17 de Dezembro de 2009

"O gozo não está no conseguir, mas sim no tentar..."

O moço vinha com algum receio de não aguentar a parada, mas ... safou-se

em alta definição (HD) dando 2 cliques

publicado por Ubicikrista às 01:34

02 de Outubro de 2009

FICÇÃO

O NOVATO

(continuação)

Ele bem conta a sua versão dos factos a todos os amigos alertando para os que queiram praticar este desporto perigoso:

- Façam “mapling” mas bloqueiem-lhe as rodas.

A verdade aqui para nós, é que ele, até aquela idade, não praticara nenhum desporto. Atirara até uns pontapés a uma bola em novo a meias com um vizinho gordo, de quem os outros gaiatos fugiam da companhia. Vira ao longos dos anos os colegas de trabalho inscreverem-se em actividades colectivas do Inatel, como o andebol, o basquete, o voleibol e até o atletismo, mas a ele nunca nenhum colega o convidara verdadeiramente, nem mesmo para fiscal de linha, nas jogatanas que antecediam as almoçaradas de Natal. Também porque é que haveriam de o convidar, nunca tivera jeito para desporto nenhum, para além de umas braçadas na quinzena de férias em Quarteira todos os verões. E mesmo esse pseudo-desporto era para tentar impressionar uma solteirona jeitosa que todos os anos na mesma altura, tinha como vizinha naquele toldo alugado por 2 semanas. Ele até reparava que a maioria das vezes, quando voltava do seu acto de bravura, as ditas braçadas, ela estava de olhos fechados enquanto esturricava o “corpo” - porque não sei se notaram é o que algumas donzelas têm – ao sol e nem reparara em tanta bravura, digo braçadura, que acabara de perder. Então durante alguns minutos para completar a faena, fazia-se ao sprint final, andando de um lado para outro, no espaço de 50 metros, junto ao areal, até o efeito do peito inchado desaparecer, mal sabendo que aquela subida peitoral que ele não controlava, mas que ostentava com tanta devoção, e que ano após ano se prolongava por mais tempo, se devia ao facto de, ao armar-se em nadador, mal conseguia respirar, dando origem a que o diafragma se manifestasse pelo brusco comportamento do seu dono naqueles 15 dias, e só naqueles. No resto do ano o diafragma poderia descansar do desporto.

Como desportista inapto como vimos (ou é inato, os Palops que resolvam. Pronto, não lhe digam, fica inepto) fez correr o boato de que era até simpatizante do Sporting para poder ser motivo de chacota dos colegas sempre que este perdia. Mas continuava a ouvir, cada vez com mais atenção para poder intervir nas conversas dos colegas, á espera de uma oportunidade. E não é que esse dia chegou.

Desde já algum tempo que reparara num ou noutro colega, digamos, assim a modos que desportista como ele, que vinham fazendo pequenas afirmações, extra futebol, do tipo:

- Olha este Domingo foram 70.

- Ah! Eu já fiz 40 e ainda me dói o rabo, mas foi só a 2ª vez.

Ao princípio ainda pensara, se algum deles andara na Casa Pia, depois em flexões enquanto entrecruzava mentalmente os indicadores das duas mãos para cima, para baixo e para os lados tentando decifrar a frase. Alto lá e pára o baile, pensou para ele, quando finalmente se apercebeu da coisa. Afinal ele em moço tinha tido um arrebenta cus daqueles. Mas nunca ninguém lhe dissera que andar de bicicleta valia como desporto. Grande coisa andar de bicicleta, vai mas é trabalhar como diz o outro. E insistia, grande coisa andar de bicicleta, qualquer pessoa sabe – com excepção do seu vizinho gordo, que a única coisa que sabia andar era de bola debaixo do braço, a mostrar-se, tipo prostituta em saldo (queriam, isso não existe pois não?). A partir desse dia ficou a saber que afinal sempre fora um desportista, não pagava era as quotas, assim como os católicos que não vão à igreja, mas são sócios desde a 1ª comunhão. Nem pediu conselho ao colega mais experimentado, sobre que “material” deveria adquirir. Daquele novo “desporto” percebia ele.

È com o orgulho, igual àquele, de quando saía da água com o peito inchado direito á tolha na praia, que o vemos todos o domingos, quer chova ou faça vento, pôr-se á frente do grupo a marcar andamento, sabendo que enquanto conseguir subir para uma bicicleta – nem que para lá chegar tenha de ir de bengala – nunca mais vai deixar de ser desportista.

Foi nessa altura que um dos mais veteranos do grupo desatou a rir.

- Ouviste bem o que o chefe disse?

Volantino Inteiriço ainda esboçou uma última desculpa.

-  Tá bem. Em circuito fechado ainda o percebo. Mas médias de 33, isso é andar muito.

O velho chefe de fila aparentando um ar chateado, achou que a coisa já tinha ido longe de mais no seu entender, resolveu puxar dum travão pondo fim aos ataques incessantes:

- É que as minis não levam tanto.

publicado por Ubicikrista às 03:30

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