01 de Outubro de 2009

Aqui vai a crónica de minha Cicloturista de Angliru.....com certo atraso, porque agora deveria ter enviado a dos Lagos'99. Lá chegará.

A primeira coisa que quero deixar claro é que não estou de acordo com as criticas que se fizeram à organização da II Marcha Cicloturista Sierra de Aramo, Alto de L'Angliru.

Temos que ter em conta que é a segunda edição desta cicloturista, e dado que mudou de organizador,  poder-se-ia dizer que na realidade é como se fosse a primeira (se bem que, é certo que entre todo o pessoal da organização vi pessoas que reconheci da edição anterior, assim sendo alguns certamente tinham experiência). Eu vi muitíssimas melhoras em relação à primeira edição.

Abastecimentos abundantes, tanto sólidos como líquidos (de facto eu acabei com mais comida nos bolsos da camisola, do que a que tinha quando comecei) :-).

O único túnel complicado que há, e que tínhamos que atravessar, até o iluminaram !!!! Flipei-me quando vi isto.

Havia muita gente da organização nos cruzamentos e em lugares complicados (comunicavam entre si por radio), cartazes indicando as curvas perigosas nas descidas, abundantes efectivos da guarda civil, ambulâncias, assistência técnica....

Criticou-se a descida da Mortera (não só entre os da lista, também ouvi gente criticando a marcha), mas é que não havia outro lugar por onde passar...podia-se ter alterado o percurso, mas estou  certo de que todo o mundo preferia fazer o percurso que será final de etapa na Vuelta'99, e para passar desde Riosa, até La Cobertoria a única forma de o fazer é subindo por Mortera (como se fez) ou por Siones (cuja descida se junta com a de Mortera, assim o troço mau não o apanhas). Há outra possibilidade, que é ir até Oviedo, ou até às Caldas, mas isto é inviável por problemas de transito com os automóveis. Além disso estava para  ver o que se teria passado na descida da Mortera se o asfalto não estivesse bom, com os kamikazes que por aí há.

Outra critica que se fez, não aqui, mas sim por pessoal que participou na marcha, é que os travaram, e não os deixaram atacar e irem-se embora na Mortera, que tampouco me parece justo. A organização, desde o inicio advertiu que se reservava o direito de reagrupar. E ainda que em nenhum momento o tenha feito, é lógico que travasse os  “galos” ao principio, para que o pelotão da marcha não se alongasse.

Também se criticou o excesso de carros subindo-baixando na subida para Angliru. Mas disseram-no desde o principio (e varias vezes), que a estrada estava aberta ao transito. Ainda que me pereceu que tentaram que não subisse demasiada gente de carro para cima até Angliru, impondo uma espécie de controle, mas se houve problemas nas subidas com alguns carros, foi por pura irresponsabilidade dos acompanhantes, não creio que a organização tivesse a ver com isso, nem nada para dizer a este respeito. De todas as formas volto a dizer que esta é a segunda edição, e na edição anterior apenas fomos 250, este ano com quase 700 participantes, eram imprevisíveis muitos dos  problemas como os que se encontraram, além disso, já se disse por aqui na lista, que se iria utilizar a marcha como teste, com vista à Vuelta'99. Creio que também anotaram o que ocorreu para que na Volta sejam tomadas as medidas adequadas, e na próxima edição da cicloturista estou certo de que estará ainda melhor.

O tema do atraso com a entrega dos diplomas, tem uma explicação simples: estragou-se-lhes a base de dados. Um problema informático que explica o atraso (e que aqui na lista sabemos todos, mais ou menos, que é uma coisa que desgraçadamente pode acontecer a qualquer um de nós) :-(.Mas os diplomas foram enviados por correio, para casa de cada um).

Quiçá a critica que eu faria à organização, é à hora da partida, porque (sobretudo para as pessoas de fora das Asturias), ao partir tão tarde, termina muito tarde, e depois espera-os uma grande viajem de regresso por a cicloturista ser ao Domingo, pois pode-se tornar bastante duro o regresso de carro (já que na segunda-feira tem que se voltar ao trabalho).

E depois disto tudo, todavia ainda não comecei com a crónica...enfim, isto é o que me lembro  do que aconteceu:

No dia seguinte à marcha tinha um exame, assim na noite anterior estive a estudar, e deitei-me bastante tarde, e mais nervoso pelo exame do que pela cicloturista, pela manhã quando suou o despertador, apaguei-o e voltei a adormecer....mas graça a Deus, despertei de repente, olhei o relógio eram 8:15 (e tinha ficado assente encontrar-me ás 8:30 com o Antonio para que me levasse). Assim, a toda a pressa, tomei o pequeno almoço como pude e preparei-me, desci à rua e já lá estava o Antonio à minha espera. Chegámos a Riosa, e a organização indicou-nos por onde teríamos que ir para estacionar (Riosa é muito pequena), mas tinham facultado um campo de futebol para servir de estacionamento (outro detalhe de boa organização, o que não aconteceu o ano passado). Antes de nos prepararmos definitivamente, abandonamos as bicicletas, e fomos levantar os dorsais. O sitio de recolha dos dorsais tinha sido alterado, seguramente para melhor, mas não era onde eu pensava e que propusera como local de encontro, para ficar a conhecer os ciclolisteros que ainda não conhecíamos, os Asturianos da lista....enfim, o Fernando e o Andres estavam justamente nas escadas que desciam para o Polidesportivo (desde logo o melhor sitio para se esperar...se tivesse sabido), assim, cumprimento-os, trocamos impressões: o Antonio, e o Andres levam carreto para tentar subir até lá acima, eu não, e estou  indeciso (não me importo de pôr pé em terra por não ter mais mudanças), e o Fernando está convencido de que ficará em Via Para (também pelos carretos que leva montados). Quando levantámos o dorsal, apercebemo-nos de que este ano também se sorteia uma bicicleta, que surpresa e que ilusão! Vamos ver se me calha!

Voltamos ao carro, mudamos de roupa, e preparamo-nos (e começo-me a enervar....deve-se ter notado porque o Antonio tenta-me tranquilizar), dirigimo-nos ao Polidesportivo onde já está o Fernando montado na sua bicicleta, e esperamos um bocado para ver se aparece o Andres, mas nem rasto dele, nem de ninguém da Ciclolista que tivesse vindo de fora :-( Assim empreendemos um passeio, pelo sentido oposto até à partida. Ao ver um tipo de um clube de Valladolid, digo-lhe: "O  ano passado estive com um do teu clube nesta cicloturista", olha-me diz: "Foi comigo"....granda corte....e esclarece-me: "Acabo de te reconhecer". (Se leram a minha crónica do ano passado estarão recordados dela....não lhe perguntei o nome, porque sei que é inútil já que me iria esquecer.

Vejo que há varias raparigas. Surpreende-me, porque o ano passado não havia nenhuma, e porque não é normal que compareçam ás cicloturistas duras (devia haver 5 ou 6), e se uma chegou até ao cimo (embora com pedaleira tripla), além disso foi a primeira rapariga em Via Para (a moça deve andar mesmo bem).

Já na praça do ajuntamento, mais ou menos apertados sorteia-se a bicicleta (o sorteio é feito pelo Julio Jimenez "el relojeiro de Avila"....Tinha graça se me saísse a bicicleta, e me fosse dada por um mito do nosso ciclismo, mas não me saiu nem a mim, nem a nenhum de nós....mas saiu a um da cicloturista Expert Llanes...são gente boa...o ano passado foram eles que me tentaram levantar a moral quando estava já em Riosa ao lado do carro). Também estava o Angel Arroyo (mas como participante, na parte final desceu-se da bicicleta na descida da Mortera para acompanhar o acidentado da jornada em ambulância, e depois voltaria para fazer só a subida a Angliru, que fez sem se apear, com ajuda da pedaleira tripla...segundo contou um jornal local). Deram-nos as indicações oportunas para realizar a marcha, advertindo-nos da perigosíssima descida da Mortera ainda em obras, e Julio Jimenez deu a partida:

No principio a estrada é encosta abaixo, e apesar de que a maioria vai bastante depressa eu deixo-me ir, depois chega-se à estrada Nacional, vou junto com o Antonio e o Fernando (o Andres tinhamo-lo perdido), vemos um ou outro furado (tão cedo), passamos ao largo do desvio para Peneruedes (uma montanha a que fomos poupados no que respeita à edição do ano anterior), e chegamos a Soto de Ribera onde começa um troço de rompe pernas, mas como vamos muito devagar nem o noto. Por fim chegamos à subida a Mortera (que é muito mais inclinada que Siones, que está um pouco mais longe, e que vai parar ao mesmo sitio que a de Mortera, e foi a que se subiu o ano passado). De inicio afogo-me um pelinho porque durante toda a semana não fiz exercício :-(,e porque o ritmo do Antonio não é que seja forte, mas tampouco é suave, além disso está muito calor, creio que por culpa da central térmica que há nas proximidades. Pouco a pouco vou ficando melhor bem e já respiro com mais  desafogo. Chegamos lá acima, e ali justamente quando ia começar a descida, tive que pôr o pé em terra para não levar com um carro de uma tipa que estava a seguir o marido, mas que bem que ela está *lixando* os que estavam na complicada descida da Mortera. A descida estava toda inteirinha em obras e era muito perigoso, porque é muito empinado, com troços que andarão muito próximos dos 20%, enquanto descíamos vimos que tinha havido um acidente (já ali estava a ambulância), mas eu não vi muito bem, porque ia concentrado na descida (disseram-me que era um único tipo, o acidentado, e que tinha sangue na cabeça, provavelmente não levava capacete).Já embaixo, ouvi muitas criticas a respeito da descida (é certo que estava em muito mau estado, e que era muito perigosa, mas a única alternativa viável, era fazê-lo em sentido contrario, ainda que duvido que as rodas traseiras tivessem tracção com esta inclinação, e toda a gravilha e terra solta que havia). Desde onde estávamos até à Cobertoria, a estrada picava toda até ao alto, e tínhamos bastante vento de frente, mas íamos muito calmos (20-23km/h) assim como quem não quer a coisa, ainda deixámos (apesar de meu desacordo) abalar um grupo que nos ultrapassou e que ia a 25-27km/h (penso que é o mesmo (o mesmo esforço) ir a mamar na roda a 25-27km/h de um grupo, que ires tu a puxar a 20-23 km/h quando tínhamos o vento de caras), passamos por um túnel muito longo, não iluminado, mas que temos que fazer! SURPRESA! Tinham-no iluminado, pareceu-me um grande requinte da organização. Por fim chegamos ao abastecimento (situado 10km antes do que indicavam os perfis que nos tinham dado). Vimos ali o Andres, embora não tivesse ficado claro se ia à frente ou atrás de nós. O abastecimento é abundante, muito mais que o ano passado, e ao fim e ao cabo ainda não fizemos nenhum desgaste importante (a diferencia em relação ao ano passado é que houve menos comida, e mais dureza antes do abastecimento). Aceitamos a coisa com calma (creio que excessiva), e por fim :-) lá abalamos. Apanhei os sacos de plástico de nós os 4 e fui-os meter numa lixeira, ainda que tenha havido quem as abandonou por ali na zona do abastecimento ...não está certo, mas tampouco esteja muito mal, porque sabem que as pessoas da organização as recolherão. O que está mal foi o que fez um, em que apanhou o saco e atirou-o a 5 ou 7 quilómetros do abastecimento aonde ninguém o irá retirar (não vi ninguém a fazê-lo... telo-ía apertado, mas vi sacos abandonados.... mas há quem o faça, PORCOS). Nalguma subidita da estrada que continuava a empinar até ao alto, o Andres fica para trás, eu sei que não vai mal, suponho que quer ir com calma, muita calma, o Antonio fica à espera dele, e eu comunico isso ao Fernando. O Fernando e eu que íamos "puxando" pelo grupo em o que estávamos, afrouxámos, mas finalmente acabámos por abalar para a frente (eu, enquanto fosse com alguém que me mantivesse num ritmo por debaixo do que as minhas forças me exigiam utilizar, sabia que ia a ir bem). Começámos a subir a Cobertoria e o ritmo do Fernando por momentos pereceu-me excessivo e deixei que se afastasse um pouco (não é que não o pudesse seguir, é que não queria forçar na Cobertoria, queria guardar forças para subir o Angliru...e como não levo pulsómetro, a diferença em relação ao Andres ou ao Antonio é que eu regulo-me por sensações) ...de todas as formas o Fernando vai um bocado aos esticões, e quando se põe de pé distancia-se um pouco, e quando se senta recupero o que me separa dele. Maravilhosa a sensação de ultrapassar as pessoas, não porque sejam todos aqueles os que te passaram. Olhar para baixo da estrada procurando os que vêem por trás, ver que distancia lhe vais metendo pouco a pouco, não os veres e perguntares-te quanto tardarão a chegar ao pé de ti, é uma sensação maravilhosa (a verdade é que tinha apanhado um susto na Cobertoria na minha cicloturista do ano passado, de facto, desde o meu fracasso do ano passado vivia obcecado para voltar a ressarcir-me, e tinha treinado muito nas estradas pelas quais transcorre a marcha, mas não me atrevi em nenhum momento a voltar a subir a Cobertoria, simplesmente tinha-lhe receio). Quando ultrapassávamos algum que ia mal ou muito mal mesmo, recordava-me logo de mim no ano anterior, dava-lhes ânimos (também  passámos uma moça, mas embora fosse muito cascada, vimos muitos tipos que iam pior). Chegámos à parte mais empinada da Cobertoria e notei como me custava já um pouco a subida, comecei a ter sensações de estar a fazer um esforço a sério, assim decidi deixar de lado a hipótese de subir até a Angliru e acelerei um pouco o ritmo, e o Fernando pouco a pouco foi ficando para trás (ainda que não lhe chegue a meter grande distancia em nenhum momento), cheguei à altura onde ia o único tandem da marcha, e justamente quando os passei, estavam a tentar que as mudanças entrassem, e parecia que não lhes entravam, de repente ouvi: CRACK! e um deles disse: "partiu-se a corrente", olhei para trás e vi que tinham caído, por não poderem tirar os pé dos pedais automáticos a tempo e sincronizadamente. Decidi incrementar o ritmo para poder avisar lá mais acima da avaria (já só deviam faltar 700 metros ou menos), e quando cheguei ao alto, deram-me o abastecimento liquido, e avisei-os da avaria do tandem. Daí a pouco chegou o Fernando e voltou-os a avisar. Mais lá para cima havia dois carros da assistência mecânica, e rapidamente desceu um (no jornal  local, li que afinal lograram chegar até ao Angliru, mas que se lhes partiu a corrente 4 vezes! ... pobres ....sobretudo se nas quatro caíram) :-( Depois de hidratar os nossos corpos :-) e de que o Fernando vestisse o impermeável para o presumível frio da descida (até esse momento o dia tinha estado bastante nublado), começamos a parte perigosa da complicada descida da Cobertoria, digo ao Fernando que descartei a possibilidade de subir até ao alto, e diz-me que vai tentar (que de certeza que de seguida dará meia volta, mas que vai tentar), e como leva um 39x25 e eu um 39x26 animo-me a ir tentar com ele... a meio da descida começa a luzir o Sol....a descida termina em Pola de Lena, que atravessamos apenas num minuto a toda a velocidade, eu comi uma barrita energética como pude, e logo que acaba P. de Lena, começamos a Soterrana (ou a Cordal como se queira), passado o primeiro quilómetro damos conta de que o Sol bate muito forte, entre outras coisas porque nos encontramos com outro abastecimento liquido não previsto (outro detalhe de uma boa organização), passada a primeira parte dura, a inclinação suaviza-se, e eu sem me dar conta vou deixando para trás o Fernando e começo a achar que estou fortíssimo, suponho que era do efeito da barrita energética, o caso é que passei um montão de gente, cada vez mais rápido chegando a pôr-me a 18km/h, até onde se volta a empinar seriamente a Cordal.... o Sol dá muito, muito forte, e o ultimo quilómetro torna-se duro, num determinado momento olho para baixo e vejo que uma das pessoas que vou deixando para trás é o tipo de Valladolid (não me dei conta quando o passei) :-} Ufff...Já estou cá no alto....abastecimento solido....eu bebo...e bebo...e bebo....bom, agora tenho que comer qualquer coisa, mas a verdade é que com o calor que faz custa-me comer demasiado. Chega o Fernando também bastante cascado, embora penso que para mim o ultimo quilómetro foi o mais duro. Olho para as horas e vemos que não vamos muito bem de tempo (claro que temos tempo antes do encerramento do controle, mas tampouco se pode dizer que nos sobra uma hora). Fernando dá-se conta de que dali se vê Via Para, e de que estamos à mesma altura (pode ser que um pelinho mais altos), e comentamos que é uma pena ter que descer até Riosa para voltar a estar à mesma altura e somente a poucos quilómetros em linha recta. Meto parte do que não comi nos bolsos, mas como não me cabe todo deixo o resto no saco. E para baixo. Eu passo a descida a pensar no meu exame do dia seguinte, e que já é tarde, e no pouco tempo que vou ter para estudar à tarde. Mesmo assim, continuo com esperanças de chegar até ao alto, enquanto o Fernando, segundo o que me disse, já pôs de lado essa hipótese, porque diz que passou muito mal em Soterrana. Chegamos a Riosa, volto à esquerda e entramos na temida estrada de Angliru. O Fernando disse-me: "Tu atira-te para a frente que eu vou tomar a coisa com muuuuuuuuuita filosofia" :-) mas como eu estava a pensar ir até ao alto, precisamente por isso iria forçar, subimos a 9km/h,e passamos um grupo em que está o já famoso tipo de Valladolid (não devia ter de parado tanto como eu no abastecimento da Soterrana), desta vez sim cumprimento-o e pergunto-lhe se vai até lá acima, disse-me: "O ano passado nem pensei nisso, mas creio que este ano vou tentar.", eu comento-lhe que se calhar também irei tentar, observa-me os carretos que levo e com um gesto de desaprovação diz-me que não vou preparado (ele leva pedaleira tripla).....nos sítios mais duros não me quero pôr de pé para não subir as pulsações, mas noto dores muito fortes nas pernas ao forçar nas subidinhas, e predisponho-me a subir até lá ao alto, volto-me a recordar do exame, de tudo o que tenho que estudar ainda, e do tarde que se me vai fazer se chegar lá acima (eram quase as 15:30....calculo que pelo menos dariam as 17h se pretendesse subir até ao alto, ainda por cima cascado, e com carretos que me obrigariam a fazer muitos troços a pé), assim apesar da dor nas pernas, continuava a manter a chama que tinha ido guardando.... meto o turbo... mas já estávamos quase no final, portanto tampouco fiz demasiadas ultrapassagens:-) e finalmente terminei. Fernando ofereceu-se para me levar de volta a casa, e assim não tenho que esperar pelo Antonio. Depois de uma ligeira conversa com a mulher do Antonio que estava em Via Para, descemos, e encontramo-nos com o Antonio e o Andres que estavam a chegar a Via Para, vinham muito inteiros, assim que de certeza que chegariam até ao alto (como fizeram).Durante o descida chamei a atenção a muitos que desciam muito vivamente, sem nenhum respeito para com as pessoas que subiam.

Eu, mais que muito satisfeito, claro que também, fiquei um pouco vazio.... depois de 1 ano obcecado (literalmente) com esta cicloturista, fiquei um pouco como que desnorteado, já tinha conseguido ressarcir-me, e: "?agora o quê?". Enfim. Terei que procurar outra meta. Por certo que nessa tarde estive a estudar, mas à noite comecei a sentir-me mal, e tive que ir para a cama (tinha queimaduras nas pernas, braços, nuca e cara....não tinha posto creme porque não havia Sol quando partimos, nem parecia previsível que viesse a haver e muito menos tão forte), e muita sede, e dor nos  olhos.... vamos lá, penso que tinha sintomas de uma ligeira insolação.

publicado por Ubicikrista às 17:34

Olá a todos:

Já sei que é um pouco tarde (aproxima-se a edição do ano 2000), mas andei muito enleado esta emana, para me poder concentrar na crónica da cicloturista.

No domingo ás 6:30 da manhã já estava desperto. È muito cedo para me levantar da cama (tinha posto o despertador para uma hora mais tarde), mas depois de 10 minutos dando voltas na mesma, levantei-me. Gastei um pouco do tempo, porque senão ia comer demasiadas horas antes que se desse a partida (ás 10:00, que foram afinal, uns minutos mais). Ás 8:30, mais ou menos, já estava em Riosa, e fui buscar o dorsal. Já andava por ali o Andres. Conversámos um bocado, recolhi o dorsal, e quando chegaram o Antonio e o David, fomo-nos vestir. Na partida estávamos juntos o David, o Antonio e eu, mas o Andres não o vimos. A bicicleta que sorteavam, por suposto, não me tocou a mim. Os  organizadores e a guarda civil não cessaram de recomendar-nos prudência, em especial na descida que estava em obras, e que depois, pudemos comprovar, muito perigosa.

Partimos com algum atraso, e as pessoas já tinham começado a correr. O Antonio, o David e eu começámos a coisa com tranquilidade. Na primeira subida séria, não apertamos. Eu não a conhecia (mas sim o resto das subidas), e não queria deixar o pessoal tão rapidamente. A descida em obras, bastante perigosa, sobretudo, se queres descer depressa. Pergunto-me o que se teria passado se estivesse  bem asfaltada, dado que as velocidades que se pudessem conseguir poderiam tê-la tornado mais perigosa ainda. Terminada a descida, juntamo-nos de novo (tínhamo-nos separado um pouco na descida), o Antonio, o  David e eu, e pomos um ritmozito até ao abastecimento, já tendendo a estrada, para uma certa inclinação. Comemos bem, apesar das pressas do David, e encontramos o Andres, que já se ia embora. Depois de ter-mos comido, retomamos a marcha, já avistando o começo da subida da Cobertoria. David e eu destacamo-nos ligeiramente, e eu (grande erro) começo a subir demasiado depressa (para o meu estado de forma, claro). Os dois últimos quilómetros da subida tornaram-se-me durinhos, e o David destacou-se uns 200 metros. Logo após coroar, o único tandem que havia na marcha teve um problema com a corrente, partiu-se-lhes e foram parar ao chão. No cimo da Cobertoria estava a assistência técnica e avisei-os para que descessem e lhes dessem uma ajuda. Mais tarde pude comprovar que lhes arranjaram a avaria e puderam continuar. Chegado ao cimo, comemos, bebemos, descansámos, e para baixo. A descida é perigosinha, sobretudo tendo em conta que podias encontrar em qualquer momento um carro de frente. A verdade é que não descansei muito na descida, assim é que afrontei a seguinte montanha (La Soterraña) com 500 metros de plano desde o final da descida, e um pouco cansado.

A subida à Soterraña tornou-se-me muito comprida. Não estava à vontade, doíam-me os rins, e recordava-me do desgaste da primeira parte da Cobertoria. La estava o alto, a parte mais dura era no final, e ali ripostei com o meu 39x25 até coroar. De novo, o David esperava-me lá em cima, desta vez deve ter-me sacado uma maior vantagem. Era curiosa a vista que havia dali, dado que se divisava perfeitamente Viapára, a uma altitude similar á que nos encontrávamos. Que pena que tivesse que descer para Riosa para voltar a subir!

Comidos e bebidos (não pensem mal) começámos a descida. Havia algumas curvas feias, que estavam perfeitamente marcadas com cartazes. Chegados a Riosa, e eu, com a firme convicção de não tentar subir mais além de Viapára, começámos a ultima ascensão da jornada. Uns 5 quilómetros fáceis, dentro do possível, nos quais não acusei já tanto o cansaço como na subida anterior. Isso sim, "meti tudo" o que levava desde quase cá de baixo. Ao chegar a Viapára, o David decidiu que não iria tentar subir a segunda parte da ascensão completa, e pôs o turbo. De novo me deixou pregado, ainda que, dado o pouco terreno que faltava, não me sacou muita distancia. Chegados á meta, bebemos, falámos e dispusemo-nos a esperar pelo Antonio e o Andres, que tinham decidido levar a coisa com calma para completar a marcha. Depois de esperar um bocado, e dado que começava a ser tarde para comer (só comi perto das 18:00 desse dia), o David e eu iniciamos o descida até Riosa, para apanhar o carro e voltar para Oviedo. Quase a começar a descida, encontramo-nos com o Antonio e o Andres, que pouco tempo depois iniciariam a ascensão final. O resto da historia já a conhecem.

Em resumo, uma marcha que achei bastante dura pela parvoíce de subir depressa para Cobertoria, quando todavia estava fresco, e sem ter em conta o que ainda estava para vir. Espero que nos Lagos de Covadonga, já que tenho previsto comparecer, não tenha os mesmos problemas.

Para os que haveis aguentado todo o rolo, os meus mais sinceros parabéns.

publicado por Ubicikrista às 17:33

Olá a todos:

Esta é minha crónica da marcha de ontem, que espero que seja curta, pois já é a terceira vez em menos de 2 meses e já estou um pouco farto.

Madruguei muito (ás 8:30 já estava em Riosa) e concentrei-me em todas as furgonetas para ver se alguma tinha matrícula SA para conhecer o J.Ramón e o Juanma. Não pode ser. Que pena não ter concretizado mais. Teríamos conversado algumas coisas sobre Salamanca e as subidas da Sierra de Francia que seguramente conhecereis (El Portillo ou Las Batuecas, La Peña .....)e que eu conheço porque a minha mulher é serrana. Doutra vez será. Nota-se a falta de coordenação do Faco.

Hoje inteiro-me que o Alberto também foi. Certamente que ia numa daquelas 2 furgonetas matrícula de BI ¿ Lembras-te Antonio?

Primeiro encontrei o Fernando e mais tarde o Antonio e o David. O primeiro já vem decidido a terminar em Viapará, o David está indeciso e o Antonio e eu estamos decididos ir dispostos a tudo.

Não nos vemos na partida. Estou  bastante á frente, e tomo uma decisão: pôr o alarme do pulsómetro em 145 e mantê-lo até Viapará. Quero terminar lá no alto. Na subida da primeira montanha sinto muito calor porque levo debaixo uma camisola de manga comprida. Depois da perigosa descida sem asfalto, (vejo duas caídas graves e muitos furos) chego ao primeiro abastecimento donde nos juntamos todos e ali desfaço-me da camisola. Observo as paredes da escola de alpinismo de Aciera, que por varias vezes visitei. O David está inquieto, tem pressa, quiçá já tem decidido retirar-se na primeira meta. Na Cobertoria, ao ritmo do David e do Fernando toca-me o alarme e decidi voltar a acertá-lo.

O Antonio fica comigo e noto-o muito á vontade de forças. Observo a multitude de cumes do maciço de Ubiña que tantas vezes palmilhei: Peña Rueda, Huertos do Diabo..... no alto o Antonio diz-me que não espere, que ele descerá devagar e enceto a descida. Na Soterraña subo sem que o alarme toque e vou esperando que o Antonio me alcance, coisa que faz logo que chego ao abastecimento. Aqui decidi comer pela ultima vez e não parar mais. Subimos controlando até Viapará e pouco antes vemos descer o Fernando e o David. O Antonio diz-me que vai parar para comer. Eu prossigo. Começa a endurecer-se a coisa. Um tipo sentado nas ervas grita-me !! Aonde vais com essa pinta?!! E eu respondo para mim: aonde é que eu irei? aonde tu não irás nunca. Supero a parte de 19% sem grandes problemas excepto a incomodidade dos carros que descem e a desconsideração de alguns ciclistas que também descem. Aproximo-me do pior. Não sei se o conseguirei. O sol aperta. Anseio por um descanso aonde possa deitar um pouco de agua pela cabeça. Não quero olhar para cima. Começo a rampa sentado mas depressa me vejo na necessidade de levantar o cu do selim, antes do que tinha previsto. Vou olhando o chão esperando a zona de Argayo que tem logo a seguir a maior inclinação. Estou a ponto de me descer. Animam-me e aguento como posso. Sento-me e com "alívio" vejo como as pulsações baixam pouco a pouco (175.. 168. 159.. ) Daqui já não me faz descer nem a Guarda Civil. O resto é duro mas comparado com o anterior "fácil". Chego ao plano que precede a descida final e, embora contente sinto-me um pouco inútil, pensando na quantidade de gente que terá chegado, mas quando me dão o posto 291 e pensando que partimos uns 700, não está mal de todo. Espero pelo Antonio, mas como está frio empreendo a descida e cruzo-me com ele em menos de 1 Km. Espero-o em Cobayos para podermos observar a rampa e encetar-mos o regresso ao carro.

publicado por Ubicikrista às 17:32

Olá a todos.

Vou relatar o sucedido de ontem. Fui com o David levantar os dorsais e vimos o Andrés e o Fernando. Procurámos, em vão, a furgoneta branca do José Ramón. Uma pena não o termos encontrado, mas entre 700 participantes é realmente complicado. No sitio da partida, após umas palavras do Julio Jiménez, sorteia-se uma bicicleta de meio quilo, ganhador o dorsal 144: huyyy, tenho o 194, "quase" ... ;-) o afortunado tarda em aparecer, o que provoca um atraso de uma meia hora. Partimos  e de seguida começámos a subir ao Alto de La Mortera, vou "retendo" o David para que não lhe passe o mesmo  do ano anterior, mas resulta que o que vai passado de voltas sou eu. Pese o propósito de me ir reservando, subo às 170  pulsações. É a primeira montanha do dia e eu desperdiçando a gasolina :-(são uns 5 ou 6 km sendo o primeiro e o último os realmente duros. Já no final, encontramo-nos com um carro de Vitoria "atravessado". Porra, se quer ver algum familiar que espere na Vía Pará.

Descida TERRORIFICA por Tenebreo. Terra pisada, com gravilha e pedras, com zonas de 20%. Vamos, quase, quase "a pique" como diriam do tal barco que se afundou.

Descemos com precaução, há vários furados e algumas caídas aparatosas. Diante de nós (Fernando, David e eu) houve uma queda muito má, o homem sangrava da cabeça e estava deitado. Uma ambulância levou-o:-(Eu mesmo, quase levei pela frente um que fez uma travagem, fiz slalom por entre as pedras. Pese a minha torpeza, não caí :-) Passámos o mau bocado dessa descida e reunimo-nos os três. Mais adiante, chegamos ao primeiro abastecimento, espera-nos o Andrés, que tinha saído com os  primeiros. Comemos e perante a insistência do David (tive que tragar a maça e Coca-cola quase de enfiada ;-) retomamos a marcha. Bommmm, tenho que reconhecer que aceitei a coisa com muita calma;-) Formou-se um grupo no qual puxa o Fernando, com o David e eu atrás. O Andrés, sabia o que os esperava e ficou na retaguarda. Na subida da Cobertoria, vendo que o David ia bem acompanhado (o Fernando sabe controlar muito bem) decidi ficar com o Andrés. Novamente subi um pouco saturado, 165-175 pulsações, com um 42x24.

Detenho-me para beber, o Andrés continua. Desço com tranquilidade e começo El Cordal (Soterraña) aqui já ponho o 30x20 e 30x22, tento não me gastar muito mais, para variar volto a subir entre 70 e 80. Mais acima, no abastecimento, está o Andrés. Como alguma coisa, encho os bolsos e descemos. Subimos para Vía Pará, desta vez num ritmo mais de acordo com o que falta percorrer.

Chegamos à primeira metade, e Andrés diz-me que não parará. Eu decido fazê-lo para comer algo, recuperar um pouco e preparar-me para o caso de não chegar lá acima ;-) Justamente antes da linha, cruzamo-nos com o Fernando e o David que regressam a casa. Eles não subiram até ao cimo, por não terem carretos adequados.

Comi demasiado, como depois pude comprovar, após uns minutos  decidi subir. Eram 3:45 e o sol cascava que era o bonito, uns vintitantos graus que com o aquecimento que trazia pareciam quarenta ;-) Aqui cada um ia como podia, meto o 30x24 e que seja o que Deus quiser. Passo as curvas de 19% como posso, quase vomito o que tinha comido, prossigo, muito devagar, tratando de recuperar o fôlego até á curva que precede La Cueña. Aí olhas para cima e o que vês, por muito que o conheças, paralisa-te: como disse Joselu parece uma recta de 45º ...  :- Começo a subir muito devagar, o sol cai a pique, começa o meu CALVARIO de 800m, até que ao chegar ao 22% (?) tenho que pôr pé em terra. A gasolina tinha-se acabado. Esse é o preço que se paga por não me ter alimentado antes:-(Subo a pé até á curva, a 4 km/h e 165 pulsações. Detenho-me para beber, espero um pouco até estar a 120. Monto de novo e prossigo como posso para cima.

Chego ao Aviru, rampas de 18%, e ali tive a "bronca" com os carros que obstaculizavam o andamento. Vê-se que recuperei bem pois pude gritar em plenos pulmões ... ;-) Daí a pouco, cruzo-me com Andrés que já descia. Um carro obriga-o a deter-se, não me vê pese embora tê-lo saudado. Levanto a voz e agora sim, saúda-me. Como um gato de pança empinada, prossigo até a cimo. Uma rampa mais de 17% e já estou no alto. Fui dos últimos a chegar (314 de uns 350 que subiram até Angliru) mas CHEGUEI.

Bebo e com um sorriso de orelha a orelha, desço até Vía Pará. Na curva de 22% está à minha espera o Andrés e continuamos juntos. Chegamos ao Polidesportivo e dizem-nos que os  diplomas serão dados na Praça do Ajuntamento. Alas, a darmos um passeiozito de um quarto de hora ... Voltamos e dizem que estarão daí a 15 minutos ... A hora e meia, começa a orvalhar pelo que decidimos partir. Este foi outro grande ERRO da organização: a demora em confeccionar os diplomas (apontavam os dorsais num papel e desciam-no numa furgoneta), outro; a descida de Tenebreo em PESSIMO estado e o PIOR, o que comentava o Alberto, permitir os domingueiros, e o que é mais grave, que os FAMILIARES dos participantes, estivessem com os seus carros atravessados por Angliru.

Seguramente que deixo muito por comentar, mas daqui da câmara criogénica da restauração não posso fazer mais ... :-) Um dado ainda, ontem pela manhã pesava 65 kg, hoje 62 kg.  Saúdes,

Antonio Alvarez García

publicado por Ubicikrista às 17:31

Já voltei de Angliru e tal como disse o Faco quando foi ele a subir, haverá um antes um depois na minha experiência com a bicicleta.

É duríssimo, tenho minhas dúvidas no que toca a que a inclinação seja de 22%, creio sinceramente que tem mais que isso.

Estou acostumado á sensação das posturas forçadas na bicicleta já que ando muito em Btt e domino-a bem, por isso perece-me muito meritório subir o Angliru com uma bicicleta de estrada e teres a sensação de que a roda dianteira se desprega do alcatrão ao subir, tem que ser muito desagradável. Juntando a isto o facto de que é muito difícil voltar a montar, se te apeias dela com umas travessas de plástico de estrada, já que é difícil voltá-las a enganchar.

Eu não tive nenhum problema para subir com a minha Btt excepto que nem por isso se suaviza a inclinação e há que sofrê-la de igual modo.

Tenho que dizer que não gostei em absoluto do aspecto que oferecia a subida com um monte de veículos empenhados em subir o mesmo tempo que os ciclistas, esta falha da organização considero-a grave, já que quando vais tão mal de forças e concentrado em subir, o que menos necessitas é que haja um domingueiro geringonço que se lhe pare o carro em plena subida, obrigando-te a parar num sitio de que não sabes se vais poder voltar a arrancar. A mim particularmente um deles sacou-me da estrada justamente quando coroava a rampa de 22%. Podeis imaginar a irritação que agarrei quando me obrigou a pôr o pé em terra. Se têm que subir até ali que o façam andando, ou de bicicleta como os demais, e não subir com as sandes e o carrito novo para te "animar e ajudar".

A serra de Aramo é uma verdadeira maravilha para conservar zelosamente. Espero que Riosa e os asturianos consigam que este lugar permaneça a salvo dos domingueiros para bem de todos os que amamos estes lugares.

publicado por Ubicikrista às 17:30


publicado por Ubicikrista às 17:29

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