01 de Outubro de 2009

Olá a todos,

Estive ausente ultimamente da list@, devido a que entre os brevets, Xacobeo e trabalho não tive nem tempo para ler as mensagens. Antes de mais nada, quero enviar daqui um forte abraço ao Andrés e transmitir os meus pêsames à família do Cipriano*, descanse em paz.

Aqui vai a crónica de do brevet de 400 km, disputada a 15 de Maio, lamento não poder dar mais detalhes, mas tanto sofrimento nestes 15 dias, debilitou o meus "pobres" e solitários neurónios. Imagino que quando tiver mais algum tempo, já o Luís a terá completado. Partida no sábado 15 de maio às 10:00 AM. O meu primo Luís, outro ciclist@, e eu partimos juntos. O dia estava feio, e previa-se chuva. Ao sair de Oviedo, cruzamo-nos com os corredores das equipas da Banesto e da Vitalicio que se dirigiam, desde La Gruta, até a saida em Ventanielles, dado que hoje é a subida ao Santuário del Acebo, na volta às Astúrias. Cumprimentam-nos e um deles, não me recordo quem, disse: "Ai o que nos espera". O Luís riu-se e comenta comigo: "Se fizermos esta, ai o que nos espera a nós..." Dirigimo-nos para Trubia com algum frio e depressa começa a chover. Depois de passarmos por Grado iniciamos a ascensão a La Cabruñana, já em silencio e cheios de lama. Descida até Salas e depois subir para La Espina, continua o frio e a chuva. Coroamos às 12:30 e carimbamos no primeiro controle, km 59. Deixa de chover e iniciamos a longa descida com muitas precauções. Vamos num bom ritminho até Vegadeo, onde paramos para perguntar como se vai para San Tirso de Abres, o lugar do segundo controle. Temos de passar em Lugo e voltar a entrar nas Astúrias. Ao desviarmo-nos para o interior, começa de novo a chover. Chegamos às 16:45 a San Tirso de Abres km 174, carimbamos, comemos, bebemos e retomamos a marcha. Temos de voltar por donde viemos e depois continuar pela costa até Avilés. Estamos com sorte porque mal chegámos á costa, deixou de chover. Cada vez estou mais cansado e perto das 19:00 já mal consigo acompanhar o Luís mesmo sem passar dos 20 km/h. Devo ter uma “passarona” de estalo. Ao entardecer, paramos, pomos as luzes e fico obcecado pelas barritas. Depois de comer, recupero as forças e já posso rolar a 25 km/h com facilidade. Faz-se noite. É a primeira vez que andamos assim de noite, e ficamos surpreendidos por ver que se rola bastante bem. O cansaço ajuda-me a descer à maluca e às 23:00 chegamos a Avilés, km 325. Continuamos para Gijón e chegamos à bomba de gasolina de Veriña às 24:00, local do terceiro controle, km 350. Bebemos e calçamos as protecções para os sapatos (bolos, pastelinhos, chocolates...). Já está bastante frio e ao recomeçar, não tirei a pedaleira grande e numa subidita, o meu joelho esquerda diz basta. Uma dor aguda que vai aumentando limita-me o pedalar... Atalhamos pelo parque industrial de Porceyo mas perdemo-nos. Perguntamos numa bomba de gasolina mas continuamos perdidos. Vimos uns guardas-nocturnos e o Luís perguntou-lhes o caminho. Com grande amabilidade, dizem-nos para os seguirmos (tinham um jipe) e levam-nos ao caminho certo. Iniciamos a subida ao alto de La Madera, cada vez me dói mais o joelho e vou a subir com o 39x25 e só com uma perna boa... O culminar chega numa descida, e ao Luís acabam-se-lhe as pilhas e tem de descer atrás de mim (grande suplicio, por ser tão mau a descer). Os carros que vêm de frente encandeiam-nos, ainda que alguns dos que vão na mesma direcção que nós, permanecem um pouco connosco para nos iluminarem, facto que se agradece. Quase que me despisto numa curva muito fechada, pois a linha exterior da estrada estava coberta pelas ervas. Por fim, terminamos a descida e passamos junto a um valado de uma quinta, com um cão que nos ladra enquanto nos vai acompanhando. Rimo-nos do cão pois não pode saltar a vala, quando de repente, observamos que há um buraco na mesma e o cão sai para a estrada. O Luís aumenta a pedalada e deixa-o para trás e eu, com uma perna, tive de apertar os dentes e é por pouco que consigo evitar uma mordiscadela (mordiscão era melhor). Cada vez mais devagar, só atinjo os 20 km/h no terreno plano, vamos até ao quarto controle, Lieres, onde chegamos às 2:15 AM, km 385. Descansamos um pouco e regressamos para Oviedo. Sofrendo o indizível consigo chegar á meta. São 3:15 AM e km 405. Entregamos as cadernetas e despedimo-nos até ao dia seguinte, no aniversário do filho do Luís...

* promissor ciclista espanhol falecido numa chegada ao sprint

publicado por Ubicikrista às 18:02

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