23 de Outubro de 2010

A minha mãe: - Manel, fecha a porta da rua quando sais!

O meu pai Manel: - A minha mãe também me fazia o mesmo.

Preâmbulo:

À feira de santarém faltou uma montra para compras e trocas de peças usadas, ou então

que em vez de irmos á feira viesse ela ter connosco. Vendiam? Supúnhamos então:

 

O Mustáfa, um árabe de Vi-larial, apareceu às palmeiras e ofereceu 2 mil euros por cada bicicleta que lhe vendessem. Boa parte de nós vendeu-lhe o seu meio de transporte de domingo e até as que estavam abandonadas lá pelas garagens de cada um. No domingo seguinte voltou o Mustáfa e ofereceu um preço melhor: 3 mil euros por cada bicicleta. E outros tantos de nós vendeu-lhes as suas.
A seguir (no outro domingo) ofereceu 4 mil euros e o resto do pessoal vendeu-lhe as últimas bicicletas.
Ao ver que não havia mais bicicletas no grupo, ofereceu 5 mil euros por cada bicicleta, dando a entender que as compraria numa das semanas seguintes. Mal virou costas eis que chega o Mustáfa II,  seu ajudante, (nos truques de magia costuma ser uma ajudante, temos pena mas o nosso orçamento não dá para mais) às palmeiras num Scania, com as bicicletas que comprara, para que as vende-se a 4 mil euros cada uma.

Diante da perspetiva de mil euros de lucro na semana seguinte, todos do grupo compraram as suas bicicletas a 4 mil euros e quem não tinha o dinheiro pediu-o emprestado. A verdade é que todas as bicicletas do grupo foram compradas de volta.

Agora (ou amanhã, é igual) a triste noticia: os dois Mustáfas desapareceram tal como o camião (este sim um verdadeiro truck) e ninguém mais lhe pôs a vista em cima.
Resultado: Estais a ver! O grupo ficou com bicicletas à fartasana e endividado.

Prontos, acabou a estória. Agora vamos à realidade se quiserem.
Os que haviam pedido emprestado, ao não venderem as bicicletas, não puderam pagar o empréstimo. Aqueles que haviam emprestado o dinheiro queixaram-se ao presidente da junta de freguesia de sucarteira dizendo que se não recebessem ficariam arruinados; logo não poderiam continuar a emprestar aos elementos do grupo para peças, pneus, rodas, blá, blá, etc,.
Para que os emprestadores (vamos só chamar-lhes isto, por agora) não se arruinassem, o presidente da junta, em vez de dar dinheiro às pessoas do grupo para pagarem as dívidas, deu-o aos próprios agiotas. Mas estes, que já tinham cobrado grande parte do dinheiro (esta porra da junta desembolsar a massa também demora um bocado, não é!), neste entretanto não perdoaram as dívidas do grupo, que continuou endividado.
O presidente da autarquia delapidou assim o orçamento da municipalidade, a qual também ficou endividada.
Então vá de pedir dinheiro a outras municipalidades. Mas estas dizem-lhe que não podem ajudá-lo porque, como está na ruína, nunca mais receberiam o que lhe emprestassem.

Eis-nos chegados assim a esta terceira parte, a do impasse, depois da estória e da realidade.

Impasse, não e bem assim. Não para todos. Recapitulemos:

* Os espertinhos das bicicletas foram enganados pela sua ganância, como vimos.
* Os emprestadores, com os seus ganhos resolvidos e um monte de gente à qual continuarão a cobrar o que lhes emprestaram, mais uns juros (coisa não pequena) e apropriando-se inclusive das desvalorizadas bicicletas que nunca chegaram a cobrir toda a dívida.

* Muita gente arruinada e sem bicicleta para poder andar ao domingo.
* A junta de freguesia igualmente arruinada.

O resultado final? (a chave finalmente, para a crise acabar, uáu!)
Alijando responsabilidades mas para solucionar tudo isto e salvar todo o grupo, a municipalidade baixou o salário dos seus funcionários.

Bónus:

Foi com pesar que o seu presidente anunciou aos jornais que foram necessárias reuniões quase diárias, ao longo dos meses, para se chegar a esta decisão de consenso.

Obs1: paga-se 75 € por presença de cada pessoa nas reuniões das juntas de freguesia

Obs2: e 200 € nas das Câmaras

Obs3: existem hoje 4260 freguesias

Obs4: e desde à 150 anos, 308 municipios, dos quais 50 estão prestes a falir

Obs5: as delegações regionais encaixam os militantes que não cabem nos ministérios

Obs6: as empresas municipais suportam + de 2000 gestores

Obs7: os institutos públicos e fundações encaixam os restantes gestores

Obs8: os governos civis em 2011 custarão 27,5 milhões

publicado por Ubicikrista às 22:16

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