03 de Outubro de 2011

Nas clássicas em espanha a organização avisa: quem ultrapassar a

carrinha é expulso. Soa a partida e a mesma desaparece. In, livro

Este 3 º passeio que os betetistas da malagueira tão bem organizam à vontade do freguês – mais depressa ordenam uns, mais devagar, outros – começa a ter carateristicas de futura clássica de cicloturismo que poderá muito bem vir a ser designada por clássica dos pedaleiras.

5 km (até à casbarra) + 7 km (azaruja-s miguel) + 15 (até ao xarrama) + alguns problemas com o pé do motorista no restante percurso, são valores próximos dos 40% de andamento livre.

Muito longe vão os tempos do cicloturismo do megafone a tocar que o bacalhau quer qualquer coisa. Também a açorda à dias queria. Rescaldemo-la:

Ps: também o município fez a sua.

publicado por Ubicikrista às 22:38

01 de Outubro de 2009

«Produzir sem anunciar é como piscar o olho a uma rapariga no escuro.

Podes saber o que estás a fazer, mas ela não.»

 

Preparar uma ou várias provas, treinar quando se pode, organizar a viagem e o alojamento, decidir a táctica a empregar... são muitos os factores que convertem o cicloturismo num hobbie único que, além disso, sempre tem uma recompensa moral que outras actividades não têm. Pode-se ser o primeiro ou o último, correr sobre uma bicicleta de 600 contos ou sobre uma de 30, dormir num hotel de cinco estrelas, num parque de campismo ou no carro, mas no fim o único resultado que conta é o esforço de cada um. O ciclista, a estrada e as suas próprias forças e vontade.

Temos de ser rápidos e práticos, na hora de decidir das nossas forças e se vamos ou não com o grupo que está à nossa frente. O melhor exemplo que conheço é de um amigo meu: «Quando fui raptado, os meus pais entraram imediatamente em acção - alugaram o meu quarto..

Sofrer nas montanhas é algo que me o recorda também: «Quando era pequeno, os meus pais descobriram que eu possuía tendências masoquistas. A partir daí, passaram a bater-me todos os dias, para ver se eu parava com aquilo.»

Não se trata de gabarolices, mas por vezes ultrapassamos os nossos limites e subir aquelas montanhas traz-me à memória o Oscar Wilde a bater a bota: «morro acima das minhas posses.»

Escolhemos o ciclismo porque se dizem coisas esquisitas nos outros desportos. Querem ver? de verdade, quantas vezes já ouvimos dizer que, sei lá, o lançamento do dardo é uma caixinha de surpresas? Ou que um jogador de xadrez levou longe de mais o seu esforço? Naturalmente, o futebol é o único jogo em que o jogador pode estar em fora de jogo

Imaginem o que seria um desporto que se pudesse praticar sentado. Só para alentejanos mesmo! Querem ver? Ter velocidade de ponta, não é ser como o Clinton, a braguilha mais rápida do Oeste. Antes que não continue com as rebaldarias de Clinton, permitam-me uma pequena pausa. Uma rapidinha. Ops, salvo seja! Do ciclista que logo a seguir engata o turbo e arranca que nem uma bicha de rabiar. Poderá haver alguém do pelotão com a mania da perseguição? Ou o caso em que o limite do esforço é ultrapassado. Sabem o que é? Caso-limite é o Michael Jackson, em que preto mais branco não há. Finalmente, um grupo cansado não deverá querer fazer uma paragem...cardíaca.

Mas chega de sinuosidades vamos direito ao assunto, embora por linhas tortas. Sempre que vejo um fugitivo com o pelotão a tentar alcançá-lo em cima da meta, lembra-me a afirmação de um zoófilo, de que fazer amor com um ouriço-fêmea é muito perigoso, pois são cem picas contra uma.

Sei do que estou falar, pois, embora não goste de ganhar vantagem, a minha infância foi tão maravilhosa como a de qualquer outro mentiroso.

Participar num campeonato tem que se lhe diga. Por exemplo no campeonato português, mas de futebol, a diferença entre os que ganham e os que perdem, é que os que ganham contam piadas, enquanto os que perdem falam dos casos do jogo. Enquanto lá não forem sofrer nunca saberão o que é o humor.

Claro que neste Ensaio haverá umas pitadas de «fantasia». Mas, que diabo, ainda bem que a mentira existe. Imaginem se tudo o que houve até hoje fosse verdade... Alguns até dirão que é pura ficção - mas ainda assim os que lerem engolirão a treta com casca e tudo. Os outros exclamarão: «Só acreditarei na TV a cores quando vir a gaja preto no branco!»

Para falar desta aventura de prazer, foi esta a forma de divulgação que encontrámos e não a como alguém publicou num jornal: «Mecânica destravada. Adoro homens com a barriguinha cheia de pneus. Mas só dou boleia se os pneuzinhos não me deixarem no caminho. Estou farta daqueles homens com tanto pneu para tão pouca potência.» Valha-me Deus, estaremos a falar da quinta-essência do prazer ou de uma estação de serviço?

Como concelho direi para terminar, aceitem a minha dica de puericultura, que se pode aplicar no ciclismo, eu que já fui pai duas vezes e filho uma, eis: a primeira lição na arte de ser pai consiste em dormir quando o bebé não está a olhar. Façam o mesmo se quiserem atacar com sucesso. Apanhem-nos distraídos.

Se não quiserem sofrer, arranjem um emprego na função pública. Mas há certos requisitos. Como se sabe, funcionários públicos nunca devem tomar café depois do almoço: faz com que percam o sono à tarde. Em compensação, os funcionários públicos são os melhores maridos: não apenas voltam cedo e descansados para casa, como já leram o jornal.

Modernizem-se, usem o silicone em spray para lubrificar as correntes. Devo lembrar que em relação ao silicone, esse suposto amigo do peito, só queria dizer mais uma palavrinha: os seios são como o uísque, um é pouco, dois é bom, três são de mais.

A talho de foice, devo mencionar que um dia destes encontrei o “nosso” velhote, o Zica, que já teve a sua festa de homenagem aqui há uns anos e me disse: «Vou a caminho dos 70 anos e as pessoas perguntam-me do que eu gostava mais. Pois bem, eu digo-lhes, de um processo de paternidade», e mais à frente voltaria a tocar no assunto: «Recuso-me a confessar que tenho mais de 50 anos, embora isso torne ilegítimos os meus filhos.».

Fez-me lembrar um vizinho que quando viu «O Último Tango», de Bernardo Bertolucci - notório talvez sobretudo pelas cenas eróticas entre Marlon Brando e Maria Schneider - gemeu: «é o filme mais triste que já vi. Chorei o tempo todo. De facto, é muito triste ver aquilo quando já se tem 82 anos». Foi sincero. Tal como aquela actriz, mais velha do que a chupeta do Fernando Pessa, depois da enésima plástica, gabou-se: «Vocês podem não acreditar, mas eu também já fui velha!»

Não só de velhos vive o mundo. Também há jovens, e aqui vai uma palavrinha, especial para eles. Não se angustiem tanto com a juventude, pois juro que mais dia, menos dia isso passa-vos. E quando a juventude vos tiver passado, vocês serão como nós. Ou seja, também sulcarão as ruas a perseguir pequenas 20 anos mais novas.

 Afinal aprendemos que ninguém é jovem o bastante para saber tudo. E, sobretudo, 30 anos depois, descobrimos que o jovem é o passado do velho, e o velho o futuro do jovem.» E vem-nos à memória os primórdios destas curiosidades... Lembro-me de um dia quando eu era miúdo e pedi ao meu pai que me explicasse umas coisas sobre sexo. «Cala-te» explicou-me ele.

Mas há ainda uma esperança: dizem que nas nossas sociedade ocidentais, o futuro pode até estar nas mãos dos jovens. Mas eles nem sequer as lavam antes das refeições... E quando as lavam, é como Pilatos. O que vale é que o Godinho é como o vinho... do Porto: quanto mais velho mais antigo.

Portem-se bem, como os escuteiros! O que são escuteiros? Oh, são um bando de crianças vestidas de palermas, comandadas por um palerma vestido de criança.

Por fim, espero não ter aleijado muito a língua portuguesa, já que constantemente apanha mais do que a alcatifa em dia de limpeza. Bem sei que a origem do nosso idioma é um bocado promíscua. Remonta ao latim vulgar, traduzido por soldados, lavradores e comerciantes do Império Romano, que cá chegaram entre os séculos II a.C. e V d.C. Depois de aqueles gastarem o seu latim, também tiveram uma palavra a dizer os Visigodos e os Árabes. Se calhar é por causa dos Árabes que alguns de nós gostam tanto de arabescos verbais... Vai tu!

Para os que não gostaram, recordo então a resposta que dei uma vez a uns professores, que me recusaram um texto, sobre um trabalho qualquer, porque não estava como queriam: «Vocês desculpem-me, mas pior do que isso não sei fazer.» 

publicado por Ubicikrista às 19:30

Aqui vai a crónica de minha Cicloturista de Angliru.....com certo atraso, porque agora deveria ter enviado a dos Lagos'99. Lá chegará.

A primeira coisa que quero deixar claro é que não estou de acordo com as criticas que se fizeram à organização da II Marcha Cicloturista Sierra de Aramo, Alto de L'Angliru.

Temos que ter em conta que é a segunda edição desta cicloturista, e dado que mudou de organizador,  poder-se-ia dizer que na realidade é como se fosse a primeira (se bem que, é certo que entre todo o pessoal da organização vi pessoas que reconheci da edição anterior, assim sendo alguns certamente tinham experiência). Eu vi muitíssimas melhoras em relação à primeira edição.

Abastecimentos abundantes, tanto sólidos como líquidos (de facto eu acabei com mais comida nos bolsos da camisola, do que a que tinha quando comecei) :-).

O único túnel complicado que há, e que tínhamos que atravessar, até o iluminaram !!!! Flipei-me quando vi isto.

Havia muita gente da organização nos cruzamentos e em lugares complicados (comunicavam entre si por radio), cartazes indicando as curvas perigosas nas descidas, abundantes efectivos da guarda civil, ambulâncias, assistência técnica....

Criticou-se a descida da Mortera (não só entre os da lista, também ouvi gente criticando a marcha), mas é que não havia outro lugar por onde passar...podia-se ter alterado o percurso, mas estou  certo de que todo o mundo preferia fazer o percurso que será final de etapa na Vuelta'99, e para passar desde Riosa, até La Cobertoria a única forma de o fazer é subindo por Mortera (como se fez) ou por Siones (cuja descida se junta com a de Mortera, assim o troço mau não o apanhas). Há outra possibilidade, que é ir até Oviedo, ou até às Caldas, mas isto é inviável por problemas de transito com os automóveis. Além disso estava para  ver o que se teria passado na descida da Mortera se o asfalto não estivesse bom, com os kamikazes que por aí há.

Outra critica que se fez, não aqui, mas sim por pessoal que participou na marcha, é que os travaram, e não os deixaram atacar e irem-se embora na Mortera, que tampouco me parece justo. A organização, desde o inicio advertiu que se reservava o direito de reagrupar. E ainda que em nenhum momento o tenha feito, é lógico que travasse os  “galos” ao principio, para que o pelotão da marcha não se alongasse.

Também se criticou o excesso de carros subindo-baixando na subida para Angliru. Mas disseram-no desde o principio (e varias vezes), que a estrada estava aberta ao transito. Ainda que me pereceu que tentaram que não subisse demasiada gente de carro para cima até Angliru, impondo uma espécie de controle, mas se houve problemas nas subidas com alguns carros, foi por pura irresponsabilidade dos acompanhantes, não creio que a organização tivesse a ver com isso, nem nada para dizer a este respeito. De todas as formas volto a dizer que esta é a segunda edição, e na edição anterior apenas fomos 250, este ano com quase 700 participantes, eram imprevisíveis muitos dos  problemas como os que se encontraram, além disso, já se disse por aqui na lista, que se iria utilizar a marcha como teste, com vista à Vuelta'99. Creio que também anotaram o que ocorreu para que na Volta sejam tomadas as medidas adequadas, e na próxima edição da cicloturista estou certo de que estará ainda melhor.

O tema do atraso com a entrega dos diplomas, tem uma explicação simples: estragou-se-lhes a base de dados. Um problema informático que explica o atraso (e que aqui na lista sabemos todos, mais ou menos, que é uma coisa que desgraçadamente pode acontecer a qualquer um de nós) :-(.Mas os diplomas foram enviados por correio, para casa de cada um).

Quiçá a critica que eu faria à organização, é à hora da partida, porque (sobretudo para as pessoas de fora das Asturias), ao partir tão tarde, termina muito tarde, e depois espera-os uma grande viajem de regresso por a cicloturista ser ao Domingo, pois pode-se tornar bastante duro o regresso de carro (já que na segunda-feira tem que se voltar ao trabalho).

E depois disto tudo, todavia ainda não comecei com a crónica...enfim, isto é o que me lembro  do que aconteceu:

No dia seguinte à marcha tinha um exame, assim na noite anterior estive a estudar, e deitei-me bastante tarde, e mais nervoso pelo exame do que pela cicloturista, pela manhã quando suou o despertador, apaguei-o e voltei a adormecer....mas graça a Deus, despertei de repente, olhei o relógio eram 8:15 (e tinha ficado assente encontrar-me ás 8:30 com o Antonio para que me levasse). Assim, a toda a pressa, tomei o pequeno almoço como pude e preparei-me, desci à rua e já lá estava o Antonio à minha espera. Chegámos a Riosa, e a organização indicou-nos por onde teríamos que ir para estacionar (Riosa é muito pequena), mas tinham facultado um campo de futebol para servir de estacionamento (outro detalhe de boa organização, o que não aconteceu o ano passado). Antes de nos prepararmos definitivamente, abandonamos as bicicletas, e fomos levantar os dorsais. O sitio de recolha dos dorsais tinha sido alterado, seguramente para melhor, mas não era onde eu pensava e que propusera como local de encontro, para ficar a conhecer os ciclolisteros que ainda não conhecíamos, os Asturianos da lista....enfim, o Fernando e o Andres estavam justamente nas escadas que desciam para o Polidesportivo (desde logo o melhor sitio para se esperar...se tivesse sabido), assim, cumprimento-os, trocamos impressões: o Antonio, e o Andres levam carreto para tentar subir até lá acima, eu não, e estou  indeciso (não me importo de pôr pé em terra por não ter mais mudanças), e o Fernando está convencido de que ficará em Via Para (também pelos carretos que leva montados). Quando levantámos o dorsal, apercebemo-nos de que este ano também se sorteia uma bicicleta, que surpresa e que ilusão! Vamos ver se me calha!

Voltamos ao carro, mudamos de roupa, e preparamo-nos (e começo-me a enervar....deve-se ter notado porque o Antonio tenta-me tranquilizar), dirigimo-nos ao Polidesportivo onde já está o Fernando montado na sua bicicleta, e esperamos um bocado para ver se aparece o Andres, mas nem rasto dele, nem de ninguém da Ciclolista que tivesse vindo de fora :-( Assim empreendemos um passeio, pelo sentido oposto até à partida. Ao ver um tipo de um clube de Valladolid, digo-lhe: "O  ano passado estive com um do teu clube nesta cicloturista", olha-me diz: "Foi comigo"....granda corte....e esclarece-me: "Acabo de te reconhecer". (Se leram a minha crónica do ano passado estarão recordados dela....não lhe perguntei o nome, porque sei que é inútil já que me iria esquecer.

Vejo que há varias raparigas. Surpreende-me, porque o ano passado não havia nenhuma, e porque não é normal que compareçam ás cicloturistas duras (devia haver 5 ou 6), e se uma chegou até ao cimo (embora com pedaleira tripla), além disso foi a primeira rapariga em Via Para (a moça deve andar mesmo bem).

Já na praça do ajuntamento, mais ou menos apertados sorteia-se a bicicleta (o sorteio é feito pelo Julio Jimenez "el relojeiro de Avila"....Tinha graça se me saísse a bicicleta, e me fosse dada por um mito do nosso ciclismo, mas não me saiu nem a mim, nem a nenhum de nós....mas saiu a um da cicloturista Expert Llanes...são gente boa...o ano passado foram eles que me tentaram levantar a moral quando estava já em Riosa ao lado do carro). Também estava o Angel Arroyo (mas como participante, na parte final desceu-se da bicicleta na descida da Mortera para acompanhar o acidentado da jornada em ambulância, e depois voltaria para fazer só a subida a Angliru, que fez sem se apear, com ajuda da pedaleira tripla...segundo contou um jornal local). Deram-nos as indicações oportunas para realizar a marcha, advertindo-nos da perigosíssima descida da Mortera ainda em obras, e Julio Jimenez deu a partida:

No principio a estrada é encosta abaixo, e apesar de que a maioria vai bastante depressa eu deixo-me ir, depois chega-se à estrada Nacional, vou junto com o Antonio e o Fernando (o Andres tinhamo-lo perdido), vemos um ou outro furado (tão cedo), passamos ao largo do desvio para Peneruedes (uma montanha a que fomos poupados no que respeita à edição do ano anterior), e chegamos a Soto de Ribera onde começa um troço de rompe pernas, mas como vamos muito devagar nem o noto. Por fim chegamos à subida a Mortera (que é muito mais inclinada que Siones, que está um pouco mais longe, e que vai parar ao mesmo sitio que a de Mortera, e foi a que se subiu o ano passado). De inicio afogo-me um pelinho porque durante toda a semana não fiz exercício :-(,e porque o ritmo do Antonio não é que seja forte, mas tampouco é suave, além disso está muito calor, creio que por culpa da central térmica que há nas proximidades. Pouco a pouco vou ficando melhor bem e já respiro com mais  desafogo. Chegamos lá acima, e ali justamente quando ia começar a descida, tive que pôr o pé em terra para não levar com um carro de uma tipa que estava a seguir o marido, mas que bem que ela está *lixando* os que estavam na complicada descida da Mortera. A descida estava toda inteirinha em obras e era muito perigoso, porque é muito empinado, com troços que andarão muito próximos dos 20%, enquanto descíamos vimos que tinha havido um acidente (já ali estava a ambulância), mas eu não vi muito bem, porque ia concentrado na descida (disseram-me que era um único tipo, o acidentado, e que tinha sangue na cabeça, provavelmente não levava capacete).Já embaixo, ouvi muitas criticas a respeito da descida (é certo que estava em muito mau estado, e que era muito perigosa, mas a única alternativa viável, era fazê-lo em sentido contrario, ainda que duvido que as rodas traseiras tivessem tracção com esta inclinação, e toda a gravilha e terra solta que havia). Desde onde estávamos até à Cobertoria, a estrada picava toda até ao alto, e tínhamos bastante vento de frente, mas íamos muito calmos (20-23km/h) assim como quem não quer a coisa, ainda deixámos (apesar de meu desacordo) abalar um grupo que nos ultrapassou e que ia a 25-27km/h (penso que é o mesmo (o mesmo esforço) ir a mamar na roda a 25-27km/h de um grupo, que ires tu a puxar a 20-23 km/h quando tínhamos o vento de caras), passamos por um túnel muito longo, não iluminado, mas que temos que fazer! SURPRESA! Tinham-no iluminado, pareceu-me um grande requinte da organização. Por fim chegamos ao abastecimento (situado 10km antes do que indicavam os perfis que nos tinham dado). Vimos ali o Andres, embora não tivesse ficado claro se ia à frente ou atrás de nós. O abastecimento é abundante, muito mais que o ano passado, e ao fim e ao cabo ainda não fizemos nenhum desgaste importante (a diferencia em relação ao ano passado é que houve menos comida, e mais dureza antes do abastecimento). Aceitamos a coisa com calma (creio que excessiva), e por fim :-) lá abalamos. Apanhei os sacos de plástico de nós os 4 e fui-os meter numa lixeira, ainda que tenha havido quem as abandonou por ali na zona do abastecimento ...não está certo, mas tampouco esteja muito mal, porque sabem que as pessoas da organização as recolherão. O que está mal foi o que fez um, em que apanhou o saco e atirou-o a 5 ou 7 quilómetros do abastecimento aonde ninguém o irá retirar (não vi ninguém a fazê-lo... telo-ía apertado, mas vi sacos abandonados.... mas há quem o faça, PORCOS). Nalguma subidita da estrada que continuava a empinar até ao alto, o Andres fica para trás, eu sei que não vai mal, suponho que quer ir com calma, muita calma, o Antonio fica à espera dele, e eu comunico isso ao Fernando. O Fernando e eu que íamos "puxando" pelo grupo em o que estávamos, afrouxámos, mas finalmente acabámos por abalar para a frente (eu, enquanto fosse com alguém que me mantivesse num ritmo por debaixo do que as minhas forças me exigiam utilizar, sabia que ia a ir bem). Começámos a subir a Cobertoria e o ritmo do Fernando por momentos pereceu-me excessivo e deixei que se afastasse um pouco (não é que não o pudesse seguir, é que não queria forçar na Cobertoria, queria guardar forças para subir o Angliru...e como não levo pulsómetro, a diferença em relação ao Andres ou ao Antonio é que eu regulo-me por sensações) ...de todas as formas o Fernando vai um bocado aos esticões, e quando se põe de pé distancia-se um pouco, e quando se senta recupero o que me separa dele. Maravilhosa a sensação de ultrapassar as pessoas, não porque sejam todos aqueles os que te passaram. Olhar para baixo da estrada procurando os que vêem por trás, ver que distancia lhe vais metendo pouco a pouco, não os veres e perguntares-te quanto tardarão a chegar ao pé de ti, é uma sensação maravilhosa (a verdade é que tinha apanhado um susto na Cobertoria na minha cicloturista do ano passado, de facto, desde o meu fracasso do ano passado vivia obcecado para voltar a ressarcir-me, e tinha treinado muito nas estradas pelas quais transcorre a marcha, mas não me atrevi em nenhum momento a voltar a subir a Cobertoria, simplesmente tinha-lhe receio). Quando ultrapassávamos algum que ia mal ou muito mal mesmo, recordava-me logo de mim no ano anterior, dava-lhes ânimos (também  passámos uma moça, mas embora fosse muito cascada, vimos muitos tipos que iam pior). Chegámos à parte mais empinada da Cobertoria e notei como me custava já um pouco a subida, comecei a ter sensações de estar a fazer um esforço a sério, assim decidi deixar de lado a hipótese de subir até a Angliru e acelerei um pouco o ritmo, e o Fernando pouco a pouco foi ficando para trás (ainda que não lhe chegue a meter grande distancia em nenhum momento), cheguei à altura onde ia o único tandem da marcha, e justamente quando os passei, estavam a tentar que as mudanças entrassem, e parecia que não lhes entravam, de repente ouvi: CRACK! e um deles disse: "partiu-se a corrente", olhei para trás e vi que tinham caído, por não poderem tirar os pé dos pedais automáticos a tempo e sincronizadamente. Decidi incrementar o ritmo para poder avisar lá mais acima da avaria (já só deviam faltar 700 metros ou menos), e quando cheguei ao alto, deram-me o abastecimento liquido, e avisei-os da avaria do tandem. Daí a pouco chegou o Fernando e voltou-os a avisar. Mais lá para cima havia dois carros da assistência mecânica, e rapidamente desceu um (no jornal  local, li que afinal lograram chegar até ao Angliru, mas que se lhes partiu a corrente 4 vezes! ... pobres ....sobretudo se nas quatro caíram) :-( Depois de hidratar os nossos corpos :-) e de que o Fernando vestisse o impermeável para o presumível frio da descida (até esse momento o dia tinha estado bastante nublado), começamos a parte perigosa da complicada descida da Cobertoria, digo ao Fernando que descartei a possibilidade de subir até ao alto, e diz-me que vai tentar (que de certeza que de seguida dará meia volta, mas que vai tentar), e como leva um 39x25 e eu um 39x26 animo-me a ir tentar com ele... a meio da descida começa a luzir o Sol....a descida termina em Pola de Lena, que atravessamos apenas num minuto a toda a velocidade, eu comi uma barrita energética como pude, e logo que acaba P. de Lena, começamos a Soterrana (ou a Cordal como se queira), passado o primeiro quilómetro damos conta de que o Sol bate muito forte, entre outras coisas porque nos encontramos com outro abastecimento liquido não previsto (outro detalhe de uma boa organização), passada a primeira parte dura, a inclinação suaviza-se, e eu sem me dar conta vou deixando para trás o Fernando e começo a achar que estou fortíssimo, suponho que era do efeito da barrita energética, o caso é que passei um montão de gente, cada vez mais rápido chegando a pôr-me a 18km/h, até onde se volta a empinar seriamente a Cordal.... o Sol dá muito, muito forte, e o ultimo quilómetro torna-se duro, num determinado momento olho para baixo e vejo que uma das pessoas que vou deixando para trás é o tipo de Valladolid (não me dei conta quando o passei) :-} Ufff...Já estou cá no alto....abastecimento solido....eu bebo...e bebo...e bebo....bom, agora tenho que comer qualquer coisa, mas a verdade é que com o calor que faz custa-me comer demasiado. Chega o Fernando também bastante cascado, embora penso que para mim o ultimo quilómetro foi o mais duro. Olho para as horas e vemos que não vamos muito bem de tempo (claro que temos tempo antes do encerramento do controle, mas tampouco se pode dizer que nos sobra uma hora). Fernando dá-se conta de que dali se vê Via Para, e de que estamos à mesma altura (pode ser que um pelinho mais altos), e comentamos que é uma pena ter que descer até Riosa para voltar a estar à mesma altura e somente a poucos quilómetros em linha recta. Meto parte do que não comi nos bolsos, mas como não me cabe todo deixo o resto no saco. E para baixo. Eu passo a descida a pensar no meu exame do dia seguinte, e que já é tarde, e no pouco tempo que vou ter para estudar à tarde. Mesmo assim, continuo com esperanças de chegar até ao alto, enquanto o Fernando, segundo o que me disse, já pôs de lado essa hipótese, porque diz que passou muito mal em Soterrana. Chegamos a Riosa, volto à esquerda e entramos na temida estrada de Angliru. O Fernando disse-me: "Tu atira-te para a frente que eu vou tomar a coisa com muuuuuuuuuita filosofia" :-) mas como eu estava a pensar ir até ao alto, precisamente por isso iria forçar, subimos a 9km/h,e passamos um grupo em que está o já famoso tipo de Valladolid (não devia ter de parado tanto como eu no abastecimento da Soterrana), desta vez sim cumprimento-o e pergunto-lhe se vai até lá acima, disse-me: "O ano passado nem pensei nisso, mas creio que este ano vou tentar.", eu comento-lhe que se calhar também irei tentar, observa-me os carretos que levo e com um gesto de desaprovação diz-me que não vou preparado (ele leva pedaleira tripla).....nos sítios mais duros não me quero pôr de pé para não subir as pulsações, mas noto dores muito fortes nas pernas ao forçar nas subidinhas, e predisponho-me a subir até lá ao alto, volto-me a recordar do exame, de tudo o que tenho que estudar ainda, e do tarde que se me vai fazer se chegar lá acima (eram quase as 15:30....calculo que pelo menos dariam as 17h se pretendesse subir até ao alto, ainda por cima cascado, e com carretos que me obrigariam a fazer muitos troços a pé), assim apesar da dor nas pernas, continuava a manter a chama que tinha ido guardando.... meto o turbo... mas já estávamos quase no final, portanto tampouco fiz demasiadas ultrapassagens:-) e finalmente terminei. Fernando ofereceu-se para me levar de volta a casa, e assim não tenho que esperar pelo Antonio. Depois de uma ligeira conversa com a mulher do Antonio que estava em Via Para, descemos, e encontramo-nos com o Antonio e o Andres que estavam a chegar a Via Para, vinham muito inteiros, assim que de certeza que chegariam até ao alto (como fizeram).Durante o descida chamei a atenção a muitos que desciam muito vivamente, sem nenhum respeito para com as pessoas que subiam.

Eu, mais que muito satisfeito, claro que também, fiquei um pouco vazio.... depois de 1 ano obcecado (literalmente) com esta cicloturista, fiquei um pouco como que desnorteado, já tinha conseguido ressarcir-me, e: "?agora o quê?". Enfim. Terei que procurar outra meta. Por certo que nessa tarde estive a estudar, mas à noite comecei a sentir-me mal, e tive que ir para a cama (tinha queimaduras nas pernas, braços, nuca e cara....não tinha posto creme porque não havia Sol quando partimos, nem parecia previsível que viesse a haver e muito menos tão forte), e muita sede, e dor nos  olhos.... vamos lá, penso que tinha sintomas de uma ligeira insolação.

publicado por Ubicikrista às 17:34

Olá a todos:

Já sei que é um pouco tarde (aproxima-se a edição do ano 2000), mas andei muito enleado esta emana, para me poder concentrar na crónica da cicloturista.

No domingo ás 6:30 da manhã já estava desperto. È muito cedo para me levantar da cama (tinha posto o despertador para uma hora mais tarde), mas depois de 10 minutos dando voltas na mesma, levantei-me. Gastei um pouco do tempo, porque senão ia comer demasiadas horas antes que se desse a partida (ás 10:00, que foram afinal, uns minutos mais). Ás 8:30, mais ou menos, já estava em Riosa, e fui buscar o dorsal. Já andava por ali o Andres. Conversámos um bocado, recolhi o dorsal, e quando chegaram o Antonio e o David, fomo-nos vestir. Na partida estávamos juntos o David, o Antonio e eu, mas o Andres não o vimos. A bicicleta que sorteavam, por suposto, não me tocou a mim. Os  organizadores e a guarda civil não cessaram de recomendar-nos prudência, em especial na descida que estava em obras, e que depois, pudemos comprovar, muito perigosa.

Partimos com algum atraso, e as pessoas já tinham começado a correr. O Antonio, o David e eu começámos a coisa com tranquilidade. Na primeira subida séria, não apertamos. Eu não a conhecia (mas sim o resto das subidas), e não queria deixar o pessoal tão rapidamente. A descida em obras, bastante perigosa, sobretudo, se queres descer depressa. Pergunto-me o que se teria passado se estivesse  bem asfaltada, dado que as velocidades que se pudessem conseguir poderiam tê-la tornado mais perigosa ainda. Terminada a descida, juntamo-nos de novo (tínhamo-nos separado um pouco na descida), o Antonio, o  David e eu, e pomos um ritmozito até ao abastecimento, já tendendo a estrada, para uma certa inclinação. Comemos bem, apesar das pressas do David, e encontramos o Andres, que já se ia embora. Depois de ter-mos comido, retomamos a marcha, já avistando o começo da subida da Cobertoria. David e eu destacamo-nos ligeiramente, e eu (grande erro) começo a subir demasiado depressa (para o meu estado de forma, claro). Os dois últimos quilómetros da subida tornaram-se-me durinhos, e o David destacou-se uns 200 metros. Logo após coroar, o único tandem que havia na marcha teve um problema com a corrente, partiu-se-lhes e foram parar ao chão. No cimo da Cobertoria estava a assistência técnica e avisei-os para que descessem e lhes dessem uma ajuda. Mais tarde pude comprovar que lhes arranjaram a avaria e puderam continuar. Chegado ao cimo, comemos, bebemos, descansámos, e para baixo. A descida é perigosinha, sobretudo tendo em conta que podias encontrar em qualquer momento um carro de frente. A verdade é que não descansei muito na descida, assim é que afrontei a seguinte montanha (La Soterraña) com 500 metros de plano desde o final da descida, e um pouco cansado.

A subida à Soterraña tornou-se-me muito comprida. Não estava à vontade, doíam-me os rins, e recordava-me do desgaste da primeira parte da Cobertoria. La estava o alto, a parte mais dura era no final, e ali ripostei com o meu 39x25 até coroar. De novo, o David esperava-me lá em cima, desta vez deve ter-me sacado uma maior vantagem. Era curiosa a vista que havia dali, dado que se divisava perfeitamente Viapára, a uma altitude similar á que nos encontrávamos. Que pena que tivesse que descer para Riosa para voltar a subir!

Comidos e bebidos (não pensem mal) começámos a descida. Havia algumas curvas feias, que estavam perfeitamente marcadas com cartazes. Chegados a Riosa, e eu, com a firme convicção de não tentar subir mais além de Viapára, começámos a ultima ascensão da jornada. Uns 5 quilómetros fáceis, dentro do possível, nos quais não acusei já tanto o cansaço como na subida anterior. Isso sim, "meti tudo" o que levava desde quase cá de baixo. Ao chegar a Viapára, o David decidiu que não iria tentar subir a segunda parte da ascensão completa, e pôs o turbo. De novo me deixou pregado, ainda que, dado o pouco terreno que faltava, não me sacou muita distancia. Chegados á meta, bebemos, falámos e dispusemo-nos a esperar pelo Antonio e o Andres, que tinham decidido levar a coisa com calma para completar a marcha. Depois de esperar um bocado, e dado que começava a ser tarde para comer (só comi perto das 18:00 desse dia), o David e eu iniciamos o descida até Riosa, para apanhar o carro e voltar para Oviedo. Quase a começar a descida, encontramo-nos com o Antonio e o Andres, que pouco tempo depois iniciariam a ascensão final. O resto da historia já a conhecem.

Em resumo, uma marcha que achei bastante dura pela parvoíce de subir depressa para Cobertoria, quando todavia estava fresco, e sem ter em conta o que ainda estava para vir. Espero que nos Lagos de Covadonga, já que tenho previsto comparecer, não tenha os mesmos problemas.

Para os que haveis aguentado todo o rolo, os meus mais sinceros parabéns.

publicado por Ubicikrista às 17:33

Olá a todos:

Esta é minha crónica da marcha de ontem, que espero que seja curta, pois já é a terceira vez em menos de 2 meses e já estou um pouco farto.

Madruguei muito (ás 8:30 já estava em Riosa) e concentrei-me em todas as furgonetas para ver se alguma tinha matrícula SA para conhecer o J.Ramón e o Juanma. Não pode ser. Que pena não ter concretizado mais. Teríamos conversado algumas coisas sobre Salamanca e as subidas da Sierra de Francia que seguramente conhecereis (El Portillo ou Las Batuecas, La Peña .....)e que eu conheço porque a minha mulher é serrana. Doutra vez será. Nota-se a falta de coordenação do Faco.

Hoje inteiro-me que o Alberto também foi. Certamente que ia numa daquelas 2 furgonetas matrícula de BI ¿ Lembras-te Antonio?

Primeiro encontrei o Fernando e mais tarde o Antonio e o David. O primeiro já vem decidido a terminar em Viapará, o David está indeciso e o Antonio e eu estamos decididos ir dispostos a tudo.

Não nos vemos na partida. Estou  bastante á frente, e tomo uma decisão: pôr o alarme do pulsómetro em 145 e mantê-lo até Viapará. Quero terminar lá no alto. Na subida da primeira montanha sinto muito calor porque levo debaixo uma camisola de manga comprida. Depois da perigosa descida sem asfalto, (vejo duas caídas graves e muitos furos) chego ao primeiro abastecimento donde nos juntamos todos e ali desfaço-me da camisola. Observo as paredes da escola de alpinismo de Aciera, que por varias vezes visitei. O David está inquieto, tem pressa, quiçá já tem decidido retirar-se na primeira meta. Na Cobertoria, ao ritmo do David e do Fernando toca-me o alarme e decidi voltar a acertá-lo.

O Antonio fica comigo e noto-o muito á vontade de forças. Observo a multitude de cumes do maciço de Ubiña que tantas vezes palmilhei: Peña Rueda, Huertos do Diabo..... no alto o Antonio diz-me que não espere, que ele descerá devagar e enceto a descida. Na Soterraña subo sem que o alarme toque e vou esperando que o Antonio me alcance, coisa que faz logo que chego ao abastecimento. Aqui decidi comer pela ultima vez e não parar mais. Subimos controlando até Viapará e pouco antes vemos descer o Fernando e o David. O Antonio diz-me que vai parar para comer. Eu prossigo. Começa a endurecer-se a coisa. Um tipo sentado nas ervas grita-me !! Aonde vais com essa pinta?!! E eu respondo para mim: aonde é que eu irei? aonde tu não irás nunca. Supero a parte de 19% sem grandes problemas excepto a incomodidade dos carros que descem e a desconsideração de alguns ciclistas que também descem. Aproximo-me do pior. Não sei se o conseguirei. O sol aperta. Anseio por um descanso aonde possa deitar um pouco de agua pela cabeça. Não quero olhar para cima. Começo a rampa sentado mas depressa me vejo na necessidade de levantar o cu do selim, antes do que tinha previsto. Vou olhando o chão esperando a zona de Argayo que tem logo a seguir a maior inclinação. Estou a ponto de me descer. Animam-me e aguento como posso. Sento-me e com "alívio" vejo como as pulsações baixam pouco a pouco (175.. 168. 159.. ) Daqui já não me faz descer nem a Guarda Civil. O resto é duro mas comparado com o anterior "fácil". Chego ao plano que precede a descida final e, embora contente sinto-me um pouco inútil, pensando na quantidade de gente que terá chegado, mas quando me dão o posto 291 e pensando que partimos uns 700, não está mal de todo. Espero pelo Antonio, mas como está frio empreendo a descida e cruzo-me com ele em menos de 1 Km. Espero-o em Cobayos para podermos observar a rampa e encetar-mos o regresso ao carro.

publicado por Ubicikrista às 17:32

Olá a todos.

Vou relatar o sucedido de ontem. Fui com o David levantar os dorsais e vimos o Andrés e o Fernando. Procurámos, em vão, a furgoneta branca do José Ramón. Uma pena não o termos encontrado, mas entre 700 participantes é realmente complicado. No sitio da partida, após umas palavras do Julio Jiménez, sorteia-se uma bicicleta de meio quilo, ganhador o dorsal 144: huyyy, tenho o 194, "quase" ... ;-) o afortunado tarda em aparecer, o que provoca um atraso de uma meia hora. Partimos  e de seguida começámos a subir ao Alto de La Mortera, vou "retendo" o David para que não lhe passe o mesmo  do ano anterior, mas resulta que o que vai passado de voltas sou eu. Pese o propósito de me ir reservando, subo às 170  pulsações. É a primeira montanha do dia e eu desperdiçando a gasolina :-(são uns 5 ou 6 km sendo o primeiro e o último os realmente duros. Já no final, encontramo-nos com um carro de Vitoria "atravessado". Porra, se quer ver algum familiar que espere na Vía Pará.

Descida TERRORIFICA por Tenebreo. Terra pisada, com gravilha e pedras, com zonas de 20%. Vamos, quase, quase "a pique" como diriam do tal barco que se afundou.

Descemos com precaução, há vários furados e algumas caídas aparatosas. Diante de nós (Fernando, David e eu) houve uma queda muito má, o homem sangrava da cabeça e estava deitado. Uma ambulância levou-o:-(Eu mesmo, quase levei pela frente um que fez uma travagem, fiz slalom por entre as pedras. Pese a minha torpeza, não caí :-) Passámos o mau bocado dessa descida e reunimo-nos os três. Mais adiante, chegamos ao primeiro abastecimento, espera-nos o Andrés, que tinha saído com os  primeiros. Comemos e perante a insistência do David (tive que tragar a maça e Coca-cola quase de enfiada ;-) retomamos a marcha. Bommmm, tenho que reconhecer que aceitei a coisa com muita calma;-) Formou-se um grupo no qual puxa o Fernando, com o David e eu atrás. O Andrés, sabia o que os esperava e ficou na retaguarda. Na subida da Cobertoria, vendo que o David ia bem acompanhado (o Fernando sabe controlar muito bem) decidi ficar com o Andrés. Novamente subi um pouco saturado, 165-175 pulsações, com um 42x24.

Detenho-me para beber, o Andrés continua. Desço com tranquilidade e começo El Cordal (Soterraña) aqui já ponho o 30x20 e 30x22, tento não me gastar muito mais, para variar volto a subir entre 70 e 80. Mais acima, no abastecimento, está o Andrés. Como alguma coisa, encho os bolsos e descemos. Subimos para Vía Pará, desta vez num ritmo mais de acordo com o que falta percorrer.

Chegamos à primeira metade, e Andrés diz-me que não parará. Eu decido fazê-lo para comer algo, recuperar um pouco e preparar-me para o caso de não chegar lá acima ;-) Justamente antes da linha, cruzamo-nos com o Fernando e o David que regressam a casa. Eles não subiram até ao cimo, por não terem carretos adequados.

Comi demasiado, como depois pude comprovar, após uns minutos  decidi subir. Eram 3:45 e o sol cascava que era o bonito, uns vintitantos graus que com o aquecimento que trazia pareciam quarenta ;-) Aqui cada um ia como podia, meto o 30x24 e que seja o que Deus quiser. Passo as curvas de 19% como posso, quase vomito o que tinha comido, prossigo, muito devagar, tratando de recuperar o fôlego até á curva que precede La Cueña. Aí olhas para cima e o que vês, por muito que o conheças, paralisa-te: como disse Joselu parece uma recta de 45º ...  :- Começo a subir muito devagar, o sol cai a pique, começa o meu CALVARIO de 800m, até que ao chegar ao 22% (?) tenho que pôr pé em terra. A gasolina tinha-se acabado. Esse é o preço que se paga por não me ter alimentado antes:-(Subo a pé até á curva, a 4 km/h e 165 pulsações. Detenho-me para beber, espero um pouco até estar a 120. Monto de novo e prossigo como posso para cima.

Chego ao Aviru, rampas de 18%, e ali tive a "bronca" com os carros que obstaculizavam o andamento. Vê-se que recuperei bem pois pude gritar em plenos pulmões ... ;-) Daí a pouco, cruzo-me com Andrés que já descia. Um carro obriga-o a deter-se, não me vê pese embora tê-lo saudado. Levanto a voz e agora sim, saúda-me. Como um gato de pança empinada, prossigo até a cimo. Uma rampa mais de 17% e já estou no alto. Fui dos últimos a chegar (314 de uns 350 que subiram até Angliru) mas CHEGUEI.

Bebo e com um sorriso de orelha a orelha, desço até Vía Pará. Na curva de 22% está à minha espera o Andrés e continuamos juntos. Chegamos ao Polidesportivo e dizem-nos que os  diplomas serão dados na Praça do Ajuntamento. Alas, a darmos um passeiozito de um quarto de hora ... Voltamos e dizem que estarão daí a 15 minutos ... A hora e meia, começa a orvalhar pelo que decidimos partir. Este foi outro grande ERRO da organização: a demora em confeccionar os diplomas (apontavam os dorsais num papel e desciam-no numa furgoneta), outro; a descida de Tenebreo em PESSIMO estado e o PIOR, o que comentava o Alberto, permitir os domingueiros, e o que é mais grave, que os FAMILIARES dos participantes, estivessem com os seus carros atravessados por Angliru.

Seguramente que deixo muito por comentar, mas daqui da câmara criogénica da restauração não posso fazer mais ... :-) Um dado ainda, ontem pela manhã pesava 65 kg, hoje 62 kg.  Saúdes,

Antonio Alvarez García

publicado por Ubicikrista às 17:31

Já voltei de Angliru e tal como disse o Faco quando foi ele a subir, haverá um antes um depois na minha experiência com a bicicleta.

É duríssimo, tenho minhas dúvidas no que toca a que a inclinação seja de 22%, creio sinceramente que tem mais que isso.

Estou acostumado á sensação das posturas forçadas na bicicleta já que ando muito em Btt e domino-a bem, por isso perece-me muito meritório subir o Angliru com uma bicicleta de estrada e teres a sensação de que a roda dianteira se desprega do alcatrão ao subir, tem que ser muito desagradável. Juntando a isto o facto de que é muito difícil voltar a montar, se te apeias dela com umas travessas de plástico de estrada, já que é difícil voltá-las a enganchar.

Eu não tive nenhum problema para subir com a minha Btt excepto que nem por isso se suaviza a inclinação e há que sofrê-la de igual modo.

Tenho que dizer que não gostei em absoluto do aspecto que oferecia a subida com um monte de veículos empenhados em subir o mesmo tempo que os ciclistas, esta falha da organização considero-a grave, já que quando vais tão mal de forças e concentrado em subir, o que menos necessitas é que haja um domingueiro geringonço que se lhe pare o carro em plena subida, obrigando-te a parar num sitio de que não sabes se vais poder voltar a arrancar. A mim particularmente um deles sacou-me da estrada justamente quando coroava a rampa de 22%. Podeis imaginar a irritação que agarrei quando me obrigou a pôr o pé em terra. Se têm que subir até ali que o façam andando, ou de bicicleta como os demais, e não subir com as sandes e o carrito novo para te "animar e ajudar".

A serra de Aramo é uma verdadeira maravilha para conservar zelosamente. Espero que Riosa e os asturianos consigam que este lugar permaneça a salvo dos domingueiros para bem de todos os que amamos estes lugares.

publicado por Ubicikrista às 17:30


publicado por Ubicikrista às 17:29

Olá a Todos.

Ante as continuas suposições e preocupações por parte de lguns membros da Ciclolista, tenho que desmentir rotundamente que não me passou nada de especial na marcha dos Lagos. E digo nada de especial, porque o que me aconteceu, é o que acontece a qualquer "PARDALITO" na sua primeira marcha organizada.

Como não podia ser de outra maneira, o escrivão pagou a novidade de não se poupar atrás de um grupito, em vez de se pôr a puxar como um burro na 2ª das montanhas, nos troços de ligação, depois do primeiro "abastecimento" e depois da 2ª montanha; e não é que fosse por falta de companhia já que desta vez a representação da Ciclolista foi mais numerosa que a foi junta em Angliru, e estou certo de que eles fizeram o troço do primeiro "abastecimento" ao 2º, mais suave que eu , mas ....

Quando me viram na Huesera estava saboreando a paisagem calmamente porque não podia nem com a alma. E depois de todo o suplicio que é, calcula-se, chegar até o lugar desde de onde se vê o primeiro lago, e após observar que a meta estava situada no segundo , pensei "que me tinha perdido  ali em cima " e pus os pés em polvorosa na direcção contraria.

Por outro lado quero desculpar-me perante todos os que esperastes por mim lá em cima, por não ter conseguido chegar, mas é que estava todo roto.

Gostaria de comentar a enorme desilusão que apanhei nesta marcha (espero que não sejam todas iguais) enquanto à organização. Partindo do principio que se maneja uma quantidade excessiva de gente, gostaria de dizer que se lhes foge do controle deveriam tentar fazer uma marcha de mais qualidade e com menos gente, em vez de reduzir a qualidade da mesma com o único objectivo de encherem os bolsos. Abastecimentos escassos, perfil da marcha terceiro-mundista, nula sinalização de curvas perigosas e de passagens de nível, massificação nos autocarros (creio que deve ter sido o que motivou, a mais que um, voltar a Llanes de bicicleta fazendo 50 Km extras), etc.....

Uma coisa que também me surpreendeu foi ver como eu estando lá em cima entre as 14:00-14:30 e que quando eu baixava já subia a guarda civil, abrindo a estrada com uma fila impensável de carros atrás, quando todavia ainda havia gente a subir lá para trás, e no folheto da organização, estava bem claro que o fecho de controle era às 16:00, e que a estrada estaria cortada ao transito, desde as 11 da manhã até à dita hora.

A verdade é que não sei porque é que me surpreendo, se inclusive foi eliminada a marcha do circuito de ciclismo a fondo por a organização se ter negado a reduzir 500 pts no acto da inscrição aos participantes do dito circuito .

Não sei, crio que para o ano que vem se me passar pela cabeça voltar, o farei sem inscrição, já que não compensa o desembolso de dinheiro com o tratamento recebido.

publicado por Ubicikrista às 16:53

Olá a todos:

Como sempre, dos últimos nisto de enviar a crónica. Como já se contou muito à cerca da marcha, não me estenderei.

Às 5:20 da manhã de sábado, 10 minutos antes de soar o despertador, acordei sozinho e decidi levantar-me para matar o jejum, preparar as ultimas coisas e partir até Llanes (uns 100 Km).

Chego a Llanes perto das 7:30 (gosto sempre de chegar com tempo suficiente), estaciono e vou levantar o dorsal. Ali, encontro-me com Pablo Carcaba, que estava na organização, e dado que
tinha bastante tempo, estivemos na conversa um bocado. Dez minutos antes da hora de encontro estipulada, como uma sanduíche, dado que o desjejum tinha sido já esquecido pelo meu organismo. às 8:30 encontramo-nos no lugar estabelecido e  apresentamo-nos mutuamente os que não nos conhecíamos. A saída é dada pontualmente, e, ainda se falou em ir com calma, mas sai-se num ritmo vivo. Até à primeira subida o terreno é fácil, e vamos mais ou menos todos juntos (os da lista,
entenda-se). Quando começa a subida para Torneria, cada qual sobe com a suas forças (ou vontade de as gastar), e até Llanes não nos voltamos a juntar. A subida é complicada ao principio, com os maiores desníveis, e com muita gente em pelotão, que em muitos casos não te permite progredir. Após passar o topo, paro para fazer um 'xixi' e imediatamente encaro com a descida. Na primeira curva, muito fechada, estão a avisar de que houve uma queda. Um ciclista está espetado numa
rede que a organização colocou para que ninguém saia borda fora num ponto muito complicado. As curvas perigosas não estão marcadas, mas também é verdade, que no alto da montanha há uns cartazes que anunciam uma descida perigosa. A metade da descida livrei-me pelas pontas de uma queda que se deu por dois ciclistas se terem enganchado. Graças a Deus (para os que vínhamos detrás) os ciclistas e as suas bicicletas foram a barreira. Um ou outro, dos que vinham ao meu lado,  deteve-se para os ajudar. Eu segui quando vi que havia gente a parar, pois com o "transito denso" que havia, tinha medo que me batessem.

Chegamos a Llanes, juntamo-nos, comemos e bebemos (o que escassamente a organização tinha disponível) e continuamos. Até chegar à base de Covadonga, já está tudo bem contado como foi. Começámos a subida aos Lagos com calor demais para o meu gosto. Sinto-me bastante bem, mas apesar disso, ponho o desarrolho mínimo que trazia lá de baixo (39x25).

Até à zona de Huesera subo num ritmo aceitável, adiantando malta e saudando alguns conhecidos (entre eles, um do meu clube que tem 70 anos). Quando encaro a Huesera,  modifica-se ligeiramente a paisagem. A gente retorce-se na bicicleta, nalguns casos fazendo zig-zag, o que torna difìcil fazer ultrapassagens. De facto, um deles fez um "zig" demasiado longe e antes de poder fazer o "zag" meteu-se na barreira, com a subsequente queda. Passada a Huesera, e após um "descanso" chegam as curvas de Dua, acho-as acho mais duras que a própria Huesera. Passo-as apertando os dentes, mas sei que imediatamente a seguir vem um descanso daqueles a sério. Mais em cima, na parte do Miradouro da Reina, faço um gesto estranho com uma perna e dá-me uma ameaça de cãibra. Assustei-me um pouco, porque me parecia que ia bem, mas todavia faltava ainda o suficiente para ficar estendido na valeta. Portanto,  tomei a coisa com calma, e dai até à chegada não apertei em mais nenhum momento. No final, posto 908, bastante bom para mim.

O regresso a Llanes já foi narrado perfeitamente pelos demais, assim não insistirei. Agradecer, unicamente, o fabuloso  trabalho do Ramon puxando por nós boa parte do caminho.

Em resumo, um dia fantástico, onde nos juntámos um bom punhado de ciclo-listeros e que fomos capazes de ir uma boa parte do caminho todos juntos (ainda que conversando menos do que tínhamos previsto inicialmente).

publicado por Ubicikrista às 16:52

A partida era às 9 horas, e eu cheguei às 8:55...tive uns problemas com o carro...e por pouco não chego...de facto pensei que não ia chegar a tempo para a partida. Vesti-me rapidamente, e parti. Parti bastante à frente, porque tomei a saída num ponto ligeiramente adiantado do sitio real da partida. Mesmo quando parti já há um bocado que passavam ciclistas....o que se passa é que 3000 ciclistas demoram muito em partir. No principio fui com calma, depois dos problemas por pensar que não chegava a tempo, necessitava  descontrair-me um pouco....e passou-me bastante gente, recordo um que devia fazer culturismo porque cada uma das suas pernas fazia duas das minhas, e os braços igualmente gordinhos como as pernas, e umas costasssss...vamos que o tipo devia consumir uma garrafa de oxigénio nas subidas para alimentar todo aquele músculo, e ainda por cima com o que deve  pesar....o caso é que não o voltei a ver....não sei se o passei sem me dar conta ou então andava mais que eu. Depois já fui acertando um ritmo mais forte, até chegar à primeira dificuldade montanhosa. Ali passei bastante gente, sem demasiados problemas no meio de uma molhada deles  (suponho que por ir bastante à frente, e a molhada por estar a ficar para trás), subestimei a dureza da montanha e no final tornou-se-me mais difícil do que devia, mas não afrouxei, a descida era muito perigosa, com curvas muito fechadas que nem sempre se avistavam, uma grande pendente, e sobretudo um importante precipício. A organização tinha posto no principio da montanha um cartaz indicando que a descida era perigosa, mas não tinha nenhum sinal a avisar das curvas perigosas. Mas colocaram uma rede que impedia que fosses pelo precipício abaixo, eu não assisti a nenhuma queda, mas se há muito maluco, porque alguns passavam-me na descida (normal), mas outros adiantavam-se-me nos momentos complicados fazendo verdadeiras loucuras (e com o risco de irem parar com o corpo ao chão e arrastarem também o meu com eles).....enfim. Perdi um monte de posições na descida. De seguida, quase sem tramite chega-se novamente a Llanes onde estava o primeiro abastecimento (eu diria que o único...porque era o único solido). O abastecimento pareceu-me abundante...sim...sim abundante. É que alguns se queixaram de que era curto. O que se passou foi que para os primeiros, era abundante, mas para os detrás não. Eu ainda apanhei de tudo, mas sem abusar. Sem dúvida que havia alguns garraios que sacavam, sacavam e sacavam....por exemplo davam uns pastelinhos de chocolate (de Dulcesol....esta é para o Pablo Prieto), aos quais não vejo muita utilidade numa cicloturista....mas é que houve uns quantos que tiravam os pastelitos, os tais, e metiam-nos no bolso da camisola (incrível!!! Como se o chocolate não se derretesse....cuá! Como se na camisola lhes fizesse falta chocolatado!). Adiantei-me até ao final do abastecimento e vi uns gordos desses com cesta onde levam pessoas, que estavam de partida...havia um que andava um pouco abananado mas finalmente partiu...eu observava tudo isso, enquanto comia descontraídamente (tinha observado a média e como era de 28km/h supus que a malta da ciclolista andaria lá para trás...assim decidi esperar por eles). Já me tinha cansado de esperar e ia embora quando ouvi a voz do Charly que me saudava...tinha acertado, vinham detrás!) Perguntei-lhe pelos outros e disse-me que vinham atrás dele e do Faco, que andava por ali...de seguida apareceu Faco, e daí a pouco Fernando e Angel (que de inicio não reconheci, tinha-o conhecido o ano passado, mas vestido à paisana). Um pouco mais tarde apareceu Eugenio...e então  Charly que estava muito inquieto e foi-se embora. Perguntei pelo Ramon, embora não o conhece-se, e disseram-me que andaria lá para trás....depois inteirámo-nos de que não... na melhor das hipóteses ia na minha zona, de inicio...não sei. Apercebi-me, através da sua crónica, de que o Eugenio queria Aquarius e não havia....se chega-se a saber dava-lhe do meu bidão ....que não cheguei a terminar, e deixei encetado - (bom, após as "broncas" por não ter aparecido no encontro das 8:30, partimos de novo, o Eugenio pôs-se a acelerar no plano, com alguns relevos do Fernando e meus. Mas quando havia alguma subidita o Faco, que se pica com qualquer serra mínima,  ia para a frente (suponho que não está muito acostumado ao irregular terreno asturiano, porque se andasse habitualmente por aqui não se picaria com estas subiditas)) ....pouco a pouco, com a desculpa de me castigarem por chegar tarde, foram-me deixando puxar a mim, a verdade, é que me apetecia puxar no plano, estava bastante calor e o Sol colava, e isso calha-me  muito bem é no plano....ainda que me custe também subir (suponho que terá a ver com a minha pulsação mais alta que o normal) .... chegámos à segunda montanhazita que é muito alongado e o Faco vai ao meu lado, conversamos um pouco, até que me começam a doer as pernas e decido afrouxar. Faco vai para a dianteira e os outros já se tinham ficado. Na subida e na descida vejo um monte de invólucros de barras energéticas...atirados para ali, o que me chateia bastante...mas não vi ninguém atirar nada...assim guardei a vontade de dar uma bronca a algum porco. A estrada estava fechada, pelo menos no sentido do nosso andamento, e tinha sempre alguém da organização em todos os cruzamentos e caminhos para evitar que se metesse algum carro à estrada....muito bem. Depois da descida aperto para apanhar um grupo grande que tinha ao meu alcance (por certo que nas povoações as pessoas aplaudiam-nos, e as crianças gritavam e tudo....tal como aos profissionais). Pouco a pouco o grupo em que estou vai-se tornando maior, com grupos que vinham por detrás, e como o grupo em que vou vai-se poupando isso facilita as coisas, eu não incrementei o andamento porque deitando uma vista de olhos às caras do pessoal do grupo (aos que íamos na cabeça deste), fiquei convencido de que o que ia pior eu era.... tinha bastantes dores nas pernas, suponho que pagando a factura de ser só a terceira vez que andava em Maio, por culpa dos estudos (no dia 1, prova de 200 km com o C.C.Oviedo, e a cicloturista da Gamonal...tinham sido as minhas outras duas saídas....). Finalmente chegámos a Covadonga onde cheguei com alguma fome...e TCHAN, o abastecimento só é liquido: água ou coca-cola....nada mais. Ao principio não vi ninguém da lista, depois já vi que estavam por ali: Charly, Faco, Angel, Fernando e Eugenio. Quando nos dispusemos a afrontar os lagos (ia ser a minha primeira vez que subia aos lagos, pensei que seria mais ou menos como em Pajares....mas tornou-se-me muito mais difícil, não sei se pelo calor, ou porque é realmente mais difícil...por certo que na Volta'97 Tonkov ganhou em ambas as subidas). Dei-me conta de que estava ali o Javier Murillo...não tinha nem ideia do que ele tinha assistido...assim parei para falar com ele....depois de um intercâmbio de impressões, atire-me para o cimo, com pena de ter ficado sem a possível  companhia dos outros para a subida, o bom disto tudo é que tinha descansado de mais. Ao principio, como as arvores tapavam o sol e estava fresquito, encontrava-me muito bem, ainda ia controlando, mesmo assim doía-me bastante o joelho direito, quando desapareceu a sombra,  faltando já pouco para a Huesera, comecei a afundar-me...a Huesera pensava fazê-la facilmente, dado que  me dou bem com as percentagens bastante pronunciadas, mas não foi assim, justamente no inicio da subida comecei a ouvir latidos a retumbarem-me os tímpanos, e o coração sentia-o a mil à hora (não tenho pulsómetro), isso não era bom sinal para começar a Huesera. A Huesera tornou-se-me eterna...vou cada vez mas devagar, cada vez mais cansado, e mais doido (as pernas doem-me uma barbaridade), sento-me algumas vezes, mas não tenho “pica” sentado, assim tenho que pôr-me de pé para continuar a avançar. A dado momento antes da metade, pergunto a mim mesmo se haverá algum motivo para não pôr o pé em terra como fazem alguns que vão comigo, e não encontro nenhum; Se me lesionar tanto me faz, a minha temporada só dura até Agosto (pelos exames), e se me apear nos Lagos, ficarei com uma espinha cravada de não os ter subido de seguida, e teria que voltar para a fazer tudo à primeira...e não tinha nenhuma vontade de voltar ali....assim olvidei-me de qualquer tentação de me descer. No final assim que oiço a voz do Charly: "Venga David!", Procuro-o de uma mirada como posso, porque tinha os olhos cheios de suor e não via nada com o fita nos olhos, por fim avisto-o, mas não o posso saudar, nem fazer nenhum gesto com a cara...creio que se me estampou o ríctus do sofrimento na cara e não era capaz de o tirar. Já tinha conseguido o nível de concentração que me permitia sofrer a tope (de facto até ao momento em que procurei avistar o Charly não me tinha inteirado de que tinha os olhos cheios de suor). O Charly disse-me algo assim como, “mas que vontade de sofrer que tu tinhas”....suponho que pela minha cara. Recordava as palavras de Javier, que me dissera que passando o Miradouro da Reina já estava feito. Bom, pois quando vais mal isso é mentira! – (Tornou-se-me eterno até ao Mirador....o Miradouro não foi tão difícil como esperava...de facto pareceu-me tão difícil, como tudo o que já fizera, e como tudo o que faltava fazer...realmente tornou-se-me muito difícil...e repetia para mim  mesmo uma e outra vez que não me voltariam a ver por ali...isto ajudava-me a terminar, ou pensar que se conseguisse não teria desculpa para voltar e isso também ajudava.... enfim, no próximo ano logo se verá, mas nas piores altura serviu-me de truque. No final, creio que fiz 1115 ou algo parecido, mas tanto se dá...se me tivesse importado a classificação não tinha parado no primeiro abastecimento e esperado pelos outros. O importante para mim era subir os Lagos na estreia, e fi-lo. A minha média até Covadonga era 27km/h, e lá em cima só 21Km/h ...ou seja uma ascensão patética (na da Gamonal, como referencia, em Soterrana a media era 19'5Km/h, e na Via Para, também 19'5km/h). No cimo vi o Eugenio, e um tipo do CC Oviedo que a organização tinha contratado como massagista, que me viu com as pernas tão atadas ao caminhar, que disse que me dava uma massagem. Depois da massagem recuperadora (no dia seguinte não me doíam nada as pernas), o Eugenio ajeitou-se, e também a ele lhe deram a massagenzita. Depois, quando já íamos a descer vimos os outros da lista, e tirámos fotos. Após as queixas  porque não tinha havido comida no cimo, descemos. Embaixo em Covadonga conheci o Ramon, outro veterano da lista que até agora não tinha tido o gosto de conhecer. Eu fui de carro para casa desde ali, e os outros regressaram de bicicleta a Llanes. Creio que Ramon disse que se nos tivéssemos inscrito, os da lista, como se tratasse de um único clube, teríamos ganho o trofeu do clube mais numeroso, mas não. Nava 2000 participou com mais de 20 ciclistas, e o clube que ganhou esse trofeu levou quase 40....assim não teríamos ganho nem por sombras). De todas as formas, sempre é boa ideia tê-lo em conta para outros eventos cicloturistas em que nos reunamos.

No que respeita à organização....creio que há que dizer umas quantas coisas. Creio que em muitos aspectos a organização deixa muito a desejar, mas não creio que façam negocio com a cicloturista dos Lagos.....o que se passa é que é muito discutível o seu critério de distribuição do dinheiro. Vejamos: Uns 2900 ciclistas a 3000pts a inscrição, perfazem um montante inferior aos 9 milhões de pesetas (54091,09 euros, - desta vez não me equivoquei).

 E os seus gastos: contratar a Guarda Civil para vigiar a estrada, e lhes cortar o transito... custou: Um milhão e meio de pesetas (9015,18 euros). (Os Lagos encerrados desde as 8 :30.... de mal a menos, porque com o dia como estava a subida ia ficar impossível....havia de ter que ver, toda aquela gente que estava em Covadonga, e que tinha ido até ali com a esperança frustrada de subir aos lagos....parque natural convertido em romaria aos fins de semana, quando está bom tempo).

(A organização alugou um hotel inteiro em Llanes durante dois dias para organizar a marcha....dado que eles não são de Lanes, e sim de Nava. Não sei quanto isto custou, mas de certeza que uma burrada.

Creio que têm que pagar algum dinheiro pelos possíveis danos ecológicos que fazem os participantes ao parque natural....supõe-se que para pagar a recolha do lixo??

A petiscada de Llanes (a que eu não fui) custa umas massas....embora todos estejamos de acordo de que o melhor era se a guardassem, gastando mais em abastecimento ou cobrando menos de inscrição.

As pessoas da organização, na sua maior parte, não são do clube, eles participam na prova....e não sei se os toparam, mas tinham conhecimentos, mas muitas, muitas pessoas, com o peito amarelo da organização, em todos os cruzamentos que são muitos...pois bem, creio que lhes pagam algum dinheiro, a esses dos cruzamentos.

Sei que dantes retiravam algum dinheiro que entregavam a uma equipa ciclista de cadetes....mas creio que hoje em dia não retiram um tusta....em qualquer caso è um clube que não cobra nada por se ser membro, assim se se auto financiam por intermédio da prova é porque precisam. Suponho.

Em definitivo, não creio que se encham de ouro graças à prova, mas parece-me muito muito discutível a sua forma de administrar uma quantia tão elevada.

Quanto à assistência medica e mecânica creio que estiveram bem. Uma bicicleta de 2 lugares (tandem) partiu uma roda (???) durante subida aos Lagos e fizeram subir uma roda na moto,
desde Covadonga com bastante celeridade.

Outro tema em que se tocou na C.lista, antes dos Lagos e que deixa rasto, é o de fazer parar os cicloturistas que se escapam logo nas primeiras mudanças. Este ano não os fizeram parar. Chegaram a ter uma diferença de 15 minutos....coloquem-se na situação de qualquer pessoa que quer ou necessita circular pela estrada, mas impedem-lhe a passagem uns cicloturistas que vão fugidos. E essa pessoa fica parada num cruzamento esperando e esperando....e vê que pela estrada não passa ninguém durante quinze minutos....e após esse tempo passam montes de ciclistas, sabe Deus durante quanto tempo (porque não é um pelotão de 200 ciclistas ao todo como numa competição oficial...são quase 3000 cicloturistas com níveis muito distintos)...o mínimo é apanhar uma pilha de nervos tremenda....E o mais engraçado é que, segundo me disseram, desses escapados que chegaram a ter 15' de vantagem o melhor chegou no posto 100. Creio que, se fecham a estrada para os cicloturistas é normal que não consintam fugas....pelo menos até ao final. E não deveriam tê-lo feito este ano.

O tema da lixeira: Deram-me como desculpa para o facto de não haver comida lá no cimo de que as pessoas eram muito porcas (o que é verdade) e atiravam foras todos os invólucros pelo chão, e isso não se pode permitir num parque natural. Mas que parvoíce de desculpa....vamos a ver se não se podem pôr figos, amêndoas, maçãs, etc. De todas as formas no abastecimento de Covadonga davam as garrafas de agua abertas e as de coca também, para que a gente não levasse as taras, uma medida que me pareceu acertada (depois do que tinha visto a seguir ao abastecimento real)....pois não vá a gente, em vez de deixar as garrafas vazias nas mesas, ou nos sacos de lixo (ou inclusive no chão), e as deitam atrás de tudo, num sitio em que havia umas balsas, onde a gente ia mijar...mas não é que as deixassem ali...senão que as lançavam até as balsa...estão a ver os da organização depois a ir por ali adentro das balsas mijadas para recolher a merda que deixam os PORCOS. Tampouco “cacei” algum destes.

E bom...isto é tudo...pelo menos tudo o que se me ocorre agora.

Ciao!

publicado por Ubicikrista às 16:51

Olá a tod@s.

Aqui vai a minha super-crónica sobre a marcha cicloturista dos Lagos celebrada no sábado passado.

Difícil começo teve a jornada, já que tive que me levantar às 5:15 da manhã para poder estar em Llanes antes das 8:30 para levantar o dorsal, e isso tendo dormido mal toda a noite já que por ter que madrugar tanto, fui para a cama sem ter sono suficiente.

Uma vez em Llanes, o objectivo a cumprir na marcha era viver o ambiente no meio de tanta gente (não é só vir às marchas) e subir os Lagos de uma assentada, sem importar o posto na classificação, para o qual tinha a intenção de ir muito devagar sem fazer nenhum desgaste de energias. O dia era de sol e a temperatura agradável, perfeito para a prática do ciclismo.

Mal se deu a partida já o meu companheiro e eu vamos ficando para atrás, embora sem irmos devagar já se nota a diferença das nossas bicicletas para as da F1 (ele leva btt com sligs, e eu híbrida com pneus de 28 e 38). Aos 10 quilómetros chega um momento em que nos encontramos sós, olho para atrás e ao longe só vejo vir uma ambulância (então recordo-me das crónicas que conta a Maria Fuster) e fico na pior: "Vamos, são os últimos". Por sorte ao passar a ambulância todavia ficava mais gente para trás, e esta só se adiantou para socorrer um ferido por queda.

Começámos a subir a Tornería (que por este lado tem outro nome que agora não me lembro) e acuso a mudança de ritmo do plano para inclinado, mas pouco a pouco vou acertando num bom ritmo de subida. Pouco antes de chegar ao alto, lanço um vista de olhos para atrás e vejo ao longe as ambulâncias, e adiante o que suponho ser o resto dos participantes, que não parecem ser muitos. No falso plano que há antes de começar a descida avivo o ritmo e recupero um monte de postos, enquanto muita gente aproveita para pedalar mais descontraidamente. Uns cartazes avisam que a descida é muito perigosa e logo na primeira e mais perigosa curva, um participante estava no chão e que só por mero acaso não tinha ido precipício abaixo, graças a uma rede que impedia a saída. Apesar das precauções realizei uma boa descida ganhando também posições pouco a pouco.

À entrada de Llanes oiço chamarem-me: é o Fernando Alvarez; converso um pouco com ele e pergunto-lhe pelos outros. Surpreende-me que venham para trás. Depois de uma breve paragem no abastecimento continuamos a marcha e daí a pouco o Fernando volta a alcançar-me, desta vez com o Faco e o Eugenio; saudamo-nos e trocamos ânimos mutuamente.

Começa a Robellada e acuso outra vez a mudança de ritmo, mas de seguida recupero a pedalada alegre e, aproveitando-me do meu companheiro, chegamos ao alto, recuperando distancias variadas aos grupos que nos precediam. Na descida juntamo-nos num grupo numeroso, que temos que abandonar quando chega o plano-plano, pois começam-se a sobrecarregar as pernas e não é de mais descontraí-las um pouco, quando só faltam uns 10 quilómetros para chegar a Covadonga. Ali recebo uma grande decepção ao ver que o abastecimento só se compõe de agua e Coca-cola quente (não obstante ter sido avisado pelo Faustino). Enquanto descanso converso um bocado com o David e também trocamos ânimos perante o que nos falta.

Começo a sentir fome e “meto” uma barra energética que me restava do abastecimento de Llanes e sem mais delongas começamos a subida aos Lagos. Vamos muito devagar, não por medo mas sim por respeito.

Desde o principio que levo posto a pedaleira pequena para subir à mesma velocidade do meu companheiro, mas ele empenha-se em ir com o médio, ainda assim vai mais atrancado. Eu, que subo melhor que ele,  proponho-me acompanhá-lo até ao Miradouro da Reina pelo menos, já que sei que o ajuda bastante ver-me a seu lado, e com as minhas constantes palavras de ânimo. Também é de agradecer  todos os ânimos que recebemos do público que se aglutina nos bordos da estrada e o bom humor que exibe boa parte dos participantes, enquanto sobem pendentes de 10%. Chega o sexto quilometro de subida e com ele a temida Huesera. Ali muita gente põe o pé em terra: horror, perigo de contagio! Ainda que vá muito devagar, deixo pessoal para trás em barda; só se me adianta um que vai apoiado na asa da porta de uma ambulância. Todavia ainda não saí da Huesera e já começam a dar-me ameaças de picadas nos joelhos e músculos. Creio que é por ir demasiado devagar, desaproveitando energias. De todos os modos o meu companheiro cada vez está mais longe, assim decido puxar um pouco mais forte até ao Miradouro da Reina e esperá-lo no plano. Justamente antes do Miradouro nas curvas de Dua o espectáculo é todavia mais horrível que na Huesera, e até desmoraliza um pouco fazer esta subidinha tão difícil, quando já temos a Huesera superada e se pode pensar que já passou o pior.

Aproveito o descansozinho no Mirador, para em andamento, tentar massajar um pouco as pernas e para ver se o meu companheiro me alcança, mas este nunca mais chega, assim, decido que a combinação entre a reserva de forças e a dureza dos Lagos exige que cada um suba no seu ritmo. É então que me apanho em condições de conseguir um bom ritmo de subida, e a partir do Mirador, começo a deixar para trás gente e mais gente. Um ou outro volta a adiantar-se-me mas volta a ficar para trás, é que eu vou com o ritmo muito certinho, conheço muito bem a subida, cada curva, cada rampa e sei onde se pode apertar um pouco mais e onde não convém. O que para os outros é um inferno eu chamo-o de lugar (no sei onde aprendi isto mas fica bem, eh ?). Pouco depois de passar a descida do Elefante cruzo-me com o Charly (como pudeste dar a volta tão perto do final?) mas não creio que me tivesse visto, até porque vou de lentes vermelhas. E como se a camisola de montanha desse forças, pouco antes de chegar ao lago Enol  mudo para a pedaleira média (35 dentes) e ainda faltam quase dois quilómetros e ataco já a chegada: tenho as forças necessárias e sei que o posso fazer. Desço junto ao lago esgalhadíssimo, a paisagem é impressionante mas não a admiro, já que quando vais nas últimas forças o mundo reduz-se ao angulo da estrada pela qual circulas (foi o melhor dia, meteorologicamente falando, de todos os que já apanhei nos Lagos, de bicicleta ou não, em toda a minha vida, e fui muitíssimas, mas com o tempo na Asturias, já se sabe...).

Último troço da subida: a estrada está numa miséria, mas para mim é igual. Se se pusesse a chover também seria o mesmo. Só me interessa que estou a chegar e que vou conseguir, e além disso vou bastante bem. Há um que  se pica comigo e ultrapassa-me, mas limpei-o, é que as poucas forças que me restam saem-me em catapulta e obrigam-me a ir muito forte. Afronto a última subida antes da chegada. Aqui decidi gastar-me todo e neste pequeno troço, ainda passo um punhado de colegas: devia fazer mais de uma hora que não chegava ninguém tão forte como eu cheguei, mas quando recebi o cartãozinho com o número de chegada já estavam a começar a dar-me picadas nas pernas. A última grama de energia utilizo-a para desenganchar o pedal à primeira, para não ir ter com o chão. Nesse momento oiço a chamarem-me: são os outros ciclo-listeros que todavia ainda estavam ali, em amigável companhia e com a extraordinária paisagem como fundo (captada nas correspondentes fotografias), parece que o alento se recupera melhor. Todavia transcorre um quarto de hora antes de que chegue o meu companheiro. Trás uma cara de mau aspecto, mas dou-me conta de que deve ser muito parecida com a que eu tinha quando cheguei. Tal como em Covadonga aqui só há agua e Coca-cola.

Enfim, a organização foi bastante forreta, mas o importante foi desfrutar de um bom dia de ciclismo, da companhia na estrada de inúmeros colegas, das estradas cortadas ao transito e da satisfação de rodar por um cenário único, como são os Lagos.

Por certo, fiquei em 1.293, como veies nada do outro mundo, ao contrario do que poderia parecer pelo que lestes mais atrás... 

Saudações de Javier Murillo desde Oviedo.

publicado por Ubicikrista às 16:50

Isto foi o que fizemos: Juanma e eu. Além disso não pensávamos ficar a comer (pelo que contais, não nos atrasámos muito) nem parar nos abastecimentos, ainda que, para ser sincero eu retirei agua no de Llanes e tomei uma Coca-cola na meta (até me deram o número da classificação para melhor poder levantar o diploma).

E quanto à crónica da marcha, creio que só falta a nossa. Partimos mais ou menos no centro do grupo, apesar das queixas de Juanma que queria partir lá à frente, para entrar nalgum grupo rápido. Nos primeiros quilómetros entretemo-nos a ultrapassar pessoal, puxando o Juanma ou pondo-nos à roda de qualquer um que nos ultrapassava, creio que levava as pulsações mais altas que na Huesera. A primeira montanha, subimo-la a bom ritmo, e quase sem dar-mos por isso chegamos de novo a Llanes. Um membro da organização ofereceu-me uma garrafa de agua e parei para encher o bidão. Continuamos imediatamente e outra vez a mesma historia, a toda a gáspea. Entramos num grupo que ia liderado por um fulano tipo locomotiva, e começamos a ultrapassar pessoal. Dá que pensar que ultrapasses tantos ciclistas depois de 35 km. e uma montanha relativamente difícil, quando praticamente, não tinhas abrandado. Na subida à segunda montanha um pastelento dum camião coloca-se entre nós e um grupo numeroso que vai na dianteira. Ultrapasso-o para não ter que suportar o seus maus fumos, mas não consegui a ligação com o grupo seguinte e volta-me a passar. Por sorte o ritmo dos da dianteira não é forte e à segunda consigo desfazer-me do camião. Acaba a montanha e sem mais obstáculos chegamos ao desvio para Covadonga. Pouco antes do começo da subida difícil, paro para fazer as minhas necessidades, e Juanma vai-se embora para fazer a subida cada um a seu ritmo (o dele, evidentemente, mais forte). Já sozinho (ainda rodeado de uma multidão de ciclistas desconhecidos e de público) começo a subir.

Aqui à uns anos já o tinha tentado e então fizera, metade a pé metade andando. Agora pretendo não baixar-me da bicicleta até à meta. Vou controlando as pulsações, sem passar de 160. Numa das curvas oiço o Juanma que me saúda lá do alto, saca-me umas centenas de metros, o que significa que não vou mal de todo. Aproxima-se a Huesera, e não quero nem olhar para a estrada. Começo a subir sem despregar a vista do pulsómetro, que está por cima dos 170. Cada segundo que passa é uma eternidade, mas quando levanto a vista já estou a meio da recta. Um pouco mais e por fim acabou-se.

A seguinte dificuldade, o Miradouro da Reina, preocupa-me menos, as rampas ainda são duras mas é um troço curto e sei que não terei problemas. Adianto-me a ciclistas que avançam andando e vejo a mesmo coisa de sempre dos anos anteriores. Chego à primeira descida, depois à segunda (que não agradeço, pois penso que no regresso as terei que subir) e por fim a meta. Uma Coca-cola à saúde da organização e vamos para baixo, pois Juanma já estava à uns minutos à minha espera.

O regresso até Llanes torna-se difícil, o primeiro troço fazemo-lo com três ciclistas de Baracaldo mas a meio da montanha não posso prosseguir no ritmo deles e Juanma fica à minha espera. Uma vez feita, já é quase tudo descida mas ainda nas poucas subiditas que há arrependo-me um pouco de não ter regressado de autocarro.

Mas todos chegamos e por fim, entramos nas ruas de Llanes. 150 km. e pouco mais de 6 horas sobre a bicicleta. Mudamos de roupa e decidimos partir, pois há que voltar a Salamanca. Pelo caminho continuamos a desfrutar o ciclismo, desta vez como espectadores, pois escutamos a retransmissão do Giro pela radio, que depois desta etapa já parece estar nas mãos de Pantani.

publicado por Ubicikrista às 16:49

Bom, pois agora calha-me a mim contar a minha visão da Cicloturista. Evitarei não insistir no que já ficou dito e abusar nas impressões próprias. Como já assinalei no outro “emilio”, para mim a marcha suporia a estreia em muitas coisas: andar no meio de um pelotão enorme, participar numa prova organizada, subir os Lagos e subir uma montanha de categoria especial (até aqui só subi duas: o Pajares e S. Isidro e não há comparação). Pela minha estrutura física (1,87 e 83 quilos), subir esta montanha tinha um ponto de arrojo e ousadia (o meu sim tinha mérito e não o de "sem pica" como o do Faco).

A historia da marcha até à Basílica já foi contada por outros. Só acrescentarei que me deu muita pena um ou outro acidente que vi. Ainda que não tivesse consequências muito desagradáveis, parecia-me muito penoso que pessoas que tinham feito muitos quilómetros de carro e uma grande preparação, vissem como ia tudo ao ar em poucos quilómetros, devido a um enganchamento da bicicleta. Gostaria  de assinalar sobre este trajecto, que Faco insistia de que estava receoso no que respeita ao tempo que faria na subida, que necessitava de calor. Desta conversação lembrei-me eu  varias vezes, quando um nortenho como eu, que gosta de andar com tempo fresquinho, suava em gotas grandes debaixo de um sol  tremendo, na subida dos Lagos.

Ao começar a subir ia com o respeito que supõe uma subida tão difícil e tão pouco conhecida (de bicicleta) para mim. Mas uma vez que passei as primeiras rampas apanhei o que para mim é um bom ritmo de cruzeiro. Inclusive, permitia-me o luxo !!! numa subida como esta !!!! de ir ultrapassando pessoas. Desgraçadamente passei pelo Charly. Digo desgraçadamente porque isso só pode acontecer se o Charly for realmente mal. Sugeri-lhe que pusesse o capacete (pelo sol), mas a voz do além com que me respondeu, caiu-me como uma espinha difícil de engolir. O problema chegou na Huesera. Subia muito perto do meu limite e preferi parar justamente no final da rampa. Recuperei forças durante três ou quatro minutos e retomei a subida. Fiz bem, porque o resto da subida fui sempre bem, do bem que se pode esperar naquela situação. No final cheguei no posto 1087. O número é o menos. Aqui há seis ou sete anos, quando só andava de bicicleta para sair um pouco nos dias de verão, experimentei subir pela primeira vez a Robellada (montanha incluída nesta marcha) e subia-a mais tempo apeado do que de bicicleta. O meu único objectivo nesta marcha era chegar ao cimo e fi-lo em melhores condições do que esperava.

Como alguém já vos contou (Ramón, he, he) ocorreu-lhe que o percurso era curto e levou-nos a todos de excursão outros 55 quilómetros. A verdade é que ao Ramón lhe sobraram forças e que fez a viagem toda sempre com a mão no travão. (!!! mas oiçam, e o que desfrutou observando a paisagem, quê!!!)

Como podeis imaginar, após a finalização da marcha iniciaram-se as correspondentes actividades complementares, já relatadas por outros ciclolisteros.

Quero assinalar algumas sensações como resumo da marcha:

-          Subir os Lagos, sem carros e sem ruído é realmente impressionante. Chegar de bicicleta às zonas das aguas lá de cima, numa dia de sol e com a neve ao fundo é difícil de esquecer.

-          é uma delicia ("toca-nos" muito diríamos aqui) andar com pessoas como os ciclolisteros quando nos juntamos e que têm claras algumas coisas sobre competitividade, tempos livres, andar de bicicleta, ir para a estrada com amigos, ... (Um exemplo: esperou-se religiosamente, e sem uma única má cara em todos os abastecimentos, não se usaram cotovelos para conseguir postos dianteiros na  partida e manteve-se o grupo sempre unido enquanto isso foi razoável, ...)

-          No próximo ano voltarei!

Uma saudação (especialmente para os ciclolisteros que estão a preparar o Paris-Brest e que agora estarão a caminho de Santiago: Luis, Antonio, !!!Sois uns monstros!!!)

Eugenio M. Zamora

publicado por Ubicikrista às 16:48

Que bom, que bom, que bom, que bom, que bom, que bom, que bom……

Desfrutei como uma criança de todo este fim de semana. Classifico-o de ciclo-gastro-turismo.

A marcha, com as faltas graves das organização típicas. Ou seja:

-          Não tinha Acuarius para todos, só para os 500 primeiros.

-          O trofeu continua a ser entregue aquando do levantar do dorsal.

-          O trofeu é um cacho de chumbo em forma de ciclista magrinho.

-          Os abastecimentos brilham pela ausência de qualidade e quantidade.

-          Etc, etc, etc……

Isto sim, não sei como a organização fez para chegar a acordo com o homem do tempo, e fazer com que retirasse as nuvens e as neblinas do percurso. Suponho que lhe untaram as mãos com o dinheiro que sacaram das inscrições e não o gastaram em mais nada.

Bom, já metidos na marcha. Saímos quase todos juntos e rolamos quase na cauda do pelotão logo à partida. Pouco a pouco vamos avançando postos até que começamos a subir para Tornería. Não tem nada a ver com o ano passado, desta vez subia-se por uma parte muito mais suave.

Já na descida reagrupamo-nos um pouco e encontramo-nos no abastecimento. Depois seguimos até  Robellada e voltamo-nos a desagregar, para nos reagrupar-mos no curto plano até Cangas de Onís.

 No abastecimento de Cangas voltamo-nos a reagrupar e começamos a subir com sorrisos nervosos, tentando recordar a sensação de dureza do ano passado.

Cada um pega no seu ritmo e começámos a subir. Eu como sempre ponho a redutora e começo a subir muito, muito, muito calmo. O grupo alonga-se com cada um à sua maneira. A cada curva sinto-me mais a gosto e começo subir com alegria.

De repente chega a Huesera e começo a sentir essa sensação como quando tudo vai em câmara lenta. A malta começa a retorcer-se no guiador e a fazer caras feias como se lhes tivesse assentado mal o pequeno almoço. Enfim, eu com o meu super carreto e sentado, porque não dizê-lo, ia como um "DEUS".

De longe vejo o Charly que está observando a paisagem dum miradouro da Huesera com a bicicleta ao lado. Na verdade nunca pensei que um tipo com um corpo totalmente inverso ao meu (alto e delgado), se tivesse que descer na Huesera. Pergunto-lhe o que faz parado e diz-me que a observar a paisagem. Inicialmente pensei que estivesse com cãibras, mas daí a pouco pensei que pudesse ser algo pior, porque não o voltei a ver.

Enfim, continuo a subir encontrei-me com o Eugenio que sai da última curva da Huesera empurrado por um tipo. Depois comentou-me que tinha tido alguns problemas.

Depois da dor da Huesera, a do miradouro da Reina e do resto até aos dois Lagos. Estava bastante calor, sem ser excessivo e podia-se ver toda a paisagem.

Já no alto reagrupamo-nos todos e fizemos as fotos com os Lagos em pano de fundo. Vestimos as capas e arrancamos para baixo. Ali, estava já o Ramón que nos esperava à bastante tempo. Então é quando decidimos ir desde Covadonga até Llanes. Isso significava uns 60 quilómetros extras com a subida à Rebolleda pelo lado brando.

No regresso fizemos o restante rolando suavemente, o que pessoalmente agradeci pelas minhas pernas, que ficaram como novas…

Após um pequeno duche fomos "desfrutar" cotoveladas de espenica. Para quem não saiba, chama-se espenica a um banquete de espetanços variados e sidra da terra. Ali, os que mais comiam, eram os mortos de fome dos acompanhantes, que devoravam tudo o que podiam e mais.

Enfim, depois com o Fernando, Eugenio e familiares, fomos beber sidra natural bem escanciada ( aviada). Mais tarde fomos jantar num bom sitio e, depois daqui tomar umas coisitas até que o corpo nos pedisse cama.

Bom e isto é tudo. Muitas obrigado desde aqui a todos os ciclolisteros, que fizeram os Lagos e especialmente ao Eugenio e companhia pela sua disponibilidade.

Vou-me deitar com carinha de anjo depois de ter desfrutado de um inesquecível fim de semana.

Bom, adeus !!!!….

publicado por Ubicikrista às 16:47

Olá,
Voltei dos Lagos e não me doem as pernas. Só isso é uma grande vitoria para mim, porque o ano passado acabei com tanto acido láctico no sangue que andei vários dias a arrastar-me.

Foi o meu segundo ano nos Lagos e, no estilo da Maria, resumo a crónica em três pontos:

1º é uma subida incomparável e, com bom tempo como neste sábado, impressionante, tanto para o ciclista como para o turista.

2º ninguém se faz ciclista da noite para o dia, logo, tenho que treinar muito mais se quero desfrutar a tope das encostas.

3º o Nava 2000 é um clube de jarretas (caras de maus e oportunistas, para os não espanhóis) e sem vergonhas, que usam a ciclomarcha mais chamativa de Espanha para lucrarem. Passo à crónica:

Amanheceu com um dia lindo, espalhado inclusive sobre a serra de Cuera, um maciço kárstico que domina Llanes e que é habito estar tapado de neve.

Na noite de Sexta, o Angel e eu jantámos com o Eugenio e o Charly, e depois reunimo-nos com Ramón, para pôr à prova os últimos nervos antes de irmos dormir.

Meia hora antes da saída juntamo-nos com mais ciclolisteros (José Ramón, Juanma, Fernando) e fizemos as fotos da praxe. O dia convidava ao ciclismo, e eu tinha o dorsal 1012, assim  propus-me (melhor, desejei) fazer um posto inferior ao dorsal (em 98 tinha feito quase 1700).

Saímos calmamente, longe da cabeça, mas algo mais rápidos que o ano passado, e  encaminhámo-nos para a primeira montanha do dia.

Desta vez, subiríamos para Tornería pelo lado suave, atravessando a serra de Cuera pelo sul. A subida era fácil, com apenas uma ou outra rampa mais dura e de seguida cheguei ao cimo, onde já tinha entrado a neblina e fazia fresquito. Para não parar fiz a descida em pelo, sem capa de chuva, mas por ser uma descida rápida e curta não tive tempo de a enfiar, e quando quis dei-me conta de que estava em Llanes, saboreando um miserável abastecimento. Tive a imensa sorte de que uma encantadora moça da organização me desse um Acuarius, mas o Eugenio, que apareceu apenas uns minutos depois, só lhe tocou agua ou coca-cola. Agarrei nuns bolitos, um par de barritas, uns figos, uma banana e segui na marcha, sempre com os mesmos. Juntámo-nos com David, que tinha chegado tarde, e vimos o Javier.

Ainda nos faltam 40 km. até ao desvio para Covadonga, assim, vamos com calma. É uma boa estrada que dispara levemente até ao cimo, atravessando o Desfiladeiro das Cabras e subindo depois para Robellada. Aí foi-se um pouco do meu ar, adiantei-me um pouco porque queria parar para urinar e não queria descolar dos demais ciclist@s. Na zona plana chegando a Cangas parei e demorei o suficiente para que me apanhassem o Fernando, Eugenio e companhia, que vinham como um avião. Tive que pedalar como um louco para os pilhar antes da rotunda da entrada para Covadonga.

Nos poucos quilómetros até a Basílica já quase ninguém fala, ou só há piadas nervosas, porque a malta nota que se aproxima a grande Subida. O abastecimento antes da subida, INAPRESENTAVEL. Estávamos entre os 1000 primeiros e só tinham agua e coca-cola. Não há direito, pagando o que pagamos (3500 ptas/$23) e sabendo que os patrocinadores oferecem boa parte dos abastecimentos, temos que  suportar que o Nava 2000 se encha de dinheiro em vez de se dignar a dar-nos de comer. Com uns nervos descomunais retirei as joelheiras (fazia um calorzinho e não necessitava delas) e empreendi o último troço da marcha.

Passada a Basílica, chego a uma curva à esquerda, que assinala o começo. Olho o relógio para poder contar o tempo, meto a coroa de 25 dentes e abro a camisola até onde posso. Como o dia é magnífico, há muitíssima gente animando-nos, e isso agradece-se muito - é isto talvez, que torna tão especial esta marcha, sobretudo nos primeiros quatro km. de subida, que são muito duros, e onde a paisagem não te distrai porque vais entre árvores. Dá-me muita graça ouvir comentários continuamente, sobre as minhas costas, que as pessoas dirigem à malta.

Subo relativamente confortável, sentado quase todo o tempo, a umas 60 pedaladas por minuto e à volta das 170 pulsações. Vou ultrapassando muita gente, e há dois ou três ciclistas com os que alterno, às vezes passo-os e noutras ocasiões são eles que me passam. Faz um calorzito mas não sufoca, assim vou ao meu gosto (dentro do possível). Por fim, chega a terrível Huesera. O ano passado impressionou-me, mas este pareceu-me pouca coisa. Não é que não seja difícil, que o é, mas depois de Angliru não me parece tanto, e passo-a quase sem me dar conta, inclusive até me parece curta (não tenho dúvidas, é realmente dura, mas a cabeça nem sempre sente o mesmo que as pernas). Dá-me a impressão de que há menos gente que o ano passado, e é fácil ir adiantando aos que vão mais devagar, avisando-os primeiro para que não se atravessem. O meu grande problema é que suo muito, ainda não tenho demasiada sensação de calor (e até levo uma camiseta térmica), e mal posso abrir os olhos. Já não só por estarem nebulosos mas porque me doem, e ficaria encantado se pudesse parar para lavar a cara - é um suplicio, mas por orgulho não me desço da bicicleta.

Passada a Huesera ainda resta uma boa parte dificil, uns dois km., mas creio que os farei sem problemas, se os olhos não me caírem ao chão. Já não me falta muito e oiço que alguém pronuncia o meu nome. "Porra, penso, vou tão mal que os outros já me alcançaram, os tais que deixei para trás desde o principio?" Olho pelo retrovisor e chego a distinguir uma arroba. Não pode ser Angel, que gosta de subir mais devagar que eu, assim tento distinguir-lhe a cara, a ver se o conheço. Quem quer que seja, já acelerou e alcança-me, e então reconheço-o. È Alberto Ibarretxe, o txirrindulari de Bilbau, que dissera que viria só fazer a subida! Baixo um pouco o ritmo e trocamos umas palavras. Ele vai muito confortável, imagino que graças à pedaleira tripla (veio com pneus tipo tractor), mas começo a notar picadas nas pernas e, sobretudo, doem-me os olhos. Aproximamo-nos da última rampa antes do Mirador, que é um ésse terrífico, de 12  a 14%, e tenho medo de chatear as pernas com as cãibras, assim, digo ao Alberto que vou parar um momento e refugio-me debaixo da sombra de um arbusto. Estou a ponto de contraturar o quadricipe, mas finalmente aguenta-se. Tiro os óculos, o capacete, e lavo os olhos com agua do bidão. Que alivio! Tinham-nos dado um pouco de óleo para massajar, que aproveito para untar as coxas generosamente. Devo ter uma aparência infame, mas ao menos os meus olhos descansarão. Coloco o capacete de novo, ponho os óculos e disponho-me  a prosseguir. Um senhor aproxima-se de mim e oferece-se para me ajudar a montar e dar-me um empurrãozito. O mais amavelmente que posso agradeço-lhe e  digo-lhe que não é necessário, que  parei mais pelos olhos que pelas pernas e, efectivamente, subi para a bicicleta, engancho os pedais, e num instante passo a rampa e estou no Miradouro da Reina. Aqui foi onde o ano passado, atascado de frio e com as pernas contraturadas, tive que parar. Tenho um pouco de receio, mas os meus musculuzitos  portam-se bem e continuo a subida tranquilamente.

Pensei que faltava menos, mas ainda faltam uns quilómetros muito pesados até à primeira zona com agua. Continuo sentado quase todo o tempo, desfrutando da paisagem, que o ano passado estava tapada pela neblina, e ultrapassando mais maralha. Não é que vá a assobiar, mas sei que já  passei o pior e que certamente chegarei lá a cima sem mais problemas. Na primeira descida cruzo-me com os que já regressam, alguns jurando em pragas por ter que subir nessa rampa, que deve ser de 10% e que dói bastante, depois de tudo feito. Nova subida, as pessoas  dizem que já não falta quase nada (isso já eu sei, he, he) e descida para o primeiro lago. Bonita paisagem, muita gente, aplaudem e sorrio. Agora já se vêem os cumes, ainda com neve, dos Picos da Europa. Dão vontade de parar para desfrutar da paisagem, mas afronto a última encosta e vejo o lago Enol !QUE BONITOOOO!

Já o conhecia pois subi aqui pela primeira vez há vários anos de carro, mas vê-lo agora, brilhando debaixo do sol, depois de tê-lo "ganhado" subindo na bicicleta, é uma sensação muito emocionante. Por um instante ignorei as centenas de pessoas o meu redor, aos poucos ciclistas que ainda ultrapasso, e sinto-me um privilegiado por poder desfrutar da vida fazendo estas coisas. Passado o transe, chego à meta e dão-me o papelinho. Olho-o com um pouco de medo, porque agora dou-me conta de que queria ficar num bom posto... 854! Que bem. Quase a metade que o ano passado, e subi numa hora e quatro minutos, apesar de ir com algumas cãibras. Estou muito contente e vou a correr beber qualquer coisa. O abastecimento, "magnífico" de novo. Agua e Coca-cola. Continua sem haver a porra de uma bebida isotónica, que é o que melhor nos convém, com o suor que despendemos. Afortunadamente, conservei o bidão que trazia com isotónica para este momento, e poder beber o que mais me apetece. Além disso, como não está demasiado calor, está fresquito e sabe-me a gloria.

De seguida vão chegando os outros e tiramos um monte de fotos. Esperámos para ver se chegava o Charly, mas parece ser que no final algo se passou com ele e não conseguiu chegar cá acima (coisa estranha para um dos heróis de Angliru). Depois de muitas piadas e risos, vestimos os abrigos e começamos a descida. Enquanto passo o primeiro lago, noto logo, que a capa está a mais, assim, paro para o despir e para fazer alguma foto mais, e continuo a descida. Já tinham aberto o transito, ainda não havia muitos carros e pude descer em velocidade de caixão à cova, ultrapassando bastante maralha e, o mais divertido, alguns carros.

Na Basílica reagrupamo-nos todos. Despedimo-nos de alguns e com outros empreendemos o final da aventura: voltar até Llanes de bicicleta (50 km.), para não ter que esperar pelos autocarros que a organização disponibilizou. No principio vou muito animado, mas de seguida noto a factura dos quilómetros anteriores e limito-me a vir na “mama” da roda (quando posso) ou a rolar suavemente. Por sorte apenas há um par de kms serra acima e o resto é deixar deslizar. Ramón é o único que vai bem e tem que esperar por nós, mas os restantes (Angel, Eugenio e eu) deixamo-nos arrastar e só revezamos algumas vezes timidamente.

Já em Llanes, duche e pestisco final. A tarde é dedicada aos Centros de Alto Rendimento de Llanes, nos quais Eugenio se revela bom conhecedor. Graças aos seus saibos conselhos, aceleramos a recuperação mediante substancias permitidas como a sidra, a favada, peixe fresco na tábua e um bom entrecosto de vitela. Um pouco por vergonha desta vez não tiramos fotos e conformamo-nos com uma boa recordação.

Maravilhosa Asturias...

Francisco, desde Madrid.

publicado por Ubicikrista às 16:46

Olá a todos:

Já de volta, vou contar-vos esta, para mim a quarta, Marcha dos Lagos 99.

Por fim a sexta-feira, a excursão apresentava-se com boa cara, depois de quase ter tido que suspendê-la por umas anginas da minha filha, que a retiveram na cama com 39 de febre no dia anterior. Mas como gosta mais de viajar que a uma bebé, e abrigada num casaco de bisonte, veio aos Lagos com 37,5 ºC para se recuperar com o ar das Asturias.

Para a noite de sexta juntámo-nos vários dos ciclolisteros que no dia seguinte iriam atacar a serra: Faco, Angel, Eugenio e eu próprio; para tomarmos umas hortelãs mentol e comentar o percurso e outras marinhagens de ciclista, que mantiveram a minha mulher e a minha filha absolutamente aborrecidas. Em todos os bares e restaurantes de LLanes havia o clássico ambiente ciclista que atrai esta marcha. Recolhemos cedo para preparar as “armas” para o dia seguinte.

Pela manhã juntámo-nos mais ciclolisteros no Polidesportivo, meia hora antes da partida. Sou incapaz de recordar os nomes de todos eles, mas mando-lhes uma saudação. De certeza que se nos inscrevêssemos todos sob a insígnia de ciclistas.org, em vez de pôr cada um o nome do seu clube, teríamos ganho um prémio de participação, era o que devíamos pensar fazer para a marcha dos Puertos de Madrid.

Bem, pois aqui começa a melhor parte...,  fomos para a partida, soa o “sorvete” e lá vamos. Eu não queria ir muito depressa, mas logo à partida já me encontrava a 100 há hora, dentro do grande grupo da cabeça. Lanço um olhar ao pulsómetro e... pânico 170 ppm. Não pode ser, não noto nada de extraordinário... mas é que vamos a 40 km/h. Bom, digo par mim - apanha uma roda boa, descontrai e desfruta.

E a paisagem é para desfrutar imediatamente, circulamos paralelos ao mar, na direcção oeste, com a impressionante cordilheira dos Picos da Europa à nossa esquerda, surgindo os seus cumes entre as nuvens. Mas não há maneira de nos descontrair.... Produz-se um corte e salto com outros dois para tentar apanhar o grupo da dianteira, o que conseguimos sem demasiado esforço. Na cauda deste grupo vejo várias camisolas do Clube da Bota de Sonseca. Que se passa mancebos? Digo-lhes ao passar. Porra, Ramón!... exclama um. Que fazes por aqui, com a “pica” que isto está?... O Caberta e uns quantos mais vão lá mais para a dianteira. Pois eu vou-me a eles com calma – respondo-lhes.

Assim chegamos à primeira montanha, o Alto da Tornería, que por sorte este ano se sobe pela vertente sul, mais suave que pelo norte, por onde subimos o ano passado. Aqui a estrada  estreita-se e empina definitivamente. Esta montanha deve ter uns 5 ou 6 kms. com algumas rampas durinhas e com uma descida espectacular. De cima vê-se directamente a careca dos ciclista que te precedem. É uma sucessão de curvas em seta, lavradas nas laterais da montanha, que está coberta de pastos. A estrada precipita-se ao fundo do vale, é um destes típicos vales dos Picos, que parece não ter saída e tens a sensação de que baixas na vertical, como num elevador, com petiscos que roçam a verticalidade nos quatro pontos cardeais. A subida faço-a bem, com ritmo: 160, 170 ppm... controlando.

De novo voltamos a LLanes, onde está situado o primeiro abastecimento. Já levamos 40 km. e nem dei por isso... apanho só agua e meia banana e continuo.

Outra vez no arrebenta pernas encontro-me a 170 ppm, saltando de um grupo para outro. Isto não pode ser...penso para mim - assim vou chegar feito num fósforo a Covadonga. Começamos a subir o desfiladeiro das Cabras e decido descontrair-me um pouco. Apanho um grupito que vai num ritmo que considero confortável e vou com eles.

Na descida como outra vez. Faz calor, pelo que a hidratação é muito importante -penso- obriguei-me  a beber sorvitos de agua cada 10 minutos mais ou menos. Em seguida organizámo-nos, 4 dos que integram o grupo e pomo-nos a revezar, vamos caçando pessoal que se põe na cauda do grupo sem colaborar nada no puxar... Covadonga está perto e há que guardar reservas. Encontro-me muito bem, e não deixo de entrar nas substituições.

Assim chegamos à rotunda em que se vira para os Picos, a sensação é impressionante. Temos vindo a descer - ladeando por um vale amplo em concha: o que conduz até Cangas, mas aqui a fisionomia altera-se: encaramos frontalmente a montanha e internamo-nos por um vale aconchavado que baixa directamente dela. Vou para a cauda do grupo comer e descansar um pouco.

Uns km. mais adiante aparece a Basílica de Covadonga, com a Santina que os Asturianos veneram e a campa do Rei D.Pelayo, é o aviso do que se avizinha: os 12 km. do que durante anos foi considerada a subida mais temível das voltas ciclistas (agora esse protagonismo mudou-se para L'Angliru).

Passo os restaurantes, curvo à esquerda e já estamos no “palco da festa” um ano mais. Subo os carretos e disponho-me a trepar tranquilamente. Mal se começa, adianta-se-me um grupito do Clube Artevi, também Toledanos. Saudamo-nos e deixo-os ir, que já sei o que há lá em cima e é melhor subir com a psicologia de guia: "Há que subir as montanhas com passo de velho, para chegar com coração de jovem". Alguns km. mais acima encontrei um deles com cãibras.

Assim vou subindo até à Huesera. Esta é uma difícil rampa de uns 800 mts, descarnada e sem curvas, que tem dois sítios fortes de 15% e que em nenhum momento baixa de 12%. A montanha avisa da sua proximidade, já que até chegar a ela vai-se subindo dentro de um frondoso bosque, mas uns metros antes do seu começo as arvores acabam-se. Porque me terá enganado o coração um ano mais - penso -. Um par de curvas antes de começar, pedalo um pouco em ziguezague, para aliviar a musculatura lombar. Vou superando pouco a pouco o desnível. Já estou nos primeiros 15% e ponho-me de pé nos pedais outra vez. Há que subir, esquecendo o que se passa à tua volta. Já está... sento-me e olho o pulsoómetro: 175 ppm, tenho que aliviar um pouco. Chego ao seguinte 15%. outra vez de pé..., passo-o, sento-me e olho o pulsómetro: 180 ppm. Concentro-me em aliviar para poder chegar à rampa do Miradouro da Reina sem passar das 165 ppm. Antes desta rampa, que volta a empinar-se até  15%, há um descançozinho. Consigo descer as pulsações e ataco esta rampa também de pé. “Vamos, vamos que depois há um descanso!...” Animam a pessoas ao pé da estrada. Supero esta rampa e penso que já tenho quase a montanha conquistada. Ainda é cedo para descuidos: faltam ainda uns 5 kms. de subida com varias rampas de 12%. Chego à descidita donde recordo ter visto desaparecer o Pedro Delgado entre a névoa, pela TV, naquele ano em que ficou em terceiro na Vuelta, não sei se ganhou aqui ou se fez segundo. Continuo a subir, completo a rampa que conduz ao Collado, da qual se domina o lago Enol, e dou-me conta de que a montanha recebe-nos hoje com o seu traje de gala: Sol e neve nos cumes... Encaro a última rampa até a meta, entro na zona dos últimos 100 mts, que a organização gradeou, e sprinto como posso: esta é também uma rampa difícil. Olho o céu antes de entrar. Um ano mais pude saudar o majestoso cume de Peña Santa de Castilla, que este ano está coberta de neve, dominando a serenidade do lago Ercina !Guay! - como diria a minha filha.

Cheguei em  622 dos 2.833 que tomámos a saída. Apanho uma coca-cola e agua no abastecimento e abrigo-me. A organização não se esqueceu de levar jornais para nos protegermos do frio na descida, o que é um detalhe de realce. Depois de saborear a minha coca-cola e uma barrita energética, enquanto desfruto a paisagem, empreendo a descida na qual me vou cruzando com muitíssima gente que todavia ainda sobe, alguns a pé na zona da Huesera.

Chego aos autocarros e depois de esperar um bocado aparecem Faco, Angel, Eugenio, David e alguns mais e decidimos voltar para LLanes de bicicleta, em vez de apanhar um autocarro da organização. Assim nas calmas, fazemos os 55 km de regresso. Veio-me mesmo a calhar este regresso, para adquirir forma para enfrentar a Qubrantahuesos. No final o meu ciclo-computador marcava 154 km.

Pela noite juntamo-nos Faco, Angel, Eugenio, sua mulher e a minha e a minha filha, para tomar um copito e celebrar o que de bom  tínhamos vivido. A próxima é os Puertos de Madrid. Vamos ver se o Eugenio se anima, e poderemos ser tão bons guias da zona como ele foi nos Lagos.

Saúde e sorte nas estradas.

Ramón

publicado por Ubicikrista às 16:45




publicado por Ubicikrista às 16:44

Hoje, após a suspensão indefinida dos Contras, encontraram-se na bomba de gasolina J.Carhvahlhu, J.M.Fhehrehyra "o asturiano", E.Pyrhassah, M.Fheehrhu, P Rhapohuzu, J.A.Hahleyxu, S.Fhehrehyra e Pehedhru e, além destes pelo caminho juntar-se-iam E.Jhakshinhto, J.A. Hynhassyhu e T Shekharra.

Todos se interrogavam pela sorte que estariam a passar Shéedhavydy e Rhushadhu, seguidos no carro vassoura por Whalahdaz, desde a Cidade Real até Málaga. Mais de 400 km. percorridos numa só día. Ainda hoje não temos noticias.

Carhvahlhu apareceu preparado para as Conapós já que, como era de esperar, nenhum dos que propuseram a suspensão das mesmas os avisou. Por outro lado, Pehedhru reconhece que se sente um pouco gasto já que este mês leva demasiados quilómetros em cima e teve más sensações durante todo o percurso. É barrigudo e, como tal, parece não saber que deve ir mais devagar e descansar mais, se quer continuar a fazer todos esses quilómetros.

Em cima das 8:05 dá-se a saída com um bom aquecimento dirigido pelo Pehedhru, e ao passar junto ao desvio do IP incorpora-se o E. Jhakshinhto. O aquecimento começa com uns 14 km./h, por Benajarafe e não sendo superior aos 24 km./h. Quando estão a chegar ao desvio de Cajiz aparece Hynhasyhu na via e pára antes de chegar ao desvio, no qual o grupo, apesar de haver baixado a velocidade, chega em menos de um minuto. Baixa-se ainda mais a velocidade entre 18 a 21 km./h e os outros pararam. Logo após passar o cruzamento salta a corrente a E. Jhakshinhto e um pouco mas adiante a Jhuhanhu, o grupo baixa ainda mais a velocidade. Antes da Cabeço da Caca aparece T. Shekharra e J. Carhvahlhu pára para o saudar ocupando entre ambos a metade de uma faixa e a escassa berma. Todo o grupo tem que ir na outra metade da estrada e os outros vêm-se obrigados a parar, além de se ouvir uma ou outra travagem.

Por alturas de Almayate incorpora-se HynhaSyhu ajudado por três bons aguadeiros, Pyrhassah, Fhehrehyra e Jhakshinhto. A partir da sua incorporação volta-se a subir o ritmo chegando-se ao desvio de Algarrobo a uma media de 21 km./h.

Logo após começar a ascensão esta é assumida como nas corrida até Algarrobo, mas sem embargo há outros que continuam a bom ritmo mas sem judiar. Em Algarrobo fazem uma paragem para se reagruparem e ali se autoapresenta um tal Luís, que se vê que teve que realizar um grande esforço para estar pronto às 9:30. Não sabemos se começou o seu sábado ou se tinha realizado só um sprint nessa mesma manhã. Alguns perguntaram se esse era o Papa Frita mas Pehedhru desengana-os, "O Papa Frita é barrigudo e esse não lhe chegava aos pedais". Antes de se relacionarem com ele, os barrigudos decidem começar o ascensão enquanto Jhuhanhu volta ao carro vassoura.

Partiram  com alma de diabo, como se os 15 km. de ascensão se fossem acabar de seguida ou talvez fossem por causa dos "pontos". No começo forma-se um grupo: Jhakshinhto, Carhvahlhu, Fheehrhu, Rhapohuzu e FhehRehyra, mais atrás ficam Pyrhassah, Hynhassyhu e ainda mais atrás ficam Hahleyxu e Pehedhru que começam a ascensão juntos e se auto-impoêm uma velocidade de 10 km./h. Hahleyxu quería ir um pouco mais devagar mas não quería ficar sózinho, pelo que Pehedhru aguenta o ritmo até chegar à altura de Pyrhassah para que Hahleyxu, se quisesse, subisse com ele. Se Pehedhru tivesse encontrado, desde o inicio, barrigudos que quizessem subir juntos, decerteza que não teria exitado, mas não ocurreu assim. Hynhassyhu parece que está à espera e como leva uma boa velocidade Pehedhru decide subir com ele à captura, do quase de certeza, barrigudo baqueado. Como ninguém dos da frente tinham querido subir de autocarro Pehedhru pensou auto-sofrer tentando subir em menos de uma hora até à bomba de gasolina de Competa. Muito antes de chegar a Sayalonga já se divisam as possíveis vítimas. Primeiro podia cair Rhapohuzu que era o que estava mais perto e lá mais para cima, ainda muito longe, avistava-se o Fheehrhu. Lá adiante Jhakshinhto decide subir  sozinho e aumenta o ritmo enquanto que os outros tres o fazem a uns 14 km./h. Carhvahlhu, como sempre, é o primero a abrir as hostilidades mas a coisa não lhe sai bem, já que tanto Shekharra como Fhehrehyra não perdem nem um metro.

A velocidade não baixa mais mas sobe em determinadas circunstancias, por exemplo, pouco antes de chegar o ataque de Thoohsey, Hynhassyhu aumenta um pouco o ritmo e Pehedhru descola uns metros. Mais atrás vê-se a pouca distancia, o Pyrhassah e Hahleyxu que vinham em animada chalaça. A verdade é que Pehedhru tentou varias vezes a diferença entre subir ao ritmo de PASSEIO ou subir apertando, conseguindo quase sempre o mesmo tempo mas com distintas "sensações". Pehedhru hesitou em mais de uma ocasião, mas já era tarde para subir com Pyrhassah e Hahleyxu e garante que da próxima vez o fará.

Daí a pouco alcançam, Hynhassyhu Pehedhru, o Rhapohuzu deu-lhe uma dor "de carretos" nos rins e desce  da burra para beber agua. Baixam bastante o ritmo para ver se o Rhapohuzu se lhes junta, mas este parece que não se decide, pelo que ambos prosseguem, voltando a aumentar o ritmo. No cruzamento de Arche, lança o ataque messié Shekharra surprendendo o Fhehrehyra. No final chegam lá acima por ordem Jhakshinhto, Shekharra, Fhehrehyra e Carhvahlhu. É justo dizer que enquanto Shekharra só ía fazer a subida, já que tinha que ficar por alí, os restantes amandavam-se para uma nada despreciavel quantidade de 80 km. Por pressing de sinais de cansaço, pelo que deviam conservar as forças, ou não?.

Mais lá para cima, Hynhassyhu e Pehedhru já podem ver, mas muito ao longe, o Fheehrhu que não baqueou até quase chegar à bomba de gasolina. A verdade é que tinha montado travessas novas na burra e isso dói!. Pela bomba de gasolina passam ambos com uma velocidade media desde Algarrobo de 14,44 km./h. Ainda ao chegar ao Alto del Shekharra e após um sprint para tentar dar caça ao Fheehrhu que fracassou, a media subiu a 15'00 km./h sendo a media, desde Rincón, de 17,5 para Pehedhru, de 17,1 para Hahleyxu e Pyrhassah e de 19 para S. Fheh Rehyra. Todos tiveram tempo suficiente para subir até ao cimo. Os que mais surpreenderam, agradecidamente ao Pehedhru foram Tecno e Pyrhassah.

Doparam-se no bar do Alto del Shekharra donde se pode ver dois pares de senhores que competiam, com o Luis de Algarrobo, para ver quem  tinha apanhado a maior. Maior não sei, mas a do Alto del Shekharra era de maior altura. Um deles era uma fotocopia do Shekharra verdadeiro, com a sua pera, as suas orelhas e a sua cabeça rapada que  tapava com um boné ... só lhe fazia falta um lenço como o pirata.

Às 10:45 em ponto, começam a descida e ao passar pela bomba de gasolina juntam-se Carhvahlhu e Fheehrhu. Pehedhru nota que leva uma perna ortopédica. Faz-se uma descida rápida mas agrupam-se na N-340. Parece que há vento a favor e alguns reclamam irmos juntos, pelo que se estabelece um limite que não seja superior a 30 km./h mas, após a passagem por Torre del Mar, Jhakshinhto, TecnoIndurain, Carhvahlhu e Rhapohuzu decidem-se a repartir o sofrimento. Mais atrás Pyrhassah incita os restantes  a dar caça aos da frente, Fhehrehyra diz que não pode, Hahleyxu não diz nada e Pehedhru vem fazendo a avaliação do danos sofridos e vendo o estado do pessoal, não se fiando no vento, aconselha a não passar de 28 km./h já que mais adiante haverá tempo para dar caça. Fheehrhu fica-se mais para trás, junto com o seu sobrinho, decidindo regressar mais nas calmas. Pehedhru observa como o grupo passa dos 28, ... e dos 30 e começa a passar dos 32 pelo que decide "dar uma mão" pondo-se na frente e marcar mais de 37 km./h. enquanto observa, por sua vez - Shekharras, se o grupito ía "à vontade" mas vê como se produz a primeira baixa sendo esta Fheh Rehyra. Talvez cansado ou talvez para reparar os danos causados, Pehedhru, abandona a cabeça do grupo e deixa-se cair até ao Fhehrehyra para o pôr na roda. Um momento antes tinha aparecido, Fhehrehyra "El asturiano",  no carro vassoura.

Como era de esperar, antes de chegar à Cabeço da Caca, aparece um ventinho de frente e este faz que Jhakshinhto e Tecno abalem e, por outro lado, Carhvahlhu e Rhapohuzu descolem sendo alcançados pelo Hahleyxu e Pyrhassah na descida da encosta. No desvío de Cajiz fica-se o Hynhassyhu para se arrecadar no seu carro. Entretanto, Fhehrehyra tinha recuperado alguma coisa e rendeu algumas vezes o Pehedhru, que lhe agradeceu muito, chegando a alcançar ritmos de 30, vento de frente, quase alcançando o grupo que o precedía nas imediações de Benajarafe, mas antes de chegar ao desvío para a autovía, Pehedhru como sempre, decide descançar as pernas já que agora acreditava que as duas se tinham transformado em ortopédicas, estava feita uma caquita barriguda e S.Fhehrehyra esperava-o. Agora faço a seguinte pergunta  aos ... barrigudos. Que teria acontecido se tivessem ficado o Rhapohuzu (que se apressou em caçar os da frente), Pyrhassah, Hahleyxu, Fhehrehyra e Pehedhru e tivessem realizado a volta como tinham combinado?. Respondo-vos também ... nesse caso não se trataria de barrigudos.

Pelo desvío do IP já iam todos "recuperando pernas" até chegar à zona de abocanhamento onde à chegada ouviram  e puderam ver como marcaram um golo ao Málaga. Nesse momento aparece sem a roupa da faena[1] e sem o veículo de tracção animal o J. Zheéhra. Não abandonaram a zona de abocanhamento até ter claro que o C.D. Málaga tinha quase o jogo ganho no primeiro tempo e portanto assegurado a subida à primeira divisão.

Por certo, temos um espia: o SIBTT (Servicio de Informação de Barrigudos Treinando à Traição) pode constatar que Jhakshinhto é um "Patas Pelás" sendo o primeiro do grupo; ainda asseguram, após fontes de informação, que sempre o foi! E eu com estes pelos!.

 



[1] À civil.

publicado por Ubicikrista às 16:43

«Só os imbecis dizem a verdade. Como sou uma pessoa inteligente, minto sem parar.»

 

Hoje, às 8:00,  encontraram-se na bomba de gasolina P. Thyrohlensso, P. Phurthelly, P. Rhapohuzu, J.M. Jhuhanhu, J.M. Hahleyxu, J.A. Phahlhas, J. Thoohsey, J. Carhvahlhu, M. Mahgnhum, e M. Pehedhru. Além disso pelo caminho juntar-se-iam E. Jhakshinhto, o cunhado do Phahlhas, que de momento apelidaremos de Suhysshu, e Títulos Shéekharra. Um total de 13 barrigudos[1] 13, dispostos a sofrer uma das passeatas mais temidas por todos.

Por volta das 8:06  dá-se a saída com um aquecimento bem realizado, não sem antes se meter o Hahleyxu com burra e tudo, devido a um descuido, num buraco de mais de meio metro de profundidade perante a surpresa dos presentes. Pouco mais à frente, o Thoohsey deixa cair algo que assusta todos os barrigudos, pelo barulho que fez devía ser o alpendre da casa, e vejo que de titanio não era de certeza. Pouco depois apeia-se o Thyrohlensso da burra devido ao roçar de ferros. Esta saída começou com mais percalços que a de domingo passado.

Antes de chegar ao desvío da IP incorpora-se o Jhakshinhto. O ritmo ía subindo até alcançar os 24/25 km./h, ainda houve alturas de 27 km./h. No Cabeço da Caca alcança-se o Suhysshu . Em Almayate já não  contavam com o Shéekharra, mas este devía estar escondido atrás de alguma coisa, pois ninguém sabe de donde saiu, conseguindo surpreender os barrigudos todos pela retaguarda.

Ao tomar o desvío da circunvalação de Vélez o grupo ficou dividido em dois, ficando na ressaca Hahleyxu, Phurthelly, Thoohsey e Pehedhru. Os dois grupos levavam velocidades parecidas, pelo que não se iriam unir em todo o percurso, e para mais, os de trás, puseram-se a revesar a uma velocidade que rondou os 22 km./h com o vento de frente.

Quando passavam por alturas do desvío em Benamocarra cai, tal como a primeira fruta madura, na invernada antes da temporada, o Suhysshu, que se põe na roda e se consegue manter um bom bocado. Mais tarde, à altura de Trapiche põe-se na roda também, após ser alcançado, Jhuhanhu. Aquilo era a o grupo da vassoura inseparável. Ao chegar ao primeiro desvío para Canillas (faltavam 10 km.) estava à espera o Phahlhas, para poder voltar com o Suhysshu e o Mahgnhum e unir-se à vassoura inseparável. Sobem a primeira rampa e ali esperava-os o Rhapohuzu que também se junta. Prosseguem e um pouco e mais adiante encontram, também à espera, o Shekharra. Após a retirada do Phahlhas, Suhysshu  e Jhuhanhu, o grupo mais numeroso era a da vassoura, sendo formado pelo Mahgnhum, Rhapohuzu, Hahleyxu, Phurthelly, Thoohsey, Shekharra e Pehedhru, quer dizer, "o autocarro" com a excepção do artista convidado Shekharra que, entre vivas e aplausos, é proclamado como Rei do Autocarro.

No local do reagrupamento, ao segundo desvío para Canillas (faltavam 8 km.) estavam à espera o Jhakshinhto, Thyrohlensso e Carhvahlhu. Após dar um descanso ao corpo e a frase lapidar "Quem é que escolhe estas rotas, caraças?" começa a ascensão à velocidade livre. Os primeros a abalarem foram Jhakshinhto, Thyrohlensso e Carhvahlhu e para surpresa, dos presentese e ausentes, fica com os de detrás, o omnipotente Títulos Shekharra. Sim! Shekharra ía com a escumalha da vassoura, de PASSEIO, mas ía com eles e além disso meteu conversa, distribuiu queixas, voltou a esconder-se e voltou a atacar pela retaguarda, ou seja, deu espectáculo. Os barrigudos não caíam em si na sua admiração ao verem semelhante figura entre eles, numa subida, e a animar a malta.

O grupo formado por Hahleyxu, Phurthelly, Rhapohuzu, Shekharra e Pehedhru passaram toda a ascensão discutindo sobre se deviam ir a 7,9 ou a 8,1 km./h até à chegada. Quase ao final da ascensão, onde se podem ver os maravilhosos cenários sobre a represa de Viñuela é o lugar onde Phurthelly tenta distrair a atenção de Shekharra enquanto reduz distancia. Quase passa desapercebido, e a não ser pelo seu assoprar ofegante durante o sprint, os barrigudos não teriam podido topar-lhe a "façanha". Na entrada da povoação, após o reagrupamento, estabelece-se outro sprint. Pehedhru não acredita no que ouve e Hahleyxu desfaz-se em risos sem deixar de sprintar. Phurthelly gasta as reservas enquanto Shekharra, na cabeça, pedala tudo o que pode afirmando que os barrigudos do autocarro são traidores e perigosos.

Finalmente chegam à praça da fonte em cima das 10:10 os primeiros, e sobre as 10:30 os últimos. Hahleyxu continuava sorrindo. Já não se contava que aparecesse mais nenhum dos barrigudos quando, mesmo às 10:45, chega Mahgnhum, surpreendendo todos só pelo facto de ter chegado, após passar uma noite desenfreado na borga, mas ali estava ele, sim senhor! Com tempo suficiente para um descanso antes da descida programada para as 11:00. A velocidade media da vassoura tinha sido de 17 km./h.

Às 11:00, como estava programado, começa-se a descida que o Mahgnhum, Shekharra, Jhakshinhto, Carhvahlhu e Thyrohlensso fizeram rapidamente e Hahleyxu, Phurthelly, Rhapohuzu e Pehedhru  enfrentaram-na com mais calma. Em Trapiche reagrupam-se, encontrando-se já ali o Thoohsey que os esperava e depois de se abocanharem convenientemente, retomam a marcha voltando a formar-se dois grupos.

Lá adiante iam: Jhakshinhto, Thyrohlensso, Carhvahlhu, Shekharra, Mahgnhum e Rhapohuzu e o grupo da vassoura estava formado por Hahleyxu, Phurthelly, Thoohsey e Pehedhru. A vassoura foi fazendo relevos pelo facto de se ter que colaborar face ao vento. Quando chegam à Torre del Mar encontram o Rhapohuzu e o Mahgnhum que se voltam a juntar para formar a vassoura inseparavel só que desta vez tinham mais trabalho já que por ali soprava um vento de frente ainda mais forte. Num ritmo acessível para todos continuaram a render à vez até encontrar uma manifestação que impedia a estrada.

Razão não lhes faltava, tinha morrido uma miúda atropelada mesmo naquele lugar. Todos sabem que desde que fizeram a via de circunvalação ninguém respeita os limites de velocidade tendo-se visto veículos, inclusive camiões, a mais de 100 em troços cuja velocidade limite é 50 km./h. Quem quiser fazer corridas pode faze-lo no IP que passa paralela à N-340 a menos de 2 km. Os barrigudos pararam  respeitando o corte na estrada, mas os manifestantes indicaram-lhes, na altura, que eles podiam passar. Houve um ou outro barrigudo que pensou unir-se à manifestação mas, aos poucos, os efectivos da P.G.C. acabaram com a  mesma.

Ao chegar ao IP fizeram a habitual recuperação de pernas, chegando ao enfardanço às 12:40 os primeiros, e às 12:55 a vassoura. A velocidade media da vassoura inseparável, foi de 21 km./h e a distancia percorrida foi de 78 km. com uma montanhita de segunda categoria incluída. No enfardamento estava J.Zheéhra à espera e após termos tomado alguns "recuperantes" marcharam-se para a sua sede desportiva, satisfeitos por esta " clássica de passeio ".

Vamos ver se no domingo que vem, no regresso, se organiza outra vez a Vassoura inseparável a uma velocidade de 7 ou 8 km./h. Cobardes! Caso a vassoura continue assim organizada, ai do elite que se aventure!. De certeza que há burburinho.



[1] No original "globeros". Um puzle para resolver já que globo chamam os espanhóis ao balão, "globeros" serão os que possuem ou escondem o balão, na gíria ciclista debaixo da camisola, logo...Eureka! Barrigudos.

publicado por Ubicikrista às 16:36

«Não se escolhe uma raposa para tomar conta das galinhas

apenas porque ela tem uma grande experiência em capoeiras.»

 

Com o plantel reduzido, devido á época balnear a decorrer, e não obstante os hooligans serem cada vez mais, lá nos arrastámos para o última dolorosa, onde os treinos desta vez tinham sido à laia de cágado, desculpe lá Sr Silvano, foi sem intenção!

Como é aquela canção? Cidá-dje má-ra-vi-lhó-sa, che-iá de encantos mil! Granada claro. Até mesmo com ementas em língua alemã. Sabei pois, como é público e notório, o alemão é uma língua que foi desenvolvida com o único objectivo de permitir a quem a fala cuspir nos outros, sob o pretexto de conversar educadamente. Aliás, devo dizer que eu próprio falo alemão fluentemente, mas só através de um intérprete.

Num desses restaurantes chocámos de caras com aquela coincidência de que o mundo é pequeno. Mais um hooligan que chegara atrasado. Não, não! Era apenas o Dr Alberto Lobo que andava por ali de férias com a família e amigos.  

publicado por Ubicikrista às 16:26

A subida ao Pico Veleta è a mais curta do Circuito, ainda que para muitos, possa resultar numa das mais difíceis. Não há nenhuma parte com descanso. Desde que sais até que chegas vais encosta acima e os mais rápidos podem demorar três horas a fazer os 42 quilómetros que unem a estação de Pinos Genil até ao Pico Veleta.

Acerca disto, disse um cicloturista granadino, participante habitual nesta prova, que: às primeiras perguntas de «Quanto falta?» começam-se a dar por volta do quilómetro 13, antes do abastecimento de Casilhas Rojas. A resposta que melhor reflecte a situação da corrida ouvi-a em 1995, quando fazia a minha segunda subida: «Não te preocupes, a parte má já passou, agora vem o pior».

Dizem que as rampas mais duras, efectivamente, estão nos primeiros sete quilómetros, até La Higueira, mas  o problema, uma vez superada esta fase reside em ter ainda força e animo para continuar a pedalar sem descanso por uma estrada sempre empinada que parece nunca acabar.

Mais acima, até ao quilómetro 20 há outros dois quilómetros muito duros que nos conduzem à saída da urbanização de Pradollano na qual, uma grande recta com inclinação de 7% puxa muito.

Um pouco mais acima, por volta do quilómetro 30, «a estrada torna-se rugosa, desnivelada e de aspecto difícil. O oxigénio escasseia e é necessário manter a cabeça fria. Aqui é onde se fazem amigos. Até ao momento tratava-se de companheiros de marcha. Nesta zona os bolsos começam a esvaziar-se, trocando-se glicose, tabletes energéticas ou uma palavra de animo. É fácil que apareça a desesperação porque, apesar do esforço, o "Picão" continua a parecer inalcansável», resume assim, o experimentado sofredor desta marcha .

«A zona de Panderones, a cinco quilómetros da meta, está formada por um continuo ziguezague ascendendo a parte noroeste de Veleta com um desnível continuo em redor dos 8%. Aqui começa a ver-se o final do túnel. Avista-se Collado de Veleta. (...) Se a neve o permitir, coisa que não aconteceu na terceira nem na quinta das minhas subidas, a meta está somente a uns metros desse cimo, e a fortíssima rampa final, só de algumas centenas de metros, qualquer um a faz com mais gloria que sofrimento, procurando um troço de asfalto para poder circular entre tanto buracos. A emoção quando se põe o pé em terra, talvez segurado pelo selim, por algum membro da organização, é do género que a mim me faz saltar as lagrimas, inclusive neste momento em que escrevo isto», sentencia contundentemente o nosso particular narrador.

A «Subida ao Pico Veleta» é uma Marcha muito especial e quem participa nela tem muitas histórias que contar produzidas  tão só em 42 quilómetros...! Mas que quilómetros!

Seguindo a filosofia adoptada, de dar primazia à participação nas provas do Sul, as tais que para a maioria dos participantes fica mais longe dos seus domicílios, nesta marcha pontua-se o dobro das outras provas por se apresentar à partida. Desta forma os participantes do Sul  não estarão em inferioridade de condições, na hora de chegar a obter o diploma acreditativo da sua participação no Circuito.

publicado por Ubicikrista às 16:20

Olá,
Regressei de Granada e passo a relatar-vos as minhas experiências a pedalar pela estrada mais alta da Europa.

Conto-vos rapidamente que aproveitei a desculpa da ciclomarcha a Veleta para passar uns dias em Granada com a minha noiva, percorrendo numerosos C.A.R. (Centros de Alto Rendimento) onde me preparei conscientemente para a subida, à base de comidonas de derivados porcinos (presunto, chouriço, lombo, morcão, morcela,...), queijo, gazpacho, todo isto regado com abundante cerveja. Semelhante acumular de reservas ajudou-me a preparar a subida de forma principalmente aeróbica, como se verá mais adiante. Recomendo este tipo de  treino a qualquer um com ânsias de desfrutar da bicicleta.

Recomendo igualmente a visita a Granada, uma das cidades de Espanha mais acolhedora e bonita paraíso do cicloturista: chove pouco e há percursos para uma pessoa se fartar, tanto planos como montanhosos.

Na véspera da subida, o nosso bom amigo Fernando (sim, sim, o da De Rosa) levou-me a fazer um percurso precioso, que nem sequer ele conhecia, ao longo do vale de Quéntar. É uma estrada nova, sem  nenhum trânsito, que sem duvida é a rota predilecta de muitos ciclistas granadinos. Estradas assim fazem adeptos.

Como último preâmbulo à crónica dir-vos-ei que, POR FIM, estreámos as camisolas de ciclist@s. Graças ao trabalho de equipa de vários ciclolisteros, o atraso do fabricante não pode impedir que os luzisse-mos na Subida a Veleta. Muito em breve podereis ver as fotos na web. Hoje mesmo começarei os envios das camisolas, que irão ser recebidos por quem os encomendou.

Está já a chegar a crónica...Como sempre, antes falarei da organização, pois, como sabeis, o propósito destas crónicas é servir de informação para quem queira participar nas ciclomarchas, além de entreter o pessoal. Desta vez repartirei as “porradas”, pois os do clube Pinos Genil ainda têm muito que melhorar: duas horas estive eu e o Fernando para nos inscrever-mos, num local sem ventilação e rodeados de ciclistas tão espantados como nós. Faltou o prometido impermeável para enfrentar a descida; do mal a menos que não fazia frio, porque de contrario, eu seria hoje um cubito de gelo. O churrasco final e entrega de diplomas foi um caos, numa tenda que parecia uma sauna, onde ninguém se podia sentar. Um ou outro ciclolistero acabou por abalar sem o respectivo diploma, pois iam-nos entregando a conta-gotas. Vamos ver se alguém do clube Malaguenho lhes ensina, aos granadinos, como se organiza uma marcha.

Amanheceu com sol (dificilmente podia ser de outra forma), e em Pinos Genil  juntámo-nos os seis ciclolisteros: Ramón, David, Fernando, José Ramón, Juanma e eu, todos vestiditos para a ocasião. Levei o capacete para a descida, mas retirei-o do guiador (em terreno esburacado, que diria Alix?[1]) e estreei um gorro da Kelme que a minha noiva me ofereceu.

Eu ia com mais medo que vergonha, pois haviam-me falado dos efeitos da altura. 40 km. de subida também impõem respeito, mas eu já tinha enfrentado montanhas de 30 km. e sei como sofrer durante 3 horas encosta acima (quiçá por isso o evitei).

Começámos a subir, e imediatamente o José Ramón e o Juanma ficam-se. Os quatro restantes, agrupados como todo o clube que se preza, vamos pedalando tranquilamente na conversa. Ainda que a inclinação nunca passe de 7 ou 8%, tão pouco baixa do 5%, assim é, que, rapidamente ganhamos altura.

Sinto as pernas muito duras, e começam-me a doer. Não passo das 140-150 pulsações por minuto, mantendo as 60-70 pedaladas de rotação, movendo o 39x23 e, em muitas ocasiões, o 25.

Em seguida passamos a cota dos 1000 metros, e uma paisagem admirável vai ficando aos nossos pés. Aos 8 km. começa a segunda "etapa" (segundo Fernando) e o ritmo anima-se. Afortunadamente, as minhas pernas já aqueceram e sinto que vou à vontade. As pulsações  oscilam entre as 130-140 e desfrutamos da paisagem e da companhia. Subimos por um ombral de uma ladeira, rodeada de árvores.

No primeiro abastecimento paramos para recolher comida e bebida. Há de tudo em abundância assim é que como fruta e asseguro umas tamaras. Só tomei o pequeno almoço e quero espantar o fantasma da pássara. Claro que, a este ritmo, posso andar horas e horas, pois estou a gastar mais as reservas de gordura (escassas habitualmente, mas nesta ocasião reforçadas pelos excessos da gastronomia andaluza) que os depósitos de glucógenio.

Começa a zona mais dura da subida, segundo Fernando. Levamos quase 15 km. e andamos já muito perto dos 2000 de altura. Depois de uns km. entre cumes, que recordam as montanhas da serra madrilena, a paisagem torna-se absolutamente de montanha. Ao dar uma curva, o píncaro de Veleta revela-se-nos, como o melhor convite para continuar-mos a  pedalar.

O Ramón tinha acelerado um pouco o ritmo e, o meu orgulho de trepador, impede-me de o deixar ir. Apertei um pouco, até rondar as 160 pulsações e encontrei um ritmo que fez com que o deixe um pouco para trás. O Fernando também se fica e eu vou ultrapassando ciclistas sozinho.

Paro no segundo abastecimento para comer mais alguma fruta e repor a bebida. Se alguma coisa aprendi nestes dois anos em que me juntei ao grupo dos barrigudos, é que há que comer e, sobretudo, beber bem, para evitar desfalecimentos. Ramón passa sem parar, assim saio atrás dele e ainda conversamos um pouco, antes de que eu continue a subir sozinho, um pouco mais rápido.

A paisagem é espectacular, somente de terra e pedras, e barrancos vertiginosos. Há muitíssima gente acompanhando a marcha, que nos aplaude e nos dá ânimos, e alguns incomodam-nos com os carros. Também há muitos caminhantes que percorrem as veredas que trepam até Veleta, e que nos deitam uns olhos com uma mistura de espanto (a quem lhe ocorre subir aqui de bicicleta?) e enfado (varias centenas de ciclistas e acompanhantes não se enquadra num reconhecimento que alguém espera encontrar a 3.000 metros de altura).

É suposto pensar que terei que notar os efeitos da altitude, mas as minhas pernas não estão mais pesadas que o correspondente “a apanhar”, subindo sem interrupção, com quase 30 km. Tenho uma leve dor de cabeça, mas é ligeira, e uma vontade tremenda de urinar, mas não quero parar, assim continuo andando, andando. No último abastecimento paro um momento para “sacar” bebida e continuo a subir.

Já passámos a barreira que fecha a passagem aos carros e daqui em diante ficarei dependente apenas dos demais ciclistas, e de alguns buracos ou montões de terra e pedras que há na estrada.

Agora já estou na subida a Veleta propriamente dita. Em certas ocasiões apanho um vento de frente, que me faz ter muito frio, assim aproveito para apertar um pouco o ritmo. A estas alturas muita gente vai tocada[2], e o vento de caras não facilita as coisas, assim ultrapasso muitíssima gente (não é fantasia, mas ninguém me ultrapassou desde o segundo abastecimento). Na altura pensei que pagaria a factura, mas as minhas pulsações não passam de 165 por minuto, e mantenho com facilidade as pedaladas entre 50 e 60 (normalmente vou um pouco mais solto, mas tenho medo de me “queimar”).

Há muito tempo que não subia à alta montanha e desfruto como um ser pequenino perante o que vêem os meus olhos. Passo pelo radiotelescopio e vou-o deixando cada vez mais por baixo de mim. Nesta zona, vê-se boa parte da subida que me resta, com a estrada cheia de bicicletas, no meio de um terreno desértico. Tem algo de irreal, porque só há pessoas nas bermas das encostas, o resto é só ciclistas e montanha, muita montanha.

Começo a cruzar-me com os que já acabaram, que descem. Há zonas onde o asfalto está muito deteriorado, e os que descem cedem-nos passagem para que aproveitemos o pouco asfalto sobre o qual a bicicleta pode circular.

Quando estou a ponto de chegar ao km. 38 de ascensão, decido que posso forçar, sem medo de vir a desfalecer. Desço os pinhões do carreto até ao 21, e prego uma aceleração. Quero fazer o último quilómetro a tope, mas não posso. Resultado: tinham adiantado a meta para o km. 38,7 (mais ou menos) e quase que como os que nos recolhem os tempos.

         Não só acabei como me sobram forças, faltam-me km. de estrada para prosseguir. Vim vindo a reservar-me tanto que fico com muita fome de bicicleta. Gastei 3 horas e 7 minutos, o que me diz que se me tivesse esforçado mais um pouco teria baixado das 3 horas. Voltarei outro ano, agora que já a conheço, para fazer um bom tempo.

Está fresquito, mas aguenta-se e consigo que me dei-em um saco de plástico para a descida, pois tampouco haviam levado jornais lá para cima.

Em seguida chega o Ramón, e daí a pouco o Fernando e o José Ramón. Sabemos que o Juanma sobe tranquilamente e que o David passou um mau bocado, assim subimos até mesmo ao cimo de Veleta para fazer-mos as fotos. O dia não está limpo, porque de contrario veríamos o mar e inclusive África, mas ainda assim, a vista corta a respiração. Sopra um ligeiro vento e dá-me vontade de ficar por ali a comer um bocadillo[3]. Quase no final aparecem o Juanma (que sobe com a bicicleta até ao piloto que assinala o ponto mais alto) e o David, com uma cara de “estafa”, mas contente como todos nós por ter chegado lá acima.

Estamos, quase, no tecto da Península Ibérica (só lhe ganha o Mulhacén por poucos metros), junto da estrada mais alta do continente, e, ao menos eu, sinto-me o rei do mundo. Nada é comparável a esta satisfação de completar uma subida, e muito menos se alguém a tem a seus pés, como se observasse uma maquete de toda a Serra Nevada, a cidade granadina, as Alpujarras. Como tantas vezes, depois de fazer pela primeira vez uma subida em bicicleta, já só penso em cá voltar.



[1] Jornalista da Bicisport.

[2] À rasca, mal, rotos, partidos, etc. Ouvimos pela primeira vez esta expressão em Cajabermeja, no regresso do Torcal, pela rádio volta: "Los portugueses van tocados".

[3] Pão com queijo ou fiambre, ou chouriço, etc. A chamada sanduíche.

publicado por Ubicikrista às 16:15

Olá a todos:

Que bom fim-de-semana que eu passei! Reuni-me com vários ciclolisteros, Falámos de bicicletas, percursos, ciclismo..., jantámos estupendamente, estreámos as camisolas e... SUBIMOS  A VELETA!.

No sábado cheguei com a minha família a Pinos Genil perto das 8:30 da tarde e encontrei-me com o Fernando e com o Faco. Nada a dizer do que já foi comentado em relação à organização (se em vez de 700 participantes tivéssemos sido 4.000, todavia, ainda estaríamos à espera para nos inscrever e a distribuição de diplomas acabaria no século XXI).

O Fernando encontrou-nos um local super agradável para jantar e ali nos reunimos todos: Faco e Mónica, Juanma, José Ramón, David, Fernando, a minha família e eu próprio. Foi estupendo voltar a encontrar-me com alguns e conhecer outros novos ciclolisteros. Na verdade este desporto e este meio de comunicação une pessoas. De imediato tive a sensação de estar com pessoas como as que me  relaciono diariamente: com amigos.

Bom, a crónica:

Ás 8:00 estávamos uns 700 “presidiários” da rota dispostos a enfrentar os 40 km. de subida ao Pico Veleta. Ali voltámo-nos a juntar os 6 ciclolisteros, mas desta vez de uniforme. A subida começa com uns 7 km de rampas de 7% ou 8% mais ou menos, provavelmente as de maior inclinação de toda a subida, ainda que, como é no começo sobe-se com bastante à vontade.

Vamos alternando o pedalar sentado com o pedalar em ziguezague, como é típico nas escaladas, assim se vai compensando o trabalho que faz a musculatura lombar com os quadricepes. Em seguida chegamos à estrada principal e como o calor começa a apertar, obrigo-me a beber frequentemente nos primeiros 20 km., que é nos que mais se sua, já que a partir de Pradollano a altitude faz com que a temperatura seja mais suportável, inclusive faz frio nos últimos 9 km da ascensão.

Paramos no primeiro abastecimento e bebo uma garrafa de água de uma assentada, acompanhado de uma perita que estava belissima. Reponho agua nos bidões e a partir daí já não volto a parar até ao cimo.

A toda a hora vamos ultrapassando, muitos mais dos que nos ultrapassam, creio mesmo que devemos acabar entre os primeiros 200. Pouco antes de Collado das Sabinas, o Fernando descola e o Faco ganha-me uns metros, ainda que de seguida o alcance de novo.

Assim vamos ganhando altura, desfrutando de uma vista impressionante desde Alpujarras até lá abaixo, e do pico Veleta até acima. Passado o albergue universitário o Faco acelera e vai-se-me embora, está no seu terreno favorito, ainda que nos vejamos um pouco mais acima, já que ele pára no abastecimento e eu não. Desde o centro universitário até ao cimo a fisionomia da paisagem altera-se: estamos definitivamente na alta montanha, por cima dos 2.750 mts. Continuo a ultrapassar gente sem parar e como me encontro bastante bem, vou fixando objectivos; primeiro ultrapassar aquele grupo, logo o seguinte, seguir na roda deste que vem mais forte que eu, etc...

O final da subida é impressionante, a estrada sobe até mesmo ao alto que se encontra sobre uma grande pirâmide de pedra. Há uma seta grande que atravessa a base da pirâmide de uma ponta a outra, na qual o vento bate com bastante força de frente, além disso está muito frio. De todas as formas creio que faz menos vento que o ano passado. Depois, ainda há varias setas mais, cada vez mais pequenas até acima. Já vejo a meta, tenho-a justamente em cima da cabeça, quer dizer, falta-me uma seta mais. Sinto-me muito bem e assim sendo, decido fazer estes últimos 500 mts a tope. Ponho-me de pé e acelero ao máximo, ultrapassando ainda mais um grupo na última curva e um par de participantes na recta da meta, à qual chego sprintando. Sim, sim... já sei que isto é uma parvoíce, mas... E o gozo que me dá?

De seguida encontro-me com o Faco que diz ter-me sacado uns 5 min e daí a pouco aparece o Fernando e o José Ramón. Juntos subimos ao vértice geodésico do cimo (3.367 mts de altitude) para ver a paisagem que é impressionante e fazermos umas fotos. Também chegaram o David e o Juanma.

Daí a pouco decidimos descer. Eu fi-lo de uma assentada até chegar ao carro e imediatamente subi a Pradollano, donde os outros ciclolisteros haviam tido a amabilidade de se encarregarem da minha mulher e filha, as tais que a organização não deixava entrar no recinto fechado.

Em resumo um dia memorável.

Saúde e sorte nas estradas.

publicado por Ubicikrista às 16:14

Aqui vão os meus comentários sobre a Subida a Veleta.

Ambiente ciclolistero: Magnifico.

No sábado fomos jantar todos, os seis que nos juntámos, mais a família do Ramon e a namorada do Francisco. Na manhã seguinte, com as camisolas reluzentes, parecíamos crianças com sapatos novos. É sempre agradável conhecer as pessoas de quem já lemos opiniões e crónicas, muitas vezes ainda vivas.

Quando tirámos as fotos no pico de Veleta, era como se pertencêssemos a uma comunidade e ficássemos a viver ali, tão contentes estavam-mos todos. Todos, excepto uns excursionistas alemães que imagino que nunca puderam pensar que se iriam encontrar em tão maravilhoso lugar com umas dezenas de exultantes e barulhentos ciclistas.

Organização: como já comentou o Faco, um desastre. A organização é muito caseira, mas a prova cresceu muito e claramente não dão conta do recado.

Para começar, no sábado havia apenas uma mesa para as inscrições, e centenas de ciclistas. Resultado, um atasqueiro monumental e uma espera à volta de duas horas. A tecnologia que utilizavam reduzia-se a uma mesa, quatro cadeiras e uma esferográfica, com a qual te inscreviam e pré-esgatanhavam o Diploma.

Ao finalizar a prova, a entrega de diplomas era digno de ser filmado. Centenas de ciclistas com vontade de irem para casa, e um fulano da organização em cima dum estrado a cantar números de dorsal sem ordem nem concerto. Um pouco mais e organizava-se um motim. Para se comer alguma coisa, aquilo parecia o primeiro dia dos saldos do Corte Inglês. O trabalho de cotovelos era fundamental. Imagino que seria para que não fortalecêssemos apenas as pernas e trabalhássemos a carroçaria superior.

A subida em si: dá gosto ver gente como o Faco dizer que, para ele, a achou curta. Asseguro-vos que não é o meu caso. De qualquer modo, o meu estado de forma é muito melhor que o do ano passado e acabei a prova bastante bem.

A primeira metade, até aproximadamente o Km 19, fi-la com o Faco e o Ramon, a um bom ritmo. De facto, quiçá tenha subido um pouco mais forte do que o costume, mas não notei que fosse demais. Ajuda sempre subir com companhia, e se além disso levas a mesma camisola de equipa, fazes esforços suplementares para não descolares. A partir desse Km, justamente onde se encontram as rampas mais duras, o Ramón e o Faco começaram-se a separar de mim, da maneira habitual que as pessoas se separam nas subidas longas. Vês os dois irem-se embora pouco a pouco, e parece que os podes apanhar, mas nunca chegas a eles. Neste momento, após consultar o meu pulsómetro, pensei que era melhor não continuar a forçar e sim “meter” o meu ritmo. A segunda metade fi-la totalmente ao meu ritmo. A vantagem de viver por aqui e tê-la subido algumas vezes antes, é que vais conhecendo as zonas perigosas e sabes onde tens que levantar o pé e onde apertar. A partir do Km 30, ultimo abastecimento, meti a terceira pedaleira, pus uma mudança cómoda e fui subindo pouco a pouco, ultrapassando bastante gente que tinha de parar asfixiada. A verdade é que não entendi bem a polémica com a pedaleira tripla que houve na ultima semana. Entre mensagens e desmentidos fiquei sem saber a exactamente a opinião de cada um. A única coisa que vos posso dizer, é que eu gosto de poder subir a Veleta em bicicleta, e se dentro de dez anos a tecnologia continuar a avançar e tenha que colocar seis pedaleiras, asseguro-vos que o farei.

Assim, no meu ritmo, cheguei lá acima cumprindo o meu objectivo que era baixar de 3 horas e meia. O meu tempo foi de 3.26. Para que façam uma ideia, no ano anterior tardei 4.11, e tive que descer da bicicleta um montão de vezes. É incrível o que se consegue treinando um pouco, e apoiando-se na tecnologia disponível (a minha De Rosa, com pedaleira tripla).

Em resumo, dois dias de ambiente ciclista muito agradável e que no ano que vem espero repetir na vossa companhia.

publicado por Ubicikrista às 16:14

Olá.
No passado sábado 7 fomos, um grupo do meu clube, a Granada para subir a Veleta.

Ainda que a cicloturista se tenha efectuado faz pouco tempo, depois da má experiência na organização de outros anos, resolvemos começar a ir por nossa conta e risco um dia por ano, que já tínhamos previamente programado no nosso calendário.

Às 8:30 estávamos em Pinos Genil, e começámos a ascensão às 9:00.

No principio íamos em grupo, já que a partir da bomba de gasolina de Víbora, a uns 1800 m. de altitude, seria a velocidade livre.

As primeiras rampas, são ligeiras porque ainda se está fresco, e o ritmo não é muito forte para não partir o grupo. Quando a estrada se junta com a que vem de Granada, parece que a inclinação se suaviza, ou é a sensação que dá, devido a que a estrada é mais larga.

Até agora tenho ido com um 39x21, e vou bastante cómodo. PINCHACHO![1] A minha roda dianteira fura, devido a terem-lhe dado pressão a mais que a devida, e a roda abriu lateralmente a camara de ar. Por sorte o pneu não sofreu nada e pude reparar o furo.

O grupo tinha-se partido em dois, uns que seguiram e outro grupo que esperou por mim para que reparasse o furo, por isso tive que aumentar um pouco o ritmo, para poder apanhar os primeiros (que não iam muito depressa).

Chegados à bomba de gasolina começa aqui à velocidade livre que cada um queira impor. As três feras do clube saem disparados para o cimo, e forma-se um segundo grupo de seis onde eu estou. O ritmo aumenta devido a que o mais forte do meu grupo, já que na etapa de hoje o clube dá trofeus aos três primeiros e vemos que um dos feras ficou descolado, e por outro lado, ele está também em disputa pela classificação geral, e vê que o primeiro classificado está a ficar para atrás.

Apesar do ritmo, vou à vontade e a inclinação não me parece excessiva, continuo com o 39x23.  Por fim avistamos Pradollano, mas desde que se vê até que se chega, dá a impressão de que a povoação se vai afastando cada vez mais. Pouco antes de chegar, um do meu grupo fica-se devido a furo. Pergunto-lhe se necessita ajuda e diz-me para seguir.

Para passar a urbanização, meto o 23 já que é onde há maiores inclinações. Passado o Centro de Alto Rendimento, salta um do grupo, mas prefiro não me “alargar” e continuar no meu ritmo. A paisagem é rochosa e graças ao carro de apoio que levamos, é-nos reposta a bebida.

O vento que desde o principio estava presente, começava a aumentar e também a sensação de frio.

Ainda que a pendente não seja tão dura como a da urbanização, já vou com o 23 porque me encontro mais à vontade. Até ao momento as sensações que tenho são estupendas, comparadas com o ano anterior, que cheguei à barreira cambaleando e só continuei por amor próprio e força de vontade.

Passado o Centro, do grupo de quatro que restam, fico sozinho na frente e a estrada permite-me ver o meu companheiro que tinha saltado anteriormente.

O vento torna-se insuportável. Vejo-me obrigado nalguns sítios a “meter” o 26 já que é impossível continuar com um vento assim. O pior não é o vento de frente, mas sim o lateral, que praticamente obriga a fazer malabarismos para que não me atire ribanceira abaixo. Há que inclinar todo o corpo para um lado para evitar que te derrube.

Quando levava 33 Km e a uma altura de uns 2600 m. vejo parado os quatro que iam à minha frente, e que devido ao vento tinham decidido não continuar. Decisão acertada, apesar da raiva que me dá o não poder chegar lá acima.

Baixamos com muito cuidado, quase parados, até a um ponto de encontro, com todos os que subiam também.

Noutro ano se chegará lá acima.

 



[1] Não é o que estão a pensar. Significa furo. Pinchar é rebentar. Por exemplo em Cajabermeja o Aleixo ficou parado à beira da estrada com um pinchacho de todo o tamanho à espera que alguém lhe desse assistência.

publicado por Ubicikrista às 16:13

«...a única vantagem da solidão é que podemos ir à casa de banho e deixar a porta aberta.»

 

Estivemos perto do senhor. Credo! De mim? Dirá o leitor! Roçámos o céu. Enquanto subíamos, nunca um nome de um filme teve tanta razão de ser no nosso subconsciente: «o céu pode esperar», ou o livro que caracteriza a carreira do Pedro Delgado: «a golpes de pedal». Uma eternidade para se chegar lá acima.

Como seria nesta altura da época? Sim, se me autorizam a aliteração, direi que esta é uma época supersupersticiosa. Pessoalmente, não sou nada supersticioso, e até creio que superstição dá azar. Mas, como dizia aquele anfíbio, nem tanto ao mar nem tanto à terra. É bom lembrar que, muitas vezes, aquele que não acredita em nada anda à procura de alguém que acredite nele. Há criaturas mais cépticas do que S. Tomé: elas só querem ver para não crer. Como suspirou alguém, «eu não acredito na vida depois desta, mas trago sempre um par de cuecas extra comigo»

Bom, minha gente, a descida demora 10 minutos só que esses dez minutos galopam com o freio nos dentes. Para mim, isto é que é imagens em movimento e não o João Baião[1], que só corre pra burro.

A costeletada final acabou por se transformar em mariscal, com todo o maralhal a emborcar cervejal. Assim com autenticas paredes no fim das palavras como que a bradar aos céus. Foi a literatura que apanhou o ar da Sierra, hiupi! Glupi, la cerbeja és mui buena, e o regresso... um sucesso.



[1] Já que se fala em portugueses, mas por razões mais válidas, convém referir a talho de foice, que encontrámos a Susana Feitor a preparar-se para os Mundiais de Sevilha onde viria a obter o primeiro lugar dos não medalhados. Estava também no Centro de Estagio de Alto Rendimento a equipa de futebol do Elche onde militam dois jovens portugueses. Foi aqui também o ano passado que esteve o Paulo Guerra e que ninguém quis acompanhar porque não estava provado que o treino em altitude desse resultado.

publicado por Ubicikrista às 16:10

«O viajante que se preza vive às claras, aproveita as gemas e não desdenha as cascas»

 

Atingida a perfeição, horas antes, a sensação era sublime, uma espécie de entorpecimento, mas o descanso dos guerreiros teria que ser guardado para outra altura, pois havia uma viagem de quase 400 para fazer... ao luar.

 Antes de mais nada, descubramos a própria palavra «viagem». No hebraico antigo, o termo «viajante» era sinónimo de comerciante. Sim, houve um tempo em que todas as viagens eram à negócios. Dai que, durante séculos, viajar não fosse mole. «Travel» (viajar, em inglês) deriva de «travail» (trabalho, em francês), que por sua vez remonta ao latim tripalium, um instrumento de tortura! Ou seja, dantes, viajar era um suplício, mais ou menos como ir ao Algarve em Agosto, de preferência na Quarteira. Agora ao findar o milénio a história repetiu-se.

À chegada foi só tempo de armar barraca e assistir, nas tendas, ao trovejar sem relâmpagos, isto é, tocou-se castanholas sem flamengo. O flamengo, como se sabe, é aquela dança semelhante à gesticulação dos guardas de trânsito nos cruzamentos em hora de ponta.

Manhã cedo, diagnóstico às tropas antes da decisão: recolher aos balneários ou cumprir castigo. Os destroços eram mais que muitos e não só nos fundilhos. Vontade para tocar o burro: zero; ilusão de ainda estarmos a viver num sonho: toda.

publicado por Ubicikrista às 15:10

«Muito bonito, mas tem umas passagens cansativas.»

Critica a um poema em dois versos.

 

Com letra minha e musica d’Eu, vou contar em poesia... também da minha autoria.

        O Carrapato                                                          "Digame jóven,

        estava farto!                                                          que haces aqui?"

        Não tomou a saída,                                                "Vinham a 50 à hora,

        por não achar a dormida                                        chocaram, e eu caí!"

        O João, deu um trambolhão                                    "Nombre, edad ?"

        perto de d’Urgell!                                                   Tem 50! Como? Não devia!

        E arranjou um pincel.                                              Pensou a doutora,

        Quando o fomos buscar,                                          Isso tem a sua tia!

        já estava pronto,                                                    “Pero 50? De idad?

        para abalar                                                            Mi desculpe, non lo parece tener!

        Ao Aleixo                                                               Non será la velocidad?”

        tudo lhe dói,                                                           Andei, e não parei,

        menos o queixo!                                                     Isto é, portei(l)-me mal,

        Ao chegar à Vieja Andorra,                                      subi e não comi!

        disse porra!                                                            Quando a fome apertou

        E ficou com um melão.                                            "Ó espanhol dá aí"!

        Só dali abalou,                                                        Quando nos deram os dorsais

        quando o acabou.                                                    já outros davam aos pedais,

        O Pedro e o Portel,                                                  mas um até chegou à meta,

        não passaram cartel.                                               e não tinha bicicleta.

        Eu armei-me em tia,                                                A coisa nem é secreta,

        e apanhei uma comedia.                                          e não gosta que se mangue,

        As senhoras, todas                                                  mas quando chegou à meta,

        queriam compras!                                                   tinha "el culo" em sangue.

        Na próxima,                                                           «Meu amor, meu querido,

        com pesetas,                                                          tens que arranjar pesetas,

        já estarão prontas.                                                  como me deixas-te tesa,

                                     (mais ...)                                   ficas-te pelas p....etas». 

 

publicado por Ubicikrista às 15:08

«Ó Abreu dá cá o meu ...»

 

O cacau matinal caiu que nem rolha em cu de padre, mas aquela família das inscrições recordou-me o que se dizia de um tipo que era um nabo nos negócios: «Se esse sujeito abrisse uma casa funerária, ninguém mais morria.»

Vontade de cumprir o plano, mas simultaneamente indecisão e ilusão, dúvidas a fazer lembrar o que se diz dos irlandeses, que podem não saber o que querem, mas estão dispostos a lutar até à morte para obtê-lo. Talvez tanta perícia tenha brotado da adversidade: «Se chovesse sopa, tínhamos saído de casa com garfos.»

A decisão era ir! Depois foi correr atrás do prejuízo a 50 quilómetros há hora. Inolvidável.

Mais espectacular só a tecnologia futurista, onde através da leitura óptica de uma placa colocada no quadro da bicicleta, ligava um PC a uma impressora que fazia sair imediatamente o diploma individual, com o tempo e ordem de chegada.

publicado por Ubicikrista às 15:07

Capitulo 2

SABIÑÁNIGO

publicado por Ubicikrista às 14:00

ABORDAGEM A UMA EXPERIENCIA POR 4 PAÍSES DIFERENTES

(para já só o que está ativado a vermelho)

                Escrito, visando ser publicado como livro, em novembro de 1999

«Recomendo vivamente este livro

- pode ser lido de olhos fechados»

ÍNDICE

PREÂMBULO

INTRODUÇÃO

TRADUÇÃO

1ª PARTE: PREMEDITAÇÃO

OBJECTIVOS

TREINO

2ª PARTE: PARTICIPAÇÃO

CAPITULO 1: MALAGA

INTRODUÇÃO

PERFIL

CRÓNICAS

Faco, Angel, Juan, Fernando

O Inferno do Torcal por Ricardo Costa

RESCALDO

 

CAPITULO 3: PUIGCERDÁ        

INTRODUÇÃO

PERFIL

CRÓNICAS - Crónica poética

RESCALDO

CAPITULO 2: SABIÑÁNIGO

INTRODUÇÃO

PERFIL

CRÓNICAS

Ramon, Javier, Angel,

Miguel, Biciclo

RESCALDO

 

CAPITULO 4: SIERRA NEVADA

INTRODUÇÃO

PERFIL

CRÓNICAS - Faco, Fernando, Ramon, Juan

RESCALDO

3ª PARTE:  ANTEVISÃO

 

INTRODUÇÃO

CAPITULO 1: FICÇÃO

Um domingo,

Um feriado


CAPITULO 3: PORTOS DE MADRID              

Ramon, Faco, Juan

CAPITULO 2: LAGOS DE COVADONGA

Ramon, Faco, Angel, Eugenio, José Ramon, Javier,

David, Fernando, Charly

 

CAPITULO 4: ANGLIRU

Alberto, Antonio, Andrés, Fernando, David

 

CAPITULO 5: PARIS-BREST-PARIS

Brevet 300

Brevet 400

Brevet 600

4ª PARTE: CONCLUSÃO

 

EXTRA: VERSÃO FICCIONADA

 

Personagens

Folgas, Arreatas, Rebocador, Amigo, Gordo

publicado por Ubicikrista às 12:00

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