01 de Outubro de 2009

"Á primeira cavadela ...minhoca."

 

Ficámos a saber como elas mordem. Para terem uma ideia: no Torcal quando já não conseguia mais, parei. Uma senhora que estava ali por perto fez-me uma pergunta que me recordou a 1ª vez que andei de avião, quando a hospedeira, examinando a minha cara, me perguntou se estava a sentir falta de ar. Respondi-lhe: «Pelo contrário - estou a sentir falta de terra.» Aqui, terra era o que tinha a mais, mas ar para o peito nem vê-lo. Não há forma de combater o sofrimento. Uma vez alguém disse que «o preceito crucial do algemado é não pensar em comichão.», aqui é não pensar em nada enquanto se sofre.

Glória para todos, com insatisfação para alguns - meteram o 2º. carreto antes de tempo. Ficou no ar a ideia de que mais difícil que o Torcal seria impossível. Também ficámos a saber que fugir na montanha não é o mesmo que fugir do chilindró, em que bastou ao padre Frederico aproximar-se da porta e caminhar às arrecuas. Fugas ao sofrimento, só com o pé no chão.

 Afinal a prova era só de 62 km, e o percurso do regresso era até facultativo. Mas a moral de cada um levou um porradão decisivo na vila de Concepción. Como diria o meu amigo Neto, o brasileiro: «minha moral ficou mais baixa que cu de cobra.» Como era possível existir um inferno e termos ido lá parar. O mesmo disse, a Rosita (a dona da pensão), quando nos viu chegar às duas da manhã: «Com tantas espeluncas espalhadas pelo mundo, vieram logo parar à minha.»

A verdade é que quando chegámos à meta, fomos ainda a tempo de satisfazer uma necessidade fisiológica, mas não diremos se sólida, líquida ou gasosa ... e quem não gostar que vá lamber sabão.

publicado por Ubicikrista às 13:05

A minha crónica é sobre o percurso da Clássica Eduardo Chozas, mas realizado na semana anterior com o meu Clube, já que eramos nós que cabia organizar.

Não a realizei antes porque temia que alguém fizesse marcha atrás.

Era a primeira vez que realizava o circuito, e estava com uma vontade enorme pelo que diziam do Torcal, e de superar um novo desafio.

A diferença deste domingo é que o tempo estava mau. Choveu um pouco quando subíamos a La Reyna, e fazia um vento daqueles de termos que agarrar bem a bicicleta.

Subindo a La Reyna, excepto a fera do Clube e os três novatos na subida ao Torcal, todos iam muito poupadinhos, de modo que reduzi o ritmo e deixei-me apanhar pelo grupo, protestando pelo ritmo tão lento a que iam. Eles diziam-me que mais adiante já falaríamos. Os três últimos km de subida a La Reyna fi-los bastante fortes, porque nesse momento pensava que não se subiria o Torcal devido ao mau tempo.

Descendo, o vento atingia-nos com força, e a parte entre Colmenar e Casabermeja, rectas onde normalmente se vai a boa velocidade, foram duras, duras, porque o vento batia de frente o suficiente para derrubar alguém da bicicleta.

A parte da subida até chegar a Villanueva, fez-se muito devagar. Um companheiro que ia comigo, fez-me o mesmo comentário. Três semanas antes subíramos esta parte até Villanueva, e naquela ocasião pareceu-nos metade do difícil do que nos pareceu agora.

Ao chegar a Villanueva, muitos pararam e disseram que esperavam que o fizéssemos também. Eu estive a ponto de ficar porque estava rebentado, mas o repto e a vontade de conhecer a subida do Torcal, tornou-se-me num "perigo para mim mesmo" prosseguir até ao cimo.

Só iam três companheiros à minha frente e um deles deu meia volta, coisa que estive a ponto de fazer também. Depois de muito sofrimento cheguei ao cimo, mas o meu calvário estava ainda por chegar.

De volta a Málaga, até Casabermeja, ia colando e descolando do grupo que até não ia muito rápido. Quando começámos a subir Patascortas, EXPLODI. ¡&iexcl[1]; Pássara monumental!!. O grupo afastava-se cada vez mais e eu levava "metido" o 26 (reservado para o Torcal) e tudo me parecia duríssimo. ¡ Não posso, não posso!. Cada pedalada é uma picada nos músculos, doem-me as costas, os pulsos, os braços e não podia raciocinar com clareza. Neste estado, aguentei talvez mais do que devia - a subida até Patascortas, e uma parte mais do percurso - até que decidi parar e subir para o carro que nos acompanhava. Foi a «pássara» maior que tive até hoje.

Um abraço. Juan Fdez



[1] N.T. Para caracterizar palavrões.

publicado por Ubicikrista às 13:03

Nesta altura da película, imagino que já todos vocês conheceis a cena de Malaga, e pouco mais fica para acrescentar às excelentes crónicas enviadas. De qualquer modo, e dado que tampouco escrevo muito na CicloLista, vou tentar complementar as outras crónicas com a minha  visão particular.

Antes de mais, vou apresentar-me um pouco. Vivo em Granada à sete anos, mas ainda sou de Bilbau, tenho quase 40 anos (em novembro próximo), meço um pouco mais de 1.80 e peso à volta de 85 Kg. Como vêem, não sou exactamente o dobro do Pantani, e com o qual mais me pareço no universo ciclista, é a um cu gordo holandês. Com esta introdução, e uma vez lidas o resto das crónicas da subida ao Torcal, já imaginam o bom bocado que passei.

A verdade é que gosto das marchas cicloturistas. Devido ao meu trabalho e a outras causas, saio na bicicleta quase sempre sozinho, e de vez em quando gosto de me meter no ambiente ciclista, ver e admirar as bicicletas dos outros, as pessoas dos clubes com as suas camisolas iguais (vamos a ver quando teremos as nossas) e, em resumo, esse conjunto de coisas que te levam a pensar que pelo menos por um dia tens algo em comum com o Indurain.

A primeira marcha que fiz (a subida a Veleta do ano passado), pensava que para o meu nível havia treinado bastante, e imaginava que ia encontrar gente parecida comigo. Grande erro. Nada mais se dar a partida, dos 700 que participávamos, cerca de 600 saíram disparados perante o meu olhar atónito, sabendo o que nos esperava, e ficámos num grupo onde se podia encontrar um amplo mostruário do leque dos varios tipos de cicloturistas, incluindo gente com as camisolas justas de mais, quer dizer, gordos; gente com pouco cabelo, e a maioria branco, em resumo, gente com todos os sintomas que dá a idade e os excessos da vida. Deles não há que dizer nada, já que este é o grupo com o qual sofri durante toda a subida, e os que volto a encontrar nas outras marchas em que participei, que considero os meus companheiros ciclistas. Como comentava antes, apesar disto, gosto de participar.

Entrando no baile. No domingo passado levantei-me cedo, tomei um pequeno almoço equivalente à dieta de uma modelo para um ano inteiro, apanhei o carro e fui para Málaga de encontro a esse ambiente que antes comentei. Logo de inicio, vi um tipo com uma fita retrovisora no capacete, acompanhado de outro com uma camisola de @ciclistas, e supus que não poderiam ser outros senão os meus companheiros da CicloLista. Pela primeira vez, o clube ciclista virtual convertia-se em real, e com grande alegria da minha parte, dispus-me a começar a marcha em boa companhia.

O que se seguiu já o devem ter lido. A subida ao Torcal é brutal, e muito mais para alguém com as minhas características físicas. Sofri o que ninguém escreveu. Tive que pôr o pé em terra algumas vezes, mas cheguei ao fim, e pudémos sacar a foto dos três heróis da jornada.

Depois, o regresso a Malaga (40 Km) foi angustiante. Estas provas com uma subida tão difícil, deveriam, finalizar no alto da montanha. Todo o percurso que falta parece em excesso, mas 40 Km de rompe pernas, com uma montanha de mais de 2 Km, é factura a mais do que estou acostumado a pagar. Durante esta parte final é onde mais aprecio a companhia do Faco e do Angel. Por estas alturas a marcha estava totalmente partida, e havia gente a regressar isolada, com uma cara de agonia, própria para inspirar actores, semelhante aos que participam na procissão da Semana Santa.

 Finalmente chegamos a Málaga, com a satisfação do dever cumprido. Tomamos três canhas de cerveja, um prato de macarrão e um bocado de tarte (tudo muito rico e com muito a-propósito), além de tirar-mos a fotografia com o Eduardo Chozas.

Posteriormente despedimo-nos com o firme compromisso de nos voltar-mos a ver na subida de Veleta deste ano.

Enfim, é curioso que depois do massacre a que nos tinham submetido, falássemos de Veleta, onde no ano anterior estive a ponto de me converter num monumento ao ciclista todo roto, mas são as coisas desta nossa “doença”, que quando as tentas contar a alguém, que nunca foi picado pelo bichinho, olham-te como se fosses doutra galáxia, ou tivesses levado uma pancada na cabeça.

Bom, espero que estas minhas reflexões tenham sido do vosso interesse. Um abraço companheiros, e até à próxima.

Fernando.

 

publicado por Ubicikrista às 13:02

A saída será às 8:30 (7:30 em Portugal) da manhã no Polidesportivo Ciudad Jardín. O percurso terá  uma distancia de 125 Km. A corrida só começa com um ritmo livre a partir do inicio da ascensão à serra de León, de 864 m , com inclinação média de 5,3%, na distancia de 16 km. Com subidas de inclinação máxima de 11 ou 12%. Segue-se uma descida que passa por Colmenar e Casabermeja, para dar inicio à  ascensão à serra mais dura, El Torcal, passando por Villanueva de la Concepción. El Torcal tem uma inclinação média de 8,4%, com rampas de 14%.

A partir daqui começa o regresso a Málaga, passando de novo por Villanueva de la Concepción e Casabermeja, para enfrentar as últimas subidas da corrida, e chegar à meta situada no Polidesportivo Ciudad Jardín.

Informação Complementar: O Clube Ciclista Malaguenho pretendeu esta prova mostrar a incrível beleza da paisagem de Parques Naturais que há nesta província de Andaluzia, como são o Parque Natural de Los Montes, o Parque Natural de Málaga – Fuente de La Reina e o Parque Natural de El Torcal. Claro que ao pedalar por estes Parques pode-se desfrutar da vista de espectaculares paisagens, formada por variados processos geológicos, meteorológicos e químicos, como são as paisagens Karsticas do famoso Torcal de Antequera.

publicado por Ubicikrista às 12:33

A saída será às 8:30 (7:30 em Portugal) da manhã no Polidesportivo Ciudad Jardín. O percurso terá  uma distancia de 125 Km. A corrida só começa com um ritmo livre a partir do inicio da ascensão à serra de León, de 864 m , com inclinação média de 5,3%, na distancia de 16 km. Com subidas de inclinação máxima de 11 ou 12%. Segue-se uma descida que passa por Colmenar e Casabermeja, para dar inicio à  ascensão à serra mais dura, El Torcal, passando por Villanueva de la Concepción. El Torcal tem uma inclinação média de 8,4%, com rampas de 14%.

A partir daqui começa o regresso a Málaga, passando de novo por Villanueva de la Concepción e Casabermeja, para enfrentar as últimas subidas da corrida, e chegar à meta situada no Polidesportivo Ciudad Jardín.

Informação Complementar: O Clube Ciclista Malaguenho pretendeu esta prova mostrar a incrível beleza da paisagem de Parques Naturais que há nesta província de Andaluzia, como são o Parque Natural de Los Montes, o Parque Natural de Málaga – Fuente de La Reina e o Parque Natural de El Torcal. Claro que ao pedalar por estes Parques pode-se desfrutar da vista de espectaculares paisagens, formada por variados processos geológicos, meteorológicos e químicos, como são as paisagens Karsticas do famoso Torcal de Antequera.

 

publicado por Ubicikrista às 12:32

«Se uma experiência correu bem, é porque

alguma coisa correu mal.»

  

Íamos ali a Málaga "a provar", como diz o Pedro Delgado, para caracterizar uma situação sempre que se tenta uma fuga que mais não seja para experimentar a reacção dos adversários. Se a coisa não corresse bem, ou caísse fora dos nossos sonhos, bie, bie Espanha. Hasta la vista.

Por outro lado, as montanhas sempre nos intrigaram. Hoje em dia, alguns psicólogos examinam o simbolismo do acto de escalar montanhas. Como declarou um deles, «é uma questão discutível se o desejo de um homem por mulheres com mamas grandes implica anseio por montanhas, ou se o anseio por montanhas oculta o desejo por mulheres de mamas grandes». Pessoalmente, não vejo por que uma coisa exclua a outra. Mas a sério! As dúvidas e expectativas persistiam. Como diria alguém realista: «e se tudo for uma ilusão e nada existir? Nesse caso, não há dúvida de que dei muito dinheiro pela meu carro novo».

Era o nosso debute e as dúvidas eram mais que muitas, as expectativas enormes e algum nervosismo. Os cabeços seriam como? A descer? Querias! Claro que não. Mas essas histórias dos 8, 10, 12 e 14 ou 15% são melhor ir lá ver para termos a certeza. E o transporte? E se levássemos as camisolas todas iguais? Da Banesto não temos para todos! E a dormida, e quantas pesetas vamos gastar? Podemos pagar em escudos? Toda esta teoria foi respondida atempadamente, mas faltava pôr em prática o ditado do tal Santo de ver para crer. Até porque, há a famosa discrepância entre teoria e prática. A teoria é quando se sabe tudo e nada funciona. A prática é quando tudo funciona e ninguém sabe porquê. A ver vamos...

publicado por Ubicikrista às 12:32

«Se uma experiência correu bem, é porque

alguma coisa correu mal.»

 

 

Íamos ali a Málaga "a provar", como diz o Pedro Delgado, para caracterizar uma situação sempre que se tenta uma fuga que mais não seja para experimentar a reacção dos adversários. Se a coisa não corresse bem, ou caísse fora dos nossos sonhos, bie, bie Espanha. Hasta la vista.

Por outro lado, as montanhas sempre nos intrigaram. Hoje em dia, alguns psicólogos examinam o simbolismo do acto de escalar montanhas. Como declarou um deles, «é uma questão discutível se o desejo de um homem por mulheres com mamas grandes implica anseio por montanhas, ou se o anseio por montanhas oculta o desejo por mulheres de mamas grandes». Pessoalmente, não vejo por que uma coisa exclua a outra. Mas a sério! As dúvidas e expectativas persistiam. Como diria alguém realista: «e se tudo for uma ilusão e nada existir? Nesse caso, não há dúvida de que dei muito dinheiro pela meu carro novo».

Era o nosso debute e as dúvidas eram mais que muitas, as expectativas enormes e algum nervosismo. Os cabeços seriam como? A descer? Querias! Claro que não. Mas essas histórias dos 8, 10, 12 e 14 ou 15% são melhor ir lá ver para termos a certeza. E o transporte? E se levássemos as camisolas todas iguais? Da Banesto não temos para todos! E a dormida, e quantas pesetas vamos gastar? Podemos pagar em escudos? Toda esta teoria foi respondida atempadamente, mas faltava pôr em prática o ditado do tal Santo de ver para crer. Até porque, há a famosa discrepância entre teoria e prática. A teoria é quando se sabe tudo e nada funciona. A prática é quando tudo funciona e ninguém sabe porquê. A ver vamos...

publicado por Ubicikrista às 12:31

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