02 de Setembro de 2010

CARISMAS

Que fazem os cães quando se conhecem? Cheiram os cus

e depois decidem se vão atrás dos outros,

in O mundo do fim do mundo, Luís Sepúlveda

As palmeiras, no final de um percurso, são um sitio tão bom para confidencias, como outro qualquer.

Anda um há anos nisto:

- Gostava de subir melhor para acompanhar os da frente.

Outro:

- Gostava de treinar subidas para não largar os melhores

Aqueloutro:

- Gostava de ter um plano de treinos para subir melhor e não descolar dos primeiros

Ponto: Todos querem subir melhor

Virgula: Aqui no alentejo, ser trepador dá um jeitão igual a uma guitarra num funeral

Parêntesis: As pessoas fingem ignorar que o ciclismo é um desporto coletivo e não individual

Prova: O Inocêncio, desconhecendo pretensões de terceiros, descaiu-se e confessou:

- Gostava de andar mais, para poder ajudar o grupo. Ás vezes deixa-me pena não conseguir ajudar mais. Se não for útil não me sinto bem.

And the Oscar go to ...

publicado por Ubicikrista às 23:59

24 de Agosto de 2010

FICÇÃO

 

"O cu é a parte do corpo que mais depressa esquece os maus tratos”.

In O mundo do fim do mundo, Luís Sepúlveda

 

Todos os domingos pela manhã, sempre que não tem provas de competição, é dos primeiros a chegar às garagens. Sonha de véspera com os companheiros/adversários que irá encontrar nesse dia, a quem vai ter que dar uma lição, mas só a alguns. Irá tentar impor um andamento tal que poucos conseguirão ir na roda. Depois de partir o grupo todo, começará com os esticões e as tentativas de fuga. Terá que ter alguma paciência, para que o momento chegue, pois os gajos mais velhos, tem a mania de não despregarem lá da frente nos primeiros quilómetros e só o fazem quando a primeira subida aparece. Às vezes escolhem caminhos sem subidas e demora mais tempo a chegar esse momento por que tanto espera. Só quando mete carga no treino da véspera é que lhe não agrada muito que outros imponham andamentos de loucos. Nesses dias só fala no treino do dia anterior e espera que não haja muitos cabeços.

Estas manhãs de domingo assemelham-se em tudo às corridas em que participa. Mas é mais fácil ganhar aqui. O pessoal nem sempre se organiza a persegui-lo como lhe fazem lá. E também não há prémios, mas a malta fica a saber como ele está a andar bem neste momento. Aliás é esta a razão principal porque cá vem competir como nas corridas.

Um dia destes ficou admirado ao ver o Três Pedais entrar-lhe pela garagem adentro, para lhe pedir de volta uma câmara de ar, que este lhe emprestara á coisa de 15 dias, quando já pensava em telefonar à mulher para o ir buscar, porque nem tivera tempo de avisar os outros do furo, já que seguiam obcecados com a mania das corridas – já era o segundo furo do dia e no primeiro desenrascara-se porque fora logo á partida -, valeu-lhe então os Três Pedais que o safou porque tinha ficado para trás a aliviar a bexiga, durante a paragem no café, e quando chegara cá fora não vira vivalma. O Três Pedais fazia parte daquele grupo de ciclistas que o admirava pela quantidade de troféus e taças que colecionam todos aqueles que ao longo dos anos entram nas provas de competição. Daí o seu silencio quando este, olhando as prateleiras preenchidas com outros apetrechos, que não as taças, o questionou acerca do paradeiro das mesmas. Continuando com a inspeção visual á garagem o Três Pedais insistia na pergunta e como não obtinha resposta ele mesmo a deu.

- És um vaidoso. Mandaste-as limpar não foi, meu vaidoso?

Perante novo silêncio embaraçoso, o Três Pedais, na sua humildade complacente, resumiu:

- Pronto não digas nada. Agora percebo a tua demora na devolução da câmara de ar. Estás sem pilim. E logo tu que andas em tantas corridas, que pena teres que vender todos os troféus. Que porra de crise.

publicado por Ubicikrista às 17:07

26 de Julho de 2010

Nem a juventude sabe o que pode,

nem a velhice pode o que sabe, José Saramago

 

À medida que se avança na idade recua-se nas lembranças. Recordemos então que há 20 anos ninguém ligava a uma voz que repetia invariavelmente todos ao domingos de manhã:

- Vieram-me cá ver á partida, foi?

E depois começava o, enevitável, festim.

Pode-se dizer que era (ainda é) algo assim como a tempestade, e que a seguir vem a bonança… depois, nova tempestade, presume-se - só os que ficaram lá na frente o poderão dizer.

Hoje apanhámos a bonança em todo o seu esplendor.

 

publicado por Ubicikrista às 20:46

05 de Julho de 2010

FICÇÃO

Dos vários tipos de vingança, a do Chinês é a mais conhecida,

mas nada se compara à da mulher dos tremoços, In I

 

Os ciclistas parecem odiar o sexo, já que passam grande parte do tempo em cima dele, esmagando-o contra o selim. Mas a sério, o sexo do cilcista é assunto tabu e tão confidencial que ninguem se expõe. A exceção foi o Porta Bombas que disse uma vez não perceber a mulher de à uns anos para cá, quando entrou na menopausa. Com um curriculo tão vasto em doenças, nos momentos cruciais das batalhas corporais, não sabia se ela gemia de prazer ou das dores nas costas. Mas se não falam deles com as mulheres, falo eu de mim, pois seguramente também já vos aconteceu o mesmo.

Um gajo chega a casa e quer recompensá-las das ausências dos treinos. Mete a porcaria do Tony Carreira a tocar, e tal como dizem os CTT em relação ao código postal, é meio caminho andado. Uns amassos depois, como canta a Calcanhoto, e o melhor amigo do homem - não, não é o cão, isso é um mito - levanta-se sem precisar da voz do dono. È nessa altura que surge a desculpa de que a mãe nesse dia - mentira noite - está lá em casa a dormir. Mas não, desta vez não vamos aceitar essa desculpa mitica. Vamos ser mais originais. Retrocedamos então um pouco para  darmos voz á esposa: Oh querido!... agora não tenho vontade. Abraca-me só, pode ser? E diz-me isto com uma descontração na voz que só as mulheres sabem ter - e também já alguns homens. Serão mesmo homens? - ... Eu penso cá para mim: Ké? Ela completa o ramalhete sem ouvir a minha resposta com aquelas palavras femininas mágicas que todas(?) têm na ponta da língua:
- Vocês são todos iguais! Não percebem as necessidades sentimentais de uma mulher.

Porra,  eu nem sequer respondi porque ainda estava a engolir em seco e fora nessa fração de segundos que ela falou. Tá bem pronto, como dizia o meu pai,  “coisa” adiada é coisa perdida. Por mim conformo-me, mas á que tratar do melhor amigo do homem - ainda haverá por aí teimosos que insistam no cão? -  e uns minutos debaixo do chuveiro de agua fria, normaliza a situação.

publicado por Ubicikrista às 23:12

29 de Junho de 2010

Historicamente os ciganos, que só conheci de dois tipos, poderão ser primos afastados dos Almocreves. Como muito bem recordava na véspera, o meu amigo All berto antigo parceiro dos bancos da escola, durante a atuação destes, circulava em tempos um cigano pelas ruas da cidade com uma pilha de caixas de sapatos atada com um cordel, a quem um dia lhe impingira uma verruga á custa de experimentar o número certo. O mesmo que impingira a outro seu colega de trabalho, uns sapatos de marca tão à frente, que quando avistado no alpendre de sua casa, com eles calçados, tal como escovas de automóvel a apontarem na mesma direção, respondeu:

- Sacana do cigano, vendeu-mos mas eu vou gastá-los, mesmo sendo ambos do mesmo pé.

O outro tipo é aquele, que ás vezes nos dá jeito ter á mão e que joga á bola. Dizem que o mourinho só o levou para lá para se poder desculpar caso a coisa não corresse bem na Champions. Deitava-lhe a culpa.

O de hoje, especialista em contrafação de marca, não mais nos largou, mal chegámos junto ao automóvel depois da subida à Arrábida, até nos deixar a quase todos depenados. O Bidón na hora de pedir-mos a conta do almoço ainda ordenou, meio sério, ao empregado do restaurante: paga o cigano, é o único que tem dinheiro.

Seguiram-se momentos de silêncio embaraçoso. Alguém estava a ser apertado. Finalmente falou a voz da experiencia de tantos e tantos anos a negociar, aconselhando:

- Na fugem não!

 

publicado por Ubicikrista às 15:23

"Ás vezes é preciso que algo mude para que tudo

fique na mesma" in, primórdios da informática

E dizia o Parafuso, aquela figura vinda das províncias ultramarinas logo a seguir a Abril de 74:

- Para todos os mininos que tokam nus campainha dus portas, toquem, toquem. Quando forem grandes, serão uns grandes músicos.

PS: os livros de medicina anunciam que devido á prática continuada do ciclismo, emanescem corpos estranhos que se alojam no interior dos ciclistas, e que só desaparecem com a ajuda de amigos, os denominados anti-oxidantes. O chocolate preto é um deles. Os tomates também.

publicado por Ubicikrista às 01:43

10 de Junho de 2010

Velhas Glórias do ciclismo...de garagem

 

O criador do famoso "mapleling"* arrepiou caminho destas lides. Mas tempos houve em que não largava a roda de ninguém. Quantas vezes questionado sobre a tática que escolhia, na qual claudicava invariavelmente nos ultimos 10 km antes da chegada, dizia:

- Só posso responder aos ataques enquanto tenho força.

O seu modo peculiar de pedalar outorga-lhe bem o merecido epitáfio.

Enquanto não regressa desempenha funções noutro grupo, com gente sempre na roda, os chamados perseguidores. Posto a nu este grupo revela, no intimo, segredos de alcova.

*Desporto a partir do maple da sala com o comando da Tv na mão


publicado por Ubicikrista às 07:53

03 de Junho de 2010

Conta-se que há um par de anos, numa terreola do Alentejo, existiram dois funcionários publicos amigos, um chamado Dias e o outro Domingos.

Num dos intervalos do atendimento ao balcão, desabafava um:

- Há dias cabrões.

Retorquia o outro:

- E domingos (f...) lixados!

Outras vezes era este últiimo a começar.

PS: Sendo hoje o dia que é, dir-se-ia: e feriados também.


publicado por Ubicikrista às 20:41

06 de Outubro de 2009

Pessoal vamos lá ver como nos vamos sair desta relação. Vocês dão os modelos e eu pinto-vos a casaca. Descansem lá que não é mandar as canetas do Pinto atacar. Dizia eu que vocês dão o corpinho e a roupinha, o cabelo já sabemos que é sempre o mesmo, e eu faço para que a moldura penal não se veja. Exemplo: quando o Serra se levantou do asfalto com aspeto de quem tinha metido a cara dentro de uma melancia, sabe que, comigo não irmão, ou como dizia o outro,jamais. Quem quiser ver sofrimento que ponha cá os pés - pleonasmos, s.f.f.  - ao vivo, em direto e na hora.

Parafraseando o meu pai, a melhor fotografia é a nossa memória.

Posto isto, venham de lá as criticas.

Sugestões para a coisa não ter tanto, encanto (até rima):

Num grupo pode ou não haver desalinhados? Não me refiro ás cores - uma vez a professora recusou-me um trabalho depois de me dizer: tens aí uma folha em branco e pinta qualquer coisa. Pintei a folha de preto.

PS: Até nem gastei muito lápis, mais de metade eram dedadas.

publicado por Ubicikrista às 22:23

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