13 de Março de 2011

Azervadinha – centenas de metros intermináveis de "pavê" ao km 55 teve aspeto de massagem indesejada antes de tempo. Vai ser sempre a aviar e, em pedaleira grande, cada vez que aqui passarmos para os futuros brevets.

Bolsas – 3 sandes de queijo e fiambre, 6 barritas (uma por cada hora) e 2 bananas, 1 gel de frutas e 1 cubo de marmelada, que ficou pelo caminho á pala do colete, é muito material para tão pouco espaço, ou então colocar uma bolsa por debaixo do selim. Outra opção de um dos nossos foi levar o mínimo, bater uns bolinhos nos cafés, e malhar uma sopa com uma bifana em v.novas, que já eram horas disso.

Cabo – dever-se-ia chamar reta do cabo… das tormentas. Só de pensar que temos que lá passar futuramente mais algumas vezes no regresso, com o dobro, triplo ou quadruplo dos kms nas pernas, até dá arrepios, não de frio (que se aproxima o verão) mas do vento. As suas bermas fazem lembrar os alcoólicos quando andam vários dias a apanhá-las, são camadas em cima de camadas de alcatrão desnivelado, mas que se contornam com devida atenção. Nada comparado á força do vento que soprava frontal e lateral.

Desistir – não é viável porque temos ainda que ir buscar o carro que está na chegada. Outra hipótese seria tentar alcançar a um posto de controlo e pedir boleia no smart, eventualmente, da organização.

Excessos – sairmos em últimos trouxe-nos vantagens porque nos impediu de abusos nos andamentos. Todos sabemos que qualquer cicloturista faz com facilidade e alguma velocidade 70/80 km porque é esse o prato habitual de cada domingo. Daí para a frente, fora dos hábitos normais, é que é preciso saber gerir o desgaste, já não digo manter o andamento.

Família – só pode ajudar nos postos de controle. Ou então ficar à espera no local de partida o que é uma seca. Como aquela bebé que não via maneira de ver chegar o pai antes de anoitecer.

Gerir – o esforço, a comida e a agua, mais a tentação de ir na roda desconhecida (de desconhecidos) e por fim controlar o cansaço, os apoios no volante, os alongamentos e os andamentos, só está ao alcance dos eleitos e sofredores.

Horário – é para esquecer, sempre que as forças da natureza se unem. Desta vez foi o vento e o frio, mas pode muito bem ser a chuva com frio ou o sol com vento. Decidimos adaptar-nos às circunstancias e gastarmos aí a nossa concentração, esquecendo o tempo que idealizáramos para cumprir o percurso.

Inverso – a organização decidiu bem em relação ao percurso ao contrário, nesta primeira incursão pelos brevets. Mas nós que conhecemos o relevo sabemos que o acumulado embora igual, não é o mesmo nos dois sentidos, que mais não seja pelo favorecimento do vento.

Jaqueta – em todas as cores e gostos. Mas sem a parte refletora não estão legais. O que nós fizemos foi aproveitar três coletes normais dos obrigatórios que se usam nos automóveis, cortámo-los em volta das fitas e deles fizemos dois arnéis de alças.

Kms – foram só 15 a mais. Concordamos com o bónus de quase 10% que a organização nos ofereceu como treino para os 300 que se seguem. Pensem assim, em vez de fazermos 200 e mais 100, no próximo brevet basta fazer mais 85.

Luvas – Dão um jeito enorme com frio em termos de conforto, mas tornam-se inúteis no manuseamento. Queres tirar uma barra, sem teres de parar, e enfias parte da fralda do colete pelo bolso adentro junto das peças que transportas. Não há tato nos dedos. Cai-te o cubo da marmelada ou outros óvnis que por ali tenhas. Provavelmente os próximos brevets, mais perto da primavera já possibilitem outras luvas que não as de inverno e aí a sensibilidade para meter a mão ao bolso traseiro evite paragens desnecessárias para te alimentares.

Média – de 30 nos primeiros 90 kms. Sabemos que não há médias de 30, mas sim de 33. As de 25 não são médias, mas sim mines, como diz um companheiro especialista na matéria (líquido).

Números – das estradas claro. São fundamentais. Procuramos sempre memorizá-los, pois são mais fiáveis que as placas com o nome das povoações e desta forma não haverá enganos no percurso. Os marcos indicam exatamente o numero da estrada que quando vamos a render à vez serve como referencia para as substituições e também para se ver o tempo médio gasto entre cada marco, quando temos o sensor de velocidade com uma birra qualquer e se recusa a responder ao que dele pretendemos.

Ondas – matam o pessoal. Já conhecíamos o percurso sinuoso entre mora e montemor sempre a subir alternando as ondas do sobe e desce que dão cabo das pernas se não tivermos cuidado com os andamentos que metemos. A nossa opção foi o pesado, quase todo nas descidas e o que podíamos aguentar nas subidas, evitando sempre os leves. Guardámos a rotação para o vento que sabíamos que nos aguardava mal virássemos em pegões.

Paragens – tem que ser para descansarmos mesmo: 20+15+15 em minutos foi correto (para além dos incontáveis de natureza fisiológica) mas os 90+40+25 em kms não foi a melhor opção. Decidimos que a 1ª tirada tinha que ser superior aos 70 km do tróia-sagres e deu perto de 90 até mora. Depois mais 40 até montemor e 25 até v.novas o que foi um erro terrível pois deveríamos ter saltado v.novas e só parado em pegões que também tem bifanas e sopa, o que nos obrigou até v.franca, a pequenas paragens ao sabor das desculpas fisiológicas de cada um, para além de outras razões como dores no pescoço ou coluna, braços ou pés dormentes, vento embirrante e insuportável, alimentação, etc,.

Quilos – de material suplementar, face a um domingo normal. Desde bolsos cheios de alimentos, luzes acopuladas, guarda-lamas, colete, bidões cheios de líquidos, pneus e bolsas de transporte, mais os hidratos de carbono acumulados nos dias anteriores, pesam e de que maneira em cima de qualquer bicicleta de 7 ou 8 kg.

Randonneurs – vamos ter que nos habituar a este estranho palavrão para identificar as pessoas que praticam o ciclismo de longa distancia e que foram de uma cooperação tremenda: ajudando, esperando e informando, alguns com a “farda oficial”, outros á paisana, mas a aprender para o outro brevet de 200 lá mais para o norte do país.

Superação – é este o único objetivo que nos motiva a participar nestes eventos. Há muito que abandonamos a ideia de aos domingos chegarmos no grupo da frente, com o pulso a sair-nos pela boca (podemos dizer isto?), o que já não nos interessa para nada, pois preferimos puxar pelo outro musculo, que não o coração, mas o das pernas. Odiamos imitar (e também não somos capazes) os ciclistas profissionais em tudo o que vá para além das bicicletas e equipamentos.

Tempo – apontávamos para 9 horas, com uma de somatório nas diversas paragens. Afinal o vento também se achou no direito de reivindicar para si uma hora.

Ultrapassar – não usamos esta técnica. Ficamos mais ou menos perto uns dos outros ao alcance da vista. Cada um de nós só confia no seu próprio ritmo, porque de vez em quando dá-nos um alento pessoal e adiantamo-nos alguns kms, depois esperamos que esse alento de inspiração calhe a outro. Tão depressa ficamos sós lá atrás como vamos variando de companhia. Assim que o detrás se recupera começa a chegar-se à frente. E repete-se esta cena vezes sem conta. Se pára um, pode não parar o outro, que apenas abranda e aproveita para descansar, e que lhe dará jeito lá mais para diante.

Vento – o desgraçado. Pregou-nos uma partida enorme nos últimos 50 kms. E teve um aliado igualmente maléfico: o frio. Mas como já contávamos com ele, guardámos a rotação que restava para o fim.

Watts – das ditas luminárias. Desta vez por muito pouco não tivemos necessidade de as despoletar, ia a dizer incendiar, mas nos próximos brevets serão tão essenciais como qualquer roda ou selim.

Xixi – como alguém disse, ciclista que transpira não precisa de urinar. Mas com um bidão de água ninguém se safa. O segredo é andar com um ou mais companheiros por perto e irem dividindo garrafas de litro e meio entre si. Despachámos três, adquiridos nos postos de controle, não obstante o vento e o frio – é a prova de que o vento não seca urina. Num dia mais quente seriam precisas bastantes mais.

Yes – cheguei. É o máximo em termos de participação competitiva que queremos aspirar no final. Que venha o próximo desafio.

Zona – tínhamos alguma vantagem psicológica de conhecer o terreno até pegões. Os últimos 50 km só os fizéramos de lá para cá, num parque das nações x graça do divor e num alverca x reguengos e com o ventinho de costas, diga-se.

publicado por Ubicikrista às 23:13

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