01 de Outubro de 2009

Olá a todos !!! Agora que tenho um tempinho vou contar-vos a minha primeira participação na Quebrantahuesos que espero repetir todos os anos sucessivamente. Sou um gordinho de fim de semana e o trabalho impede-me de sair a meio da semana. Juntando a isto, que no inverno não pude sair na bicicleta, levava a preparação um bocado atrasada. Comecei a sair em Abril e tive que intensificar os treinos nas três semanas anteriores, com saídas de longa distancia (mais de 150 km) e a meia da semana fazendo rolos. Assim, cheguei aqui com 2100 km de estrada e 1000 de rolos, um pouco à justa, mas como costumo andar mais que os outros, com mais ou menos quilómetros não é problema (deve ser porque tenho 26 anos). Passo a relatar-vos .....

Chego na sexta pela noite ao Hotel, com vontade de pilhar a cama, já que nessa semana por uma razão ou outra deitei-me sempre tarde e queria descansar. Assim, deixo tudo preparado, tomo um bom duche e quando me disponho a ir dormir dou conta de que as pessoas das outras habitações não devem ter sono, dado que através das paredes delgadas se ouvia o pessoal a falar, abrir e fechar portas, e na habitação contígua umas crianças correndo e gritando, os quais teria estrangulado com alguma câmara de ar.... por fim às 00:30 parece acalmar-se tudo e às 6:30 acordo para o pequeno almoço. Ás 7:30 vou recolher o dorsal, volto ao hotel e preparo-me. Ás 8:15 estava na partida com uma quantidade impressionante de ciclistas à frente. Dão a ordem de partida em menos de um foguete e pomo-nos em marcha. A longa fila é impressionante, algo me diz que se quero avançar posições vai-me custar muito, pois tenho que me ir esquivando dos mais lentos. Ao mudar para a pedaleira grande sai-me a corrente da rodinha traseira e faz um ruído, pelo que tenho que parar e metê-la com um desmonta, isto acontece-me 3 vezes em poucos quilómetros (depois já não aconteceria). Assim as 3 paragens sucessivas fazem-me perder muitas posições, tento prosseguir recuperando posições e como os grupos se vão fraccionando com o vento,  sou obrigado a ir saltando de grupo em grupo com o vento de caras. A estrada é plana, com algumas subiditas e descidas até que a uns quilómetros antes de Canfranc começa a empinar, o ventinho gelado arrefece-me demasiado as pernas (ando muito melhor com calor) e na subida de Somport noto que a velocidade a que subo, 15 ou 16 km/h, é muito baixa para o que deveria ser, devido decerto ao frio e ao vento. Assim decido ir andando sem forçar em excesso (por precaução). De todas as formas continuo a ultrapassar pessoal e chego ao cimo de Somport. Descemos por uma estrada, que, pelo que me contaram, não era habitual (por isso nos diplomas retiraram a todos 20 minutos) que estava cheia de terra e gravilha solta. Assim mais vale prevenir...... e mãos ao travão, mas no de trás nem pensar em lhe tocar nas curvas. Após 2 km de descida estava o abastecimento, paro para atestar de bebida isotónica e apanho alguma fruta. Procuro a bicicleta por onde a havia deixado, prosseguindo com a descida com bastante cuidado e vejo membros da organização com bandeiras indicando onde há mais perigo. Nesta questão, está bastante bem a organização. Pouco depois melhora a estrada e lanço-me mais alegremente até abaixo, e já no plano alcanço um grupo que se tinha formado e chegamos à curva onde começa a estrada até ao Marie Blanque. A temperatura tinha subido um pouco e faz com que eu vá mais à vontade. Como os primeiros quilómetros são bastante estendidos levo uma boa velocidade, continuo  a passar gente como posso pela estrada estreita. Quando faltam 4 quilómetros começa o mais difícil, apanho alguns da minha cor clubista (Zarabici) e converso um pouco com eles. Como vejo que tenho forças continuo para a frente. Ainda faltam os 2 últimos km que me custam a engolir um bocado, baixo o ritmo para não sobrecarregar muito os rins. 2 km mais abaixo, depois do cimo, encontra-se o abastecimento que não ignoro e depois até desço com vontade de mais subida. No plano junto-me com um grupito e aceleramos até às primeiras rampas, como estou de bom tom decido prosseguir num bom andamento e continuo a ultrapassar pessoal até ao seguinte abastecimento de Artouste, donde apanho mais bebida isotónica e algum pastelinho. Retomo a subida, e acho-a muito fácil até aos últimos 5 km, donde se torna mais custosa, então dou conta que levava um bidão daqueles grandes cheio de agua e que não lhe toquei durante todo o dia, e despejo-o. Levo um ritmo bastante irregular, até que nos últimos km alguém me pergunta se estou a fazer séries. Xexé!. Acabo a subida e começa a descida com umas curvas bastante largas, onde alcanço a máxima velocidade do dia 89.1 e para que não me falte nada, paro outra vez no abastecimento de Formigal (no total de todos os abastecimentos parei mais de 20 minutos) e continua-se a descer por uma estrada bastante estreita e complicada até que viramos à esquerda para apanhar a estrada até o alto de Hoz, que pelas suas duras rampas de 2 km, passamo-lo como podemos, eu e os do grupito em que ia metido, com o incomodo de um ou outro carro que se tinha metido por ali, apesar da estrada ter sido vedada ao transito automóvel. Alcançado o cimo, lançamo-nos até lá abaixo com certa precaução e uma vez na estrada principal reagrupamo-nos uns quantos e aceleramos até à meta, mas quanto ao grupo é um desastre total, já que ou se dão esticões ou ninguém puxa, até que por fim encaramos com a subida final e entregamos o dorsal. No final fiz um tempo de 7:52 ( 7:32 no diploma), pelo tempo gasto suponho que cheguei no mesmo grupo de Ramón, é pena que não nos conhecêssemos antes, eu ia com uma capa de vento tipo colete cinzento e verde. Claro que na meta me desfiz de todos os invólucros do que tinha comido. No final diverti-me bastante e fiquei com vontade de mais, assim no ano que vem volto com lugar marcado, além demais com a experiência deste ano é de tentar fazer um bom tempo no próximo.

Nem mais, um abraço a todosssss.

publicado por Ubicikrista às 14:08

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