho, conheço muito bem a subida, cada curva, cada rampa e sei onde se pode apertar um pouco mais e onde não convém. O que para os outros é um inferno eu chamo-o de lugar (no sei onde aprendi isto mas fica bem, eh ?). Pouco depois de passar a descida do Elefante cruzo-me com o Charly (como pudeste dar a volta tão perto do final?) mas não creio que me tivesse visto, até porque vou de lentes vermelhas. E como se a camisola de montanha desse forças, pouco antes de chegar ao lago Enol  mudo para a pedaleira média (35 dentes) e ainda faltam quase dois quilómetros e ataco já a chegada: tenho as forças necessárias e sei que o posso fazer. Desço junto ao lago esgalhadíssimo, a paisagem é impressionante mas não a admiro, já que quando vais nas últimas forças o mundo reduz-se ao angulo da estrada pela qual circulas (foi o melhor dia, meteorologicamente falando, de todos os que já apanhei nos Lagos, de bicicleta ou não, em toda a minha vida, e fui muitíssimas, mas com o tempo na Asturias, já se sabe...).

Último troço da subida: a estrada está numa miséria, mas para mim é igual. Se se pusesse a chover também seria o mesmo. Só me interessa que estou a chegar e que vou conseguir, e além disso vou bastante bem. Há um que  se pica comigo e ultrapassa-me, mas limpei-o, é que as poucas forças que me restam saem-me em catapulta e obrigam-me a ir muito forte. Afronto a última subida antes da chegada. Aqui decidi gastar-me todo e neste pequeno troço, ainda passo um punhado de colegas: devia fazer mais de uma hora que não chegava ninguém tão forte como eu cheguei, mas quando recebi o cartãozinho com o número de chegada já estavam a começar a dar-me picadas nas pernas. A última grama de energia utilizo-a para desenganchar o pedal à primeira, para não ir ter com o chão. Nesse momento oiço a chamarem-me: são os outros ciclo-listeros que todavia ainda estavam ali, em amigável companhia e com a extraordinária paisagem como fundo (captada nas correspondentes fotografias), parece que o alento se recupera melhor. Todavia transcorre um quarto de hora antes de que chegue o meu companheiro. Trás uma cara de mau aspecto, mas dou-me conta de que deve ser muito parecida com a que eu tinha quando cheguei. Tal como em Covadonga aqui só há agua e Coca-cola.

Enfim, a organização foi bastante forreta, mas o importante foi desfrutar de um bom dia de ciclismo, da companhia na estrada de inúmeros colegas, das estradas cortadas ao transito e da satisfação de rodar por um cenário único, como são os Lagos.

Por certo, fiquei em 1.293, como veies nada do outro mundo, ao contrario do que poderia parecer pelo que lestes mais atrás... 

Saudações de Javier Murillo desde Oviedo.

publicado por Ubicikrista às 16:50

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