14 de Maio de 2013

Cada vez mais se vê nas grandes voltas metade do pelotão a abrandar e a fazer o resto da etapa nas calmas mal chega a primeira subida a sério, plagiando descaradamente alguns ciclistas (?) da palmeira, seja no alto da casbarra, à coagro antes da boa morte, no monte pinheiro nas vinhas da fundação eugénio de almeida à saída para reguengos, ou, inédito dos inéditos na recente descida do alto dos cucos (ups, esta não era para dizer porque não vem ao caso, não se trata de uma subida), e sempre antes do km 5.

publicado por Ubicikrista às 01:08

06 de Abril de 2011

CARISMA

O Ricardo Costa é um velho conhecido - jornalsita/ciclista -  destas lides do pedal, mas que infelizmente nunca conhecemos pessoalmente. Já fez mais pelo cicloturismo em portugal do que um dia alguém fará, incluindo as duas federações. Factos:

No fim do verão do ano 2000, quando como colaborador da revista o Mundo do Ciclismo, publicou na secção de cicloturismo que tinha a seu cargo, esta preciosidade que foi uma pedrada no charco das mentes defensoras da estagnação do nosso cicloturismo.

Nos numeros seguintes da revista não se limitou a indicar o caminho do futuro, passou a demonstrar a forma de chegar lá. Como? foi á procura dele e disso, da sua experiencia, ia dando conta, pois entre anúncios obrigatórios de passeios de febras, metia o bedelho e dava conselhos de como nos podemos tornar melhores trepadores, ou como treinar em casa, etc.

publicado por Ubicikrista às 02:08

12 de Fevereiro de 2011

“Só há duas certezas na vida: a morte e os impostos”

Lembram-se das crónicas traduzidas há 12 anos dos Brevets para o paris-nice-paris? Agora é que eles vão arrancar em Portugal no próximo dia 26, daqui a 15 dias portanto com incrições até dia 19, e tudo porque finalmente terminou o maior brevet do mundo, disputado ao longo de quase 10 anos entre serviços do estado. Nesta corrida de bicicletas participaram as equipas dos CTT, instituição bancária, fisco, serviços de saúde, segurança social, apoio domiciliário, GNR, PSP, juízes do tribunal, judiciária e como convidados especiais mais 3 equipas, amigos, vizinhos e familiares, num total de 13. EDP e serviços municipalizados, viram os seus pedidos de participação recusados por insuficiência de elementos.

As regras eram claras para todos: só seriam permitidas movimentações das equipas no pelotão consoante as ações desencadeadas nos respetivos serviços de estado.

publicado por Ubicikrista às 04:25

01 de Outubro de 2009

Excerto da carta enviada pelo nosso leitor Ubicikrista, a proposito do artigo ´No inferno de El Torcal´, que considera dificil de descrever até mesmo lá indo.


"... 500 metros depois acabava a vila e aí meu Amigo é que a porca torce o rabo. Proliferavam escassamente já por ali muitos acompanhantes a dar alento aos ciclistas, do tipo:

- Força que só faltam 10 km.

O Folgas ficou tão animado que desceu da bicicleta imediatamente. Mais tarde viríamos a saber que o incentivo provocara quase o mesmo efeito no Rebocador. O Arreatas, esse, foi por ali acima que nem um leão com uma força moral impressionante. Mas como a força de leão só dura até ao Natal, quero dizer, a algumas centenas de metros até onde as senhoras tinham parado a carrinha, porque a partir daí era perigoso subir com tanta gente que vinha por ali abaixo, já de regresso do Torcal. A sua esperança era um pó milagroso que comprara no dia anterior num hipermercado, para actuar como suporte moral. Tinha um aspecto do tipo de uma lata de natas e que dizia glucose. Foi um espectáculo inolvidável, convido-o Amigo a puxar uma cadeirinha  e a assistir ao filme. È de borla, pago eu. A Luísa - extremosa esposa -  a querer dar-lhe água e ele sem  conseguir falar, dava uns passos para frente e para trás, parecendo encurralado. Tentava sentar-se ou encostar-se à carrinha, após a senhora lhe ter tirado a bicicleta da vista, para o outro lado da valeta. Dois minutos depois cheguei ao local do crime, simultaneamente com o Puto, que já tinha ido lá acima e estava mais fresco que uma alface acabada de ser apanhada do frigorifico. Deveria ser proibido ter esta idade, digo eu. Finalmente o homem conseguiu abrir a boca para gritar:

- O pó, dêem-me o pó. Está aqui homem, retorquiu a companheira!

- E a colher, onde meteste a colher mulher? E pumba, finalmente uma garfada para o bucho, com a colher claro.

A coisa começou a ficar hilariante. A glucose, como era em pó, colou-se à boca seca. O homem tentava respirar pelo nariz, mas o pó não ia para baixo, enquanto os pulmões protestavam em silencio surdo por mais aquele não solicitado sufoco tão agoniante quanto inesperado. Uma desgraça nunca vem só e se ali estivesse o ti Manel, meu pai, decerto diria:

- Não basta a minha mãe estar doente senão o meu pai ainda por cima.

De repente abriu a boca e metade do dito voou direito á porta, que estava aberta, do veículo estacionado, inundando os bancos dianteiros daquela murraça branca. O resto ficou nos cantos da boca a fazer lembrar aquela farinha com que em miúdos colávamos os cromos dos rebuçados, a mesma que as nossas mães nos davam para os destemperos intestinais. Parecia estuque. Felizmente hoje há o extralevure. Garanto-lhe Amigo que se ele não morreu desta, vai passar cá o milénio de certeza.

Mas oiça, o calvário não acaba aqui. O Puto ao ver aquele pai, foi benevolente ao dizer: é fácil até aí à frente onde tens uma recta e depois no fim é que é difícil. Pensei para mim,

- Caramba jovem onde é que apreendeste a ser tão bondoso para um velho moribundo? com que então difícil no fim! Se é no fim não faz mal. Mas é perto, antes ou depois do fim? não será ainda no durante?

O handicap era terrível. Já estava toda a gente a descer. E eu sem a Internet ali a jeito para meter no motor de busca a pergunta sacramental: como se ressuscita um morto?..."

publicado por Ubicikrista às 19:31

Aqui vai a crónica de minha Cicloturista de Angliru.....com certo atraso, porque agora deveria ter enviado a dos Lagos'99. Lá chegará.

A primeira coisa que quero deixar claro é que não estou de acordo com as criticas que se fizeram à organização da II Marcha Cicloturista Sierra de Aramo, Alto de L'Angliru.

Temos que ter em conta que é a segunda edição desta cicloturista, e dado que mudou de organizador,  poder-se-ia dizer que na realidade é como se fosse a primeira (se bem que, é certo que entre todo o pessoal da organização vi pessoas que reconheci da edição anterior, assim sendo alguns certamente tinham experiência). Eu vi muitíssimas melhoras em relação à primeira edição.

Abastecimentos abundantes, tanto sólidos como líquidos (de facto eu acabei com mais comida nos bolsos da camisola, do que a que tinha quando comecei) :-).

O único túnel complicado que há, e que tínhamos que atravessar, até o iluminaram !!!! Flipei-me quando vi isto.

Havia muita gente da organização nos cruzamentos e em lugares complicados (comunicavam entre si por radio), cartazes indicando as curvas perigosas nas descidas, abundantes efectivos da guarda civil, ambulâncias, assistência técnica....

Criticou-se a descida da Mortera (não só entre os da lista, também ouvi gente criticando a marcha), mas é que não havia outro lugar por onde passar...podia-se ter alterado o percurso, mas estou  certo de que todo o mundo preferia fazer o percurso que será final de etapa na Vuelta'99, e para passar desde Riosa, até La Cobertoria a única forma de o fazer é subindo por Mortera (como se fez) ou por Siones (cuja descida se junta com a de Mortera, assim o troço mau não o apanhas). Há outra possibilidade, que é ir até Oviedo, ou até às Caldas, mas isto é inviável por problemas de transito com os automóveis. Além disso estava para  ver o que se teria passado na descida da Mortera se o asfalto não estivesse bom, com os kamikazes que por aí há.

Outra critica que se fez, não aqui, mas sim por pessoal que participou na marcha, é que os travaram, e não os deixaram atacar e irem-se embora na Mortera, que tampouco me parece justo. A organização, desde o inicio advertiu que se reservava o direito de reagrupar. E ainda que em nenhum momento o tenha feito, é lógico que travasse os  “galos” ao principio, para que o pelotão da marcha não se alongasse.

Também se criticou o excesso de carros subindo-baixando na subida para Angliru. Mas disseram-no desde o principio (e varias vezes), que a estrada estava aberta ao transito. Ainda que me pereceu que tentaram que não subisse demasiada gente de carro para cima até Angliru, impondo uma espécie de controle, mas se houve problemas nas subidas com alguns carros, foi por pura irresponsabilidade dos acompanhantes, não creio que a organização tivesse a ver com isso, nem nada para dizer a este respeito. De todas as formas volto a dizer que esta é a segunda edição, e na edição anterior apenas fomos 250, este ano com quase 700 participantes, eram imprevisíveis muitos dos  problemas como os que se encontraram, além disso, já se disse por aqui na lista, que se iria utilizar a marcha como teste, com vista à Vuelta'99. Creio que também anotaram o que ocorreu para que na Volta sejam tomadas as medidas adequadas, e na próxima edição da cicloturista estou certo de que estará ainda melhor.

O tema do atraso com a entrega dos diplomas, tem uma explicação simples: estragou-se-lhes a base de dados. Um problema informático que explica o atraso (e que aqui na lista sabemos todos, mais ou menos, que é uma coisa que desgraçadamente pode acontecer a qualquer um de nós) :-(.Mas os diplomas foram enviados por correio, para casa de cada um).

Quiçá a critica que eu faria à organização, é à hora da partida, porque (sobretudo para as pessoas de fora das Asturias), ao partir tão tarde, termina muito tarde, e depois espera-os uma grande viajem de regresso por a cicloturista ser ao Domingo, pois pode-se tornar bastante duro o regresso de carro (já que na segunda-feira tem que se voltar ao trabalho).

E depois disto tudo, todavia ainda não comecei com a crónica...enfim, isto é o que me lembro  do que aconteceu:

No dia seguinte à marcha tinha um exame, assim na noite anterior estive a estudar, e deitei-me bastante tarde, e mais nervoso pelo exame do que pela cicloturista, pela manhã quando suou o despertador, apaguei-o e voltei a adormecer....mas graça a Deus, despertei de repente, olhei o relógio eram 8:15 (e tinha ficado assente encontrar-me ás 8:30 com o Antonio para que me levasse). Assim, a toda a pressa, tomei o pequeno almoço como pude e preparei-me, desci à rua e já lá estava o Antonio à minha espera. Chegámos a Riosa, e a organização indicou-nos por onde teríamos que ir para estacionar (Riosa é muito pequena), mas tinham facultado um campo de futebol para servir de estacionamento (outro detalhe de boa organização, o que não aconteceu o ano passado). Antes de nos prepararmos definitivamente, abandonamos as bicicletas, e fomos levantar os dorsais. O sitio de recolha dos dorsais tinha sido alterado, seguramente para melhor, mas não era onde eu pensava e que propusera como local de encontro, para ficar a conhecer os ciclolisteros que ainda não conhecíamos, os Asturianos da lista....enfim, o Fernando e o Andres estavam justamente nas escadas que desciam para o Polidesportivo (desde logo o melhor sitio para se esperar...se tivesse sabido), assim, cumprimento-os, trocamos impressões: o Antonio, e o Andres levam carreto para tentar subir até lá acima, eu não, e estou  indeciso (não me importo de pôr pé em terra por não ter mais mudanças), e o Fernando está convencido de que ficará em Via Para (também pelos carretos que leva montados). Quando levantámos o dorsal, apercebemo-nos de que este ano também se sorteia uma bicicleta, que surpresa e que ilusão! Vamos ver se me calha!

Voltamos ao carro, mudamos de roupa, e preparamo-nos (e começo-me a enervar....deve-se ter notado porque o Antonio tenta-me tranquilizar), dirigimo-nos ao Polidesportivo onde já está o Fernando montado na sua bicicleta, e esperamos um bocado para ver se aparece o Andres, mas nem rasto dele, nem de ninguém da Ciclolista que tivesse vindo de fora :-( Assim empreendemos um passeio, pelo sentido oposto até à partida. Ao ver um tipo de um clube de Valladolid, digo-lhe: "O  ano passado estive com um do teu clube nesta cicloturista", olha-me diz: "Foi comigo"....granda corte....e esclarece-me: "Acabo de te reconhecer". (Se leram a minha crónica do ano passado estarão recordados dela....não lhe perguntei o nome, porque sei que é inútil já que me iria esquecer.

Vejo que há varias raparigas. Surpreende-me, porque o ano passado não havia nenhuma, e porque não é normal que compareçam ás cicloturistas duras (devia haver 5 ou 6), e se uma chegou até ao cimo (embora com pedaleira tripla), além disso foi a primeira rapariga em Via Para (a moça deve andar mesmo bem).

Já na praça do ajuntamento, mais ou menos apertados sorteia-se a bicicleta (o sorteio é feito pelo Julio Jimenez "el relojeiro de Avila"....Tinha graça se me saísse a bicicleta, e me fosse dada por um mito do nosso ciclismo, mas não me saiu nem a mim, nem a nenhum de nós....mas saiu a um da cicloturista Expert Llanes...são gente boa...o ano passado foram eles que me tentaram levantar a moral quando estava já em Riosa ao lado do carro). Também estava o Angel Arroyo (mas como participante, na parte final desceu-se da bicicleta na descida da Mortera para acompanhar o acidentado da jornada em ambulância, e depois voltaria para fazer só a subida a Angliru, que fez sem se apear, com ajuda da pedaleira tripla...segundo contou um jornal local). Deram-nos as indicações oportunas para realizar a marcha, advertindo-nos da perigosíssima descida da Mortera ainda em obras, e Julio Jimenez deu a partida:

No principio a estrada é encosta abaixo, e apesar de que a maioria vai bastante depressa eu deixo-me ir, depois chega-se à estrada Nacional, vou junto com o Antonio e o Fernando (o Andres tinhamo-lo perdido), vemos um ou outro furado (tão cedo), passamos ao largo do desvio para Peneruedes (uma montanha a que fomos poupados no que respeita à edição do ano anterior), e chegamos a Soto de Ribera onde começa um troço de rompe pernas, mas como vamos muito devagar nem o noto. Por fim chegamos à subida a Mortera (que é muito mais inclinada que Siones, que está um pouco mais longe, e que vai parar ao mesmo sitio que a de Mortera, e foi a que se subiu o ano passado). De inicio afogo-me um pelinho porque durante toda a semana não fiz exercício :-(,e porque o ritmo do Antonio não é que seja forte, mas tampouco é suave, além disso está muito calor, creio que por culpa da central térmica que há nas proximidades. Pouco a pouco vou ficando melhor bem e já respiro com mais  desafogo. Chegamos lá acima, e ali justamente quando ia começar a descida, tive que pôr o pé em terra para não levar com um carro de uma tipa que estava a seguir o marido, mas que bem que ela está *lixando* os que estavam na complicada descida da Mortera. A descida estava toda inteirinha em obras e era muito perigoso, porque é muito empinado, com troços que andarão muito próximos dos 20%, enquanto descíamos vimos que tinha havido um acidente (já ali estava a ambulância), mas eu não vi muito bem, porque ia concentrado na descida (disseram-me que era um único tipo, o acidentado, e que tinha sangue na cabeça, provavelmente não levava capacete).Já embaixo, ouvi muitas criticas a respeito da descida (é certo que estava em muito mau estado, e que era muito perigosa, mas a única alternativa viável, era fazê-lo em sentido contrario, ainda que duvido que as rodas traseiras tivessem tracção com esta inclinação, e toda a gravilha e terra solta que havia). Desde onde estávamos até à Cobertoria, a estrada picava toda até ao alto, e tínhamos bastante vento de frente, mas íamos muito calmos (20-23km/h) assim como quem não quer a coisa, ainda deixámos (apesar de meu desacordo) abalar um grupo que nos ultrapassou e que ia a 25-27km/h (penso que é o mesmo (o mesmo esforço) ir a mamar na roda a 25-27km/h de um grupo, que ires tu a puxar a 20-23 km/h quando tínhamos o vento de caras), passamos por um túnel muito longo, não iluminado, mas que temos que fazer! SURPRESA! Tinham-no iluminado, pareceu-me um grande requinte da organização. Por fim chegamos ao abastecimento (situado 10km antes do que indicavam os perfis que nos tinham dado). Vimos ali o Andres, embora não tivesse ficado claro se ia à frente ou atrás de nós. O abastecimento é abundante, muito mais que o ano passado, e ao fim e ao cabo ainda não fizemos nenhum desgaste importante (a diferencia em relação ao ano passado é que houve menos comida, e mais dureza antes do abastecimento). Aceitamos a coisa com calma (creio que excessiva), e por fim :-) lá abalamos. Apanhei os sacos de plástico de nós os 4 e fui-os meter numa lixeira, ainda que tenha havido quem as abandonou por ali na zona do abastecimento ...não está certo, mas tampouco esteja muito mal, porque sabem que as pessoas da organização as recolherão. O que está mal foi o que fez um, em que apanhou o saco e atirou-o a 5 ou 7 quilómetros do abastecimento aonde ninguém o irá retirar (não vi ninguém a fazê-lo... telo-ía apertado, mas vi sacos abandonados.... mas há quem o faça, PORCOS). Nalguma subidita da estrada que continuava a empinar até ao alto, o Andres fica para trás, eu sei que não vai mal, suponho que quer ir com calma, muita calma, o Antonio fica à espera dele, e eu comunico isso ao Fernando. O Fernando e eu que íamos "puxando" pelo grupo em o que estávamos, afrouxámos, mas finalmente acabámos por abalar para a frente (eu, enquanto fosse com alguém que me mantivesse num ritmo por debaixo do que as minhas forças me exigiam utilizar, sabia que ia a ir bem). Começámos a subir a Cobertoria e o ritmo do Fernando por momentos pereceu-me excessivo e deixei que se afastasse um pouco (não é que não o pudesse seguir, é que não queria forçar na Cobertoria, queria guardar forças para subir o Angliru...e como não levo pulsómetro, a diferença em relação ao Andres ou ao Antonio é que eu regulo-me por sensações) ...de todas as formas o Fernando vai um bocado aos esticões, e quando se põe de pé distancia-se um pouco, e quando se senta recupero o que me separa dele. Maravilhosa a sensação de ultrapassar as pessoas, não porque sejam todos aqueles os que te passaram. Olhar para baixo da estrada procurando os que vêem por trás, ver que distancia lhe vais metendo pouco a pouco, não os veres e perguntares-te quanto tardarão a chegar ao pé de ti, é uma sensação maravilhosa (a verdade é que tinha apanhado um susto na Cobertoria na minha cicloturista do ano passado, de facto, desde o meu fracasso do ano passado vivia obcecado para voltar a ressarcir-me, e tinha treinado muito nas estradas pelas quais transcorre a marcha, mas não me atrevi em nenhum momento a voltar a subir a Cobertoria, simplesmente tinha-lhe receio). Quando ultrapassávamos algum que ia mal ou muito mal mesmo, recordava-me logo de mim no ano anterior, dava-lhes ânimos (também  passámos uma moça, mas embora fosse muito cascada, vimos muitos tipos que iam pior). Chegámos à parte mais empinada da Cobertoria e notei como me custava já um pouco a subida, comecei a ter sensações de estar a fazer um esforço a sério, assim decidi deixar de lado a hipótese de subir até a Angliru e acelerei um pouco o ritmo, e o Fernando pouco a pouco foi ficando para trás (ainda que não lhe chegue a meter grande distancia em nenhum momento), cheguei à altura onde ia o único tandem da marcha, e justamente quando os passei, estavam a tentar que as mudanças entrassem, e parecia que não lhes entravam, de repente ouvi: CRACK! e um deles disse: "partiu-se a corrente", olhei para trás e vi que tinham caído, por não poderem tirar os pé dos pedais automáticos a tempo e sincronizadamente. Decidi incrementar o ritmo para poder avisar lá mais acima da avaria (já só deviam faltar 700 metros ou menos), e quando cheguei ao alto, deram-me o abastecimento liquido, e avisei-os da avaria do tandem. Daí a pouco chegou o Fernando e voltou-os a avisar. Mais lá para cima havia dois carros da assistência mecânica, e rapidamente desceu um (no jornal  local, li que afinal lograram chegar até ao Angliru, mas que se lhes partiu a corrente 4 vezes! ... pobres ....sobretudo se nas quatro caíram) :-( Depois de hidratar os nossos corpos :-) e de que o Fernando vestisse o impermeável para o presumível frio da descida (até esse momento o dia tinha estado bastante nublado), começamos a parte perigosa da complicada descida da Cobertoria, digo ao Fernando que descartei a possibilidade de subir até ao alto, e diz-me que vai tentar (que de certeza que de seguida dará meia volta, mas que vai tentar), e como leva um 39x25 e eu um 39x26 animo-me a ir tentar com ele... a meio da descida começa a luzir o Sol....a descida termina em Pola de Lena, que atravessamos apenas num minuto a toda a velocidade, eu comi uma barrita energética como pude, e logo que acaba P. de Lena, começamos a Soterrana (ou a Cordal como se queira), passado o primeiro quilómetro damos conta de que o Sol bate muito forte, entre outras coisas porque nos encontramos com outro abastecimento liquido não previsto (outro detalhe de uma boa organização), passada a primeira parte dura, a inclinação suaviza-se, e eu sem me dar conta vou deixando para trás o Fernando e começo a achar que estou fortíssimo, suponho que era do efeito da barrita energética, o caso é que passei um montão de gente, cada vez mais rápido chegando a pôr-me a 18km/h, até onde se volta a empinar seriamente a Cordal.... o Sol dá muito, muito forte, e o ultimo quilómetro torna-se duro, num determinado momento olho para baixo e vejo que uma das pessoas que vou deixando para trás é o tipo de Valladolid (não me dei conta quando o passei) :-} Ufff...Já estou cá no alto....abastecimento solido....eu bebo...e bebo...e bebo....bom, agora tenho que comer qualquer coisa, mas a verdade é que com o calor que faz custa-me comer demasiado. Chega o Fernando também bastante cascado, embora penso que para mim o ultimo quilómetro foi o mais duro. Olho para as horas e vemos que não vamos muito bem de tempo (claro que temos tempo antes do encerramento do controle, mas tampouco se pode dizer que nos sobra uma hora). Fernando dá-se conta de que dali se vê Via Para, e de que estamos à mesma altura (pode ser que um pelinho mais altos), e comentamos que é uma pena ter que descer até Riosa para voltar a estar à mesma altura e somente a poucos quilómetros em linha recta. Meto parte do que não comi nos bolsos, mas como não me cabe todo deixo o resto no saco. E para baixo. Eu passo a descida a pensar no meu exame do dia seguinte, e que já é tarde, e no pouco tempo que vou ter para estudar à tarde. Mesmo assim, continuo com esperanças de chegar até ao alto, enquanto o Fernando, segundo o que me disse, já pôs de lado essa hipótese, porque diz que passou muito mal em Soterrana. Chegamos a Riosa, volto à esquerda e entramos na temida estrada de Angliru. O Fernando disse-me: "Tu atira-te para a frente que eu vou tomar a coisa com muuuuuuuuuita filosofia" :-) mas como eu estava a pensar ir até ao alto, precisamente por isso iria forçar, subimos a 9km/h,e passamos um grupo em que está o já famoso tipo de Valladolid (não devia ter de parado tanto como eu no abastecimento da Soterrana), desta vez sim cumprimento-o e pergunto-lhe se vai até lá acima, disse-me: "O ano passado nem pensei nisso, mas creio que este ano vou tentar.", eu comento-lhe que se calhar também irei tentar, observa-me os carretos que levo e com um gesto de desaprovação diz-me que não vou preparado (ele leva pedaleira tripla).....nos sítios mais duros não me quero pôr de pé para não subir as pulsações, mas noto dores muito fortes nas pernas ao forçar nas subidinhas, e predisponho-me a subir até lá ao alto, volto-me a recordar do exame, de tudo o que tenho que estudar ainda, e do tarde que se me vai fazer se chegar lá acima (eram quase as 15:30....calculo que pelo menos dariam as 17h se pretendesse subir até ao alto, ainda por cima cascado, e com carretos que me obrigariam a fazer muitos troços a pé), assim apesar da dor nas pernas, continuava a manter a chama que tinha ido guardando.... meto o turbo... mas já estávamos quase no final, portanto tampouco fiz demasiadas ultrapassagens:-) e finalmente terminei. Fernando ofereceu-se para me levar de volta a casa, e assim não tenho que esperar pelo Antonio. Depois de uma ligeira conversa com a mulher do Antonio que estava em Via Para, descemos, e encontramo-nos com o Antonio e o Andres que estavam a chegar a Via Para, vinham muito inteiros, assim que de certeza que chegariam até ao alto (como fizeram).Durante o descida chamei a atenção a muitos que desciam muito vivamente, sem nenhum respeito para com as pessoas que subiam.

Eu, mais que muito satisfeito, claro que também, fiquei um pouco vazio.... depois de 1 ano obcecado (literalmente) com esta cicloturista, fiquei um pouco como que desnorteado, já tinha conseguido ressarcir-me, e: "?agora o quê?". Enfim. Terei que procurar outra meta. Por certo que nessa tarde estive a estudar, mas à noite comecei a sentir-me mal, e tive que ir para a cama (tinha queimaduras nas pernas, braços, nuca e cara....não tinha posto creme porque não havia Sol quando partimos, nem parecia previsível que viesse a haver e muito menos tão forte), e muita sede, e dor nos  olhos.... vamos lá, penso que tinha sintomas de uma ligeira insolação.

publicado por Ubicikrista às 17:34

Olá a todos:

Já sei que é um pouco tarde (aproxima-se a edição do ano 2000), mas andei muito enleado esta emana, para me poder concentrar na crónica da cicloturista.

No domingo ás 6:30 da manhã já estava desperto. È muito cedo para me levantar da cama (tinha posto o despertador para uma hora mais tarde), mas depois de 10 minutos dando voltas na mesma, levantei-me. Gastei um pouco do tempo, porque senão ia comer demasiadas horas antes que se desse a partida (ás 10:00, que foram afinal, uns minutos mais). Ás 8:30, mais ou menos, já estava em Riosa, e fui buscar o dorsal. Já andava por ali o Andres. Conversámos um bocado, recolhi o dorsal, e quando chegaram o Antonio e o David, fomo-nos vestir. Na partida estávamos juntos o David, o Antonio e eu, mas o Andres não o vimos. A bicicleta que sorteavam, por suposto, não me tocou a mim. Os  organizadores e a guarda civil não cessaram de recomendar-nos prudência, em especial na descida que estava em obras, e que depois, pudemos comprovar, muito perigosa.

Partimos com algum atraso, e as pessoas já tinham começado a correr. O Antonio, o David e eu começámos a coisa com tranquilidade. Na primeira subida séria, não apertamos. Eu não a conhecia (mas sim o resto das subidas), e não queria deixar o pessoal tão rapidamente. A descida em obras, bastante perigosa, sobretudo, se queres descer depressa. Pergunto-me o que se teria passado se estivesse  bem asfaltada, dado que as velocidades que se pudessem conseguir poderiam tê-la tornado mais perigosa ainda. Terminada a descida, juntamo-nos de novo (tínhamo-nos separado um pouco na descida), o Antonio, o  David e eu, e pomos um ritmozito até ao abastecimento, já tendendo a estrada, para uma certa inclinação. Comemos bem, apesar das pressas do David, e encontramos o Andres, que já se ia embora. Depois de ter-mos comido, retomamos a marcha, já avistando o começo da subida da Cobertoria. David e eu destacamo-nos ligeiramente, e eu (grande erro) começo a subir demasiado depressa (para o meu estado de forma, claro). Os dois últimos quilómetros da subida tornaram-se-me durinhos, e o David destacou-se uns 200 metros. Logo após coroar, o único tandem que havia na marcha teve um problema com a corrente, partiu-se-lhes e foram parar ao chão. No cimo da Cobertoria estava a assistência técnica e avisei-os para que descessem e lhes dessem uma ajuda. Mais tarde pude comprovar que lhes arranjaram a avaria e puderam continuar. Chegado ao cimo, comemos, bebemos, descansámos, e para baixo. A descida é perigosinha, sobretudo tendo em conta que podias encontrar em qualquer momento um carro de frente. A verdade é que não descansei muito na descida, assim é que afrontei a seguinte montanha (La Soterraña) com 500 metros de plano desde o final da descida, e um pouco cansado.

A subida à Soterraña tornou-se-me muito comprida. Não estava à vontade, doíam-me os rins, e recordava-me do desgaste da primeira parte da Cobertoria. La estava o alto, a parte mais dura era no final, e ali ripostei com o meu 39x25 até coroar. De novo, o David esperava-me lá em cima, desta vez deve ter-me sacado uma maior vantagem. Era curiosa a vista que havia dali, dado que se divisava perfeitamente Viapára, a uma altitude similar á que nos encontrávamos. Que pena que tivesse que descer para Riosa para voltar a subir!

Comidos e bebidos (não pensem mal) começámos a descida. Havia algumas curvas feias, que estavam perfeitamente marcadas com cartazes. Chegados a Riosa, e eu, com a firme convicção de não tentar subir mais além de Viapára, começámos a ultima ascensão da jornada. Uns 5 quilómetros fáceis, dentro do possível, nos quais não acusei já tanto o cansaço como na subida anterior. Isso sim, "meti tudo" o que levava desde quase cá de baixo. Ao chegar a Viapára, o David decidiu que não iria tentar subir a segunda parte da ascensão completa, e pôs o turbo. De novo me deixou pregado, ainda que, dado o pouco terreno que faltava, não me sacou muita distancia. Chegados á meta, bebemos, falámos e dispusemo-nos a esperar pelo Antonio e o Andres, que tinham decidido levar a coisa com calma para completar a marcha. Depois de esperar um bocado, e dado que começava a ser tarde para comer (só comi perto das 18:00 desse dia), o David e eu iniciamos o descida até Riosa, para apanhar o carro e voltar para Oviedo. Quase a começar a descida, encontramo-nos com o Antonio e o Andres, que pouco tempo depois iniciariam a ascensão final. O resto da historia já a conhecem.

Em resumo, uma marcha que achei bastante dura pela parvoíce de subir depressa para Cobertoria, quando todavia estava fresco, e sem ter em conta o que ainda estava para vir. Espero que nos Lagos de Covadonga, já que tenho previsto comparecer, não tenha os mesmos problemas.

Para os que haveis aguentado todo o rolo, os meus mais sinceros parabéns.

publicado por Ubicikrista às 17:33

Olá a todos:

Esta é minha crónica da marcha de ontem, que espero que seja curta, pois já é a terceira vez em menos de 2 meses e já estou um pouco farto.

Madruguei muito (ás 8:30 já estava em Riosa) e concentrei-me em todas as furgonetas para ver se alguma tinha matrícula SA para conhecer o J.Ramón e o Juanma. Não pode ser. Que pena não ter concretizado mais. Teríamos conversado algumas coisas sobre Salamanca e as subidas da Sierra de Francia que seguramente conhecereis (El Portillo ou Las Batuecas, La Peña .....)e que eu conheço porque a minha mulher é serrana. Doutra vez será. Nota-se a falta de coordenação do Faco.

Hoje inteiro-me que o Alberto também foi. Certamente que ia numa daquelas 2 furgonetas matrícula de BI ¿ Lembras-te Antonio?

Primeiro encontrei o Fernando e mais tarde o Antonio e o David. O primeiro já vem decidido a terminar em Viapará, o David está indeciso e o Antonio e eu estamos decididos ir dispostos a tudo.

Não nos vemos na partida. Estou  bastante á frente, e tomo uma decisão: pôr o alarme do pulsómetro em 145 e mantê-lo até Viapará. Quero terminar lá no alto. Na subida da primeira montanha sinto muito calor porque levo debaixo uma camisola de manga comprida. Depois da perigosa descida sem asfalto, (vejo duas caídas graves e muitos furos) chego ao primeiro abastecimento donde nos juntamos todos e ali desfaço-me da camisola. Observo as paredes da escola de alpinismo de Aciera, que por varias vezes visitei. O David está inquieto, tem pressa, quiçá já tem decidido retirar-se na primeira meta. Na Cobertoria, ao ritmo do David e do Fernando toca-me o alarme e decidi voltar a acertá-lo.

O Antonio fica comigo e noto-o muito á vontade de forças. Observo a multitude de cumes do maciço de Ubiña que tantas vezes palmilhei: Peña Rueda, Huertos do Diabo..... no alto o Antonio diz-me que não espere, que ele descerá devagar e enceto a descida. Na Soterraña subo sem que o alarme toque e vou esperando que o Antonio me alcance, coisa que faz logo que chego ao abastecimento. Aqui decidi comer pela ultima vez e não parar mais. Subimos controlando até Viapará e pouco antes vemos descer o Fernando e o David. O Antonio diz-me que vai parar para comer. Eu prossigo. Começa a endurecer-se a coisa. Um tipo sentado nas ervas grita-me !! Aonde vais com essa pinta?!! E eu respondo para mim: aonde é que eu irei? aonde tu não irás nunca. Supero a parte de 19% sem grandes problemas excepto a incomodidade dos carros que descem e a desconsideração de alguns ciclistas que também descem. Aproximo-me do pior. Não sei se o conseguirei. O sol aperta. Anseio por um descanso aonde possa deitar um pouco de agua pela cabeça. Não quero olhar para cima. Começo a rampa sentado mas depressa me vejo na necessidade de levantar o cu do selim, antes do que tinha previsto. Vou olhando o chão esperando a zona de Argayo que tem logo a seguir a maior inclinação. Estou a ponto de me descer. Animam-me e aguento como posso. Sento-me e com "alívio" vejo como as pulsações baixam pouco a pouco (175.. 168. 159.. ) Daqui já não me faz descer nem a Guarda Civil. O resto é duro mas comparado com o anterior "fácil". Chego ao plano que precede a descida final e, embora contente sinto-me um pouco inútil, pensando na quantidade de gente que terá chegado, mas quando me dão o posto 291 e pensando que partimos uns 700, não está mal de todo. Espero pelo Antonio, mas como está frio empreendo a descida e cruzo-me com ele em menos de 1 Km. Espero-o em Cobayos para podermos observar a rampa e encetar-mos o regresso ao carro.

publicado por Ubicikrista às 17:32

Olá a todos.

Vou relatar o sucedido de ontem. Fui com o David levantar os dorsais e vimos o Andrés e o Fernando. Procurámos, em vão, a furgoneta branca do José Ramón. Uma pena não o termos encontrado, mas entre 700 participantes é realmente complicado. No sitio da partida, após umas palavras do Julio Jiménez, sorteia-se uma bicicleta de meio quilo, ganhador o dorsal 144: huyyy, tenho o 194, "quase" ... ;-) o afortunado tarda em aparecer, o que provoca um atraso de uma meia hora. Partimos  e de seguida começámos a subir ao Alto de La Mortera, vou "retendo" o David para que não lhe passe o mesmo  do ano anterior, mas resulta que o que vai passado de voltas sou eu. Pese o propósito de me ir reservando, subo às 170  pulsações. É a primeira montanha do dia e eu desperdiçando a gasolina :-(são uns 5 ou 6 km sendo o primeiro e o último os realmente duros. Já no final, encontramo-nos com um carro de Vitoria "atravessado". Porra, se quer ver algum familiar que espere na Vía Pará.

Descida TERRORIFICA por Tenebreo. Terra pisada, com gravilha e pedras, com zonas de 20%. Vamos, quase, quase "a pique" como diriam do tal barco que se afundou.

Descemos com precaução, há vários furados e algumas caídas aparatosas. Diante de nós (Fernando, David e eu) houve uma queda muito má, o homem sangrava da cabeça e estava deitado. Uma ambulância levou-o:-(Eu mesmo, quase levei pela frente um que fez uma travagem, fiz slalom por entre as pedras. Pese a minha torpeza, não caí :-) Passámos o mau bocado dessa descida e reunimo-nos os três. Mais adiante, chegamos ao primeiro abastecimento, espera-nos o Andrés, que tinha saído com os  primeiros. Comemos e perante a insistência do David (tive que tragar a maça e Coca-cola quase de enfiada ;-) retomamos a marcha. Bommmm, tenho que reconhecer que aceitei a coisa com muita calma;-) Formou-se um grupo no qual puxa o Fernando, com o David e eu atrás. O Andrés, sabia o que os esperava e ficou na retaguarda. Na subida da Cobertoria, vendo que o David ia bem acompanhado (o Fernando sabe controlar muito bem) decidi ficar com o Andrés. Novamente subi um pouco saturado, 165-175 pulsações, com um 42x24.

Detenho-me para beber, o Andrés continua. Desço com tranquilidade e começo El Cordal (Soterraña) aqui já ponho o 30x20 e 30x22, tento não me gastar muito mais, para variar volto a subir entre 70 e 80. Mais acima, no abastecimento, está o Andrés. Como alguma coisa, encho os bolsos e descemos. Subimos para Vía Pará, desta vez num ritmo mais de acordo com o que falta percorrer.

Chegamos à primeira metade, e Andrés diz-me que não parará. Eu decido fazê-lo para comer algo, recuperar um pouco e preparar-me para o caso de não chegar lá acima ;-) Justamente antes da linha, cruzamo-nos com o Fernando e o David que regressam a casa. Eles não subiram até ao cimo, por não terem carretos adequados.

Comi demasiado, como depois pude comprovar, após uns minutos  decidi subir. Eram 3:45 e o sol cascava que era o bonito, uns vintitantos graus que com o aquecimento que trazia pareciam quarenta ;-) Aqui cada um ia como podia, meto o 30x24 e que seja o que Deus quiser. Passo as curvas de 19% como posso, quase vomito o que tinha comido, prossigo, muito devagar, tratando de recuperar o fôlego até á curva que precede La Cueña. Aí olhas para cima e o que vês, por muito que o conheças, paralisa-te: como disse Joselu parece uma recta de 45º ...  :- Começo a subir muito devagar, o sol cai a pique, começa o meu CALVARIO de 800m, até que ao chegar ao 22% (?) tenho que pôr pé em terra. A gasolina tinha-se acabado. Esse é o preço que se paga por não me ter alimentado antes:-(Subo a pé até á curva, a 4 km/h e 165 pulsações. Detenho-me para beber, espero um pouco até estar a 120. Monto de novo e prossigo como posso para cima.

Chego ao Aviru, rampas de 18%, e ali tive a "bronca" com os carros que obstaculizavam o andamento. Vê-se que recuperei bem pois pude gritar em plenos pulmões ... ;-) Daí a pouco, cruzo-me com Andrés que já descia. Um carro obriga-o a deter-se, não me vê pese embora tê-lo saudado. Levanto a voz e agora sim, saúda-me. Como um gato de pança empinada, prossigo até a cimo. Uma rampa mais de 17% e já estou no alto. Fui dos últimos a chegar (314 de uns 350 que subiram até Angliru) mas CHEGUEI.

Bebo e com um sorriso de orelha a orelha, desço até Vía Pará. Na curva de 22% está à minha espera o Andrés e continuamos juntos. Chegamos ao Polidesportivo e dizem-nos que os  diplomas serão dados na Praça do Ajuntamento. Alas, a darmos um passeiozito de um quarto de hora ... Voltamos e dizem que estarão daí a 15 minutos ... A hora e meia, começa a orvalhar pelo que decidimos partir. Este foi outro grande ERRO da organização: a demora em confeccionar os diplomas (apontavam os dorsais num papel e desciam-no numa furgoneta), outro; a descida de Tenebreo em PESSIMO estado e o PIOR, o que comentava o Alberto, permitir os domingueiros, e o que é mais grave, que os FAMILIARES dos participantes, estivessem com os seus carros atravessados por Angliru.

Seguramente que deixo muito por comentar, mas daqui da câmara criogénica da restauração não posso fazer mais ... :-) Um dado ainda, ontem pela manhã pesava 65 kg, hoje 62 kg.  Saúdes,

Antonio Alvarez García

publicado por Ubicikrista às 17:31

Já voltei de Angliru e tal como disse o Faco quando foi ele a subir, haverá um antes um depois na minha experiência com a bicicleta.

É duríssimo, tenho minhas dúvidas no que toca a que a inclinação seja de 22%, creio sinceramente que tem mais que isso.

Estou acostumado á sensação das posturas forçadas na bicicleta já que ando muito em Btt e domino-a bem, por isso perece-me muito meritório subir o Angliru com uma bicicleta de estrada e teres a sensação de que a roda dianteira se desprega do alcatrão ao subir, tem que ser muito desagradável. Juntando a isto o facto de que é muito difícil voltar a montar, se te apeias dela com umas travessas de plástico de estrada, já que é difícil voltá-las a enganchar.

Eu não tive nenhum problema para subir com a minha Btt excepto que nem por isso se suaviza a inclinação e há que sofrê-la de igual modo.

Tenho que dizer que não gostei em absoluto do aspecto que oferecia a subida com um monte de veículos empenhados em subir o mesmo tempo que os ciclistas, esta falha da organização considero-a grave, já que quando vais tão mal de forças e concentrado em subir, o que menos necessitas é que haja um domingueiro geringonço que se lhe pare o carro em plena subida, obrigando-te a parar num sitio de que não sabes se vais poder voltar a arrancar. A mim particularmente um deles sacou-me da estrada justamente quando coroava a rampa de 22%. Podeis imaginar a irritação que agarrei quando me obrigou a pôr o pé em terra. Se têm que subir até ali que o façam andando, ou de bicicleta como os demais, e não subir com as sandes e o carrito novo para te "animar e ajudar".

A serra de Aramo é uma verdadeira maravilha para conservar zelosamente. Espero que Riosa e os asturianos consigam que este lugar permaneça a salvo dos domingueiros para bem de todos os que amamos estes lugares.

publicado por Ubicikrista às 17:30


publicado por Ubicikrista às 17:29

Olá a Todos.

Ante as continuas suposições e preocupações por parte de lguns membros da Ciclolista, tenho que desmentir rotundamente que não me passou nada de especial na marcha dos Lagos. E digo nada de especial, porque o que me aconteceu, é o que acontece a qualquer "PARDALITO" na sua primeira marcha organizada.

Como não podia ser de outra maneira, o escrivão pagou a novidade de não se poupar atrás de um grupito, em vez de se pôr a puxar como um burro na 2ª das montanhas, nos troços de ligação, depois do primeiro "abastecimento" e depois da 2ª montanha; e não é que fosse por falta de companhia já que desta vez a representação da Ciclolista foi mais numerosa que a foi junta em Angliru, e estou certo de que eles fizeram o troço do primeiro "abastecimento" ao 2º, mais suave que eu , mas ....

Quando me viram na Huesera estava saboreando a paisagem calmamente porque não podia nem com a alma. E depois de todo o suplicio que é, calcula-se, chegar até o lugar desde de onde se vê o primeiro lago, e após observar que a meta estava situada no segundo , pensei "que me tinha perdido  ali em cima " e pus os pés em polvorosa na direcção contraria.

Por outro lado quero desculpar-me perante todos os que esperastes por mim lá em cima, por não ter conseguido chegar, mas é que estava todo roto.

Gostaria de comentar a enorme desilusão que apanhei nesta marcha (espero que não sejam todas iguais) enquanto à organização. Partindo do principio que se maneja uma quantidade excessiva de gente, gostaria de dizer que se lhes foge do controle deveriam tentar fazer uma marcha de mais qualidade e com menos gente, em vez de reduzir a qualidade da mesma com o único objectivo de encherem os bolsos. Abastecimentos escassos, perfil da marcha terceiro-mundista, nula sinalização de curvas perigosas e de passagens de nível, massificação nos autocarros (creio que deve ter sido o que motivou, a mais que um, voltar a Llanes de bicicleta fazendo 50 Km extras), etc.....

Uma coisa que também me surpreendeu foi ver como eu estando lá em cima entre as 14:00-14:30 e que quando eu baixava já subia a guarda civil, abrindo a estrada com uma fila impensável de carros atrás, quando todavia ainda havia gente a subir lá para trás, e no folheto da organização, estava bem claro que o fecho de controle era às 16:00, e que a estrada estaria cortada ao transito, desde as 11 da manhã até à dita hora.

A verdade é que não sei porque é que me surpreendo, se inclusive foi eliminada a marcha do circuito de ciclismo a fondo por a organização se ter negado a reduzir 500 pts no acto da inscrição aos participantes do dito circuito .

Não sei, crio que para o ano que vem se me passar pela cabeça voltar, o farei sem inscrição, já que não compensa o desembolso de dinheiro com o tratamento recebido.

publicado por Ubicikrista às 16:53

Olá a todos:

Como sempre, dos últimos nisto de enviar a crónica. Como já se contou muito à cerca da marcha, não me estenderei.

Às 5:20 da manhã de sábado, 10 minutos antes de soar o despertador, acordei sozinho e decidi levantar-me para matar o jejum, preparar as ultimas coisas e partir até Llanes (uns 100 Km).

Chego a Llanes perto das 7:30 (gosto sempre de chegar com tempo suficiente), estaciono e vou levantar o dorsal. Ali, encontro-me com Pablo Carcaba, que estava na organização, e dado que
tinha bastante tempo, estivemos na conversa um bocado. Dez minutos antes da hora de encontro estipulada, como uma sanduíche, dado que o desjejum tinha sido já esquecido pelo meu organismo. às 8:30 encontramo-nos no lugar estabelecido e  apresentamo-nos mutuamente os que não nos conhecíamos. A saída é dada pontualmente, e, ainda se falou em ir com calma, mas sai-se num ritmo vivo. Até à primeira subida o terreno é fácil, e vamos mais ou menos todos juntos (os da lista,
entenda-se). Quando começa a subida para Torneria, cada qual sobe com a suas forças (ou vontade de as gastar), e até Llanes não nos voltamos a juntar. A subida é complicada ao principio, com os maiores desníveis, e com muita gente em pelotão, que em muitos casos não te permite progredir. Após passar o topo, paro para fazer um 'xixi' e imediatamente encaro com a descida. Na primeira curva, muito fechada, estão a avisar de que houve uma queda. Um ciclista está espetado numa
rede que a organização colocou para que ninguém saia borda fora num ponto muito complicado. As curvas perigosas não estão marcadas, mas também é verdade, que no alto da montanha há uns cartazes que anunciam uma descida perigosa. A metade da descida livrei-me pelas pontas de uma queda que se deu por dois ciclistas se terem enganchado. Graças a Deus (para os que vínhamos detrás) os ciclistas e as suas bicicletas foram a barreira. Um ou outro, dos que vinham ao meu lado,  deteve-se para os ajudar. Eu segui quando vi que havia gente a parar, pois com o "transito denso" que havia, tinha medo que me batessem.

Chegamos a Llanes, juntamo-nos, comemos e bebemos (o que escassamente a organização tinha disponível) e continuamos. Até chegar à base de Covadonga, já está tudo bem contado como foi. Começámos a subida aos Lagos com calor demais para o meu gosto. Sinto-me bastante bem, mas apesar disso, ponho o desarrolho mínimo que trazia lá de baixo (39x25).

Até à zona de Huesera subo num ritmo aceitável, adiantando malta e saudando alguns conhecidos (entre eles, um do meu clube que tem 70 anos). Quando encaro a Huesera,  modifica-se ligeiramente a paisagem. A gente retorce-se na bicicleta, nalguns casos fazendo zig-zag, o que torna difìcil fazer ultrapassagens. De facto, um deles fez um "zig" demasiado longe e antes de poder fazer o "zag" meteu-se na barreira, com a subsequente queda. Passada a Huesera, e após um "descanso" chegam as curvas de Dua, acho-as acho mais duras que a própria Huesera. Passo-as apertando os dentes, mas sei que imediatamente a seguir vem um descanso daqueles a sério. Mais em cima, na parte do Miradouro da Reina, faço um gesto estranho com uma perna e dá-me uma ameaça de cãibra. Assustei-me um pouco, porque me parecia que ia bem, mas todavia faltava ainda o suficiente para ficar estendido na valeta. Portanto,  tomei a coisa com calma, e dai até à chegada não apertei em mais nenhum momento. No final, posto 908, bastante bom para mim.

O regresso a Llanes já foi narrado perfeitamente pelos demais, assim não insistirei. Agradecer, unicamente, o fabuloso  trabalho do Ramon puxando por nós boa parte do caminho.

Em resumo, um dia fantástico, onde nos juntámos um bom punhado de ciclo-listeros e que fomos capazes de ir uma boa parte do caminho todos juntos (ainda que conversando menos do que tínhamos previsto inicialmente).

publicado por Ubicikrista às 16:52

A partida era às 9 horas, e eu cheguei às 8:55...tive uns problemas com o carro...e por pouco não chego...de facto pensei que não ia chegar a tempo para a partida. Vesti-me rapidamente, e parti. Parti bastante à frente, porque tomei a saída num ponto ligeiramente adiantado do sitio real da partida. Mesmo quando parti já há um bocado que passavam ciclistas....o que se passa é que 3000 ciclistas demoram muito em partir. No principio fui com calma, depois dos problemas por pensar que não chegava a tempo, necessitava  descontrair-me um pouco....e passou-me bastante gente, recordo um que devia fazer culturismo porque cada uma das suas pernas fazia duas das minhas, e os braços igualmente gordinhos como as pernas, e umas costasssss...vamos que o tipo devia consumir uma garrafa de oxigénio nas subidas para alimentar todo aquele músculo, e ainda por cima com o que deve  pesar....o caso é que não o voltei a ver....não sei se o passei sem me dar conta ou então andava mais que eu. Depois já fui acertando um ritmo mais forte, até chegar à primeira dificuldade montanhosa. Ali passei bastante gente, sem demasiados problemas no meio de uma molhada deles  (suponho que por ir bastante à frente, e a molhada por estar a ficar para trás), subestimei a dureza da montanha e no final tornou-se-me mais difícil do que devia, mas não afrouxei, a descida era muito perigosa, com curvas muito fechadas que nem sempre se avistavam, uma grande pendente, e sobretudo um importante precipício. A organização tinha posto no principio da montanha um cartaz indicando que a descida era perigosa, mas não tinha nenhum sinal a avisar das curvas perigosas. Mas colocaram uma rede que impedia que fosses pelo precipício abaixo, eu não assisti a nenhuma queda, mas se há muito maluco, porque alguns passavam-me na descida (normal), mas outros adiantavam-se-me nos momentos complicados fazendo verdadeiras loucuras (e com o risco de irem parar com o corpo ao chão e arrastarem também o meu com eles).....enfim. Perdi um monte de posições na descida. De seguida, quase sem tramite chega-se novamente a Llanes onde estava o primeiro abastecimento (eu diria que o único...porque era o único solido). O abastecimento pareceu-me abundante...sim...sim abundante. É que alguns se queixaram de que era curto. O que se passou foi que para os primeiros, era abundante, mas para os detrás não. Eu ainda apanhei de tudo, mas sem abusar. Sem dúvida que havia alguns garraios que sacavam, sacavam e sacavam....por exemplo davam uns pastelinhos de chocolate (de Dulcesol....esta é para o Pablo Prieto), aos quais não vejo muita utilidade numa cicloturista....mas é que houve uns quantos que tiravam os pastelitos, os tais, e metiam-nos no bolso da camisola (incrível!!! Como se o chocolate não se derretesse....cuá! Como se na camisola lhes fizesse falta chocolatado!). Adiantei-me até ao final do abastecimento e vi uns gordos desses com cesta onde levam pessoas, que estavam de partida...havia um que andava um pouco abananado mas finalmente partiu...eu observava tudo isso, enquanto comia descontraídamente (tinha observado a média e como era de 28km/h supus que a malta da ciclolista andaria lá para trás...assim decidi esperar por eles). Já me tinha cansado de esperar e ia embora quando ouvi a voz do Charly que me saudava...tinha acertado, vinham detrás!) Perguntei-lhe pelos outros e disse-me que vinham atrás dele e do Faco, que andava por ali...de seguida apareceu Faco, e daí a pouco Fernando e Angel (que de inicio não reconheci, tinha-o conhecido o ano passado, mas vestido à paisana). Um pouco mais tarde apareceu Eugenio...e então  Charly que estava muito inquieto e foi-se embora. Perguntei pelo Ramon, embora não o conhece-se, e disseram-me que andaria lá para trás....depois inteirámo-nos de que não... na melhor das hipóteses ia na minha zona, de inicio...não sei. Apercebi-me, através da sua crónica, de que o Eugenio queria Aquarius e não havia....se chega-se a saber dava-lhe do meu bidão ....que não cheguei a terminar, e deixei encetado - (bom, após as "broncas" por não ter aparecido no encontro das 8:30, partimos de novo, o Eugenio pôs-se a acelerar no plano, com alguns relevos do Fernando e meus. Mas quando havia alguma subidita o Faco, que se pica com qualquer serra mínima,  ia para a frente (suponho que não está muito acostumado ao irregular terreno asturiano, porque se andasse habitualmente por aqui não se picaria com estas subiditas)) ....pouco a pouco, com a desculpa de me castigarem por chegar tarde, foram-me deixando puxar a mim, a verdade, é que me apetecia puxar no plano, estava bastante calor e o Sol colava, e isso calha-me  muito bem é no plano....ainda que me custe também subir (suponho que terá a ver com a minha pulsação mais alta que o normal) .... chegámos à segunda montanhazita que é muito alongado e o Faco vai ao meu lado, conversamos um pouco, até que me começam a doer as pernas e decido afrouxar. Faco vai para a dianteira e os outros já se tinham ficado. Na subida e na descida vejo um monte de invólucros de barras energéticas...atirados para ali, o que me chateia bastante...mas não vi ninguém atirar nada...assim guardei a vontade de dar uma bronca a algum porco. A estrada estava fechada, pelo menos no sentido do nosso andamento, e tinha sempre alguém da organização em todos os cruzamentos e caminhos para evitar que se metesse algum carro à estrada....muito bem. Depois da descida aperto para apanhar um grupo grande que tinha ao meu alcance (por certo que nas povoações as pessoas aplaudiam-nos, e as crianças gritavam e tudo....tal como aos profissionais). Pouco a pouco o grupo em que estou vai-se tornando maior, com grupos que vinham por detrás, e como o grupo em que vou vai-se poupando isso facilita as coisas, eu não incrementei o andamento porque deitando uma vista de olhos às caras do pessoal do grupo (aos que íamos na cabeça deste), fiquei convencido de que o que ia pior eu era.... tinha bastantes dores nas pernas, suponho que pagando a factura de ser só a terceira vez que andava em Maio, por culpa dos estudos (no dia 1, prova de 200 km com o C.C.Oviedo, e a cicloturista da Gamonal...tinham sido as minhas outras duas saídas....). Finalmente chegámos a Covadonga onde cheguei com alguma fome...e TCHAN, o abastecimento só é liquido: água ou coca-cola....nada mais. Ao principio não vi ninguém da lista, depois já vi que estavam por ali: Charly, Faco, Angel, Fernando e Eugenio. Quando nos dispusemos a afrontar os lagos (ia ser a minha primeira vez que subia aos lagos, pensei que seria mais ou menos como em Pajares....mas tornou-se-me muito mais difícil, não sei se pelo calor, ou porque é realmente mais difícil...por certo que na Volta'97 Tonkov ganhou em ambas as subidas). Dei-me conta de que estava ali o Javier Murillo...não tinha nem ideia do que ele tinha assistido...assim parei para falar com ele....depois de um intercâmbio de impressões, atire-me para o cimo, com pena de ter ficado sem a possível  companhia dos outros para a subida, o bom disto tudo é que tinha descansado de mais. Ao principio, como as arvores tapavam o sol e estava fresquito, encontrava-me muito bem, ainda ia controlando, mesmo assim doía-me bastante o joelho direito, quando desapareceu a sombra,  faltando já pouco para a Huesera, comecei a afundar-me...a Huesera pensava fazê-la facilmente, dado que  me dou bem com as percentagens bastante pronunciadas, mas não foi assim, justamente no inicio da subida comecei a ouvir latidos a retumbarem-me os tímpanos, e o coração sentia-o a mil à hora (não tenho pulsómetro), isso não era bom sinal para começar a Huesera. A Huesera tornou-se-me eterna...vou cada vez mas devagar, cada vez mais cansado, e mais doido (as pernas doem-me uma barbaridade), sento-me algumas vezes, mas não tenho “pica” sentado, assim tenho que pôr-me de pé para continuar a avançar. A dado momento antes da metade, pergunto a mim mesmo se haverá algum motivo para não pôr o pé em terra como fazem alguns que vão comigo, e não encontro nenhum; Se me lesionar tanto me faz, a minha temporada só dura até Agosto (pelos exames), e se me apear nos Lagos, ficarei com uma espinha cravada de não os ter subido de seguida, e teria que voltar para a fazer tudo à primeira...e não tinha nenhuma vontade de voltar ali....assim olvidei-me de qualquer tentação de me descer. No final assim que oiço a voz do Charly: "Venga David!", Procuro-o de uma mirada como posso, porque tinha os olhos cheios de suor e não via nada com o fita nos olhos, por fim avisto-o, mas não o posso saudar, nem fazer nenhum gesto com a cara...creio que se me estampou o ríctus do sofrimento na cara e não era capaz de o tirar. Já tinha conseguido o nível de concentração que me permitia sofrer a tope (de facto até ao momento em que procurei avistar o Charly não me tinha inteirado de que tinha os olhos cheios de suor). O Charly disse-me algo assim como, “mas que vontade de sofrer que tu tinhas”....suponho que pela minha cara. Recordava as palavras de Javier, que me dissera que passando o Miradouro da Reina já estava feito. Bom, pois quando vais mal isso é mentira! – (Tornou-se-me eterno até ao Mirador....o Miradouro não foi tão difícil como esperava...de facto pareceu-me tão difícil, como tudo o que já fizera, e como tudo o que faltava fazer...realmente tornou-se-me muito difícil...e repetia para mim  mesmo uma e outra vez que não me voltariam a ver por ali...isto ajudava-me a terminar, ou pensar que se conseguisse não teria desculpa para voltar e isso também ajudava.... enfim, no próximo ano logo se verá, mas nas piores altura serviu-me de truque. No final, creio que fiz 1115 ou algo parecido, mas tanto se dá...se me tivesse importado a classificação não tinha parado no primeiro abastecimento e esperado pelos outros. O importante para mim era subir os Lagos na estreia, e fi-lo. A minha média até Covadonga era 27km/h, e lá em cima só 21Km/h ...ou seja uma ascensão patética (na da Gamonal, como referencia, em Soterrana a media era 19'5Km/h, e na Via Para, também 19'5km/h). No cimo vi o Eugenio, e um tipo do CC Oviedo que a organização tinha contratado como massagista, que me viu com as pernas tão atadas ao caminhar, que disse que me dava uma massagem. Depois da massagem recuperadora (no dia seguinte não me doíam nada as pernas), o Eugenio ajeitou-se, e também a ele lhe deram a massagenzita. Depois, quando já íamos a descer vimos os outros da lista, e tirámos fotos. Após as queixas  porque não tinha havido comida no cimo, descemos. Embaixo em Covadonga conheci o Ramon, outro veterano da lista que até agora não tinha tido o gosto de conhecer. Eu fui de carro para casa desde ali, e os outros regressaram de bicicleta a Llanes. Creio que Ramon disse que se nos tivéssemos inscrito, os da lista, como se tratasse de um único clube, teríamos ganho o trofeu do clube mais numeroso, mas não. Nava 2000 participou com mais de 20 ciclistas, e o clube que ganhou esse trofeu levou quase 40....assim não teríamos ganho nem por sombras). De todas as formas, sempre é boa ideia tê-lo em conta para outros eventos cicloturistas em que nos reunamos.

No que respeita à organização....creio que há que dizer umas quantas coisas. Creio que em muitos aspectos a organização deixa muito a desejar, mas não creio que façam negocio com a cicloturista dos Lagos.....o que se passa é que é muito discutível o seu critério de distribuição do dinheiro. Vejamos: Uns 2900 ciclistas a 3000pts a inscrição, perfazem um montante inferior aos 9 milhões de pesetas (54091,09 euros, - desta vez não me equivoquei).

 E os seus gastos: contratar a Guarda Civil para vigiar a estrada, e lhes cortar o transito... custou: Um milhão e meio de pesetas (9015,18 euros). (Os Lagos encerrados desde as 8 :30.... de mal a menos, porque com o dia como estava a subida ia ficar impossível....havia de ter que ver, toda aquela gente que estava em Covadonga, e que tinha ido até ali com a esperança frustrada de subir aos lagos....parque natural convertido em romaria aos fins de semana, quando está bom tempo).

(A organização alugou um hotel inteiro em Llanes durante dois dias para organizar a marcha....dado que eles não são de Lanes, e sim de Nava. Não sei quanto isto custou, mas de certeza que uma burrada.

Creio que têm que pagar algum dinheiro pelos possíveis danos ecológicos que fazem os participantes ao parque natural....supõe-se que para pagar a recolha do lixo??

A petiscada de Llanes (a que eu não fui) custa umas massas....embora todos estejamos de acordo de que o melhor era se a guardassem, gastando mais em abastecimento ou cobrando menos de inscrição.

As pessoas da organização, na sua maior parte, não são do clube, eles participam na prova....e não sei se os toparam, mas tinham conhecimentos, mas muitas, muitas pessoas, com o peito amarelo da organização, em todos os cruzamentos que são muitos...pois bem, creio que lhes pagam algum dinheiro, a esses dos cruzamentos.

Sei que dantes retiravam algum dinheiro que entregavam a uma equipa ciclista de cadetes....mas creio que hoje em dia não retiram um tusta....em qualquer caso è um clube que não cobra nada por se ser membro, assim se se auto financiam por intermédio da prova é porque precisam. Suponho.

Em definitivo, não creio que se encham de ouro graças à prova, mas parece-me muito muito discutível a sua forma de administrar uma quantia tão elevada.

Quanto à assistência medica e mecânica creio que estiveram bem. Uma bicicleta de 2 lugares (tandem) partiu uma roda (???) durante subida aos Lagos e fizeram subir uma roda na moto,
desde Covadonga com bastante celeridade.

Outro tema em que se tocou na C.lista, antes dos Lagos e que deixa rasto, é o de fazer parar os cicloturistas que se escapam logo nas primeiras mudanças. Este ano não os fizeram parar. Chegaram a ter uma diferença de 15 minutos....coloquem-se na situação de qualquer pessoa que quer ou necessita circular pela estrada, mas impedem-lhe a passagem uns cicloturistas que vão fugidos. E essa pessoa fica parada num cruzamento esperando e esperando....e vê que pela estrada não passa ninguém durante quinze minutos....e após esse tempo passam montes de ciclistas, sabe Deus durante quanto tempo (porque não é um pelotão de 200 ciclistas ao todo como numa competição oficial...são quase 3000 cicloturistas com níveis muito distintos)...o mínimo é apanhar uma pilha de nervos tremenda....E o mais engraçado é que, segundo me disseram, desses escapados que chegaram a ter 15' de vantagem o melhor chegou no posto 100. Creio que, se fecham a estrada para os cicloturistas é normal que não consintam fugas....pelo menos até ao final. E não deveriam tê-lo feito este ano.

O tema da lixeira: Deram-me como desculpa para o facto de não haver comida lá no cimo de que as pessoas eram muito porcas (o que é verdade) e atiravam foras todos os invólucros pelo chão, e isso não se pode permitir num parque natural. Mas que parvoíce de desculpa....vamos a ver se não se podem pôr figos, amêndoas, maçãs, etc. De todas as formas no abastecimento de Covadonga davam as garrafas de agua abertas e as de coca também, para que a gente não levasse as taras, uma medida que me pareceu acertada (depois do que tinha visto a seguir ao abastecimento real)....pois não vá a gente, em vez de deixar as garrafas vazias nas mesas, ou nos sacos de lixo (ou inclusive no chão), e as deitam atrás de tudo, num sitio em que havia umas balsas, onde a gente ia mijar...mas não é que as deixassem ali...senão que as lançavam até as balsa...estão a ver os da organização depois a ir por ali adentro das balsas mijadas para recolher a merda que deixam os PORCOS. Tampouco “cacei” algum destes.

E bom...isto é tudo...pelo menos tudo o que se me ocorre agora.

Ciao!

publicado por Ubicikrista às 16:51

Olá a tod@s.

Aqui vai a minha super-crónica sobre a marcha cicloturista dos Lagos celebrada no sábado passado.

Difícil começo teve a jornada, já que tive que me levantar às 5:15 da manhã para poder estar em Llanes antes das 8:30 para levantar o dorsal, e isso tendo dormido mal toda a noite já que por ter que madrugar tanto, fui para a cama sem ter sono suficiente.

Uma vez em Llanes, o objectivo a cumprir na marcha era viver o ambiente no meio de tanta gente (não é só vir às marchas) e subir os Lagos de uma assentada, sem importar o posto na classificação, para o qual tinha a intenção de ir muito devagar sem fazer nenhum desgaste de energias. O dia era de sol e a temperatura agradável, perfeito para a prática do ciclismo.

Mal se deu a partida já o meu companheiro e eu vamos ficando para atrás, embora sem irmos devagar já se nota a diferença das nossas bicicletas para as da F1 (ele leva btt com sligs, e eu híbrida com pneus de 28 e 38). Aos 10 quilómetros chega um momento em que nos encontramos sós, olho para atrás e ao longe só vejo vir uma ambulância (então recordo-me das crónicas que conta a Maria Fuster) e fico na pior: "Vamos, são os últimos". Por sorte ao passar a ambulância todavia ficava mais gente para trás, e esta só se adiantou para socorrer um ferido por queda.

Começámos a subir a Tornería (que por este lado tem outro nome que agora não me lembro) e acuso a mudança de ritmo do plano para inclinado, mas pouco a pouco vou acertando num bom ritmo de subida. Pouco antes de chegar ao alto, lanço um vista de olhos para atrás e vejo ao longe as ambulâncias, e adiante o que suponho ser o resto dos participantes, que não parecem ser muitos. No falso plano que há antes de começar a descida avivo o ritmo e recupero um monte de postos, enquanto muita gente aproveita para pedalar mais descontraidamente. Uns cartazes avisam que a descida é muito perigosa e logo na primeira e mais perigosa curva, um participante estava no chão e que só por mero acaso não tinha ido precipício abaixo, graças a uma rede que impedia a saída. Apesar das precauções realizei uma boa descida ganhando também posições pouco a pouco.

À entrada de Llanes oiço chamarem-me: é o Fernando Alvarez; converso um pouco com ele e pergunto-lhe pelos outros. Surpreende-me que venham para trás. Depois de uma breve paragem no abastecimento continuamos a marcha e daí a pouco o Fernando volta a alcançar-me, desta vez com o Faco e o Eugenio; saudamo-nos e trocamos ânimos mutuamente.

Começa a Robellada e acuso outra vez a mudança de ritmo, mas de seguida recupero a pedalada alegre e, aproveitando-me do meu companheiro, chegamos ao alto, recuperando distancias variadas aos grupos que nos precediam. Na descida juntamo-nos num grupo numeroso, que temos que abandonar quando chega o plano-plano, pois começam-se a sobrecarregar as pernas e não é de mais descontraí-las um pouco, quando só faltam uns 10 quilómetros para chegar a Covadonga. Ali recebo uma grande decepção ao ver que o abastecimento só se compõe de agua e Coca-cola quente (não obstante ter sido avisado pelo Faustino). Enquanto descanso converso um bocado com o David e também trocamos ânimos perante o que nos falta.

Começo a sentir fome e “meto” uma barra energética que me restava do abastecimento de Llanes e sem mais delongas começamos a subida aos Lagos. Vamos muito devagar, não por medo mas sim por respeito.

Desde o principio que levo posto a pedaleira pequena para subir à mesma velocidade do meu companheiro, mas ele empenha-se em ir com o médio, ainda assim vai mais atrancado. Eu, que subo melhor que ele,  proponho-me acompanhá-lo até ao Miradouro da Reina pelo menos, já que sei que o ajuda bastante ver-me a seu lado, e com as minhas constantes palavras de ânimo. Também é de agradecer  todos os ânimos que recebemos do público que se aglutina nos bordos da estrada e o bom humor que exibe boa parte dos participantes, enquanto sobem pendentes de 10%. Chega o sexto quilometro de subida e com ele a temida Huesera. Ali muita gente põe o pé em terra: horror, perigo de contagio! Ainda que vá muito devagar, deixo pessoal para trás em barda; só se me adianta um que vai apoiado na asa da porta de uma ambulância. Todavia ainda não saí da Huesera e já começam a dar-me ameaças de picadas nos joelhos e músculos. Creio que é por ir demasiado devagar, desaproveitando energias. De todos os modos o meu companheiro cada vez está mais longe, assim decido puxar um pouco mais forte até ao Miradouro da Reina e esperá-lo no plano. Justamente antes do Miradouro nas curvas de Dua o espectáculo é todavia mais horrível que na Huesera, e até desmoraliza um pouco fazer esta subidinha tão difícil, quando já temos a Huesera superada e se pode pensar que já passou o pior.

Aproveito o descansozinho no Mirador, para em andamento, tentar massajar um pouco as pernas e para ver se o meu companheiro me alcança, mas este nunca mais chega, assim, decido que a combinação entre a reserva de forças e a dureza dos Lagos exige que cada um suba no seu ritmo. É então que me apanho em condições de conseguir um bom ritmo de subida, e a partir do Mirador, começo a deixar para trás gente e mais gente. Um ou outro volta a adiantar-se-me mas volta a ficar para trás, é que eu vou com o ritmo muito certinho, conheço muito bem a subida, cada curva, cada rampa e sei onde se pode apertar um pouco mais e onde não convém. O que para os outros é um inferno eu chamo-o de lugar (no sei onde aprendi isto mas fica bem, eh ?). Pouco depois de passar a descida do Elefante cruzo-me com o Charly (como pudeste dar a volta tão perto do final?) mas não creio que me tivesse visto, até porque vou de lentes vermelhas. E como se a camisola de montanha desse forças, pouco antes de chegar ao lago Enol  mudo para a pedaleira média (35 dentes) e ainda faltam quase dois quilómetros e ataco já a chegada: tenho as forças necessárias e sei que o posso fazer. Desço junto ao lago esgalhadíssimo, a paisagem é impressionante mas não a admiro, já que quando vais nas últimas forças o mundo reduz-se ao angulo da estrada pela qual circulas (foi o melhor dia, meteorologicamente falando, de todos os que já apanhei nos Lagos, de bicicleta ou não, em toda a minha vida, e fui muitíssimas, mas com o tempo na Asturias, já se sabe...).

Último troço da subida: a estrada está numa miséria, mas para mim é igual. Se se pusesse a chover também seria o mesmo. Só me interessa que estou a chegar e que vou conseguir, e além disso vou bastante bem. Há um que  se pica comigo e ultrapassa-me, mas limpei-o, é que as poucas forças que me restam saem-me em catapulta e obrigam-me a ir muito forte. Afronto a última subida antes da chegada. Aqui decidi gastar-me todo e neste pequeno troço, ainda passo um punhado de colegas: devia fazer mais de uma hora que não chegava ninguém tão forte como eu cheguei, mas quando recebi o cartãozinho com o número de chegada já estavam a começar a dar-me picadas nas pernas. A última grama de energia utilizo-a para desenganchar o pedal à primeira, para não ir ter com o chão. Nesse momento oiço a chamarem-me: são os outros ciclo-listeros que todavia ainda estavam ali, em amigável companhia e com a extraordinária paisagem como fundo (captada nas correspondentes fotografias), parece que o alento se recupera melhor. Todavia transcorre um quarto de hora antes de que chegue o meu companheiro. Trás uma cara de mau aspecto, mas dou-me conta de que deve ser muito parecida com a que eu tinha quando cheguei. Tal como em Covadonga aqui só há agua e Coca-cola.

Enfim, a organização foi bastante forreta, mas o importante foi desfrutar de um bom dia de ciclismo, da companhia na estrada de inúmeros colegas, das estradas cortadas ao transito e da satisfação de rodar por um cenário único, como são os Lagos.

Por certo, fiquei em 1.293, como veies nada do outro mundo, ao contrario do que poderia parecer pelo que lestes mais atrás... 

Saudações de Javier Murillo desde Oviedo.

publicado por Ubicikrista às 16:50

Isto foi o que fizemos: Juanma e eu. Além disso não pensávamos ficar a comer (pelo que contais, não nos atrasámos muito) nem parar nos abastecimentos, ainda que, para ser sincero eu retirei agua no de Llanes e tomei uma Coca-cola na meta (até me deram o número da classificação para melhor poder levantar o diploma).

E quanto à crónica da marcha, creio que só falta a nossa. Partimos mais ou menos no centro do grupo, apesar das queixas de Juanma que queria partir lá à frente, para entrar nalgum grupo rápido. Nos primeiros quilómetros entretemo-nos a ultrapassar pessoal, puxando o Juanma ou pondo-nos à roda de qualquer um que nos ultrapassava, creio que levava as pulsações mais altas que na Huesera. A primeira montanha, subimo-la a bom ritmo, e quase sem dar-mos por isso chegamos de novo a Llanes. Um membro da organização ofereceu-me uma garrafa de agua e parei para encher o bidão. Continuamos imediatamente e outra vez a mesma historia, a toda a gáspea. Entramos num grupo que ia liderado por um fulano tipo locomotiva, e começamos a ultrapassar pessoal. Dá que pensar que ultrapasses tantos ciclistas depois de 35 km. e uma montanha relativamente difícil, quando praticamente, não tinhas abrandado. Na subida à segunda montanha um pastelento dum camião coloca-se entre nós e um grupo numeroso que vai na dianteira. Ultrapasso-o para não ter que suportar o seus maus fumos, mas não consegui a ligação com o grupo seguinte e volta-me a passar. Por sorte o ritmo dos da dianteira não é forte e à segunda consigo desfazer-me do camião. Acaba a montanha e sem mais obstáculos chegamos ao desvio para Covadonga. Pouco antes do começo da subida difícil, paro para fazer as minhas necessidades, e Juanma vai-se embora para fazer a subida cada um a seu ritmo (o dele, evidentemente, mais forte). Já sozinho (ainda rodeado de uma multidão de ciclistas desconhecidos e de público) começo a subir.

Aqui à uns anos já o tinha tentado e então fizera, metade a pé metade andando. Agora pretendo não baixar-me da bicicleta até à meta. Vou controlando as pulsações, sem passar de 160. Numa das curvas oiço o Juanma que me saúda lá do alto, saca-me umas centenas de metros, o que significa que não vou mal de todo. Aproxima-se a Huesera, e não quero nem olhar para a estrada. Começo a subir sem despregar a vista do pulsómetro, que está por cima dos 170. Cada segundo que passa é uma eternidade, mas quando levanto a vista já estou a meio da recta. Um pouco mais e por fim acabou-se.

A seguinte dificuldade, o Miradouro da Reina, preocupa-me menos, as rampas ainda são duras mas é um troço curto e sei que não terei problemas. Adianto-me a ciclistas que avançam andando e vejo a mesmo coisa de sempre dos anos anteriores. Chego à primeira descida, depois à segunda (que não agradeço, pois penso que no regresso as terei que subir) e por fim a meta. Uma Coca-cola à saúde da organização e vamos para baixo, pois Juanma já estava à uns minutos à minha espera.

O regresso até Llanes torna-se difícil, o primeiro troço fazemo-lo com três ciclistas de Baracaldo mas a meio da montanha não posso prosseguir no ritmo deles e Juanma fica à minha espera. Uma vez feita, já é quase tudo descida mas ainda nas poucas subiditas que há arrependo-me um pouco de não ter regressado de autocarro.

Mas todos chegamos e por fim, entramos nas ruas de Llanes. 150 km. e pouco mais de 6 horas sobre a bicicleta. Mudamos de roupa e decidimos partir, pois há que voltar a Salamanca. Pelo caminho continuamos a desfrutar o ciclismo, desta vez como espectadores, pois escutamos a retransmissão do Giro pela radio, que depois desta etapa já parece estar nas mãos de Pantani.

publicado por Ubicikrista às 16:49

Bom, pois agora calha-me a mim contar a minha visão da Cicloturista. Evitarei não insistir no que já ficou dito e abusar nas impressões próprias. Como já assinalei no outro “emilio”, para mim a marcha suporia a estreia em muitas coisas: andar no meio de um pelotão enorme, participar numa prova organizada, subir os Lagos e subir uma montanha de categoria especial (até aqui só subi duas: o Pajares e S. Isidro e não há comparação). Pela minha estrutura física (1,87 e 83 quilos), subir esta montanha tinha um ponto de arrojo e ousadia (o meu sim tinha mérito e não o de "sem pica" como o do Faco).

A historia da marcha até à Basílica já foi contada por outros. Só acrescentarei que me deu muita pena um ou outro acidente que vi. Ainda que não tivesse consequências muito desagradáveis, parecia-me muito penoso que pessoas que tinham feito muitos quilómetros de carro e uma grande preparação, vissem como ia tudo ao ar em poucos quilómetros, devido a um enganchamento da bicicleta. Gostaria  de assinalar sobre este trajecto, que Faco insistia de que estava receoso no que respeita ao tempo que faria na subida, que necessitava de calor. Desta conversação lembrei-me eu  varias vezes, quando um nortenho como eu, que gosta de andar com tempo fresquinho, suava em gotas grandes debaixo de um sol  tremendo, na subida dos Lagos.

Ao começar a subir ia com o respeito que supõe uma subida tão difícil e tão pouco conhecida (de bicicleta) para mim. Mas uma vez que passei as primeiras rampas apanhei o que para mim é um bom ritmo de cruzeiro. Inclusive, permitia-me o luxo !!! numa subida como esta !!!! de ir ultrapassando pessoas. Desgraçadamente passei pelo Charly. Digo desgraçadamente porque isso só pode acontecer se o Charly for realmente mal. Sugeri-lhe que pusesse o capacete (pelo sol), mas a voz do além com que me respondeu, caiu-me como uma espinha difícil de engolir. O problema chegou na Huesera. Subia muito perto do meu limite e preferi parar justamente no final da rampa. Recuperei forças durante três ou quatro minutos e retomei a subida. Fiz bem, porque o resto da subida fui sempre bem, do bem que se pode esperar naquela situação. No final cheguei no posto 1087. O número é o menos. Aqui há seis ou sete anos, quando só andava de bicicleta para sair um pouco nos dias de verão, experimentei subir pela primeira vez a Robellada (montanha incluída nesta marcha) e subia-a mais tempo apeado do que de bicicleta. O meu único objectivo nesta marcha era chegar ao cimo e fi-lo em melhores condições do que esperava.

Como alguém já vos contou (Ramón, he, he) ocorreu-lhe que o percurso era curto e levou-nos a todos de excursão outros 55 quilómetros. A verdade é que ao Ramón lhe sobraram forças e que fez a viagem toda sempre com a mão no travão. (!!! mas oiçam, e o que desfrutou observando a paisagem, quê!!!)

Como podeis imaginar, após a finalização da marcha iniciaram-se as correspondentes actividades complementares, já relatadas por outros ciclolisteros.

Quero assinalar algumas sensações como resumo da marcha:

-          Subir os Lagos, sem carros e sem ruído é realmente impressionante. Chegar de bicicleta às zonas das aguas lá de cima, numa dia de sol e com a neve ao fundo é difícil de esquecer.

-          é uma delicia ("toca-nos" muito diríamos aqui) andar com pessoas como os ciclolisteros quando nos juntamos e que têm claras algumas coisas sobre competitividade, tempos livres, andar de bicicleta, ir para a estrada com amigos, ... (Um exemplo: esperou-se religiosamente, e sem uma única má cara em todos os abastecimentos, não se usaram cotovelos para conseguir postos dianteiros na  partida e manteve-se o grupo sempre unido enquanto isso foi razoável, ...)

-          No próximo ano voltarei!

Uma saudação (especialmente para os ciclolisteros que estão a preparar o Paris-Brest e que agora estarão a caminho de Santiago: Luis, Antonio, !!!Sois uns monstros!!!)

Eugenio M. Zamora

publicado por Ubicikrista às 16:48

Que bom, que bom, que bom, que bom, que bom, que bom, que bom……

Desfrutei como uma criança de todo este fim de semana. Classifico-o de ciclo-gastro-turismo.

A marcha, com as faltas graves das organização típicas. Ou seja:

-          Não tinha Acuarius para todos, só para os 500 primeiros.

-          O trofeu continua a ser entregue aquando do levantar do dorsal.

-          O trofeu é um cacho de chumbo em forma de ciclista magrinho.

-          Os abastecimentos brilham pela ausência de qualidade e quantidade.

-          Etc, etc, etc……

Isto sim, não sei como a organização fez para chegar a acordo com o homem do tempo, e fazer com que retirasse as nuvens e as neblinas do percurso. Suponho que lhe untaram as mãos com o dinheiro que sacaram das inscrições e não o gastaram em mais nada.

Bom, já metidos na marcha. Saímos quase todos juntos e rolamos quase na cauda do pelotão logo à partida. Pouco a pouco vamos avançando postos até que começamos a subir para Tornería. Não tem nada a ver com o ano passado, desta vez subia-se por uma parte muito mais suave.

Já na descida reagrupamo-nos um pouco e encontramo-nos no abastecimento. Depois seguimos até  Robellada e voltamo-nos a desagregar, para nos reagrupar-mos no curto plano até Cangas de Onís.

 No abastecimento de Cangas voltamo-nos a reagrupar e começamos a subir com sorrisos nervosos, tentando recordar a sensação de dureza do ano passado.

Cada um pega no seu ritmo e começámos a subir. Eu como sempre ponho a redutora e começo a subir muito, muito, muito calmo. O grupo alonga-se com cada um à sua maneira. A cada curva sinto-me mais a gosto e começo subir com alegria.

De repente chega a Huesera e começo a sentir essa sensação como quando tudo vai em câmara lenta. A malta começa a retorcer-se no guiador e a fazer caras feias como se lhes tivesse assentado mal o pequeno almoço. Enfim, eu com o meu super carreto e sentado, porque não dizê-lo, ia como um "DEUS".

De longe vejo o Charly que está observando a paisagem dum miradouro da Huesera com a bicicleta ao lado. Na verdade nunca pensei que um tipo com um corpo totalmente inverso ao meu (alto e delgado), se tivesse que descer na Huesera. Pergunto-lhe o que faz parado e diz-me que a observar a paisagem. Inicialmente pensei que estivesse com cãibras, mas daí a pouco pensei que pudesse ser algo pior, porque não o voltei a ver.

Enfim, continuo a subir encontrei-me com o Eugenio que sai da última curva da Huesera empurrado por um tipo. Depois comentou-me que tinha tido alguns problemas.

Depois da dor da Huesera, a do miradouro da Reina e do resto até aos dois Lagos. Estava bastante calor, sem ser excessivo e podia-se ver toda a paisagem.

Já no alto reagrupamo-nos todos e fizemos as fotos com os Lagos em pano de fundo. Vestimos as capas e arrancamos para baixo. Ali, estava já o Ramón que nos esperava à bastante tempo. Então é quando decidimos ir desde Covadonga até Llanes. Isso significava uns 60 quilómetros extras com a subida à Rebolleda pelo lado brando.

No regresso fizemos o restante rolando suavemente, o que pessoalmente agradeci pelas minhas pernas, que ficaram como novas…

Após um pequeno duche fomos "desfrutar" cotoveladas de espenica. Para quem não saiba, chama-se espenica a um banquete de espetanços variados e sidra da terra. Ali, os que mais comiam, eram os mortos de fome dos acompanhantes, que devoravam tudo o que podiam e mais.

Enfim, depois com o Fernando, Eugenio e familiares, fomos beber sidra natural bem escanciada ( aviada). Mais tarde fomos jantar num bom sitio e, depois daqui tomar umas coisitas até que o corpo nos pedisse cama.

Bom e isto é tudo. Muitas obrigado desde aqui a todos os ciclolisteros, que fizeram os Lagos e especialmente ao Eugenio e companhia pela sua disponibilidade.

Vou-me deitar com carinha de anjo depois de ter desfrutado de um inesquecível fim de semana.

Bom, adeus !!!!….

publicado por Ubicikrista às 16:47

Olá,
Voltei dos Lagos e não me doem as pernas. Só isso é uma grande vitoria para mim, porque o ano passado acabei com tanto acido láctico no sangue que andei vários dias a arrastar-me.

Foi o meu segundo ano nos Lagos e, no estilo da Maria, resumo a crónica em três pontos:

1º é uma subida incomparável e, com bom tempo como neste sábado, impressionante, tanto para o ciclista como para o turista.

2º ninguém se faz ciclista da noite para o dia, logo, tenho que treinar muito mais se quero desfrutar a tope das encostas.

3º o Nava 2000 é um clube de jarretas (caras de maus e oportunistas, para os não espanhóis) e sem vergonhas, que usam a ciclomarcha mais chamativa de Espanha para lucrarem. Passo à crónica:

Amanheceu com um dia lindo, espalhado inclusive sobre a serra de Cuera, um maciço kárstico que domina Llanes e que é habito estar tapado de neve.

Na noite de Sexta, o Angel e eu jantámos com o Eugenio e o Charly, e depois reunimo-nos com Ramón, para pôr à prova os últimos nervos antes de irmos dormir.

Meia hora antes da saída juntamo-nos com mais ciclolisteros (José Ramón, Juanma, Fernando) e fizemos as fotos da praxe. O dia convidava ao ciclismo, e eu tinha o dorsal 1012, assim  propus-me (melhor, desejei) fazer um posto inferior ao dorsal (em 98 tinha feito quase 1700).

Saímos calmamente, longe da cabeça, mas algo mais rápidos que o ano passado, e  encaminhámo-nos para a primeira montanha do dia.

Desta vez, subiríamos para Tornería pelo lado suave, atravessando a serra de Cuera pelo sul. A subida era fácil, com apenas uma ou outra rampa mais dura e de seguida cheguei ao cimo, onde já tinha entrado a neblina e fazia fresquito. Para não parar fiz a descida em pelo, sem capa de chuva, mas por ser uma descida rápida e curta não tive tempo de a enfiar, e quando quis dei-me conta de que estava em Llanes, saboreando um miserável abastecimento. Tive a imensa sorte de que uma encantadora moça da organização me desse um Acuarius, mas o Eugenio, que apareceu apenas uns minutos depois, só lhe tocou agua ou coca-cola. Agarrei nuns bolitos, um par de barritas, uns figos, uma banana e segui na marcha, sempre com os mesmos. Juntámo-nos com David, que tinha chegado tarde, e vimos o Javier.

Ainda nos faltam 40 km. até ao desvio para Covadonga, assim, vamos com calma. É uma boa estrada que dispara levemente até ao cimo, atravessando o Desfiladeiro das Cabras e subindo depois para Robellada. Aí foi-se um pouco do meu ar, adiantei-me um pouco porque queria parar para urinar e não queria descolar dos demais ciclist@s. Na zona plana chegando a Cangas parei e demorei o suficiente para que me apanhassem o Fernando, Eugenio e companhia, que vinham como um avião. Tive que pedalar como um louco para os pilhar antes da rotunda da entrada para Covadonga.

Nos poucos quilómetros até a Basílica já quase ninguém fala, ou só há piadas nervosas, porque a malta nota que se aproxima a grande Subida. O abastecimento antes da subida, INAPRESENTAVEL. Estávamos entre os 1000 primeiros e só tinham agua e coca-cola. Não há direito, pagando o que pagamos (3500 ptas/$23) e sabendo que os patrocinadores oferecem boa parte dos abastecimentos, temos que  suportar que o Nava 2000 se encha de dinheiro em vez de se dignar a dar-nos de comer. Com uns nervos descomunais retirei as joelheiras (fazia um calorzinho e não necessitava delas) e empreendi o último troço da marcha.

Passada a Basílica, chego a uma curva à esquerda, que assinala o começo. Olho o relógio para poder contar o tempo, meto a coroa de 25 dentes e abro a camisola até onde posso. Como o dia é magnífico, há muitíssima gente animando-nos, e isso agradece-se muito - é isto talvez, que torna tão especial esta marcha, sobretudo nos primeiros quatro km. de subida, que são muito duros, e onde a paisagem não te distrai porque vais entre árvores. Dá-me muita graça ouvir comentários continuamente, sobre as minhas costas, que as pessoas dirigem à malta.

Subo relativamente confortável, sentado quase todo o tempo, a umas 60 pedaladas por minuto e à volta das 170 pulsações. Vou ultrapassando muita gente, e há dois ou três ciclistas com os que alterno, às vezes passo-os e noutras ocasiões são eles que me passam. Faz um calorzito mas não sufoca, assim vou ao meu gosto (dentro do possível). Por fim, chega a terrível Huesera. O ano passado impressionou-me, mas este pareceu-me pouca coisa. Não é que não seja difícil, que o é, mas depois de Angliru não me parece tanto, e passo-a quase sem me dar conta, inclusive até me parece curta (não tenho dúvidas, é realmente dura, mas a cabeça nem sempre sente o mesmo que as pernas). Dá-me a impressão de que há menos gente que o ano passado, e é fácil ir adiantando aos que vão mais devagar, avisando-os primeiro para que não se atravessem. O meu grande problema é que suo muito, ainda não tenho demasiada sensação de calor (e até levo uma camiseta térmica), e mal posso abrir os olhos. Já não só por estarem nebulosos mas porque me doem, e ficaria encantado se pudesse parar para lavar a cara - é um suplicio, mas por orgulho não me desço da bicicleta.

Passada a Huesera ainda resta uma boa parte dificil, uns dois km., mas creio que os farei sem problemas, se os olhos não me caírem ao chão. Já não me falta muito e oiço que alguém pronuncia o meu nome. "Porra, penso, vou tão mal que os outros já me alcançaram, os tais que deixei para trás desde o principio?" Olho pelo retrovisor e chego a distinguir uma arroba. Não pode ser Angel, que gosta de subir mais devagar que eu, assim tento distinguir-lhe a cara, a ver se o conheço. Quem quer que seja, já acelerou e alcança-me, e então reconheço-o. È Alberto Ibarretxe, o txirrindulari de Bilbau, que dissera que viria só fazer a subida! Baixo um pouco o ritmo e trocamos umas palavras. Ele vai muito confortável, imagino que graças à pedaleira tripla (veio com pneus tipo tractor), mas começo a notar picadas nas pernas e, sobretudo, doem-me os olhos. Aproximamo-nos da última rampa antes do Mirador, que é um ésse terrífico, de 12  a 14%, e tenho medo de chatear as pernas com as cãibras, assim, digo ao Alberto que vou parar um momento e refugio-me debaixo da sombra de um arbusto. Estou a ponto de contraturar o quadricipe, mas finalmente aguenta-se. Tiro os óculos, o capacete, e lavo os olhos com agua do bidão. Que alivio! Tinham-nos dado um pouco de óleo para massajar, que aproveito para untar as coxas generosamente. Devo ter uma aparência infame, mas ao menos os meus olhos descansarão. Coloco o capacete de novo, ponho os óculos e disponho-me  a prosseguir. Um senhor aproxima-se de mim e oferece-se para me ajudar a montar e dar-me um empurrãozito. O mais amavelmente que posso agradeço-lhe e  digo-lhe que não é necessário, que  parei mais pelos olhos que pelas pernas e, efectivamente, subi para a bicicleta, engancho os pedais, e num instante passo a rampa e estou no Miradouro da Reina. Aqui foi onde o ano passado, atascado de frio e com as pernas contraturadas, tive que parar. Tenho um pouco de receio, mas os meus musculuzitos  portam-se bem e continuo a subida tranquilamente.

Pensei que faltava menos, mas ainda faltam uns quilómetros muito pesados até à primeira zona com agua. Continuo sentado quase todo o tempo, desfrutando da paisagem, que o ano passado estava tapada pela neblina, e ultrapassando mais maralha. Não é que vá a assobiar, mas sei que já  passei o pior e que certamente chegarei lá a cima sem mais problemas. Na primeira descida cruzo-me com os que já regressam, alguns jurando em pragas por ter que subir nessa rampa, que deve ser de 10% e que dói bastante, depois de tudo feito. Nova subida, as pessoas  dizem que já não falta quase nada (isso já eu sei, he, he) e descida para o primeiro lago. Bonita paisagem, muita gente, aplaudem e sorrio. Agora já se vêem os cumes, ainda com neve, dos Picos da Europa. Dão vontade de parar para desfrutar da paisagem, mas afronto a última encosta e vejo o lago Enol !QUE BONITOOOO!

Já o conhecia pois subi aqui pela primeira vez há vários anos de carro, mas vê-lo agora, brilhando debaixo do sol, depois de tê-lo "ganhado" subindo na bicicleta, é uma sensação muito emocionante. Por um instante ignorei as centenas de pessoas o meu redor, aos poucos ciclistas que ainda ultrapasso, e sinto-me um privilegiado por poder desfrutar da vida fazendo estas coisas. Passado o transe, chego à meta e dão-me o papelinho. Olho-o com um pouco de medo, porque agora dou-me conta de que queria ficar num bom posto... 854! Que bem. Quase a metade que o ano passado, e subi numa hora e quatro minutos, apesar de ir com algumas cãibras. Estou muito contente e vou a correr beber qualquer coisa. O abastecimento, "magnífico" de novo. Agua e Coca-cola. Continua sem haver a porra de uma bebida isotónica, que é o que melhor nos convém, com o suor que despendemos. Afortunadamente, conservei o bidão que trazia com isotónica para este momento, e poder beber o que mais me apetece. Além disso, como não está demasiado calor, está fresquito e sabe-me a gloria.

De seguida vão chegando os outros e tiramos um monte de fotos. Esperámos para ver se chegava o Charly, mas parece ser que no final algo se passou com ele e não conseguiu chegar cá acima (coisa estranha para um dos heróis de Angliru). Depois de muitas piadas e risos, vestimos os abrigos e começamos a descida. Enquanto passo o primeiro lago, noto logo, que a capa está a mais, assim, paro para o despir e para fazer alguma foto mais, e continuo a descida. Já tinham aberto o transito, ainda não havia muitos carros e pude descer em velocidade de caixão à cova, ultrapassando bastante maralha e, o mais divertido, alguns carros.

Na Basílica reagrupamo-nos todos. Despedimo-nos de alguns e com outros empreendemos o final da aventura: voltar até Llanes de bicicleta (50 km.), para não ter que esperar pelos autocarros que a organização disponibilizou. No principio vou muito animado, mas de seguida noto a factura dos quilómetros anteriores e limito-me a vir na “mama” da roda (quando posso) ou a rolar suavemente. Por sorte apenas há um par de kms serra acima e o resto é deixar deslizar. Ramón é o único que vai bem e tem que esperar por nós, mas os restantes (Angel, Eugenio e eu) deixamo-nos arrastar e só revezamos algumas vezes timidamente.

Já em Llanes, duche e pestisco final. A tarde é dedicada aos Centros de Alto Rendimento de Llanes, nos quais Eugenio se revela bom conhecedor. Graças aos seus saibos conselhos, aceleramos a recuperação mediante substancias permitidas como a sidra, a favada, peixe fresco na tábua e um bom entrecosto de vitela. Um pouco por vergonha desta vez não tiramos fotos e conformamo-nos com uma boa recordação.

Maravilhosa Asturias...

Francisco, desde Madrid.

publicado por Ubicikrista às 16:46

Olá a todos:

Já de volta, vou contar-vos esta, para mim a quarta, Marcha dos Lagos 99.

Por fim a sexta-feira, a excursão apresentava-se com boa cara, depois de quase ter tido que suspendê-la por umas anginas da minha filha, que a retiveram na cama com 39 de febre no dia anterior. Mas como gosta mais de viajar que a uma bebé, e abrigada num casaco de bisonte, veio aos Lagos com 37,5 ºC para se recuperar com o ar das Asturias.

Para a noite de sexta juntámo-nos vários dos ciclolisteros que no dia seguinte iriam atacar a serra: Faco, Angel, Eugenio e eu próprio; para tomarmos umas hortelãs mentol e comentar o percurso e outras marinhagens de ciclista, que mantiveram a minha mulher e a minha filha absolutamente aborrecidas. Em todos os bares e restaurantes de LLanes havia o clássico ambiente ciclista que atrai esta marcha. Recolhemos cedo para preparar as “armas” para o dia seguinte.

Pela manhã juntámo-nos mais ciclolisteros no Polidesportivo, meia hora antes da partida. Sou incapaz de recordar os nomes de todos eles, mas mando-lhes uma saudação. De certeza que se nos inscrevêssemos todos sob a insígnia de ciclistas.org, em vez de pôr cada um o nome do seu clube, teríamos ganho um prémio de participação, era o que devíamos pensar fazer para a marcha dos Puertos de Madrid.

Bem, pois aqui começa a melhor parte...,  fomos para a partida, soa o “sorvete” e lá vamos. Eu não queria ir muito depressa, mas logo à partida já me encontrava a 100 há hora, dentro do grande grupo da cabeça. Lanço um olhar ao pulsómetro e... pânico 170 ppm. Não pode ser, não noto nada de extraordinário... mas é que vamos a 40 km/h. Bom, digo par mim - apanha uma roda boa, descontrai e desfruta.

E a paisagem é para desfrutar imediatamente, circulamos paralelos ao mar, na direcção oeste, com a impressionante cordilheira dos Picos da Europa à nossa esquerda, surgindo os seus cumes entre as nuvens. Mas não há maneira de nos descontrair.... Produz-se um corte e salto com outros dois para tentar apanhar o grupo da dianteira, o que conseguimos sem demasiado esforço. Na cauda deste grupo vejo várias camisolas do Clube da Bota de Sonseca. Que se passa mancebos? Digo-lhes ao passar. Porra, Ramón!... exclama um. Que fazes por aqui, com a “pica” que isto está?... O Caberta e uns quantos mais vão lá mais para a dianteira. Pois eu vou-me a eles com calma – respondo-lhes.

Assim chegamos à primeira montanha, o Alto da Tornería, que por sorte este ano se sobe pela vertente sul, mais suave que pelo norte, por onde subimos o ano passado. Aqui a estrada  estreita-se e empina definitivamente. Esta montanha deve ter uns 5 ou 6 kms. com algumas rampas durinhas e com uma descida espectacular. De cima vê-se directamente a careca dos ciclista que te precedem. É uma sucessão de curvas em seta, lavradas nas laterais da montanha, que está coberta de pastos. A estrada precipita-se ao fundo do vale, é um destes típicos vales dos Picos, que parece não ter saída e tens a sensação de que baixas na vertical, como num elevador, com petiscos que roçam a verticalidade nos quatro pontos cardeais. A subida faço-a bem, com ritmo: 160, 170 ppm... controlando.

De novo voltamos a LLanes, onde está situado o primeiro abastecimento. Já levamos 40 km. e nem dei por isso... apanho só agua e meia banana e continuo.

Outra vez no arrebenta pernas encontro-me a 170 ppm, saltando de um grupo para outro. Isto não pode ser...penso para mim - assim vou chegar feito num fósforo a Covadonga. Começamos a subir o desfiladeiro das Cabras e decido descontrair-me um pouco. Apanho um grupito que vai num ritmo que considero confortável e vou com eles.

Na descida como outra vez. Faz calor, pelo que a hidratação é muito importante -penso- obriguei-me  a beber sorvitos de agua cada 10 minutos mais ou menos. Em seguida organizámo-nos, 4 dos que integram o grupo e pomo-nos a revezar, vamos caçando pessoal que se põe na cauda do grupo sem colaborar nada no puxar... Covadonga está perto e há que guardar reservas. Encontro-me muito bem, e não deixo de entrar nas substituições.

Assim chegamos à rotunda em que se vira para os Picos, a sensação é impressionante. Temos vindo a descer - ladeando por um vale amplo em concha: o que conduz até Cangas, mas aqui a fisionomia altera-se: encaramos frontalmente a montanha e internamo-nos por um vale aconchavado que baixa directamente dela. Vou para a cauda do grupo comer e descansar um pouco.

Uns km. mais adiante aparece a Basílica de Covadonga, com a Santina que os Asturianos veneram e a campa do Rei D.Pelayo, é o aviso do que se avizinha: os 12 km. do que durante anos foi considerada a subida mais temível das voltas ciclistas (agora esse protagonismo mudou-se para L'Angliru).

Passo os restaurantes, curvo à esquerda e já estamos no “palco da festa” um ano mais. Subo os carretos e disponho-me a trepar tranquilamente. Mal se começa, adianta-se-me um grupito do Clube Artevi, também Toledanos. Saudamo-nos e deixo-os ir, que já sei o que há lá em cima e é melhor subir com a psicologia de guia: "Há que subir as montanhas com passo de velho, para chegar com coração de jovem". Alguns km. mais acima encontrei um deles com cãibras.

Assim vou subindo até à Huesera. Esta é uma difícil rampa de uns 800 mts, descarnada e sem curvas, que tem dois sítios fortes de 15% e que em nenhum momento baixa de 12%. A montanha avisa da sua proximidade, já que até chegar a ela vai-se subindo dentro de um frondoso bosque, mas uns metros antes do seu começo as arvores acabam-se. Porque me terá enganado o coração um ano mais - penso -. Um par de curvas antes de começar, pedalo um pouco em ziguezague, para aliviar a musculatura lombar. Vou superando pouco a pouco o desnível. Já estou nos primeiros 15% e ponho-me de pé nos pedais outra vez. Há que subir, esquecendo o que se passa à tua volta. Já está... sento-me e olho o pulsoómetro: 175 ppm, tenho que aliviar um pouco. Chego ao seguinte 15%. outra vez de pé..., passo-o, sento-me e olho o pulsómetro: 180 ppm. Concentro-me em aliviar para poder chegar à rampa do Miradouro da Reina sem passar das 165 ppm. Antes desta rampa, que volta a empinar-se até  15%, há um descançozinho. Consigo descer as pulsações e ataco esta rampa também de pé. “Vamos, vamos que depois há um descanso!...” Animam a pessoas ao pé da estrada. Supero esta rampa e penso que já tenho quase a montanha conquistada. Ainda é cedo para descuidos: faltam ainda uns 5 kms. de subida com varias rampas de 12%. Chego à descidita donde recordo ter visto desaparecer o Pedro Delgado entre a névoa, pela TV, naquele ano em que ficou em terceiro na Vuelta, não sei se ganhou aqui ou se fez segundo. Continuo a subir, completo a rampa que conduz ao Collado, da qual se domina o lago Enol, e dou-me conta de que a montanha recebe-nos hoje com o seu traje de gala: Sol e neve nos cumes... Encaro a última rampa até a meta, entro na zona dos últimos 100 mts, que a organização gradeou, e sprinto como posso: esta é também uma rampa difícil. Olho o céu antes de entrar. Um ano mais pude saudar o majestoso cume de Peña Santa de Castilla, que este ano está coberta de neve, dominando a serenidade do lago Ercina !Guay! - como diria a minha filha.

Cheguei em  622 dos 2.833 que tomámos a saída. Apanho uma coca-cola e agua no abastecimento e abrigo-me. A organização não se esqueceu de levar jornais para nos protegermos do frio na descida, o que é um detalhe de realce. Depois de saborear a minha coca-cola e uma barrita energética, enquanto desfruto a paisagem, empreendo a descida na qual me vou cruzando com muitíssima gente que todavia ainda sobe, alguns a pé na zona da Huesera.

Chego aos autocarros e depois de esperar um bocado aparecem Faco, Angel, Eugenio, David e alguns mais e decidimos voltar para LLanes de bicicleta, em vez de apanhar um autocarro da organização. Assim nas calmas, fazemos os 55 km de regresso. Veio-me mesmo a calhar este regresso, para adquirir forma para enfrentar a Qubrantahuesos. No final o meu ciclo-computador marcava 154 km.

Pela noite juntamo-nos Faco, Angel, Eugenio, sua mulher e a minha e a minha filha, para tomar um copito e celebrar o que de bom  tínhamos vivido. A próxima é os Puertos de Madrid. Vamos ver se o Eugenio se anima, e poderemos ser tão bons guias da zona como ele foi nos Lagos.

Saúde e sorte nas estradas.

Ramón

publicado por Ubicikrista às 16:45




publicado por Ubicikrista às 16:44

RESCALDO

"Velhos ... são os trapos."

Histórico. Todos fizemos Prata na nossa primeira Quebraossos.

Mas para algumas pessoas, a história não passa de um relato de acontecimentos que não aconteceram, contado por alguém que não estava lá. Pois bem: os acontecimentos podem até não ter acontecido, mas nós sem dúvida estávamos lá.

Na primeira parte do Marie Blanque um dos  nossos ainda conseguiu fugir de todos com uma perna às costas - e não apenas ao Fisco, como toda a gente hoje em dia faz - mas os últimos 4 quilómetros morderam mais que os fox terriers do Aleixo.

É que subir não é questão de esteróides. Que ninguém nos oiça: que raio são esteróides? Aquela espécie de satélites? Não, meus queridos: isso são asteróides. Esteróides são umas drogas químicas que mimetizam as hormonas naturais e servem para multiplicar a massa muscular. Não, que disparate, o Zé Canelas da Barraca de Pau nunca os usou.

Com o esforço despendido até chegamos a ferver cá por dentro! Está bem abelha, dizem alguns, mas também há quem diga que, se efervescência resolvesse, o Alka-Seltzer não morria afogado constantemente! È que subir aquelas montanhas foi mais ou menos um dramalhão mexicano - só que verídico e sem siestas nem sombreros.

Ficou-nos, pelas montanhas, uma espécie de atracção fatal. Não, e não é aquela de um filme sobre um homem casado que dá uma facadinha no matrimónio e a queca vira enxaqueca, porque a amante tinha a faca na liga.

publicado por Ubicikrista às 14:10

Olá amigos, hoje é o dia seguinte.

O dia seguinte de um abandono anunciado.

Estive toda a semana passada constipado, e com o corpo que não parecia o meu, por momentos tive a sensação de que a mente era de um 'outro corpo'. Uma estranha sensação.

O dia anterior, ou Sexta, pela tarde acerquei-me de Sabiñánigo para recolher o dorsal, pois Barbastro está só a 100 km. Ali tive uma grande alegria, pois tive a sorte de poder falar um bocado com o nosso Eduardo, Eduardo Chozas 'in person'. Simpatia e amabilidade a rodos, creio que ele também se alegrou de falar com um barrigudo da CicloLista.

Pois bem, depois do paleio para a casinha, jantar de espaguete, copo de vinho tinto, e toca a dormir,... bom para a cama, porque dormi pouco. Uma coisa eram os nervos normais prévios a um grande acontecimento, outra coisa era o meu intestino que, como toda a semana prévia, estava 'revolvido, revolvido'.

Resultado, na manhã seguinte subindo de carro para Sabi, rebentamentos e 'correntes eléctricas' pelo baixo ventre como uma tempestade de verão.

Cheguei a Sabi às 7h, 20m. com mais moral que o Alcoyano, montei-me na bicicleta, vesti-me de 'faena', rodei 10 minutos, e às 8 h. na linha de partida.

IM-PRE-SSIO-NAN-TE, um ano mais, só para estar aí esses momentos vale a pena aproximar-se da Quebra (como disse Alix).

4.000 chalados, altos, baixos, velhos, jovens, barrigudos, estilizados, ... de toda Espanha, todos com a mesma ilusão, a verdade é que ficas com pele de galinha. Por alguma coisa estranha, sentes-te em sintonia com todas estas pessoas desconhecidas para ti. Gratificante como poucas pelas coisas que possas chegar a sentir.

Bem, à grana...

Foguete de saída às 8,29 h e aí acabam-se todos os males, nervos e dores. Com cuidado e arreando a besta.

As pernas ocas, com dores inlocalizáveis, pulsações a mil, a malta ultrapassava-me como as motos (antes de chegar a Jaca, falsas zonas planas - mas mesmo muito falsas - circulando a 45 km/h e o vácuo arrancava-me os autocolantes quando me ultrapassavam...incrível como ia o pessoal este ano).

Voltam as correntes eléctricas e rebentamentos no baixo ventre, o que me leva a pensar numa paragem rápida e urgente...

Não foi preciso, falso alarme.

Chego ao abastecimento de Somport, km 60, 2h 10 m. depois de coronar Somport com picadas e com o orgulho ferido, paro para encher os bidões com Aquaruis e ao pôr pé em terra... as pernas abanam como um pudim.

Sensações de debilidade em todo o corpo, frustrante, depois do que creio, tinha sido uma boa preparação para este dia.

A causa, ¿?..., não tenho nem ideia, ¿ O que é que decido? Pois claro, meia volta e casa, que ainda estou a tempo.

Frustração total, tristeza e desânimo.

Hoje com a mente e o corpo mas relaxado, tiro uma conclusão, há que treinar melhor (mais não posso).

Os apontamentos e os conselhos de Eduardo Chozas também me ajudaram.

publicado por Ubicikrista às 14:09

Olá a todos !!! Agora que tenho um tempinho vou contar-vos a minha primeira participação na Quebrantahuesos que espero repetir todos os anos sucessivamente. Sou um gordinho de fim de semana e o trabalho impede-me de sair a meio da semana. Juntando a isto, que no inverno não pude sair na bicicleta, levava a preparação um bocado atrasada. Comecei a sair em Abril e tive que intensificar os treinos nas três semanas anteriores, com saídas de longa distancia (mais de 150 km) e a meia da semana fazendo rolos. Assim, cheguei aqui com 2100 km de estrada e 1000 de rolos, um pouco à justa, mas como costumo andar mais que os outros, com mais ou menos quilómetros não é problema (deve ser porque tenho 26 anos). Passo a relatar-vos .....

Chego na sexta pela noite ao Hotel, com vontade de pilhar a cama, já que nessa semana por uma razão ou outra deitei-me sempre tarde e queria descansar. Assim, deixo tudo preparado, tomo um bom duche e quando me disponho a ir dormir dou conta de que as pessoas das outras habitações não devem ter sono, dado que através das paredes delgadas se ouvia o pessoal a falar, abrir e fechar portas, e na habitação contígua umas crianças correndo e gritando, os quais teria estrangulado com alguma câmara de ar.... por fim às 00:30 parece acalmar-se tudo e às 6:30 acordo para o pequeno almoço. Ás 7:30 vou recolher o dorsal, volto ao hotel e preparo-me. Ás 8:15 estava na partida com uma quantidade impressionante de ciclistas à frente. Dão a ordem de partida em menos de um foguete e pomo-nos em marcha. A longa fila é impressionante, algo me diz que se quero avançar posições vai-me custar muito, pois tenho que me ir esquivando dos mais lentos. Ao mudar para a pedaleira grande sai-me a corrente da rodinha traseira e faz um ruído, pelo que tenho que parar e metê-la com um desmonta, isto acontece-me 3 vezes em poucos quilómetros (depois já não aconteceria). Assim as 3 paragens sucessivas fazem-me perder muitas posições, tento prosseguir recuperando posições e como os grupos se vão fraccionando com o vento,  sou obrigado a ir saltando de grupo em grupo com o vento de caras. A estrada é plana, com algumas subiditas e descidas até que a uns quilómetros antes de Canfranc começa a empinar, o ventinho gelado arrefece-me demasiado as pernas (ando muito melhor com calor) e na subida de Somport noto que a velocidade a que subo, 15 ou 16 km/h, é muito baixa para o que deveria ser, devido decerto ao frio e ao vento. Assim decido ir andando sem forçar em excesso (por precaução). De todas as formas continuo a ultrapassar pessoal e chego ao cimo de Somport. Descemos por uma estrada, que, pelo que me contaram, não era habitual (por isso nos diplomas retiraram a todos 20 minutos) que estava cheia de terra e gravilha solta. Assim mais vale prevenir...... e mãos ao travão, mas no de trás nem pensar em lhe tocar nas curvas. Após 2 km de descida estava o abastecimento, paro para atestar de bebida isotónica e apanho alguma fruta. Procuro a bicicleta por onde a havia deixado, prosseguindo com a descida com bastante cuidado e vejo membros da organização com bandeiras indicando onde há mais perigo. Nesta questão, está bastante bem a organização. Pouco depois melhora a estrada e lanço-me mais alegremente até abaixo, e já no plano alcanço um grupo que se tinha formado e chegamos à curva onde começa a estrada até ao Marie Blanque. A temperatura tinha subido um pouco e faz com que eu vá mais à vontade. Como os primeiros quilómetros são bastante estendidos levo uma boa velocidade, continuo  a passar gente como posso pela estrada estreita. Quando faltam 4 quilómetros começa o mais difícil, apanho alguns da minha cor clubista (Zarabici) e converso um pouco com eles. Como vejo que tenho forças continuo para a frente. Ainda faltam os 2 últimos km que me custam a engolir um bocado, baixo o ritmo para não sobrecarregar muito os rins. 2 km mais abaixo, depois do cimo, encontra-se o abastecimento que não ignoro e depois até desço com vontade de mais subida. No plano junto-me com um grupito e aceleramos até às primeiras rampas, como estou de bom tom decido prosseguir num bom andamento e continuo a ultrapassar pessoal até ao seguinte abastecimento de Artouste, donde apanho mais bebida isotónica e algum pastelinho. Retomo a subida, e acho-a muito fácil até aos últimos 5 km, donde se torna mais custosa, então dou conta que levava um bidão daqueles grandes cheio de agua e que não lhe toquei durante todo o dia, e despejo-o. Levo um ritmo bastante irregular, até que nos últimos km alguém me pergunta se estou a fazer séries. Xexé!. Acabo a subida e começa a descida com umas curvas bastante largas, onde alcanço a máxima velocidade do dia 89.1 e para que não me falte nada, paro outra vez no abastecimento de Formigal (no total de todos os abastecimentos parei mais de 20 minutos) e continua-se a descer por uma estrada bastante estreita e complicada até que viramos à esquerda para apanhar a estrada até o alto de Hoz, que pelas suas duras rampas de 2 km, passamo-lo como podemos, eu e os do grupito em que ia metido, com o incomodo de um ou outro carro que se tinha metido por ali, apesar da estrada ter sido vedada ao transito automóvel. Alcançado o cimo, lançamo-nos até lá abaixo com certa precaução e uma vez na estrada principal reagrupamo-nos uns quantos e aceleramos até à meta, mas quanto ao grupo é um desastre total, já que ou se dão esticões ou ninguém puxa, até que por fim encaramos com a subida final e entregamos o dorsal. No final fiz um tempo de 7:52 ( 7:32 no diploma), pelo tempo gasto suponho que cheguei no mesmo grupo de Ramón, é pena que não nos conhecêssemos antes, eu ia com uma capa de vento tipo colete cinzento e verde. Claro que na meta me desfiz de todos os invólucros do que tinha comido. No final diverti-me bastante e fiquei com vontade de mais, assim no ano que vem volto com lugar marcado, além demais com a experiência deste ano é de tentar fazer um bom tempo no próximo.

Nem mais, um abraço a todosssss.

publicado por Ubicikrista às 14:08

Mas que bem que se “anda” pelos Pirineus !!!!!!!!! Mas nada comparado com o ano passado.

Começo a minha crónica:

Viajo na sexta desde Madrid até Saragoça, donde me esperam uns amigos e com eles subo até Sabiñánigo para levantar o dorsal e o resto.

Após um tumulto de pessoas e uma fila como as que se fazem no Iémen, deparo-me com o Eduardo Chozas. Acerco-me, cumprimento-o e pergunto-lhe se viu alguém da CicloLista. Eduardo disse-me que sim, mas não me sabe dizer quem.

Ao longe vejo que há fotos do ano passado. Tento encontrar-me, mas não me acho em nenhuma.

Bom, depois disto vamos jantar e dormir em Villanua.

O albergue onde estávamos instalados é bastante acolhedor. Já o conhecia do ano passado ao fazer cicloturismo com mochila. O único problema é que temos que dormir com outras pessoas. A nós tocou-nos dormir com dois Bascos, que dormiam emitindo ruídos pelo nariz, pelo que não pudémos dormir muito.

Enfim. Na manhã seguinte levantamo-nos às 6:30, tomamos o pequeno almoço e descemos para Sabiñánigo.

Na partida muita emoção e muitos nervos. Imaginem 4.000 pessoas contagiando-se mutuamente dos nervos. Por isso, quando soa o “foguetão” começas a ouvir uma avalanche de molas de encaixe, que vem desde a primeira linha de partida e se prolonga até ao final.

Parece que alguém grita!!! O ultimo é maricas!!!. Sai-se a todo o gás.

Entre Sabiñánigo e Jaca podem-se alcançar velocidades de mais de 40 quilómetros hora no plano. Parece que ninguém se lembra que todavia ainda faltam cerca de 200 quilómetros. Porém é o único terreno onde se pode fazer corridas na marcha.

Quando começamos a subir desde Jaca encontramo-nos com um vento de frente de tombar, e acentua-se quando passamos Villanua para começar a subir o Somport. Este ano fizeram uma variação no percurso e obrigaram-nos passar nos arredores de Candanchú.

Depois uma descida de 30 quilómetros intermináveis. Na primeira parte o chão estava cheio de gravilha, que a alguns obriga a travar e a outros até a caírem. Uma pessoa até se passa descer tantos quilómetros seguidos.

Mais tarde começámos a subir o Marie Blanque. Recordo-o do ano passado como uma montanha dolorosa, devido ao calor. A temperatura na base da montanha é agradável, e ainda está bastante nublado. Pouco a pouco e poupando-nos muito, avançamos até à parte durinha, donde podemos encontrar, a andar a pé, aqueles que não pensaram nas mudanças. Eu, com a minha pedaleira tripla e o 26 atrás subo confortávelmente sentado na parte de atrás de selim. Alguns pensarão que é um exagero, mas  movê-lo a mais de 65 pedaladas faz-te subir tal como um colchão de espuma.

Já na chegada ao abastecimento, no prado da descida de Marie Blanque, paro para comer alguma coisa, reencher os bidões e pôr os manguitos. Lanço-me a esgalhar pelo Marie Banque, com as suas pequenas curvas (o Faco gostaria bastante desta montanha) e chegamos ao plano, em que por sorte o vento sopra a favor.

Em menos de nada começamos a subir o Portalet. Ponho-me à vontade, tiro o capacete e ato-o ao guiador e começo a subir com toda a parcimónia deste mundo. O pessoal começa-me a ultrapassar como loucos. Depois com o meu andar de tartaruga viria a alcançar muitos deles.  A meio da montanha outro abastecimento, e depois uma zona bonita donde se abre o vale e podes admirar toda sua formosura. Nada se compara ao calvário do ano passado. Dá-me vontade de apertar um pouco mais e de subir mais rápido. Mas penso no que ainda falta e não me vou esgotar para nada. Por fim, vão passando os quilómetros e chegamos até ao cimo. Este ano temos o abastecimento em Formigal.

Descer o Portalet é um passo. É uma descida prolongada com curvas muito abertas. Tipo Navacerrada mas côncavo. Logrei atingir 85 por hora. Há pessoal que até ultrapassou isto, mas não sei como.
Bom, quando estou a descer mesmo a gosto, fazem-me sinais de que me meta à esquerda para entrar em Formigal. Atravesso a povoação sem parar no abastecimento e à saída encontro um par de cabeços que me fizeram recordar os pais dos tipos da organização.

Bom, incorporamo-nos de novo à estrada e voltamos a meter à esquerda para subir até Hoz. Não é uma montanha muito exagerada em relação ao que já subimos, mas as pernas vão pesando. Hoz faz-se como se pode e começamos a descida a esbarrondar até Sabiñánigo. Por sorte temos o vento a favor, com o qual se rola a todo o gás. Mais ainda se vais com algum grupito de tipo canhão.

Após uma longa zona plana entramos na meta. Claro que a chegada está numa subida pelo que a entrada às vezes é até espectacular. Todo o mundo com a pedaleira grande metida e sprintando como se nos fossem a bater por detrás.

É muito emocionante entrar quando toda a gente te está a aplaudir. A mim escapou-se-me alguma lagrimita. Só me aconteceu ter sido assim recebido em duas vezes, uma nos Lagos este ano, e outra na Quebrantahuesos do ano passado.

Já na meta olho o cronómetro vejo que realizei 9:36 minutos. Não está mal, mas no próximo ano de certeza que faço prata. Quando vou recolher o diploma e a medalha, comunicam-me que nos descontaram 20 minutos devido ao desvio de Formigal. Assim totalizei 9:16. Justamente uma hora menos do que o ano passado.

Sendo assim muito bem, muito bem, muito bem mesmo.....

Depois para a coisa ficar completa, encontro uma foto que me fizeram que vale 300 pesetas, na qual fiquei muito giro coroando o Marie Blanque. Muito giro porque parece que não estou tão gordo como nas fotos que o Faco faz. Assim sendo, claro que a comprei e tenho-a aqui em casa.

Para mais enfeite, vou a um bar tomar umas canhas com um amigo de Saragoça e aparece o Eduardo Chozas com o seu filho. Senta-se o meu lado, começamos a falar da marcha e convida-nos a outra ronda.

Para que saibam, o Eduardo na actualidade é um cicloturista mais. Sabe muito mais que nós, mas pode-se falar muito bem com ele. É um tipo de homem com que gostaria de me cruzar mais de uma vez, e não tão só por a canhas [Credo! Não há modo de «arreglar» a frase].

É uma companhia muito grata.....

Isto é tudo amigos !!!!!.

Vamos ver se para a próxima QH nos divertimos mais.......

publicado por Ubicikrista às 14:07

Passou quase uma semana e todavia não me saiu o sorriso de satisfação da cara, pelo objectivo cumprido de ter acabado a Quebrantahuesos 99. Se me tivessem dito aqui à três anos, quando para mim era uma façanha ver três algarismos no conta quilómetros, que viria a ser capaz de enfrentar mais de 200 quilómetros com três montanhaços, teria pensado que me estavam a gozar.

Não me vou alongar muito porque ando muito mal de tempo. Estou a preparar uma tese e não tenho tempo nem de ler as mensagens (tenho mais de 200 pendentes para ler), assim saltarei a parte social, que já foi relatada pelo Ramón (a quem agradeço extremamente os conselhos dados, que me foram de grande utilidade para levar a bom porto a Marcha) e os aspectos que já foram comentados pelos demais participantes, e para não ser repetitivo.

A impressão geral depois de ter chegado ao fim, é de que a Quebrantahuesos pelo direito que lhe assiste é "a nata da nata" do cicloturismo, e diria que até do ciclodesportismo espanhol. Como disse o Angel, daqui ou se sai maricas ou último. Fui ultrapassado por tipos e pelotões durante a primeira hora de corrida que iam como se fossem fazer um percurso de 50 quilómetros, não obstante ter na 1ª hora sacado uma media de 33.

O resto do percurso passei-o a ultrapassar pessoas, o que me leva a concluir de que há muitos que começam a corrida por cima das suas possibilidades.

A beleza do percurso é digna de destacar. O Marie Blanque é difícil, mas com o meu 39 x 26 pude toureá-lo [no original: "capear lo"] com êxito. Isto porque a foto que me fizeram foi um barrete lamentável, toda sumida, nem vos digo que me a ofereceram. Pareceu especialmente bela a paisagem de Portalet,  e lanço-me no propósito de voltar como turista para desfrutar de tão estupendo local.

Fui toda a etapa com a intenção de que tinha possibilidades de entrar em tempo de medalha de ouro, mas como não tinha referencias, ao contrario da maioria, por ser a primeira vez que participava, não tive claro, até quase ao final, as possibilidades que pensava ter.

Aguentei muito bem a quilometragem e as montanhas, incluindo a pontinha do cabeço de Hoz; mas quando chegamos ao cartaz que indicava 3 quilómetros para o final, num grupo de uns 50 tipos, sofro contraturas nas duas pernas à vez, e tive que baixar o ritmo deixando escapar todo o grupelho. Deu-me uma raiva tão grande, porque segundo os meus cálculos ia muito à justa para poder entrar em tempo de medalha de ouro. Tinha que chegar antes das 16'25 e cheguei às 16'29 com a qual acabei contente mas com uma pequena frustração por ter perdido a oportunidade de sacar o Ouro tão só por 4 minutos.

Afinal, como já foi comentado bonificaram-nos em 20 minutos, e o meu tempo oficial foi de 7H 39' com o qual em vez de me faltarem 4 minutos, sobraram-me 16 para conseguir a medalha de ouro. Não queria acreditar, estava exultante. A minha primeira participação na Quebrantahuesos e  tinha conseguido o objectivo com bónus.

Para finalizar, seria injusto não dedicar um espaço à Organização. Exemplar em todos os aspectos. Os abastecimentos fenomenais, tanto em quantidade como em qualidade, como em organização. A sinalização perfeita. A assistência sensacional. Pareceu-me incrível como puderam controlar uma Marcha de quase 4000 tipos sem que fosse um caos organizativo. CHAPÉU para os membros de Edelweiss.

Eu! Pois no final da mini crónica, nada mais tenho a acrescentar. Mas é que voltar a recordar a jornada de sábado 19 de Junho de 1999, produz-me uma emoção difícil de dissimular.

Recomendo àqueles que possam permitir-se o luxo (para mim é) de se prepararem e treinarem, para enfrentar semelhante percurso, que o façam. A satisfação de objectivo cumprido é indescritível.

Saúdo todos e felizes pedaladas.

publicado por Ubicikrista às 14:06

publicado por Ubicikrista às 14:04

PERFIL DA PROVA

A saída será às 8:30 (7:30 em Portugal) da manhã na avenida de Huesca, no centro da localidade Oscense de Sabiñánigo. Esta marcha é sem dúvida a rainha do Circuito e do cicloturismo espanhol. Quebrantahuessos converteu-se num nome mítico para os amantes do cicloturismo, um encontro obrigatório para quem queira doutorar-se em ciclismo, já que deverá superar um repto digno e igual ao Tour de França. O seu percurso, duro mas atractivo e em pleno Pirenéus, a sua admirável organização e o ambiente que nela se respira, convertem-na na melhor marcha e na mais esperada por todos os cicloturistas.

No ano passado (2008) foram quase 4000 mil os participantes numa das edições mais duras que há memória devido à onda de calor que os esperava. Noutros anos foi o frio e a neve que dificultou o já de si difícil traçado. Muitos cicloturistas justificam a sua temporada com “culminar" uma boa actuação na QuebraOssos para poder contar que um dia subiram numa mesma jornada o pico de Somport, Marie Blanque, Portalet e Hoz. Costuma-se dizer que até ao cimo de Somport, dentro do possível, chega-se bem, as pernas estão relativamente frescas e a vontade (ânimo) é muita...

Se houver alguém que todavia não conheça o traçado da Quebrantahuessos e tem em mente acudir no próximo dia 19 de junho (de 1999) a Sabiñánigo há que dizer que nos 205 km se enfrentará com 4 montanhas. O primeiro, El Somport, não possui grandes dificuldades, são 16 km de rampas com um desnível médio de cerca de 5%. Os organizadores calculam um tempo entre 50 a 60 minutos para esta ascensão até aos 1.632 metros de altitude.

Talvez o mais complicado seja circular num pelotão até se darem os primeiros cortes. Após passar a fronteira com a França lá no alto e depois de uma larga descida e rectas, começa a montanha mais complicada do dia, o Col de La Marie Blanque (semelhante ao Torcal mas sem a recta).

São uns 9 km no total mas os 4 últimos valem por muitas outras montanhas já que tem um desnível médio de cerca de 12 % e são várias as paredes com 15%. De novo se calcula entre 50 e 60 minutos para levar a cabo esta duríssima ascensão. Resta dizer que à que levar um carreto com dentes leves, já que além da dureza deste pico há que ter em conta que todavia nos faltam quase 100 km até à meta e com outras subidas pelo caminho, e o primeiro pensamento que passa pela cabeça da maioria dos participantes é “que faço eu aqui? Se todavia falta metade".

Após completar o Marie Blanque, desceremos (sem duvida para muitos, descer custa mais que subir, e, grande erro, a palavra descenso pode ser confundida com descanso, e decerto que esse relaxar se paga) até ao vale, para nos aproximar-mos do povoado de Laruns e iniciar o Col del Portalet.

As sua rampas não são em geral muito duras, mas no total são 29 km a subir, com um desnível médio de 4,4%, o que supõe mais de 2 horas de ascensão para a maioria dos participantes e entre 1 hora e 1 h 45 m para os melhores. Isto faz com que seja fácil apanhar com uma boa “pássara” nesta parte da marcha, pelo que é essencial ter comido bem antes de começar a subida e ter feito uma paragem no abastecimento da zona plana de Artouste, a metade da subida.

Já no alto, cruzamos de novo a fronteira para iniciar uma fácil descida até ao cruzamento que nos conduz à ultima dificuldade do dia, a curta mas difícil subida ao Alto de Hoz que é uma aldeia que tem 2 km. de subida com um desnível de 10 %, sendo o tempo aproximado de subida de 15 a 20 minutos.

 

Por fim, após alcançado, só nos resta deslizar para chegar à animada linha de meta e poder relaxar-nos com uma reparadora massagem, além de outras comodidades, um prato de macarrão e uma entretida conversa com os nossos companheiros.

 

Se és dos que gostam de dar gáspea, a Quebrantahuessos permite explorar a tope as tuas prestações desportivas. Se preferes rodar mais tranquilo o objectivo deve ser simplesmente completar o percurso. Seja qual for a tua preferencia não sairás defraudado de Sabiñánigo. Desfrutarás.

publicado por Ubicikrista às 14:02

Introdução

"Quando sou boa, sou muito boa, mas

quando sou má, sou ainda melhor"

Depois da experiência insatisfatória, para alguns, do Torcal, aguardávamos com alguma expectativa esta prova. O treino máximo que fizéramos rondara os 200 km e passava pela Amareleja, Alqueva e Viana. Alguns de nós quebrara-mos por altura dos 170 mas nesse dia estava um calor infernal.

Como havia condicionados pelos pontos [dois de nós tinham que terminar uma das provas, pelo ponto de atraso no Torcal], a estratégia antecipadamente decidida, foi de irmos com calma e se fosse mau de mais, desistiríamos e guardaríamos as forças para a prova do dia seguinte.

Momentos antes da partida, ao ver-mos aquele mar de gente lembrei-me logo dum patrício que ao entrar num restaurante, reclamou: «Não admira que ninguém venha aqui, está sempre cheio!»

Vamos ver se teremos peito para coronar três montanhas de 1ª categoria e uma de 2ª. Ficam desde já a saber que coronar é chegar lá acima ao topo, à coroa da montanha: uma coisa simples como resmungou Juan Carlos, o pai de uma das filhas mais feias de Península Ibérica, ao recusar-se a ser coroado oficialmente: «Gaita, uma coroa é apenas um chapéu que deixa passar a chuva».

publicado por Ubicikrista às 14:01

Capitulo 2

SABIÑÁNIGO

publicado por Ubicikrista às 14:00

Quase que me matavaaaaaa !!!!

Olá a todos !!!

Confesso-me um completo ignorante da geografia espanhola. Antes deste fim de semana pensava que só havia montanhas de Madrid para cima.

Que armadilha a de Málaga e a montanha do Torcal! Paco e eu coincidimos em que esta marcha é mas difícil que os Lagos de Covadonga.

Conto-vos. No sábado pela manhã saímos de Madrid, o Paco e eu, pensando que o que íamos fazer era um passeio em grupo, visto que pôr quatro abastecimentos numa marcha de 115 Km era demasiado.

Chegámos e alojámo-nos num hotel em pleno centro de Málaga, estava recém reformulado e a verdade é que muito bem.

Desde que chegámos a Málaga demos conta de que as coisas ali correm num ritmo diferente ao de Madrid. As pessoas aqui andam muito mais tranquilas e devagar.

Também vemos que Málaga é muito maior do que tinhamos imaginado. Tem muitos semáforos que duram muito pouco tempo.

Bom, basta de descrições e vamos ao que interessa.

QUE BELAS MOÇAS QUE HÁ EM MÁLAGA. COLEGAS !!!!.

Lamento, não era isto o que queria dizer (embora seja verdade).

Pela tarde conhecemos o Juan que está justamente no local onde combinara com o Paco, ao lado do computador. Grande Paco, este sim sabia o que era o Torcal. Ele mesmo dizia que se tivesse explicado a dureza desta montanha não teria vindo tanta gente.

Bom, no dia seguinte, já na marcha, conhecemos o Fernando que veio de Granada. Subimos a montanha de Fuente de la Reyna. Uma montanha muito confortável, com bastantes patamares para se poder recuperar. Durante a subida da serra, só oiço os diferentes grupos de ciclistas falar da dureza do Torcal. Todos sabem a fama dos andaluzes para o exagero, mas  amigos, estes não estavam a exagerar nada……. 

Descemos a Fuente de la Reyna e após uma rampa conchavada vemos ao longe o Torcal. E iope, ele está muito, muito empinado, mas não parece estar longe.

As primeiras rampas começam logo a doer um pouquinho. O caso é que, como vem sendo hábito, o Paco descola o Fernando e a mim, e sobe ao seu ritmo.

Fernando e eu começamos a comentar estas coisas típicas que se costumam dizer nestas ocasiões. Que faço eu aqui?. Com que gosto estaria em casa. !!!! Já não tenho idade para isto!!!. Eu o que gosto é desfrutar da bicicleta, etc, etc, etc…..!!!!.

Bom, depois de subir umas quantas rampas de, creio eu, mais de 11%, chegamos a uma zona na qual podemos recuperar um pouco.

Justamente depois desta zona, começa a subida dos últimos 3 quilómetros. Uma recta interminável. Eu tenho que parar quando faltam 2 quilómetros, porque me começam a dar cãibras na perna esquerda e deixo que o Fernando suba à sua maneira.

Após recuperar, subo e encontro o Paco e o Fernando sentados num muro. Todos dizemos o mesmo !!! Que difícil é esta montanha !!!. Fazemos uma fotos e atiramo-nos até lá abaixo. Ao descer dou conta da formosura da serra de Málaga. Paisagens dignas dos Picos da Europa ou dos pré-pirinéus Aragonêses.

Na povoação seguinte dão-nos um abastecimento sólido digno de aplauso. Não posso conter a enorme vontade de comer, e então, como e bebo a duas mãos e um pé.

A partir daqui começa o mais difícil, voltar a Málaga. Um calvário de 40 quilómetros cheios de rampas e alguma subida mais ou menos prolongada. Continuo a sentir cãibras nas pernas e deixo abalar o Paco e o Fernando.

Com uns carretos dignos de bicicleta de montanha vou-me arrastando tendo o cuidado de não forçar muito os músculos para não voltar a ter cãibras. Inevitavelmente, numa das subidas, dão-me de novo as ditas cãibras. Paro um pouco e volto a subir na bicicleta.

Com dificuldade, chego ao ponto mais alto da Volta a Málaga. E daqui em diante uma grande e muito, muito divertida descida, com muitas curvas e muita técnica. Curvas daquelas de entrar devagar e arrancar à saída. Por fim e com alguma dificuldade na minha pedaleira tripla chego a Málaga, partilhando os mesmos sentimentos do Paco e do Fernando.

Um circuito muito difícil, uma organização excelente e sobretudo, pela minha parte, uma falta de treino impressionante.

É que eu, desde logo, não estava preparado para uma coisa assim. Nunca me costumam dar cãibras nas pernas…

Os meus parabéns aos malaguenhos pela sua dedicação a esta marcha e por ser tão bem feita. O único que não gostei foi a falta de um pouco de Reflex, que não encontrei durante toda a marcha. Teria sido uma grande ajuda, pois não fui o único com cãibras nesse dia.

E isso é tudo, companheiros do aço.

Vamos ver se nos incentivamos a juntarmos mais gente nas marchas. Ainda não nos demos conta mas já somos um Clube. E com muitos contactos. Não estranhem ver dentro em pouco o Eduardo Chozas na Ciclo-Lista.

Nada mais.

Ai, Ai !!! . Deixo-vos. Acaba de me dar uma cãibra  nas orelhas,,,,,, até logo !!!!.

publicado por Ubicikrista às 13:04

A minha crónica é sobre o percurso da Clássica Eduardo Chozas, mas realizado na semana anterior com o meu Clube, já que eramos nós que cabia organizar.

Não a realizei antes porque temia que alguém fizesse marcha atrás.

Era a primeira vez que realizava o circuito, e estava com uma vontade enorme pelo que diziam do Torcal, e de superar um novo desafio.

A diferença deste domingo é que o tempo estava mau. Choveu um pouco quando subíamos a La Reyna, e fazia um vento daqueles de termos que agarrar bem a bicicleta.

Subindo a La Reyna, excepto a fera do Clube e os três novatos na subida ao Torcal, todos iam muito poupadinhos, de modo que reduzi o ritmo e deixei-me apanhar pelo grupo, protestando pelo ritmo tão lento a que iam. Eles diziam-me que mais adiante já falaríamos. Os três últimos km de subida a La Reyna fi-los bastante fortes, porque nesse momento pensava que não se subiria o Torcal devido ao mau tempo.

Descendo, o vento atingia-nos com força, e a parte entre Colmenar e Casabermeja, rectas onde normalmente se vai a boa velocidade, foram duras, duras, porque o vento batia de frente o suficiente para derrubar alguém da bicicleta.

A parte da subida até chegar a Villanueva, fez-se muito devagar. Um companheiro que ia comigo, fez-me o mesmo comentário. Três semanas antes subíramos esta parte até Villanueva, e naquela ocasião pareceu-nos metade do difícil do que nos pareceu agora.

Ao chegar a Villanueva, muitos pararam e disseram que esperavam que o fizéssemos também. Eu estive a ponto de ficar porque estava rebentado, mas o repto e a vontade de conhecer a subida do Torcal, tornou-se-me num "perigo para mim mesmo" prosseguir até ao cimo.

Só iam três companheiros à minha frente e um deles deu meia volta, coisa que estive a ponto de fazer também. Depois de muito sofrimento cheguei ao cimo, mas o meu calvário estava ainda por chegar.

De volta a Málaga, até Casabermeja, ia colando e descolando do grupo que até não ia muito rápido. Quando começámos a subir Patascortas, EXPLODI. ¡&iexcl[1]; Pássara monumental!!. O grupo afastava-se cada vez mais e eu levava "metido" o 26 (reservado para o Torcal) e tudo me parecia duríssimo. ¡ Não posso, não posso!. Cada pedalada é uma picada nos músculos, doem-me as costas, os pulsos, os braços e não podia raciocinar com clareza. Neste estado, aguentei talvez mais do que devia - a subida até Patascortas, e uma parte mais do percurso - até que decidi parar e subir para o carro que nos acompanhava. Foi a «pássara» maior que tive até hoje.

Um abraço. Juan Fdez



[1] N.T. Para caracterizar palavrões.

publicado por Ubicikrista às 13:03

Nesta altura da película, imagino que já todos vocês conheceis a cena de Malaga, e pouco mais fica para acrescentar às excelentes crónicas enviadas. De qualquer modo, e dado que tampouco escrevo muito na CicloLista, vou tentar complementar as outras crónicas com a minha  visão particular.

Antes de mais, vou apresentar-me um pouco. Vivo em Granada à sete anos, mas ainda sou de Bilbau, tenho quase 40 anos (em novembro próximo), meço um pouco mais de 1.80 e peso à volta de 85 Kg. Como vêem, não sou exactamente o dobro do Pantani, e com o qual mais me pareço no universo ciclista, é a um cu gordo holandês. Com esta introdução, e uma vez lidas o resto das crónicas da subida ao Torcal, já imaginam o bom bocado que passei.

A verdade é que gosto das marchas cicloturistas. Devido ao meu trabalho e a outras causas, saio na bicicleta quase sempre sozinho, e de vez em quando gosto de me meter no ambiente ciclista, ver e admirar as bicicletas dos outros, as pessoas dos clubes com as suas camisolas iguais (vamos a ver quando teremos as nossas) e, em resumo, esse conjunto de coisas que te levam a pensar que pelo menos por um dia tens algo em comum com o Indurain.

A primeira marcha que fiz (a subida a Veleta do ano passado), pensava que para o meu nível havia treinado bastante, e imaginava que ia encontrar gente parecida comigo. Grande erro. Nada mais se dar a partida, dos 700 que participávamos, cerca de 600 saíram disparados perante o meu olhar atónito, sabendo o que nos esperava, e ficámos num grupo onde se podia encontrar um amplo mostruário do leque dos varios tipos de cicloturistas, incluindo gente com as camisolas justas de mais, quer dizer, gordos; gente com pouco cabelo, e a maioria branco, em resumo, gente com todos os sintomas que dá a idade e os excessos da vida. Deles não há que dizer nada, já que este é o grupo com o qual sofri durante toda a subida, e os que volto a encontrar nas outras marchas em que participei, que considero os meus companheiros ciclistas. Como comentava antes, apesar disto, gosto de participar.

Entrando no baile. No domingo passado levantei-me cedo, tomei um pequeno almoço equivalente à dieta de uma modelo para um ano inteiro, apanhei o carro e fui para Málaga de encontro a esse ambiente que antes comentei. Logo de inicio, vi um tipo com uma fita retrovisora no capacete, acompanhado de outro com uma camisola de @ciclistas, e supus que não poderiam ser outros senão os meus companheiros da CicloLista. Pela primeira vez, o clube ciclista virtual convertia-se em real, e com grande alegria da minha parte, dispus-me a começar a marcha em boa companhia.

O que se seguiu já o devem ter lido. A subida ao Torcal é brutal, e muito mais para alguém com as minhas características físicas. Sofri o que ninguém escreveu. Tive que pôr o pé em terra algumas vezes, mas cheguei ao fim, e pudémos sacar a foto dos três heróis da jornada.

Depois, o regresso a Malaga (40 Km) foi angustiante. Estas provas com uma subida tão difícil, deveriam, finalizar no alto da montanha. Todo o percurso que falta parece em excesso, mas 40 Km de rompe pernas, com uma montanha de mais de 2 Km, é factura a mais do que estou acostumado a pagar. Durante esta parte final é onde mais aprecio a companhia do Faco e do Angel. Por estas alturas a marcha estava totalmente partida, e havia gente a regressar isolada, com uma cara de agonia, própria para inspirar actores, semelhante aos que participam na procissão da Semana Santa.

 Finalmente chegamos a Málaga, com a satisfação do dever cumprido. Tomamos três canhas de cerveja, um prato de macarrão e um bocado de tarte (tudo muito rico e com muito a-propósito), além de tirar-mos a fotografia com o Eduardo Chozas.

Posteriormente despedimo-nos com o firme compromisso de nos voltar-mos a ver na subida de Veleta deste ano.

Enfim, é curioso que depois do massacre a que nos tinham submetido, falássemos de Veleta, onde no ano anterior estive a ponto de me converter num monumento ao ciclista todo roto, mas são as coisas desta nossa “doença”, que quando as tentas contar a alguém, que nunca foi picado pelo bichinho, olham-te como se fosses doutra galáxia, ou tivesses levado uma pancada na cabeça.

Bom, espero que estas minhas reflexões tenham sido do vosso interesse. Um abraço companheiros, e até à próxima.

Fernando.

 

publicado por Ubicikrista às 13:02

«...quando te disserem que espanhol não é bem português,

faz o seguinte: deita a nossa língua de fora.»

 

Quem sabe, sabe e não vale a pena renegar. São fulanos batidos nestas andanças e com os quais nos identificamos de imediato. Iremos servir-nos das suas opiniões - as nossas estão em suporte áudio visual, para os mais cépticos, embora saiba que ao céptico ninguém mente, uma vez que ele não crê nem na verdade - para descrever as diferentes sensações ao longo do percurso. Além disso eles conhecem melhor aquelas paragens que nós. Ficaremos decerto também a conhecer mais profundamente a sua linguagem neste meio.

A verdade é que as crónicas aportam-nos conhecimentos sobre o mundo do cicloturismo - são só por si um verdadeiro manual – sob um olhar de outras culturas diferentes da nossa. Espero que gostem tanto de os ouvir como eu! Perdão, de os ler.

publicado por Ubicikrista às 13:00

A saída será às 8:30 (7:30 em Portugal) da manhã no Polidesportivo Ciudad Jardín. O percurso terá  uma distancia de 125 Km. A corrida só começa com um ritmo livre a partir do inicio da ascensão à serra de León, de 864 m , com inclinação média de 5,3%, na distancia de 16 km. Com subidas de inclinação máxima de 11 ou 12%. Segue-se uma descida que passa por Colmenar e Casabermeja, para dar inicio à  ascensão à serra mais dura, El Torcal, passando por Villanueva de la Concepción. El Torcal tem uma inclinação média de 8,4%, com rampas de 14%.

A partir daqui começa o regresso a Málaga, passando de novo por Villanueva de la Concepción e Casabermeja, para enfrentar as últimas subidas da corrida, e chegar à meta situada no Polidesportivo Ciudad Jardín.

Informação Complementar: O Clube Ciclista Malaguenho pretendeu esta prova mostrar a incrível beleza da paisagem de Parques Naturais que há nesta província de Andaluzia, como são o Parque Natural de Los Montes, o Parque Natural de Málaga – Fuente de La Reina e o Parque Natural de El Torcal. Claro que ao pedalar por estes Parques pode-se desfrutar da vista de espectaculares paisagens, formada por variados processos geológicos, meteorológicos e químicos, como são as paisagens Karsticas do famoso Torcal de Antequera.

 

publicado por Ubicikrista às 12:32

«Experiência é o nome que todos dão aos seus erros.»

 

Não havia tempo para planear nada de jeito nem temos conhecimentos para isso. Abrir um manual e obedecer à risca não é o nosso género, parecia dar um carácter profissional à coisa. Confiávamos, isto é, desconfiávamos, como fazem todos os portugueses, que se a coisa corresse mal podíamos sempre dar como desculpa que e não nos preparáramos convenientemente. Não foi permitido este subterfúgio. Limitámo-nos por comum acordo e porque ninguém tinha experiência do que nos esperava, a fazer quilómetros[1], a agarrar endurance, sem andar-mos a esgalhar e sem alterações repentinas de ritmo. Acreditem que se fez tudo muito calmamente, ou duvidem; Afinal de contas, mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. Já agora, como é que se distingue um coxo de um mentiroso? Canja: basta começar a correr atrás de ambos.

 



[1] Salientar a ajuda dos que contribuem com a sua companhia neste acumular de quilómetros. Para alguns deles também foi uma aventura fazer 120 ou 140 numa manhã. Deram um passo, faltou o outro, que era irem também. Ao Carvalho (um espectáculo a subir antes de ir à faca), ao Raposo (110! «Papá traz o carro»), ao Inácio («Segura aí a perna»), ao Ferro (medufas) ao Rui (pelo entusiasmo do brinquedo novo) e ao Marques (pelo silencio absoluto).

publicado por Ubicikrista às 12:31

«Se uma experiência correu bem, é porque

alguma coisa correu mal.»

 

 

Íamos ali a Málaga "a provar", como diz o Pedro Delgado, para caracterizar uma situação sempre que se tenta uma fuga que mais não seja para experimentar a reacção dos adversários. Se a coisa não corresse bem, ou caísse fora dos nossos sonhos, bie, bie Espanha. Hasta la vista.

Por outro lado, as montanhas sempre nos intrigaram. Hoje em dia, alguns psicólogos examinam o simbolismo do acto de escalar montanhas. Como declarou um deles, «é uma questão discutível se o desejo de um homem por mulheres com mamas grandes implica anseio por montanhas, ou se o anseio por montanhas oculta o desejo por mulheres de mamas grandes». Pessoalmente, não vejo por que uma coisa exclua a outra. Mas a sério! As dúvidas e expectativas persistiam. Como diria alguém realista: «e se tudo for uma ilusão e nada existir? Nesse caso, não há dúvida de que dei muito dinheiro pela meu carro novo».

Era o nosso debute e as dúvidas eram mais que muitas, as expectativas enormes e algum nervosismo. Os cabeços seriam como? A descer? Querias! Claro que não. Mas essas histórias dos 8, 10, 12 e 14 ou 15% são melhor ir lá ver para termos a certeza. E o transporte? E se levássemos as camisolas todas iguais? Da Banesto não temos para todos! E a dormida, e quantas pesetas vamos gastar? Podemos pagar em escudos? Toda esta teoria foi respondida atempadamente, mas faltava pôr em prática o ditado do tal Santo de ver para crer. Até porque, há a famosa discrepância entre teoria e prática. A teoria é quando se sabe tudo e nada funciona. A prática é quando tudo funciona e ninguém sabe porquê. A ver vamos...

publicado por Ubicikrista às 12:31

 «Deus, ao criar o homem, sobrestimou a Sua capacidade.»

 

A passagem de um desporto tão diferente como o futebol para o ciclismo fora um êxito. A aprendizagem fora rápida e mortífera. Com excepção do Portel, era consubstanciar uma relação que perdura há muitos anos. Havia que lançar um repto para que a confiança voltasse a quem durante tantos anos se agarrou ao futebol e não via mais nada. Tantas vitorias a encher o ego de confiança precisavam de ser readquiridas, algo que trouxesse as mesmas sensações só que desta vez através do ciclismo.Além disso o bichinho andava cá dentro a roer há muitos anos, como uma coisa impossível de alcançar. O poeta já avisara que não há limites quando um homem se põe a pensar.

 A desculpa veio meio embrulhada em forma de revista que um dos pinantes trouxe de Badajoz: participar numa prova de cicloturismo no país de nuestros hermanos. Pois, grande coisa! Mas cá também há disso e nós fugimos delas como o diabo da cruz, e ainda por cima com inscrições pagas. O quê! Tiram o tempo à chegada! mas isso é uma corrida, dessas que nós menosprezamos e que muitos nos apodam de cobardes por não entrarmos nelas e preferirmos competir entre nós, com o sistemático de deixar para trás os menos aptos... E se em vez de uma, fosse fartar todos os sonhos da vilanagem de uma vez por todas?

O esquema, tinha em conta a área geográfica, funcionava assim: 2 pontos por participação e mais um por chegar ao fim (com excepção de 2 provas no Sul que valiam 4 e a de Valência que era de 3, juntamente com uma de 215 km por ser a mais dura). O circuito compunha-se de 15 provas mas com a desistência de Covadonga bastava atingir-mos 14 pontos para a medalha de bronze ser alcançada, e foi para este objectivo que enfocámos a ambição. Convite alargado à canalha, que poucos aceitaram; aí vamos nós... Sigam-nos, que agora quem puxa somos nós.

publicado por Ubicikrista às 12:30

... ao contrário de tantos escritores duvidosos,

não melhoraram com a tradução...

 

Quando por brincadeira me propus traduzir algumas passagens para que nada nos faltasse em termos de conhecimentos, estava apenas a dar a primeira papa ao bebé. Traduzir é complicado – o meu prof. de comunicação dizia constantemente TRADUCTORE TRADITORE do latim, e que significa «tradutor, traidor» - acabamos sempre por meter a foice em seara alheia. Não o fiz propositadamente. Se a coisa não soa melhor é porque o tocador é fraco. Como alguém disse: «uma vez que não podemos obter o melhor, devemos contentar-nos com o medíocre». Calma, não tão radical, porque qualquer tradutor irá sempre meter a tal foice e com os seus conhecimentos, pôr-se na pele da pessoa que escreveu, recorrendo para tal à sua própria sensibilidade. É um pouco como quando um juiz tem de aplicar uma lei antiga. Tem que saber qual era o espírito do legislador na altura que este fabricou a lei. Como disse o outro: "Afortunadamente, o sociólogo não foi obrigado a fazer um striptease. Despiu-se apenas dos seus preconceitos e conheceu a verdade nua e crua". A-propósito, foi assim, como tradutor que Saramago começou. Não pretendo seguir estes passos, juro – como striper claro.

Ao tentar manter linearmente o espírito original de cada pessoa, detectam-se diferenças literárias entre crónicas: uns são apenas ciclistas com a mania das queixinhas (contam aos outros o que viram, o que é interessante) outros gostam de fazer brilhar a pena e de ciclismo sabem ainda pouco, embora alguns conciliam as duas coisas como verão adiante. Enfim, trocando por miúdos (como diria aquele pedófilo), intentemos por exemplo na palavra tirar. Significa para os espanhóis na gíria ciclista: meter todos os carretos possíveis e puxar que nem um desalmado até fazer descolar o pessoal todo. Para nós portugueses é apenas aliviar. Imaginem a cena no Pico de Veleta, na parte mais dura, eu a dizer a um dos nossos com insistência, tira, tira, i.é, para ele aliviar. E os espanhóis a verem aquele berreiro todo, olhavam, olhavam e nada acontecia. O homem não acelerava coisa nenhuma, não partia nada a loiça toda, tirava era uma mudança e ficávamos cada vez mais para trás. Bem feito, mais uns que ficaram a conhecer a genuína fibra dos alentejanos.

Outra situação com a mesma palavra aconteceu numa das partes mais duras do Marie Blanque (15%), como não conseguia avançar sem me apear comecei a dar meia volta para trás, descia uns metros, virava e continuava a subida. Numa destas manobras e como a estrada era estreita, espalhei-me da «chiba». Um espanhol que vinha a subir nas calmas ao passar por mim disse-me. «Tira la bici», isto é, «deita-a fora», como se ela me tivesse acabado de morder ou fosse a causa do meu sofrimento.

publicado por Ubicikrista às 12:04

«Nada que valha a pena aprender pode ser ensinado.»

 

Guardar par cada um de nós esta aventura e não a partilhar pareceu ser o caminho mais provável a seguir. Basta um olhar e toda a cumplicidade vivida vem à tona como se fosse um segredo entre os intervenientes. Noutros desportos é possível olhar nos olhos de frente o adversário ou companheiro e sentir que nos respeitam. No cicloturismo não. Não temos que enfrentar ninguém senão nós próprios e o relevo.

Para pôr fim a esse isolamento resolvemos partilhar essa cumplicidade com todos e fazer surgir este Ensaio, além disso, escrever é a única profissão em que ninguém é considerado ridículo se não ganhar dinheiro.

publicado por Ubicikrista às 12:02

«Só a maldade mantém os velhos vivos»

 

... Dedico este ensaio ao João - pela paragem das idas ao frigorífico a meio da noite; ao Aleixo - pelas descontraturas musculares; ao Pedro - pela incerteza das batidas; e ao Carrapato – pela purificação dos pulmões familiares - a todos eles pela perseverança e teimosia em recusarem o passar dos anos e por terem sabido provar que o desporto pode ser qualquer modalidade, seja como o sumo, em que dois marmanjos cheios de banhas, vestidos com um fio dental, se agarram mutuamente. Dir-se-ia que o vencedor é aquele que muda primeiro a fralda ao outro.

Preferiram o sofrimento, substituindo o banco de dirigente ou treinador, ou a bancada de adepto, por outro mais incómodo, de seu nome: selim. Penso que vão sempre querer continuar a brincar ao desporto tal como na infância e ao longo da vida. Mas a vida vale a pena ser vivida? Ora, meus caros, esta é uma pergunta para um espermatozóide, não para um ser humano. Em frente.

publicado por Ubicikrista às 12:01

ABORDAGEM A UMA EXPERIENCIA POR 4 PAÍSES DIFERENTES

(para já só o que está ativado a vermelho)

                Escrito, visando ser publicado como livro, em novembro de 1999

«Recomendo vivamente este livro

- pode ser lido de olhos fechados»

ÍNDICE

PREÂMBULO

INTRODUÇÃO

TRADUÇÃO

1ª PARTE: PREMEDITAÇÃO

OBJECTIVOS

TREINO

2ª PARTE: PARTICIPAÇÃO

CAPITULO 1: MALAGA

INTRODUÇÃO

PERFIL

CRÓNICAS

Faco, Angel, Juan, Fernando

O Inferno do Torcal por Ricardo Costa

RESCALDO

 

CAPITULO 3: PUIGCERDÁ        

INTRODUÇÃO

PERFIL

CRÓNICAS - Crónica poética

RESCALDO

CAPITULO 2: SABIÑÁNIGO

INTRODUÇÃO

PERFIL

CRÓNICAS

Ramon, Javier, Angel,

Miguel, Biciclo

RESCALDO

 

CAPITULO 4: SIERRA NEVADA

INTRODUÇÃO

PERFIL

CRÓNICAS - Faco, Fernando, Ramon, Juan

RESCALDO

3ª PARTE:  ANTEVISÃO

 

INTRODUÇÃO

CAPITULO 1: FICÇÃO

Um domingo,

Um feriado


CAPITULO 3: PORTOS DE MADRID              

Ramon, Faco, Juan

CAPITULO 2: LAGOS DE COVADONGA

Ramon, Faco, Angel, Eugenio, José Ramon, Javier,

David, Fernando, Charly

 

CAPITULO 4: ANGLIRU

Alberto, Antonio, Andrés, Fernando, David

 

CAPITULO 5: PARIS-BREST-PARIS

Brevet 300

Brevet 400

Brevet 600

4ª PARTE: CONCLUSÃO

 

EXTRA: VERSÃO FICCIONADA

 

Personagens

Folgas, Arreatas, Rebocador, Amigo, Gordo

publicado por Ubicikrista às 12:00

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