13 de Junho de 2011

ABC prático do ciclismo

Por Carlos Chilra

«É verdade que esta etapa foi anulada em termos de passeio mas veio ao de cima a veia competitiva de cada equipa, já que não havendo policiamento não estava garantida a segurança da caravana e como tal seguimos sem dorsal e por equipas. E já se sabe: crono da Vidigueira a Montemor-o-Novo.
O normal nesta prova não é haver policiamento com batedores, mas com segurança nos principais cruzamentos, e sendo este garantido pelas autoridades do conselho em causa, em que os custos são suportados pelas autarquias. Neste caso o comandante da GNR de Beja entendeu que seria adequado, visto o numero de participantes (60) e carros de apoio (10), que 2 batedores eram necessários. Mas como os batedores para varrer a estrada custa "x" euros e a organização, por motivos já acima mencionados, não entrou em acordo com os elementos da GNR presentes, não houve outra forma senão anular a etapa em caravana compacta e, com o acordo dos chefes de cada equipa seguiu-se por equipas, mas em regime de "passeio" independente e sem apoio de viatura à retaguarda!
A minha equipa, por empréstimo de "milhões", nesta volta, foi o Clube de Amigos de Ciclismo de Alverca, que fazia alinhar 4 elementos à partida. Um dos elementos desta equipa ficou classificado em 2º lugar na sua categoria, na recente prova GranFondo Eddy Merckxs em Évora, imediatamente á frente do Sr. Romão, sim o próprio foguetão de Machede.
Abraço e boas pedaladas em "53"»

publicado por Ubicikrista às 20:18

30 de Maio de 2011

ABC prático do ciclismo

“Em Espanha é só facilidades e em Portugal é um atraso

de vida e não há clarificação na regulamentação”

Lá fomos nós testar esta máxima popular. E surpresa! Não é verdade. Explicando:

Na sexta-feira seguinte ao brevet dos 400 kms jantar entre os envolvidos para rescaldo do mesmo e eventual participação no de 600.

Um: isto é muito caro, se calhar não vou.

Outro aluga-se uma carrinha e fica barato

E mais um: já aluguei algumas e fica caro

E mais outro: ju(a)ntamos outra vez para semana.

Até hoje. Tudo em águas de bacalhau (em vez de à lagareiro)

Chegada a hora a decisão, para quem se inscreveu, era carro próprio com motorista de ir e voltar sem descanso e com portagens, uma vez que o regulamento dos brevets refere autonomia completa e não aceita assistência. Ou a CP, por sugestão de colega.

Por interdição momentânea da linha do sul, automóvel até á Gare do Oriente (truque aprendido com um espanhol, quando é preciso dormir um bocado no regresso, reabastecer de comida ou mudar de farpela).

- Bilhete direto para Viana do Castelo, por favor.

- È melhor comprar só até ao Porto e são 30 euros.

- Tenho bicicleta!?.

- Tem que ir devidamente acondicionada.

Foi a primeira vez que interiorizámos o verdadeiro sentido de tal palavra, depois de um telefonema dias antes para os serviços de apoio ao utente, em vez de recorrermos aos emails, mas após pesquisa atempada ao que outros com objetivos semelhantes reclamaram.

Alem de outras, a palavra mais usual sempre fora “devidamente embalada”. Daí a aquisição, na véspera, de um rolo de sacos de plástico do lixo a um chinês (viriam a servir para pequenos descansos à beira da estrada ou aquecer o corpo durante a noite).

                       ALFA pendular

Acondicionar significa meter num dos vários locais que este comboio dispõe. A saber:

      *    debaixo do assento
      *    no compartimento por cima das cabeças, como nos aviões
      *    nas prateleiras para bagagens de grande porte existentes entre carruagens

Permite ainda outros, sem especificar o local, desde que não impeça a passagem.

Face ao regulamentado, solução simples: rodas atiradas para um lado e quadro metido no compartimento das malas (com o selim retirado ficaria melhor acondicionada. Uma das rodas serviu de apoio ao selim para impedir que o quadro tombasse para o corredor. A outra foi metida atrás do banco, o ultimo dessa carruagem).

                      Urbano

Pode ir montada e encostada em qualquer local ou ao lado do passageiro, desde que não impeça a passagem (perguntei ao revisor para que lado seria a saída, respondeu que normalmente é sempre no mesmo lado da entrada, tendo-a encostado à porta frontal de saída. Funcionou assim excepto na única vez que passei momentaneamente pelas brasas e 5 segundos depois alguém a encostara a um banco, porque o local de entrada de passageiros naquela estação mudara)

                      Regional

Uma maravilha. Onde outrora existia um compartimento para as grandes bagagens, existem, só na primeira carruagem, grampos de garagem, onde se penduram as “meninas”. Um regalo e um descanso (neste caso quatro. Caso o grupo fosse maior, negociar com o revisor ou, que remédio, repartir o pessoal pelos próximos comboios).

publicado por Ubicikrista às 22:29

29 de Setembro de 2010

ABC prático do ciclismo

FISGADA

“Foi a tropa que fez de mim um homem",

in, entre aldeões

 

Via o filho crescer até à maioridade e sabia que ele já não teria que assentar praça, ir "às sortes", pois actualmente não existe Inspecção Militar, foi substituída pelo Dia da Defesa Nacional, e é para o menino e prá menina obrigatório. As guerras ou batalhas, o seu filho e outros, hoje travam-nas nos PC´s. O contacto com as armas, hereditário durante décadas através do Estado, quase que se perdeu. Agora só através do Paintbal, pouco a pouco substituído pelo Airsoft, com material militar, federação e campos de treino (por cá no velho armazém da fábrica da bolota e no edifício da Epac) que os obriga a levantar os fundilhos da cadeira e a correrem de uma parede para outra, simulado guerrinhas que, embora reais, para eles são virtuais, tal como em casa frente aos monitores.

Também no seu tempo de menino, a pressão de ar (flóber), fora o máximo que se podia aspirar, mas que nunca tal o motivara. Um dia o seu pai aproveitou uma forqueta de um ramo de eucalipto, ao qual atou um elástico, que poderia ter sido a coisa mais poderosa da sua infância, não fora o facto de ter vindo de um pai com carateristicas incomuns, sem nada lhe dizer, delegou nele a decisão de a usar. Era a obrigação mínima de oferta, não de ensino, mas como símbolo de masculinidade, que competia a um pai pacifista como o seu. Com eucaliptos tão altos, manuseamento raro e pontaria zero, aquilo andou lá pelo quintal até ao dia em que decidiu, pela inutilidade, desfazer-se dela.

Numa derradeira tentativa, mais para descargo de consciência, subiu os dois degraus do portado e encostou-se à umbreira da porta. Já quase escurecia, era a hora do chilrear intenso, quando os pássaros mais se aglutinavam para passarem a noite juntos e em segurança. Sem convicção lá  encostou a mão ao ombro esquerdo, enquanto o braço direito se afastava tenso. Abriu a mão e disparou na horizontal. O que se seguiu marcou-o para sempre. Parecera-lhe que derrubara algo e o coração deu-lhe um pulo. Não, aquilo não lhe podia estar a acontecer. Para se sossegar começou a encortar os cerca de 80 metros, enquanto dizia para si que podia ter sido uma folha de eucalipto atingida. Aproximou-se com o credo na boca e sentiu um baque. Confirmara-se o que temia. Ali no chão, estendida, estava a alma inocente de um passarinho muito pequenito. Fartou-se de o assoprar e de lhe pedir desculpas. Em vão. Ali mesmo jurou a si próprio nunca mais ter de pedir desculpas, a ninguém. Basta-lhe não apontar para alguém, e muito menos disparar, algo que seja, para a molhada.

publicado por Ubicikrista às 01:20

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